estratégias gerais a todos os campi da UFSCar, iniciaram-se as discussões para a elaboração do primeiro Plano de Desenvolvimento Institucional da UFSCar, sob a gestão do Prof. Dr. Oswaldo Batista Duarte Filho, e, em 2002, teve início o processo de elaboração do citado plano, com vigência a partir de 2004.
Fonte: Elaboração da autora.
Portanto, o Plano de Ações e o Planejamento Estratégico Institucional podem ser considerados como as discussões embrionárias do Plano de Desenvolvimento Institucional, pois as ações embutidas nesses três documentos primavam pelo desenvolvimento da universidade de modo qualitativo, como ressaltado pelo Gestor 4.
Além disso, o PDI-UFSCar 2004 não foi substitutivo do Planejamento Estratégico, já que, em dados setores da UFSCar, continuou-se fazendo planejamentos estratégicos situacionais para nortear as práticas dos agentes institucionais, como afirmou o Gestor 5, lembrando que, na antiga Secretaria Geral de Recursos Humanos, na primeira década de 2000, foram elaborados os planejamentos estratégicos situacionais, junto ao mapeamento de processos para focalização dos resultados.
O mapeamento de processos, é na verdade um procedimento usado na engenharia de produção que é rigorosamente é uma... uma identificação do caminho dos... o caminho dos e das ações e atividades que precisam ser tomadas para se produzir um determinado resultado. (GESTOR 5).
De acordo com Relatório Anual de Atividades Acadêmicas de 2005, o PDI-UFSCar permitiu a horizontalização nas tomadas de decisões, o que contemplaria as
Figura 5 – Planos e planejamentos da UFSCar
Plano de Ações 1992
1º Planejamento Estratégico Institucional
1993-1996
Plano de Dedesenvolvimento
Institucional 2004
Figura 5 – Planos e planejamentos da UFSCar
dimensões do Planejamento Estratégico Institucional feito na década de 1990. Sendo assim, para o êxito na implementação do PDI-UFSCar 2004, os gestores das unidades da universidade deveriam pensar a possibilidade de realização de planejamentos estratégicos situacionais menores para auxiliar no desenvolvimento de ações voltadas ao comprimento das metas do PDI-UFSCar.
Além do Relatório de 2005, os relatórios dos anos de 2000, 2001, 2002 e 2003 relembraram a importância do Planejamento Estratégico como documento orientador para o desenvolvimento de práticas e políticas institucionais orientadas para a democratização do acesso aos cursos de graduação, ampliação dos cursos noturnos de graduação e desenvolvimento de políticas adequadas de avaliação institucional e dos cursos de graduação e pós-graduação: “[...] a relevância do Projeto está na implantação de um conjunto de ferramentas que irá propiciar a planificação, o controle e a avaliação das atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão, além das administrativas”
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, 2002a, p. 10).
Para elaboração do primeiro PDI-UFSCar, segundo o Gestor 2, foi necessário adotar a descentralização nas tomadas de decisões para construção do documento, pois sua elaboração se deu a “várias mãos”, sendo necessário descentralizar as tomadas de decisões a fim de que fosse validada a autonomia para as modificações necessárias no texto. Nesse sentido, na concepção do grupo de gestores, o documento estaria sendo estruturado de modo democrático, garantindo sua efetividade.
Então, para impactar no dia a dia dos agentes institucionais, essa construção foi coletiva. Foi levado em consideração a racionalidade técnica na construção do PDI houveram descentralizações nas tomadas de decisões para facilitar a construção do PDI. (GESTOR 2).
Durante os debates sobre o PDI em 2002, foram discutidas, entre os pares, quatro dimensões: acadêmicas, organizacionais, físicas e ambientais. Para cada aspecto mencionado, foram criados grupos que realizaram consultas, entrevistas, questionários, fóruns de discussão, seminários de planejamento e conferências. O Grupo de Trabalho PDI tinha a função de catalisar e sintetizar as discussões de toda a comunidade acadêmica, corporificando-as no PDI-UFSCar 2004. Após amplos debates pela comunidade acadêmica, foram eleitos os princípios que deveriam alicerçar todo desenvolvimento da UFSCar, a saber:
Excelência acadêmica
Universidade compromissada com a sociedade
Gratuidade do ensino público de graduação e pós-graduação stricto sensu
Indissociabilidade de ensino, pesquisa e extensão
Livre acesso ao conhecimento
Universidade promotora de valores democráticos e da cidadania
Gestão democrática, participativa e transparente
Universidade ambientalmente responsável e sustentável
Valorização da dedicação integral ao ensino, pesquisa e extensão
Integração da Universidade no sistema nacional de ensino. (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS, 2004a, p. 20-21).
Os princípios do PDI-UFSCar 2004 foram considerados as bases e os parâmetros para os seguintes documentos: Diretrizes Gerais e Diretrizes Específicas, Diretrizes para o Desenvolvimento Físico, Diretrizes para Aperfeiçoamento da Estrutura Organizacional e a Implementação do Plano. Vale ressaltar que cada diretriz contém quatro ou mais eixos estruturantes ou subdivisões, abrangendo as estratégias e ações necessárias para o futuro da instituição.
De acordo com os relatórios, o PDI-UFSCar foi construído de modo participativo, como já citado, e em meados de 2006, o MEC passou exigir das universidades federais a realização de planos ou planejamentos que trouxessem a perspectiva de desenvolvimento a longo prazo, exigência que se deu após a instituição, em 2003, do Grupo de Trabalho Interministerial, que teve a função de analisar quais seriam as reais necessidades para expansão da educação superior pública. Na perspectiva do Gestor 4, o PDI-UFSCar foi mais completo, pois tinha amplas informações sobre as necessidades locais:
A UFSCar ela também fazia seu plano de desenvolvimento institucional antes mesmo de ser uma exigência do MEC. [...] Ai a gente usava PDI UFSCar e o PDI MEC, porque como a gente já tinha o PDI UFSCar e a gente teve que fazer o PDI MEC, como a gente já tinha o PDI, tivemos que fazer o plano, a nossa matriz e a nossa estrutura de PDI UFSCar era diferente da PDI MEC, mas a nossa estrutura tinha todos os elementos e fácil transferir para o PDI MEC, porque nós tínhamos todos os elementos que ele queria e muito mais, na nossa instituição e muito mais, coisas mais aprofundadas, então não foi difícil reunir, o que o PDI MEC exigia e fazê-la é um depois tivemos que ir mantendo, mas continuou essa cultura de fazer essas reuniões de planejamento mais ampliadas com participação de alunos, docentes e parte de pessoas da comunidade né.
Nós fazíamos reuniões muito ampliadas sabe, é para debater então eu percebo que é havia um compromisso né bastante elevado, digamos assim a sério um ensino que não fosse descolado das necessidades da sociedade sabe e acho que o PDI MEC tenta colocar um ele tenta colocar um pouco disso, mas a gente tem outros documentos internos e mais aprofundados em termos de dessas discussões.
Analisando a literatura acadêmica sobre a implantação dos PDIs nas IFES, observa-se que a UFSCar compareceu com pioneirismo, ou seja, foi a primeira
universidade a planejar as diretrizes, as estratégias e as ações voltadas à gestão e ao desenvolvimento da universidade, já que as demais IFES passaram desenvolver e implementar os PDIs a partir de 2007 (RAMOS; SILVEIRA; ULIAN, 2020).
É importante frisar que, desde a elaboração da proposta de reestruturação administrativa da UFSCar até a elaboração do PDI-UFSCar 2004, os agentes institucionais, sobretudo aqueles que exerceram papel de “líder”, embasados na concepção de estadista de Matus (1986), como mencionado na seção anterior, idealizaram as estratégias para o desenvolvimento da UFSCar a longo prazo, no intuito de consolidar e fortalecer o ethos da universidade, sendo eles o “Perfil e o Projeto UFSCar”. Na concepção do grupo dos líderes, o “Perfil e o Projeto UFSCar” oportunizaria que a instituição fosse reconhecida internacionalmente pela qualidade na formação de profissionais para o mercado de trabalho e com compromisso social, sendo indivíduos preocupados e envolvidos nas questões sociais. Essas discussões perduraram por anos, até serem materializadas no PDI, como apontou o Gestor 12:
[...] durante esses anos, já são 16 anos de discussões, sobre o projeto para a UFSCar, essas discussões eram muito importante porque ela dava aos gestores uma diversidade de olhar e um acesso as discussões de conjuntura, a análises gerais e a análises específicas das ações da universidade.
Na Figura 6, são identificados os “líderes” que ocuparam cargos de gestão, durante vinte e quatro anos, e que foram peças principais na instauração da gestão participativa para a consolidação da primeira Reforma Administrativa da UFSCar, para efetivação do Planejamento Estratégico Institucional e do Plano de Desenvolvimento Institucional, responsáveis pela segunda reforma Administrativa da UFSCar.
Figura 6 – UFSCar e seus líderes
Fonte: Elaboração da autora.
Na tentativa de ampliar os conhecimentos a respeito desses agentes institucionais, o próximo tópico apresenta as formações acadêmicas e as funções por eles exercidas na UFSCar. Os líderes mencionados na Figura 6 possuíram ou possuem as mais variadas formações acadêmicas, as quais, em determinados momentos da história da UFSCar, justificam as práticas desses agentes institucionais, assim como as elaborações das políticas institucionais.