• Nenhum resultado encontrado

A VISITA AO CATAVENTO CULTURAL E EDUCACIONAL

VISITAS A MUSEUS: CONTRIBUIÇÃO PARA A FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES

AS VISITAS AOS MUSEUS COMO PRÁTICAS FORMATIVAS

C) A VISITA AO CATAVENTO CULTURAL E EDUCACIONAL

A Coordenadora e os licenciandos visitaram o Museu Catavento Cul-tural e Educacional, também localizado em São Paulo/SP, durante um sába-do tosába-do (início da visita às 9h e término às 17h), exploransába-do os aspectos

68

trabalhados anteriormente à visita, em reunião da equipe. Os licenciandos receberam a recomendação de visitar o museu livremente, conhecendo todos os espaços expositivos, mas tinham avaliações específicas a serem feitas sobre determinado Setor do Museu. Assim, os pibidianos, ainda na Universidade, em reunião da equipe, foram orientados sobre o que seria importante observarem durante a visita, por exemplo: conteúdos científicos explorados e suas formas; público visitante; mediação instrumental; educa-dores do museu; dentre outros.

Eles foram divididos em quatro grupos, ficando cada um com a respon-sabilidade de avaliação mais criteriosa sobre cada uma das Sessões do Museu, assim sendo: Grupo 1: Universo; Grupo 2: Engenho; Grupo 3: Vida; e Grupo 4:

Sociedade. O Museu tinha sido visitado anteriormente pela Coordenadora, o que contribuiu de modo significativo para a elaboração da atividade. A visita não foi realizada por esses grupos preestabelecidos, pois eles poderiam visitar o museu do modo que julgassem mais apropriado, mas, cada integrante do gru-po sabia o que seria imgru-portante registrar, para gru-posterior discussão no retorno à Universidade.

Assim, como nas demais visitas, foi solicitado um relatório sobre a visita ao Museu Catavento, englobando os itens: i) impressões gerais sobre o museu; ii) avaliação sobre o acervo e exposições do museu; iii) avaliação sobre fichas explicativas, cartazes, banners, computadores, projeções; iv) avaliação sobre os educadores do museu; v) comentários sobre os visitan-tes do museu; vi) potencialidades didáticas do museu; vii) contribuição da visita para sua formação enquanto professor; e viii) demais comentários que julgar pertinentes.

Os grupos predefinidos antes da visita, ao retornarem à Universidade, tiveram duas semanas para se reunirem e prepararem um Seminário, a ser apre-sentado na reunião de equipe, sobre os itens observados nas Sessões do Museu.

Após a apresentação dos seminários pelos quatro grupos, foi realiza-da uma rorealiza-da de conversa promovendo a discussão, reflexão e problematização sobre a visita ao museu, colocando como foco a formação do professor de Quí-mica nesses espaços.

69

FIGURA 4 – FOTOGRAFIAS DA VISITA AO MUSEU CATAVENTO

FONTE: A AUTORA (2016).

Ao analisarmos os relatórios, muitos aspectos formativos importantes foram colocados pelos pibidianos.

O Licenciando 6, por exemplo, revelou ter sua concepção sobre museu modificada após a visita:

Permitiu mudar a concepção sobre museus, demonstrando que, quando bem organizado, é um espaço que deve ser melhor utilizado por partes dos professores, que devem incitar os seus alunos a sem-pre visitarem locais assim. (L6).

O Licenciando 7 chamou atenção para a possibilidade de se construir conhecimento a partir de espaços não formais:

A visita foi uma experiência única, pois pudemos perceber que o co-nhecimento é proveniente de várias formas, e não precisa ficar restri-to aos espaços formais de educação. (L7).

A Licencianda 8 ressaltou a importância de se ter um propósito com a visita e o quanto isso é relevante para o melhor aproveitamento da atividade:

A visita foi muito importante porque diferentemente de outras visi-tas a museus essa foi feita com o intuito de vislumbrar o que se pode-ria utilizar enquanto matepode-rial didático. Entendi o quanto é importan-te que o professor conheça aonde vai levar seus alunos e enimportan-tenda o

70

espaço para que a visita seja proveitosa, que os alunos se divirtam e consigam compreender o conteúdo do museu. (L8).

A Licencianda 9 destacou a reestruturação de conceitos, a utilização de diferentes recursos didáticos, a interatividade no processo de ensino e apren-dizagem, a interdisciplinaridade e a criatividade como aspectos proporciona-dos/estimulados pela visita e com significado para a sua formação e de seus futuros estudantes:

A visita ao Museu reestruturou alguns conceitos equivocados que eu possuía, contribuindo para que eu tenha um olhar mais crítico para a difusão de conhecimentos que serão repassados aos alunos, para que assim eu não contribua com visões errôneas e deformadas. O Museu também me mostrou a importância do uso de instrumentos, objetos e da interatividade para o processo de ensino-aprendizagem. Além disso, observar o Museu como um espaço de divulgação científica me mostrou que podemos ensinar os alunos através desses espaços, para exemplificação demonstração e ilustração de conceitos, bem como uma maneira de ensinar através do lúdico. O espaço me en-riqueceu de criatividade, me fez pensar em diferentes abordagens de conteúdo em sala de aula, me mostrou a interdisciplinaridade, a qual poderei utilizar na prática docente, bem como me fez pensar no museu como um espaço para a nossa própria formação e a dos alunos do ensino básico. (L9).

O Licenciando L10 destacou que a visita é um momento formativo im-portante para o docente, relacionando-o com o compromisso que o professor tem com a aprendizagem de seus alunos:

A experiência em visitar espaços de educação não formal auxilia mui-to na formação de um professor crítico e contextual, que preza pela aprendizagem significativa de seu aluno. (L10).

A visita ao Catavento foi um momento muito marcante e significativo no contexto do Subprojeto. É uma vivência que até hoje ressoa na fala dos pi-bidianos.

71 As experiências anteriores, vividas pelo grupo, serviram de base para que esta visita tivesse mais aspectos a serem explorados, enriquecendo assim a proposta.

Acreditamos que esse conjunto de atividades mencionadas, as quatro visitações que foram abordadas no presente texto, se constituíram em expe-riências formativas ricas, principalmente por propiciarem vivências diferentes, estimularem a reflexão, o questionamento e demais aspectos que dinamizaram a formação desses pibidianos. Segundo Farias et al (2011, p. 68):

A formação configura-se como atividade humana inteligente, de ca-ráter dinâmico, que reclama ações complexas e não lineares. Trata-se, pois, de um processo no qual o professor deve ser envolvido de modo ativo, precisando continuamente desenvolver atitude de ques-tionamento, reflexão, experimentação e interação que fomentem a mudança. Implica, pois, romper de forma radical com práticas forma-tivas, cujos parâmetros fixos e predeterminados, derivados de pro-cessos estanques e conclusivos, negam os professores como sujeitos produtores de conhecimento. Tal abordagem é marcada pela cisão entre o espaço e o tempo da formação e do trabalho.

Ainda que, de modo inicial, os pibidianos foram estimulados a produzir conhecimentos a partir das experiências proporcionadas pelas visitas.

Ainda nessa linha de raciocínio, as mesmas autoras ressaltam a valori-zação do coletivo, em termos de colaboração e envolvimento na formação do-cente, assim como “o fomento da reflexão acerca da ação pedagógica, da capa-cidade de explicitar os valores norteadores dos saberes e fazeres da docência e das dimensões social, cultural e histórica que permeiam o cenário escolar.”

(FARIAS et al., 2011, p. 68). Essa colaboração e o envolvimento do coletivo na formação também foram, e são, pontos trabalhados nesse processo formativo que estamos nos dirigindo a analisar.

Desde o planejamento, as visitas tinham intencionalidade didática e formativa. O estímulo dado aos licenciandos visava à percepção por parte dos mesmos sobre as possibilidades que o espaço não formal permite à formação e identidade docente.

72