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A UBIQUIDADE DA MÍDIA COMO PONTO DE PARTIDA

Nos últimos vinte anos, temos presenciado no Brasil e no mundo o desenvolvimento de um cenário de cultura digital aonde as mídias são onipresentes nas atividades humanas, em todas as áreas de conhecimento. Segundo Belloni (2001, p.7),

O impacto do avanço tecnológico (entendido como um processo social) sobre pessoas e instituições sociais (educação, comunicação, trabalho, lazer, relações pessoais, cultura, imaginário e identidades etc.) tem sido muito forte, embora percebido de modos diversos e estudado a partir de diferentes abordagens. Se recorrermos à etimologia da palavra mídia, verificaremos que ela é originada do termo em latim media (plural de medium), cujo significado é meios22. No dicionário de língua portuguesa Michaelis online23, por exemplo, poderemos encontrar pelo menos quatro acepções para esta palavra e algumas informações sobre onde e como é utilizada:

22 Cruz (2001). 23 Disponível em http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues- portugues&palavra=mídia. Acessado em janeiro de 2010.

1)Veículo ou meio de divulgação da ação publicitária. 2) Seção ou departamento de uma agência de propaganda, que faz as recomendações, estudos, distribuições de anúncios e contato com os veículos (jornais, revistas, rádio, televisão etc.). 3) Numa agência de propaganda, pessoa encarregada da ligação com os veículos e da compra de espaço (eventualmente de tempo) para inserção ou transmissão de anúncios. 4) Informática. Qualquer material físico que pode ser usado para armazenar dados. Os computadores podem utilizar uma variedade de mídias, como discos, fitas ou CD-ROM. Sin: meio. M. eletrônica: a televisão, quando considerada como veículo de comunicação. M. impressa: os jornais e revistas, quando considerados como veículos de comunicação.

É explícito que os sentidos dicionarizados da palavra mídia não remetem ao contexto de uso na educação, mas sim ao ato de comunicar, de transmitir mensagem e interagir com ela por distintos meios e possibilidades de armazenamento de dados e informações. Estas e outras características transformaram as mídias em promessas sedutoras para a Educação no século XXI. Contudo, debater sobre o que elas significam em processos formativos não é uma tarefa fácil.

Isto porque mídias são utilizadas em práticas sociais que podem denotar múltiplos sentidos, ao mesmo tempo em que é preciso compreender que elas estão em constante mudança (SILVERSTONE, 2005, p.17). Segundo o autor,

O século XX viu o telefone, o cinema, o rádio, a televisão se tornarem objetos de consumo de massa, mas também instrumentos essenciais para a vida cotidiana. Enfrentamos agora o fantasma de mais uma intensificação da cultura midiática pelo crescimento global da internet e pela promessa (alguns diriam ameaça) de um mundo interativo em que tudo e todos podem ser acessados, instantaneamente.

As mídias atuais da chamada Web24 2.0 e 3.0 são exemplos deste mundo interativo à que se refere Silverstone. A propagação social da internet, a partir da década de 1990, e o uso de suas mídias digitais têm proporcionado alterações nos processos de criação, produção e distribuição de informações e conhecimentos, nos processos de interação, de comunicação e de colaboração. Flexibilidade, mobilidade, personificação, democratização e desenvolvimento de cidadania são outras promessas que estão atreladas às mudanças relacionadas à internet (MILL, 2011).

A portabilidade e ‘miniaturização” de artefatos tecnológicos conectados à Web permitem que as pessoas possam, no dia a dia, ouvir música, acessar e-mails ou atualizar o Facebook enquanto se espera e/ou anda de ônibus, através de celulares, Tablets, Ipads etc. Com conexão pode-se acessar desde uma notícia em tempo real sobre o que está ocorrendo em outro país até o resultado da partida do jogo de futebol não assistida no dia anterior.

Ao mesmo tempo, é possível obter conhecimentos por meio do acesso às bibliotecas digitais – que disponibilizam online clássicos de literatura ou de determinada esfera de conhecimento – ou ainda por meio de um amplo acervo cultural digitalizado (músicas, filmes, obras de arte etc.), produzido pela humanidade. O processo de socialização proporcionado pelas mídias digitais é outra característica que desafia e interessa sujeitos que com elas interagem, principalmente por proporcionarem outras experiências de participação e produção ao ser humano.

Rivoltella (2010) também apresenta as mudanças pelas quais o termo mídias vem passando, desde a década de 1950, na interface dos

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Os termos Web ou Web 1.0, Web 2.0 e Web 3.0 são oriundos do inglês e significam rede. Popularmente, eles são conhecidos como sinônimo de internet. A Web ou Web 1.0 (analógica) é considerada a primeira geração da internet, aquela em que a rede não possuía a diversidade de ferramentas de interação e interatividade que hoje tem, além de ser restrita aos poucos usuários que armazenavam as informações de forma menos dinâmica; a Web 2.0 (digital) é a segunda geração da internet, em que o espaço para armazenamento de informações é mais livre e as ferramentas proporcionam a interação e colaboração entre seus usuários em tempos e espaços diferentes (Alexander, 2006). Já a Web 3.0 (semântica) é a nova geração da internet que apresenta os dados e informações de forma global, capaz de “proporcionar recomendações personalizadas para os usuários diante de perguntas”, com ferramentas que permitem uma comunicação e interação mais fluida e significativa entre os usuários (COLL; MONEREO, 2010, p.37).

campos da educação com a comunicação, sendo compreendido como ferramenta até objeto social. Explica o autor que, a partir da década de 2000, as experiências de desenvolvimento de espaços virtuais para a educação a distância (EAD) deram às mídias a conotação de plataforma e/ou ambiente. Um exemplo disto é a adoção de ambientes virtuais de ensino e aprendizagem na educação superior, tal como a plataforma Moodle, que apresenta ferramentas e instrumentos para os professores e estudantes25. Por outro lado, as mídias também passaram a ser compreendidas como mídias sociais, significado que alude à ideia de tecido de conexão – muitas pessoas conectadas em rede, partilhando interesses comuns em diferentes espaços de sociabilidade virtuais na Web. Um exemplo disto pode ser a participação dos sujeitos em redes sociais como o Orkut, o Facebook, o Twitter, o uso de Blogs, de Fóruns etc.

3.2 CONTRIBUIÇÕES DA MÍDIA-EDUCAÇÃO E DA EDUCAÇÃO