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No Brasil, devido a sua dimensão territorial gigantesca, é possível encontrar uma grande diversidade na violência criminal, onde cada região precisa identificar suas peculiaridades para o enfrentamento da violência, sendo impossível generalizar as ações policiais, ou as políticas públicas para inibir e enfrentar a criminalidade. Conforme Soares (2005), o que se observa no Espírito Santo e no Nordeste ainda são pistoleiros profissionais, agindo individualmente ou em grupos de extermínio e não raras vezes com participação de policiais. Em São Paulo, a maioria dos homicídios ocorre por conflitos interpessoais, onde a violência recebe um Plus pela facilidade da aquisição de armas de fogo. Ainda no Rio de Janeiro, assim como todas as grandes metrópoles o que se destaca é o tráfico de armas e drogas, formado por organizações

criminosas, que se multiplicam rapidamente através do recrutamento de jovens vulneráveis, que habitam em locais sem melhores perspectivas.

Assim, a violência urbana pode se manifestar de várias maneiras, na prática, o que mais agride o senso comum, são os crimes considerados contra pessoa, como em caso de assassinatos, roubos e sequestros, que interferem de forma negativa no convívio e na qualidade de vida das pessoas. As principais espécies de violência que ocorrem no meio urbano, são os crimes de homicídio, de trânsito, contrabando de arma e droga, além da violência policial.

Na violência urbana no Brasil, é preciso considerar dois tipos de conflitos, o primeiro causado pela sociedade contra a própria sociedade quando o Estado não é parte envolvida, ocorre o conflito sem a participação do Estado. E o segundo tipo, o conflito entre a sociedade e o Estado, decorrente da intervenção do Estado por meio de suas instituições policiais para manter a ordem e o controle social. O Estado e a sociedade são palcos, de conflito decorrente da grande heterogeneidade dos interesses individuais das pessoas e seu interesse geral, onde “o resultado mais visível dessa crise do sistema de justiça criminal é, sem dúvida, a impunidade penal” (ADORNO, 2002, p. 104).

Na sequência, serão tratadas inúmeras faces em que se pode encontrar a violência urbana, a começar pela relação entre a sociedade e o agressor social, tratado por Hobsbawm (2010), como o bandido social. Que normalmente recebe o apoio, da sociedade em que abita. Deste modo, o linchamento em uma determinada sociedade pode ser colocado como uma atitude positiva, onde as pessoas mesmo que ilegalmente atuam para eliminar outras, agindo por meio de uma cultura de massa tendo uma função moral em defesa do bem. Este embate do bem contra o mal se torna explícito nos linchamentos, onde os linchadores são valorizados e tratados como heróis em sua comunidade, independe da sua vida pregressa, passando a ser reverenciados sempre que incorporam o bem eliminando o mal (RODRIGUES, 2012).

Neste contexto, também é possível analisar o elemento social do banditismo, onde os fracos se defendem conta os fortes e os pobres contra os ricos, assim, “os que buscam justiça contra o governo dos injustos, se enquadra na história política do banditismo, que faz dos bandidos homens poderosos que logicamente são atraídos

para o universo do poder” (HOBSBAWM, 2010, p. 32). Neste entendimento, procuram corrigir os erros, desagravar injustiças e pôr em prática critérios mais gerais, com relação a justiça equitativa entre os homens e mais precisamente, entre ricos e pobres, fortes e fracos.

Conforme retratado por Hobsbawm (2010), o bandido social sempre inicia sua carreira de marginalidade como vítima de injustiça, normalmente perseguido pela autoridade, mas segundo seu entendimento, age de forma correta corrigindo agravos, tirando dos ricos e dando aos pobres, matando só em legitima defesa ou vingança justa. Sendo protegidos de sua comunidade, de forma que “os bandidos sociais realmente começam sua carreira com alguma disputa de caráter não criminoso, com uma questão de honra ou como vítimas daquilo que eles e seus vizinhos têm na conta de injustiça” (HOBSBAWM, 2010, p. 69). Assim, sua principal reputação diante da comunidade local gira em torno de redistribuição da riqueza.

Nas lutas de justiceiros e bandidos sociais, a retaliação brutal e indiscriminada que existia nos enfrentamentos, era uma das formas de mostrar seu domínio diante do oponente, pois “em tais circunstâncias, mostrar poder, qualquer poder, constitui um triunfo. A morte e a tortura são a afirmação mais primitiva e pessoal de poder supremo” (HOBSBAWM, 2010, p. 93). Assim como a busca de proteção individual é na crise do poder pessoal, que se encontra a “raiz destes casos externos de justiça popular e vingança privada” (ADORNO, 2002, p. 99).

Para trabalhar a solução da violência urbana, assim como apresentou Hobsbawm (2010), em sua obra o problema da multiplicação do bandido social, é possível relacionar este fato, com muita semelhança na sua forma de propagação, ao problema da violência urbana no Brasil da atualidade. Para isso, também é preciso conhecer sua origem, saber suas causas e evitar suas consequências, sendo,

[...] provável que ambos os efeitos sejam mais fortes onde a máquina do Estado se encontra ausente ou é ineficiente e onde os centros regionais de poder são equilibrados ou instáveis, como ocorre em condições de ‘anarquia feudal’ (HOBSBAWM, 2010, p. 126).

Ao se descrever a forma de atuação dos bandidos, que além de terem peculiaridades específicas de cada região, “todos resistem à invasão do poder da autoridade e do capital procedentes de fora” (HOBSBAWM, 2010, p. 23). Dentro desta mesma analogia, defende que para se compreender a história do banditismo, deve-

se observá-lo no contexto da história do poder, ou seja, do controle por parte dos governos ou outros centros de poder. Pode-se assim, melhor compreender a violência ao analisa-la em seu ambiente de ocorrência. De modo que, “o poder político era medido pelo número de guerreiros que um líder pudesse mobilizar com regularidade” (HOBSBAWM, 2010, p. 30). Isso explica o aliciamento dos jovens do tráfico, que são recrutados para trabalharem no mundo do crime, aumentando assim o poder da facção.

Fato este que justifica o vertiginoso aumento de violência urbana, como na cidade de Vitória/ES, onde se verifica o “crescimento do tráfico de drogas e às disputas que esse tipo de comércio criminoso propicia, sobretudo nas áreas pobres e desassistidas das grandes cidades” (RIBEIRO, 2005, p. 207). Essa alta incidência de mortes que se verifica, tanto de traficantes como de policiais nas favelas brasileiras, se tornou um problema endêmico. Instalando-se uma verdadeira guerra entre o tráfico e a polícia, florescendo o ódio e a vingança que dominam o sentimento de ambos os lados. Os policiais, agindo em defesa de sua própria vida ou vingando a morte de um colega ou amigo. Por outro lado, tem-se o delinquente social, da qual existe “uma prática prazerosa para muitos destes adolescentes que se orgulham de ter conseguido atingir uma viatura ou um policial” (NERI, 2012, p. 211).

Neste jogo entre vida e morte, onde principalmente os jovens são as maiores vítimas, estes sofrem grandes ameaças a integridade física e moral, onde se constata um círculo vicioso, atirando-se para não morrer. Neste ambiente repleto de ódio e corrupção usa-se a violência em benefício próprio, contribuindo na impunidade de vicissitudes instigantes. “Se, por um lado, a ‘vida no crime’ é descrita como uma aventura, que dá adrenalina e possibilita conquistar status e bens desejados, por outro, teme-se a morte” (NERI, 2012, p. 223-224).

Fortalecendo este entendimento, Soares (2006) defende que apesar das diversas combinações de matrizes criminais, que vem articulando e alimentando dinâmicas diversas, o que se destaca é o tráfico de drogas, que se infiltra e acaba se instalando nas vilas, favelas e periferias, passam a adotar o domínio territorial ameaçando a comunidade, recrutando seus jovens vulneráveis que passam a se reproduzir, estimulados pela crise social e fragilidade da autoestima. O casamento perverso entre a droga e arma, é um dos problemas mais graves enfrentados pelo

Brasil, onde a venda de drogas financia a compra de armas, que dá poder ao grupo criminoso, e conduz a violência policial.

Cabe ao Estado o dever legal de manter a ordem, disponibilizando um serviço de segurança pública eficaz a sua população, e com isso, evitar a instalação de um poder paralelo pelo crime organizado que estabelece suas regras de condutas próprias. Além de implantar fronteiras para atuação, limitando as áreas para as facções criminosas, deixando assim, a população refém de organizações criminosas. “Os traficantes de armas e drogas, sobretudo depois que se articularam em grande escala, constituem as mais perigosa e destrutivas dinâmicas criminais que o Brasil conhece” (SOARES, 2000, p. 277).

Para se trabalhar o problema da segurança pública, é sem dúvida necessário realizar um estudo sobre as causas dos principais problemas que se quer enfrentar, onde as explicações por estar no mundo do crime são vastas. Assim, como as justificativas apresentadas pelos moradores locais, tal como: “a falta de assistência do governo, a pobreza cada vez maior entre as famílias de trabalhadores, a polícia corrompida, as atrações e facilidades do tráfico” (ZALUAR, 2000, p. 153), além da sedução de dinheiro fácil e a revolta por algumas injustiças, acabam tendo um peso considerável na decisão de quem está ingressando no mundo do crime.

Pode-se dizer que a pretensão dos moradores das favelas é muito semelhante a qualquer cidadão, “querem ‘melhorar de vida’, isto é, receber um tratamento humano decente no trabalho e na rua, salários suficientes para dar o que comer à sua família, ter casa, roupa nova e decente para vestir e ter saúde” (ZALUAR, 2000, p. 229). Sobre esta ótica, independe de classe social, todos querem segurança.

A história da violência no Brasil é bem antiga, e não pode ser alimentada a ideia de que esta é apenas um assunto de polícia, e que o único método recomendado seja a repressão policial. A violência se inscreve na realidade social de muitas maneiras, e exige uma reflexão crítica, pensando-a no seu plural, assim como suas causas. No entendimento de Sousa Filho (2003), o homem, “se constitui na cultura, no mundo social. Do ponto de vista de suas emoções, comportamento, o ser humano é uma criatura inteiramente produzida nas relações que estabelece com seus outros”. E a

segurança pública, exige uma convivência de forma civilizada em sociedade, abrangendo um contexto bem amplo, que vai muito além da repressão policial.

[...] quando propomos olhar para a problemática da violência e criminalidade na sociedade brasileira não a estamos reduzindo a uma mera causalidade de efeitos, mas sim destacando a importância desta na constituição e organização social de nosso país, até porque justamente com a violência e criminalidade interagem outros fenômenos (CADEMARTORI, ROSO, 2012, p. 400).

A ação policial no enfrentamento do tráfico de drogas acaba muitas vezes favorecendo a desordem nas comunidades, alimentando uma quebra de braço entre a polícia e a comunidade local. De forma que é interessante para o crime organizado este conflito, onde o tráfico tenta manter uma relação de confiança com a comunidade, para que esta proteja o crime organizado. Mantendo afastados a polícia e o poder do Estado, criando uma área livre para a ilegalidade. Para aprofundar esta questão, esclarece-se a metodologia do tráfico de forma que.

Os traficantes não toleram a melhora das relações entre as polícias, a Secretaria de Segurança, o governo e a comunidade que desejam dominar; precisam do abismo que separa a polícia do povo; alimentam-se da revolta popular contra as instituições públicas, particularmente as polícias; apostam na irreversibilidade do ódio que a sociedade pobre devota aos representantes da ordem legal. Cavam seu espaço, nesse abismo (SOARES, 2000, p. 251- 252).

O tráfico estimula reações que tendem a estigmatizar a pobreza e os pobres, promovendo uma visão negativa das comunidades da favela e dos bairros populares, sendo vistos como fontes do mal, o que acaba se tornando uma imagem natural para a sociedade que identifica a favela com a violência. Com isso, “os moradores das favelas sofrem duplamente, primeiro como vítimas da tirania do tráfico, em seguida como vítimas de preconceitos e de medidas arbitrárias, elas mesmas criminosas e promotoras da barbárie” (SOARES, 2000, p. 273), onde o controle da violência ocorre pelo extermínio dos criminosos e o acobertamento da brutalidade policial, que recebe tacitamente o aval do Estado, numa guerra onde tantas vidas se perdem entre traficantes, residentes inocentes e policiais.

A mão de obra suja é recrutada pela força de trabalho infantil e adolescente, devido à imputabilidade penal prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, que protege os menores de dezoito anos. Estes menores são usados para o transporte das drogas e armas, sendo aproveitados sempre que possível, nas missões que há sérios riscos de prisão. Sendo muito comum, identificar menores trabalhando em

bocas de fumo onde o risco de intervenção policial é eminente, este ilícito penal também requer outra analise, onde “é preciso que haja compradores, é necessário que haja policiais envolvidos e é indispensável que exista uma lei que estipule a ilegalidade do produto” (SOARES, 2011, p. 141).

Ao armar os meninos pobres da favela, torna-os visíveis e transmite a estes, a ilusão do poder ao ostentarem suas armas, onde a comunidade passa a enxergá-los com respeito através da ameaça e do medo, aumentando sua autoestima. Bem diferente do menino pobre e desarmado da favela, que é ignorado como se fosse transparente, causando repugnância e sendo visto como uma peste suja e contagiosa. Neste contexto, é possível afirmar que “a autoestima é tão importante para a sobrevivência humana quanto um prato de comida” (SOARES, 2000, p. 269).

[...] a ausência de política públicas cria espaços propícios para a disseminação das diferentes manifestações de violência, criando, assim, a possibilidade de outros poderes paralelos, dominados pelo mundo do tráfico, se expandirem e se fortificarem (BAIERL, 2004, p. 134).

É possível definir assim, que essa ausência do Estado propicia ao traficante ocupar o espaço vazio, agindo como protetor da criminalidade local. Gerando empregos na ilegalidade, com o aliciamento de jovens e crianças para assumir as mais diferentes funções no mundo do tráfico. Diante disso, também ocorre a indignação das populações mais carentes que moram nas favelas, pelo abandono por parte do Estado e o desprezo da polícia, que não conseguem distinguir os moradores locais de traficantes, e usam deste espaço para cometer seus crimes tornando as pessoas do local as maiores vítimas. Assim, verifica-se como “a polícia está desacreditada e desmoralizada, não é considerada pelas pessoas como autoridade que oferece proteção e dá segurança. É vista como fazendo também parte do mundo da criminalidade e da violência” (BAIERL, 2004, p. 166).

Uma das principais formas de sustentar a violência é a falta de alternativas, e a supressão do acesso aos direitos sociais dos jovens, que levam estes a atividades criminosas e ilícitas. Primeiro por não terem acesso a seus direitos, e segundo por questões de sobrevivência, num ato de desespero quando acabam cometendo ilícitos, para saciar sua fome e seus desejos, atendendo as necessidades básicas. Verifica- se assim, que a própria sociedade fecha as portas para os jovens, possibilitando e

expandindo as formas de violência no mundo das drogas e armas, por não propiciar alternativas de sobrevivência digna.

Conforme a versão de Minayo (2007), a violência pelo seu número de vítimas e a magnitude de sequelas que tem produzido, adquiriu um caráter endêmico, tornando-se num problema de saúde pública. Em seus estudos apresentado em (2005) só no Brasil, na década de 1990 à 2000, mais de um milhão de pessoas morreram por violência e acidentes, e desses, cerca de 40% tiveram como causa morte o homicídio, tornando o Brasil um dos países mais violentos do mundo.

Uma excelente ferramenta de apoio às instituições policiais, e aos responsáveis da implantação de políticas de segurança pública é o mapa da violência10, que ajuda

a identificar os locais mais vulneráveis, no que se observa facilmente, é que esta vulnerabilidade atinge grupos específicos da nossa sociedade, afetando sobretudo jovens, pobres e negros do sexo masculino, com idade entre 15 e 24 anos.

Deste modo, “está em curso no Brasil um verdadeiro genocídio. A violência tem se tornado um flagelo para toda a sociedade, difundindo o sofrimento, generalizando o medo e produzindo danos profundos na economia” (SOARES, 2005). E toda esta violência encontra um campo fértil na destruição familiar, no desemprego, e na falta: à autoestima, à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer. Outra analogia que pode ser feita, é a urbanização da violência, principalmente no que se refere aos homicídios, “os crimes violentos são fenômenos urbanos associados a processos de desorganização nos grandes centros urbanos, nos quais os organismos de controle se deterioram” (BEATO FILHO, 2012, p. 70). Geralmente associado a políticas públicas ineficazes, e a pouca efetividade policial nos locais onde prevalece o crime organizado.

10O mapa da violência teve seus trabalhos iniciado em 1998 com o apoio da Unesco, do Instituto Ayrton

Senna e da Flacso. É uma pesquisa de levantamento de dados que analisa, a evolução das taxas de mortalidade, os tipos de homicídios, com o uso da arma de fogo, suicídios, acidentes de trânsito. Levando em conta também a idade das vítimas, o gênero, fato motivador, locais das ocorrências, apresentando as especificidades de cada região para explicar os níveis de violência. Permanecendo como responsável da pesquisa, o sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz.

Apesar das cidades de porte médio terem aumentado muito a criminalidade nos últimos anos, e terem ocorrido as maiores reduções nas cidades mais populosas conforme apresentado estatisticamente no mapa da violência. As grandes metrópoles como Rio de Janeiro e São Paulo permanecem com 40% dos homicídios ocorridos no Brasil, enquanto sua concentração populacional é de apenas 18%. Além de apresentar os dados com relação à raça das vítimas, o mapa da violência nos apresenta inúmeros outros dados extremamente importantes, com relação a idade, o gênero, crimes homo fóbicos, ainda os locais dos principais pontos de ocorrência destes crimes. Facilitando a ação do governo, para implementar ações precisas e eficazes no enfrentamento destas violências.

Ao analisar estatisticamente o mapa da violência no Brasil, é facilmente compreendida a discriminação racial comparando-se os dados de 2002 a 2012, onde é possível identificar um aumento dessa violência principalmente contra os negros. Enquanto nas vítimas brancas por homicídio, os números caíram de 19.846 para 14.928, entre os negros, estes números aumentaram de 29.656 para 41.127, e ao observar estes dados proporcionalmente, estes números são ainda maiores, considerando os homicídios para cada 100 mil pessoas, entre os brancos, em 2002 morriam vítimas de homicídio 21,7 enquanto na população negra, em 2002 era vítimas deste crime 37,5 proporcionalmente 73% maior o número de vítimas negras para cada 100 mil pessoas, e em 2012 esta proporção aumenta para 146,5%.

Apesar do mapa da violência ter um dos índices mais confiáveis, estes dados são contabilizados com as informações de vários órgãos, cabendo uma atenção especial quanto à confiabilidade destas informações, principalmente no que se refere aos homicídios que apresentam divergências gritantes entre a base de dados da polícia e do Ministério da Saúde (CANO; SANTOS, 2007). Este fato ocorre devido às formas de registros policiais, como no crime de latrocínio onde é comum que se registre o crime de roubo e não de homicídio, porque aquele ocorreu primeiro, ou ainda, nas vítimas de ações policiais onde se registra como “Auto de Resistência”11 e

não como homicídio, desta forma, dificilmente os números apresentados pela polícia serão os mesmos do Ministério da Saúde.

O mapa da violência passou a ser uma ferramenta indispensável, para qualquer gestão responsável pelo planejamento da segurança pública, servindo como base sinalizadora nas ações de enfrentamento à violência urbana, muito útil para conter a insegurança moderna em suas várias manifestações, que é caracterizada pelo medo dos crimes e dos criminosos, conforme apresentado por (BAUMAN, 2009). Onde ações preventivas são indispensáveis para não romper a confiança entre o Estado e a sociedade, pela sua grande dificuldade de restituir esta confiança.

Apesar do mapa da violência fornecer, uma gama enorme de informações com números, locais e biótipo das vítimas da violência, possibilitando um excelente planejamento para o trabalho policial. É importante analisar também, as recomendações da Amnesty International, que traz um olhar externo sobre a violência em nosso país, livre de interferência política, abordando principalmente a forma de atuação da polícia e a maneira que o Estado enfrenta o problema da violência.

Para reduzir a violência de modo verdadeiro e sustentável, o governo brasileiro precisa apresentar um plano multissetorial e de longo prazo, que