respondente a pessoas com a visão normal das cores, onde os 3 recetores funcionam corretamente –, e a tricromancia anómala – o individuo possui os 3 tipos de cones, mas estes não funcio- nam da forma mais correta, ou seja, todos emitem informação ao cérebro mas em proporções erradas, resultando em combinações incorretas de cores. As anómalas subdividem-se também em três categorias, idênticas aos dicromatas:
Protanomalia – Mutação no pigmento Protan, resultando
numa baixa sensibilidade à cor vermelha, havendo ainda um escurecimento das cores do espectro correspondente, poden- do existir alguma confusão entre o vermelho e o preto.
Deuteranomalia – Mutação no pigmento Deutan, conferin-
do uma fraca sensibilidade às tonalidades esverdeadas.
Tritanomalia – Mutação no pigmento Tritan, menor sensi-
bilidade na gama dos azuis e dos amarelos.
Em suma e a título de exemplo mais explicativo, uma pessoa do- tada da visão regular para as cores, quando presente aos três fei- xes de luz – uma azul, uma vermelha e outra verde – consegue identificá-los e se os três feixes luminosos estiverem presentes e em igual intensidade a pessoa verá uma luz branca. No caso dos tricromatas anómalos, estes necessitam de que exista um dos fei- xes de luz mais intenso e os outros consequentemente mais fracos, para conseguirem atingir a cor branca. Sendo dicromatas, para ve- rem a luz branca, necessitam apenas de dois dos três feixes de luz. No caso dos acromatas e monocromatas eles não necessitam de nenhuma combinação, basta um feixe de luz para conseguirem ver a luz branca.
Embora existam vários tipos de discromatopsia, o que estas pessoas vêm não é sempre igual, ou seja, os portadores de um tipo de daltonismo não veem exatamente o mesmo, pois existem vários graus de severidade de daltonismo. Sendo então possível dividir em três graus o leve, o moderado (médio) e o grave. Devido a esta variação e com a existência do grau leve, é que se torna pos-
sível existirem pessoas daltónicas que só tardiamente descobrem serem portadores desta enfermidade.
Segundo Sato (2002) equipara os graus de severidade aos tipos de daltonismo. Assim, o grau leve e moderado ocorre aos tricro- matas anómalos, correspondente aos tipos de daltonismo com o sufixo de “omalia”, e os casos graves ocorrem aos dicromatas, com o sufixo “opia”. Tipos de Discromatopsia Incidência (%) Homens Mulheres Monocromacia 0,003 0,00001 Dicromacia 2,001 0,031 Protanopia 1 0,02 Deuteranopia 1 0,01 Tritanopia 0,001 0,001 Tricromacia Anómala 6,501 0,431 Protanomalia 1,5 0,03 Deuteranomalia 5 0,40 Tritanomalia 0,001 0,001
Relativamente à incidência da discromatopsia foi investigado e for- mulado a tabela 2. Sendo possível aferir que a maioria das lesões depende dos cones responsáveis pela visão das cores verde e ver- melha. A baixa taxa representativa das mulheres, tem justificação genética e será apresentada no próximo ponto.
Tab 2. Incidência dos tipos de
discromatopsia (Adaptado de Bruni e Cruz, 2006) (Grade, 2013)
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2.2. Causas
As causas que levam a que uma pessoa seja portadora de uma discromatopsia prendem-se geralmente com factores genéticos, mas também é possível de surgir na sequência de lesões oculares ou neurológicas.
A nível de genética sabe-se que o daltonismo está presente numa disformidade do cromossoma X, mais especificamente no locus Xq28.
Ao ser no cromossoma X, acaba por afetar mais os homens que as mulheres, pois o homem é só portador de um cromossoma X e um Y enquanto a mulher detém dois cromossomas X, isto resulta na possibilidade da mulher poder ter apenas um cromossoma X afetado e assim ser portadora mas não daltónica. Tendo em vista a visão das cores a mulher pode ser considerada homozigota – XDXD (visão normal) e XdXd (visão daltónica) – ou heterozigota – XDXd (visão normal - portadora). No caso dos homens são sempre hemi- sigóticos – XDY (visão normal) e XdY (visão daltónica).
A transmissão de pais para filhos funciona da seguinte forma: o homem transmite o gene a todas as filhas e não transmite a ne- nhum filho. Enquanto que a mulher pode passar aos filhos e às filhas, sendo que a probabilidade de acontecer ronda os 50%.
Pai Mãe
Visão
Normal Daltónico
Visão
Normal Portadora Daltónica Filho/Filha Visão Normal X X [ou] Com 50% de Probabilidade Filha Visão Normal X X [ou] Com 50% de Probabilidade Filha Portadora X X [ou] Com 50% de Probabilidade X Com 50% de Probabilidade [ou] X Filho Daltónico X Com 50% de Probabilidade [ou] X X Com 50% de Probabilidade [ou] X
Filha Daltónica X Com 50% de
Probabilidade [ou] X
Tab 3. Trasmissão genética
Para ser daltónico é então necessário que a mãe seja daltónica ou portadora de um dos seus cromossomas. Se a mãe for daltónica, todos os filhos serão também daltónicos, no caso do pai também ser daltónico, então toda a família será também daltónica. O caso da discromatopsia adquirida surge na sequência de algu- mas doenças ou ingestões de substâncias químicas. Estes casos afetam o foro ocular, provocando alterações nos filtros dos pré- -recetores – reduzindo a sensibilidade dos fotopigmentos para as cores – e alterando o processamento dos recetores, dificultando o reconhecimento das cores.
Segundo Ventura (2008) é frequente acontecer na sequência de doenças como a hipertensão arterial, os diabetes e a cirrose he- pática. O consumo de certas drogas como a cloroquina, anticonce- cionais hormonais e hidroxicloroquina, também causam distúrbios na visão das cores.
No caso do daltonismo adquirido a maior incidência é nas ano- malias correspondentes ao azul-amarelo, ao invés do verde-ver- melho da discromatopsia congénita (Bruni e Cruz, 2006).
Congénita Adquirida Ocorrência Inata Após o nascimento
Prevalência por género Alta em Homens
Baixa em Mulheres
Igual em homens e mulheres
Tipo e severidade Estáveis Variáveis
Classificação do defeito Precisa Limitada
Manifestação Ambos os olhos
igualmente afetados
Diferenças entre olho esquerdo e direito Acuidade visual Acuidade inalterada excepto mo monocromatismo Geralmente reduzida
Campo visual Normal Pode ser reduzido
Defeitos
predominantes Protan e Deutan Tritan
Tab 4. Diferenças entre as
discromatopsias congénitas e adquiridas (Adaptado de Bruni e Cruz, 2006) (Grade, 2013)