2. O ídolo no mundo contemporâneo: um tensionamento de valores
2.1 A transformação do esporte na modernidade: nascem os atletas-celebridades
Como desenvolvemos no capítulo anterior, a modernidade foi o primeiro passo para a constituição do mundo contemporâneo. As mudanças sociais, culturais, políticas e econômicas foram cruciais para uma nova forma de vida adotada pelos seres humanos no Ocidente. Assim, é claro que todos os segmentos da comunidade sofreram mutações, o que não deixa o lazer de fora. O esporte ganha outro corpo quando assimila os valores modernos e se configura como uma importante fonte de receita. O lucro se baseia, em grande parte, nas estrelas esportivas. Atletas que se destacam e ganham o status de célebres são, muitas vezes, o motor das partidas. É, então, de suma importância detalharmos esse processo pelo qual o esporte passou.
Estudioso do tema, o sociólogo Barry Smart (2005) argumenta que o desenvolvimento do esporte está intimamente ligado ao projeto moderno. A racionalidade teve grande influência ao aliar inovação e desenvolvimento em busca da melhoria do desempenho. Novidades científicas são comumente aplicadas nos estádios, nos jogos e nas transmissões. A ciência baseia os treinos, as dietas e as técnicas dos atletas:
O objetivo é maximizar o potencial, alcançar mais, melhorar nos tempos, distâncias, pesos, alturas, pontuação e pontos totais já existentes, para aumentar os aspectos estéticos da performance enquanto se reduz o uso e o desgaste do corpo e outros estresses e
tensões experimentados nos esforços esportivos competitivos (SMART, 2005, p. 31, tradução nossa).5
O autor diz também que a industrialização e o capitalismo trazem novas formas de organização social. Logo, a urbanização é um dos traços importantes do mundo moderno, como já discutimos no primeiro capítulo. Smart alega que tais fatores levaram a mudanças no transporte, na comunicação e na vida doméstica. Em consequência, a recreação e as brincadeiras ganham um novo modo de organização do tempo e do espaço. Em um curto período, vemos o aumento de competições e torneios, especialmente os nacionais, devido aos benefícios da facilidade de locomoção. Com o interesse de um público cada vez maior, disposto a pagar para ver as partidas, o esporte se torna uma interessante fonte de renda. A burocracia moderna, lembra Smart, é outro ponto importante. Durante o século XIX, as brincadeiras populares foram submetidas à regulação racional. Órgãos regionais, nacionais e internacionais são criados para fiscalizar os códigos de conduta das modalidades. Nesse momento, também ocorre a distinção entre amadores e profissionais.
Além disso, não podemos deixar de citar o individualismo, que discutimos no capítulo anterior. O sujeito que aparece por uma virtude ou uma qualidade diferenciada se torna uma personalidade popular e proeminente no contemporâneo. Há, como diz Smart, ênfase no esforço pessoal e na força, valores modernos que são explicitamente encarnados no esporte. A competição, explica o sociólogo, é justamente baseada no indivíduo dando o seu melhor em busca da conquista. Mesmo nos esportes coletivos, o individualismo se vê presente. As camisas com nomes, por exemplo, distinguem os jogadores, e há análises sobre a melhor performance em cada posição.
Esporte, mídia e patrocínio são aspectos intimamente articulados da vida moderna sem os quais as formas contemporâneas da estrela e da celebridade esportivas não existiriam. O esporte profissional moderno é inimaginável sem a mídia. O esporte é, hoje, intimamente articulado à cobertura feita pela imprensa, pelo rádio e pela televisão de eventos, resultados de partidas, performance dos jogadores, assim como as
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Do original: “The objective is to maximise potential, to achieve more, to improve on existing times, distances, weights, heights, scores and points totals and to enhance the aesthetic aspects of performance while reducing the wear and tear on the body and other stresses and strains experienced in competitive sporting endeavours”.
ações dentro e fora do campo das personalidades esportivas (SMART, 2005, p. 65, tradução nossa).6
No trecho acima, podemos compreender como a cobertura midiática do esporte elevou o status das modalidades e de suas personalidades eminentes. As estrelas do esporte são retratadas como modelos de conduta para os outros, todas as suas ações são acompanhadas pelos meios de comunicação.
Para Smart (2005), esporte profissional, patrocínio e televisão formam uma tríade que produz muito lucro. Segundo ele, o negócio depende das grandes marcas sendo associadas aos times e partidas e às transmissões, que atingem milhões de pessoas pelo mundo. Isso ocorre porque o esporte tem um apelo e um status únicos, que dão uma sensação de autenticidade, valor relacionado ao individualismo contemporâneo. Tal credibilidade tem a ver com a imprevisibilidade dos jogos. Mesmo havendo treinamento, o que ocorre na partida é espontâneo.
A partir de tal performance autêntica, alguns atletas são alçados a celebridades e até a ídolos. O carisma, como defendemos no capítulo 1, é visto como um ponto importante na construção de uma figura esportiva como célebre. Negociado a todo o tempo, o carisma, para Smart, é confirmado pela autenticidade. Mas o atleta, por outro lado, deve obedecer também a uma disciplina racional, já que adota um estilo de vida próprio de esportista, como lembra o autor.
Os aspectos citados pelo sociólogo explicam a razão pela qual o esporte está no cerne da cultura contemporânea e se estabelece como um elemento importante para a construção da identidade nacional. Ademais, tem relevância econômica por movimentar muito dinheiro. Popular em todo o mundo, o esporte tem grande visibilidade midiática e desperta a sensibilidade do coletivo, transpondo as barreiras sociais e econômicas.
A popularidade de figuras do esporte, segundo Smart (2005), é um fenômeno recente, tendo início no século XIX. O autor atenta para o aumento da adoração de personalidades nos EUA logo após a Primeira Guerra Mundial, o que refletia o impacto da nova cultura midiática da fabricação de celebridades, além de uma forma de fuga das desilusões e desorganizações provocadas pela batalha. Segundo ele, tais figuras
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Do original: “Sport, the media and sponsorship are closely articulated aspects of modern life without which contemporary forms of sport stardom and sporting celebrity would not exist. Modern professional sport is itself unimaginable without the media. Sport is now closely articulated with press, radio and television coverage of events, the result of matches, the performances of players, as well as the on- and off-field actions of sport personalities”.
ajudavam a repor a fé que havia sido dissipada com a realidade da guerra, pois constituem um senso de comunidade a partir de suas narrativas.
A partir de tal perspectiva, defendemos que o esporte concentra ideais e conceitos que norteiam nossa moralidade, materializada mais visivelmente nos ídolos, que encarnam os valores. Com o desenvolvimento do moderno e, posteriormente, do contemporâneo, o esporte tem se transformado em uma indústria na qual não se trata mais apenas de mostrar a beleza e a elegância dos movimentos, mas de trabalhar duro para cumprir com a obrigação de sua profissão. A distribuição em massa de jornais impressos, o alcance do rádio e a abrangência da TV transformaram as formas de aquisição e atribuição da fama, o que impulsionou a divulgação de imagens de indivíduos e eventos em tempo real. Com a internet, os times e as estrelas do esporte têm seus sites e páginas em redes sociais.
Muitas vezes, segundo Smart, o atleta celebridade se destaca mais pela imagem e pela marca que representa do que por suas conquistas. Não é à toa que contrata profissionais para gerenciar sua carreira, sua imagem perante o público e suas transações comerciais:
A estrela esportiva contemporânea é produto de um processo complexo do desenvolvimento histórico que envolveu a emergência de um formalmente organizado e comercialmente focado esporte profissional da tradicional recreação dos jogos populares, o aumento do interesse midiático e um crescimento dramático do valor do patrocínio comercial e dos contratos de patrocínio (SMART, 2005, p. 18, tradução nossa)7.
O pesquisador brasileiro Valter Bracht (2005), empenhado em produzir uma sociologia do esporte, faz o mesmo percurso histórico para chegar ao esporte moderno, marcado, segundo ele, por competição, rendimento físico e técnico, recordes, racionalização e treinamento fundamentado na ciência: “Este fenômeno esportivo, com estas características, tomou como de assalto o mundo da cultura corporal de movimento, tornando-se sua expressão hegemônica” (BRACHT, 2005, p.15). O estudioso diz que o principal aspecto do esporte atualmente é o espetáculo, levando-o ao nível de
7 Do original: “The contemporary sport star is the product of a complex process of historical development that has involved the emergence of modern formally organised and commercially focused professional sports from traditional recreation folk games, a growth in media interest and a dramatic rise in the value of commercial sponsorship and endorsement contracts”.
mercadoria exibida pela mídia. Assim, mantém objetivos próprios do capitalismo, como lucro, proprietários, trabalhadores e mercado, configurando uma profissionalização do setor.
Bracht conta que o esporte moderno é tratado na historiografia como resultado de um desenvolvimento linear, como uma continuidade dos jogos que começaram na Grécia Antiga. Mas há outra teoria, que defende a descontinuidade, vendo o esporte como uma ruptura em relação às práticas anteriores. O pesquisador diz que as práticas corporais tradicionais estavam atreladas a instituições, como religião e militarismo. Já o esporte moderno é uma instituição autônoma, tendo íntima ligação com o próprio desenvolvimento da sociedade moderna.
O desenvolvimento e expansão do esporte aconteceu tendo como pano de fundo o processo de modernização dos séculos XIX e XX, processo que compreende industrialização, urbanização, tecnologização dos meios de transporte e comunicação, aumento do tempo livre, surgimento dos sistemas nacionais de ensino etc. Esses aspectos, por sua vez, estão inseridos no processo mais amplo de secularização e racionalização que caracterizam a sociedade moderna (BRACHT, 2005, p. 99).
Dessa forma, diz o estudioso, elementos capitalistas são próprios do esporte, como burocracia, especialização e nacionalismo. Logo, Bracht conclui que o ídolo aparece, nesse cenário, como o que insere a comunidade na vitória. O público se sente participante da competição através do ídolo, que responde à “expectativa da realização imaginária/fictícia do desejo de felicidade” (ibid. p. 120). Para o teórico, o consumo do esporte tem força porque povoa o plano do imaginário.
A fim de complementar essa discussão, evocamos Norbert Elias (1992), que se concentra no fato de o esporte moderno ter surgido na Inglaterra e ter sido difundido para toda a Europa como tal. O sociólogo cita, por exemplo, a dificuldade dos alemães, no início, em aderir à nova palavra e seu significado. Era algo sem precedentes. Para fazer uma gênese do esporte, o autor usa como base sua teoria do processo de civilização, mudança pela qual passam “modelos sociais de conduta e de sensibilidade, particularmente em alguns círculos das classes sociais altas” (ELIAS, 1992, p 41), havendo maior domínio sobre eles, uma espécie de aperfeiçoamento das maneiras, apelidado de civilizar. Dessa maneira, Elias questiona:
que espécie de sociedade é esta onde cada vez mais pessoas utilizam parte do seu tempo de lazer na participação ou na assistência a estes confrontos não violentos de habilidades corporais a que chamamos “desporto”? [...] que espécie de sociedade é esta onde as pessoas, em número cada vez maior, e em quase todo o mundo, sentem prazer, que como actores ou espectadores, em provas físicas e confrontos de tensões entre indivíduos ou equipas, e na excitação criada por estas competições realizadas sob condições onde não se verifica derrame de sangue, nem são provocados ferimentos sérios nos jogadores? (ELIAS, 1992, p. 40).
Elias defende que evoluímos segundo uma organização social e o monopólio da violência próprio do estado-nação de nosso contexto. Assim, é possível explicar por que a violência era parte dos jogos antigos, inclusive os praticados durante as olimpíadas gregas. Nas lutas, um oponente podia morrer. As regras eram parte da tradição. Essa relação com a violência, diz Elias, tem a ver com outros valores de tal sociedade, como a cultura do corpo belo e atlético, de guerreiros lutadores, de status social associado à forma física e a atos heroicos nos jogos.
Dessa forma, Elias argumenta que entender o esporte auxilia na compreensão da sociedade. No moderno e no contemporâneo, os confrontos continuam envolvendo força física e malabarismo, mas os danos devem ser mínimos, o que é garantido pelas regras. Houve, segundo o autor, um processo civilizador também no âmbito do esporte, especialmente no que tange a violência. O esporte se torna um símbolo da situação das nações.
Para o sociólogo, no nível de civilização avançado a que chegamos, o esporte cumpre a função de libertação das tensões criadas pela própria sociedade, que impede qualquer demonstração mais explícita de emoções:
as actividades de lazer destinam-se a apelar directamente para os sentimentos das pessoas e animá-las, ainda que segundo maneiras e graus variados. [...] muitas ocupações de lazer fornecem um quadro imaginário que se destina a autorizar o excitamento, ao representar, de alguma forma, o que tem origem em muitas situações da vida real, embora sem os seus perigos e riscos. Filmes, danças, pinturas, jogos de cartas, corridas de cavalos, óperas, histórias policiais e jogos de futebol - estas e muitas outras actividades de lazer pertencem a esta categoria. (ELIAS, 1992, p. 70-71).
O esporte se torna uma maneira de produzir o descontrole de emoções de uma forma controlada, diz Elias, que nos mostra como o contexto é importante para a
compreensão dos valores que permeiam as práticas sociais. Ronaldo Helal (2000) trata justamente dos valores modernos que penetram no esporte e mudam sua configuração. Segundo ele, o esporte é vivido como uma situação especial que se descola da vida diária, o que mostra como a sociedade usa tal atividade como uma forma de “expressar seus sentimentos mais profundos” (HELAL, 2000, p. 3). Os valores de competição, conquista e derrota afloram a representação da sociedade. Para Helal, o esporte encanta porque é terreno propício para construção de mitos e histórias extraordinárias. Com a inserção de aspectos próprios da sociedade atual, ganha um status mais corriqueiro, do cotidiano, mas mantém sua capacidade de exibir a sociedade para si mesma e para o mundo. Não é por acaso, defende, que muitos atletas são caracterizados como semideuses.
A partir do que foi exposto, então, podemos afirmar que o esporte tem uma inserção histórica que reforça valores e padrões culturais. É o que também defende Katia Rubio (2007), para quem o esporte é um dos fenômenos sociais “mais expressivos” do século, encarnando características da sociedade na qual está inserido. No caso contemporâneo, associado à força, superação de limites, vitória e supremacia, refletindo um imaginário em voga.
Para a pesquisadora, o esporte se tornou, no século XX, um espetáculo graças à mídia e ao interesse de empresas multinacionais. Ganha espaço, segundo ela, porque a atualidade valoriza o vencedor, o mais forte e o mais habilidoso. Quem ganha vira exemplo para o perdedor e ajuda na manutenção de um padrão de comportamento. O atleta “é projetado para a condição daqueles indivíduos que adquirem fama e status e se tornam a referência presente da modalidade, condição que em certa medida favorece a duração e a permanência na história da modalidade e no imaginário esportivo” (RUBIO, 2007, p. 665). Dessa forma, a superação se torna um elemento importante na trajetória do atleta contemporâneo, especialmente na vida dos que chegam aos pódios.
É nesse contexto marcado pela fama, pelo espetáculo e pelo capitalismo no esporte que se situa o ídolo contemporâneo. Sua imagem é imprescindível para a construção dos sonhos e do fascínio despertados pelo jogo. Morato, Giglio e Gomes (2011) defendem justamente a importância de estudar tais figuras, capazes de levar públicos enormes a estádios mesmo quando não há partidas, mas outros eventos de menor relevância.
A chave para entender o fascínio dos ídolos esportivos está na divulgação de atributos que o distingam como especiais, defende Fátima Maria Pilotto (2000). Segundo ela, há uma fabricação dessas figuras em um processo de distribuição sistemática de imagens e textos na mídia. A pesquisadora diz que são criadas “eras”, que identificam o momento em que tais indivíduos estavam em seu apogeu:
As “eras” vão e vêm, iniciam e terminam, sendo às vezes retomadas e outras esquecidas para sempre. Sua principal característica é a velocidade, a rapidez e a eficiência com que os sujeitos se tornam conhecidos em um curto espaço de tempo e em vários locais (PILOTTO, 2000, p. 3).
Ao perceber um talento em um atleta, argumenta Pilotto, os jornais trabalham arduamente para rotulá-lo como ídolo. Falam não só do desempenho esportivo, mas da vida privada, como envolvimentos amorosos, estilos de roupa e cabelo, marcas de carro e roupas. Na construção de um ídolo, segundo a pesquisadora, não há participação apenas de informações do talento específico. A intimidade é vista como igualmente importante e é relacionada às habilidades técnicas.
O interessante na perspectiva de Pilotto é indicar o peso das relações de poder e da disposição genética no sucesso de um ídolo. Apesar de descritos pelos meios de comunicação como dotados de um dom individual, mérito e competência, o poder e o porte físico devem ser também considerados, pois há “submissão ao outro e o apego à própria identidade que fazem parte dos modos de sujeição que parecem materializar-se na instituição esportiva e, especificamente, no processo de fabricação dos ídolos” (PILOTTO, 2000, p.9).
Assim, Pilotto argumenta que enxergar um atleta como um ídolo é dotá-lo de uma natureza relacionada a paixões, a algo do plano espiritual. Por outro lado, a mídia adiciona um componente, delineando os esportistas como mercadorias. A própria forma com a qual as empresas lidam com os jogadores é do comércio. Os jornais anunciam que eles são comprados, vendidos, emprestados. Sem falar nos salários, sempre destacados nas matérias. Em síntese, a pesquisadora argumenta que o marketing “cria, preserva ou transforma as imagens dos grandes jogadores segundo interesses de mercado. Eles são aproveitados não apenas pelos interesses do clube, mas também por diferentes empresas, partidos políticos, instituições assistenciais” (PILOTTO, 2000, p. 15).
A breve discussão acima nos revela como o ídolo esportivo tem características exclusivas devido ao campo social em que se encontra. Sua imagem pública, além de relacionada ao talento e ao dom inatos, também carrega o peso de uma mercadoria que deve ser comprada pelos fãs. Estes se identificam e assumem valores encarnados nessas figuras. A promoção da imagem é importante, pois associa a figura a marcas, instituições e aparências específicas.
Há, no entanto, diferenciações entre os ídolos das variadas modalidades. Ronaldo Helal (2003) diz que os ídolos do futebol têm suas trajetórias narradas com o objetivo de serem transformados também em heróis. Segundo ele, os ídolos não necessariamente precisam dividir a glória com seus admiradores. Eles podem ser apenas grandes celebridades. Os heróis, ao contrário, necessitam do compartilhamento com aqueles que o idolatram. Por isso, Helal argumenta que o futebol é um terreno propício para a emergência de ídolos-heróis. Para ele, tal peculiaridade se deve ao traço de luta do esporte, que pede o espetáculo: “Esta característica do 'ídolo-herói' acaba por transformar o universo do esporte em um terreno fértil para a produção de mitos e ritos relevantes para a comunidade” (HELAL, 2003, p. 19). Assim, vivem diariamente o desafio de serem, ao mesmo tempo, humanos e mitos.
Para compreendermos melhor tal condição dos ídolos do futebol, devemos mergulhar mais na história da modalidade e entender sua importância no contexto atual.