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2. AS IDEIAS FUNDACIONAIS DA UNIVERSIDADE: DA MODERNIDADE

2.2 A Universidade na Sociedade da Informação

Para discutir a universidade na sociedade da informação, inicialmente procuramos discutir a concepção dessa sociedade. Esta discussão, por sua vez, está ancorada em estudos da área de Ciência da Informação realizados por autores basilares do campo, que vem ao longo dos anos trabalhando com este conceito, tal como González de Gomes:

Poderíamos dizer que por Sociedade da Informação entende-se um esforço em grande escala, tanto intelectual quanto político, para reformular propositivamente os elementos progressistas da modernidade, mas com certezas e demandas de contar agora com recursos, materiais e simbólicos, que permitiriam superar suas ausências e limitações. Após o declínio de muitas narrativas utópicas, o conceito de inovação retoma as perspectivas optimistas, alavancadas agora pela ênfase na produção de conhecimento, entendido como fonte de criatividade e de produção de valor. (GONZALEZ DE GOMES, 2011, p.227).

Conforme citação acima e discussão empreendida no item anterior, nossa atual sociedade, a denominada Sociedade da Informação ou do Conhecimento, se caracteriza pela apropriação e trabalho com o conhecimento, ou seja, o conhecimento se tornou um dos principais diferenciais de competitividade e de poder econômico no mercado. Diante disso, torna-se um desafio a criação de soluções educacionais, informacionais e tecnológicas que sejam capazes de dar conta desta ordem produtiva de maneira eficiente e eficaz (DRUCKER, 1999).

Esta alteração no processo produtivo impõe novas formas de organização social e reestruturação de instituições. Neste contexto, sem dúvida é a Universidade uma das instituições mais afetadas, pois cabe a ela planejar, captar, desenvolver e avaliar processos de ensino capazes de desenvolver competências técnicas necessárias à consecução de objetivos dessa sociedade marcada pela produtividade e pela competitividade. Nosso pressuposto é confirmado na literatura de Ciência da Informação na declaração seguinte: “Poderíamos dizer, que a sociedade da informação é um dos marcos reflexivos e idealizadores sobre o qual

são projetadas as demandas atuais sobre as universidades.” (GONZÁLES DE GOMES, 2011, p. 228).

Portanto, entre outros tantos desafios, surge a necessidade da universidade empreender uma formação básica que forneça competências necessárias ao atendimento das necessidades que nascem com a sociedade da informação.

As competências requeridas ao profissional que atuará nesse contexto extrapolam os limites da técnica. Sobre isso Silva (2013) comenta:

Não cabem mais, no contexto da sociedade da informação, a simples memorização de respostas corretas e a reprodução de textos, pois isto, não permite ao indivíduo desenvolver os conhecimentos e as habilidades essenciais que lhe proporcionarão uma vida produtiva e a realização pessoal nesse novo contexto. Ao contrário, é preciso desenvolver a habilidade de aprender em situações de mudança sem se tornar oprimido e desencorajado. Precisa-se também desenvolver habilidade de aprender a partir de uma abundância de informação, sem se tornar frustrado, distraído e sem motivação. (SILVA, 2013, p.46).

Desse modo, podemos dizer que para a sociedade da informação elege-se um modelo de profissional e nesta “[...] o profissional ideal é aquele que potencializa a comunicação, a interpretação de dados, a flexibilização, a integração funcional e a geração, absorção e troca de conhecimento.” (ARRUDA, MARTELETO, SOUZA, 2000, p.17).

Esses desafios levam a transformações que afetam as tarefas da universidade (missão, organização, estruturas acadêmicas, métodos de ensino- aprendizagem, trabalho individual etc.). Essas mudanças devem ser incorporadas no planejamento dos currículos, que representam uma medida efetiva do grau de transformação sofrido por qualquer instituição universitária em particular.

Esse processo de transformação busca superar o conceito da educação como mera transmissão/acumulação de conhecimento e informação. O modelo pedagógico tradicional precisa ser reformado, tendo em vista o fato indiscutível do crescimento acelerado do conhecimento contemporâneo, acompanhado de sua rápida obsolescência, como também em face de outra realidade como o deslocamento do sistema escolar como único supridor de educação, com o advento da escola paralela, devido o recurso das modernas tecnologias. Esses fenômenos modificam necessariamente o modelo pedagógico e o papel do professor universitário.

Segundo Bernheim e Chauí (2008) as respostas acadêmicas para responder a esses desafios formam o núcleo dos presentes processos de transformação da universidade. Essas respostas são:

• a adoção do paradigma do aprender a aprender;

• a mudança da ênfase, na relação ensino-aprendizagem para os processos de aprendizagem;

• o novo papel dos docentes, face ao protagonismo dos discentes na construção do conhecimento significativo;

• a flexibilidade dos currículos e toda a moderna teoria curricular aplicada ao replanejamento dos planos de estudo;

• a promoção de maior flexibilidade nas estruturas acadêmicas; • o sistema de créditos;

• a estreita inter-relação entre as funções básicas da universidade (docência, pesquisa, extensão e serviços);

• a redefinição das competências profissionais;

• a reengenharia institucional e a gestão como componente normal da administração universitária;

• a autonomia universitária responsável;

• o processo de vinculação com a sociedade e com seus diferentes setores (produtivo, de trabalho, empresarial etc.). (BERNHEIM; CHAUÍ , 2008, p.34).

Quanto ao que fazer com a prática docente para criar condições que levem a uma aprendizagem efetiva por parte dos alunos, Bernheim e Chauí (2008) apontam como competências básicas para o aprendizado contemporâneo as seguintes condições:

• capacidade reflexiva e crítica;

• capacidade de solução de problemas;

• capacidade de adaptação a novas situações;

• capacidade de selecionar a informação relevante nas áreas de trabalho, cultura e exercício da cidadania, que lhe permite tomar decisões corretas;

• capacidade de continuar aprendendo em contextos de mudança tecnológica e sociocultural acelerada, com a permanente expansão do conhecimento;

• capacidade de buscar espaços intermediários de conexão entre os conteúdos das várias disciplinas, de modo a realizar projetos que envolvam a aplicação de conhecimentos ou procedimentos próprios de diversas matérias;

• capacidade de apreciar a leitura e a escrita, o exercício do pensamento e a atividade intelectual, de modo geral. (BERNHEIM; CHAUÍ, 2008, p.35).

Portanto, a universidade precisa promover a formação de indivíduos cuja interação criativa com a informação os leve a construir conhecimento, pois o ensino é um processo de criação e não apenas de repetição.

Diante desse cenário, é necessário empreender uma busca constante por novas formas de organização acadêmica que permitam à educação superior (ou seja, à universidade) responder melhor às exigências da sociedade da informação e uma melhor adaptação ao seu papel em relação à natureza da ciência contemporânea.

No Brasil, ao longo dos anos, variadas propostas foram concebidas e praticadas pelo Estado, visando empreender reformulações na universidade para responder às exigências da sociedade observadas em cada época. As últimas reformas que ocorreram na educação superior do Brasil estão baseadas na LDB que estabelece os princípios gerais da educação no país. Por meio da aplicação dessa lei a universidade brasileira buscou transformar o cenário da educação superior, tentando ajustar o currículo dos seus cursos às mudanças impostas pelo mundo globalizado.

Devido às mudanças significativas que a LDB ocasionou às propostas curriculares das universidades, tornando-se “um dos mais efetivos instrumentos de melhoria da qualidade de ensino no Brasil” (BRASIL, 2011, p. 8), expomos, no próximo capítulo, a trajetória dessa Lei, desde sua primeira sanção, a fim de elucidar o caminho percorrido pela legislação que prevê os fundamentos e normatização do sistema educacional brasileiro.

3 LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL (LDB) E AS