2 REVISÃO DE LITERATURA
2.2 Abandono de animais
Apesar de serem os animais de maior convívio dentro dos lares atualmente, estima-se que apenas 38% dos tutores de cães mantêm seus animais de estimação a longo prazo. A grande maioria acaba “descartando” esses animais sendo enviados para novos lares ou soltos nas ruas, tornando-se vadios (PARANHOS DA COSTA; CROMBERG, 1997).
A problemática do abandono é uma questão mundial, onde cada situação é vista de acordo com as ações que cada governante promove ou não para lidar com o problema. No Brasil, estima-se que existam em torno de 78 milhões de cães e gatos, sendo 54,2 milhões de cães e 23,9 milhões de gatos, e que 5% desses animais são considerados animais em condição
14
de vulnerabilidade (ACV). Os ACV’s vivem sob a tutela de famílias classificadas economicamente como abaixo da linha da pobreza, e 4% desses 3,9 milhões de cães e gatos tem seu destino o abandono completo (INSTITUTO PET BRASIL, 2019).
Para tentar entender um pouco mais sobre esse problema, faz-se necessário um estudo acerca dos motivos para o abandono de animais.
Segundo o último estudo realizado em 2010, os principais motivos de abandono de cachorros e gatos foram: ninhadas inesperadas (14%), mudança de casa (13,7%), fatores econômicos (13,2%), perda de interesse pelo animal (11,2%) e comportamento problemático do animal de estimação (11%). Entre os motivos menos frequentes temos: fim da temporada de caça (10,2%), alergia de algum membro da família (7,7%), nascimento de um filho (6,4%), internamento ou morte do proprietário (3,5%), férias (2,6%) ou o medo de pegar toxoplasmose durante a gravidez (2,4%) (MY AFFINITY 2010).
Sandresch (2011) afirma que tem outros motivos que levam ao abandono de animais, como, por exemplo, os animais não castrados; compra irresponsável; adoção não meditada;
presentear com animais; desconhecimento das necessidades do animal; problema de adaptação (condições inadequadas para ter um animal, dentre outros.
Segundo o site Portal Correio, em matéria publicada em abril deste ano, a Paraíba tem 80,5 mil cachorros e gatos em situação de rua, de acordo com a estimativa da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que há um animal para cada cinco habitantes no país e, desse número, 10% se encontram em situação de abandono. No Brasil são 30 milhões de animais abandonados (PORTAL CORREIO, 2022).
Segundo o CRMV/PB não existe uma estatística fidedigna sobre o número de animais de estimação (pets) abandonados, entretanto, sabe-se que a quantidade de cães e gatos em situação de rua ou em abrigos é maior que a velocidade com que ocorrem as adoções, visto que os abrigos e lares temporários estão sempre no limite ou acima da capacidade de alojamento. A falta de política de controle populacional, compra ou adoção por impulso, doenças e problemas com a adaptação/comportamento inadequado, mudança de moradia dos tutores, chegada de filhos/idosos na residência, medo de adquirir alguma zoonose e mudança de condição financeira da família são os principais motivos observados pelo Conselho para o abandono aqui na Paraíba (CRMV/PB, 2020).
15
2.3 Animal comunitário
Muitos dos animais errantes acabam encontrando pessoas que se compadecem de sua situação e lhe oferecem água e comida, sem os colocar para dentro de suas casas. Além da alimentação básica, essas pessoas também cuidam de pequenos problemas de saúde, como infestação por endo e ectoparasitas, ferimentos de pele dentre outros. Muitas vezes, mais de uma pessoa cuida do mesmo animal e o reconhece como sendo daquela região, estabelecendo, muitas vezes, uma relação de afeto. Esse novo tipo de relacionamento, apesar de não ser o ideal, vem trazendo uma nova alternativa aos animais errantes, que por causa dessa nova relação passaram a ser conhecidos como animais comunitários (RUNCOS, 2014).
Para que a situação se aproxime mais da ideal, o controle populacional através da castração de cães e gatos, deve ser o ponto chave para projetos/programas futuros de municípios. Dessa maneira, freando a proliferação de animais através de um programa de esterilização e dando acompanhamento médico veterinário oferecendo a esses animais comunitários a mesma qualidade de vida que os cães domiciliados (ALMEIDA, 2017).
2.4 ONG e Associação de protetores de animais
Tanto as ONGs (Organizações não governamentais) quanto as Associações são entidades de natureza privada sem fins lucrativos, que podem pleitear a obtenção de determinados títulos ou qualificações junto ao Poder Público, visando a alguns benefícios (DINIZ, 1993).
É importante esclarecer que associações são ONGs. As associações e outras formas de organizações sem fins lucrativos que integram o terceiro setor, e que realizam atividades que em tese, deveriam ser do poder público são consideradas Organizações Não-Governamentais (ONGs). Então, uma ONG é qualquer instituição privada, sem fins lucrativos e que atue em causa de interesse público (CHILDFUNDBRASIL, 2022).
O nome Terceiro Setor indica os entes que estão situados entre os setores empresarial (primeiro setor) e estatal (segundo setor). Os entes que integram o Terceiro Setor são entes privados, não vinculados à organização centralizada ou descentralizada da Administração Pública, que não almejam entre seus objetivos sociais o lucro e que prestam serviços em áreas de relevante interesse social e público (ROCHA, 2003).
16
2.5 Cuidador comunitário e Protetor independente
No artigo 7º da Lei 11.140/2018 é estabelecida a política a ser adotada pelo Poder Executivo e seus órgãos, envolvendo a relação entre a sociedade e os animais no âmbito do Estado da Paraíba (PARAÍBA, 2018). Nessa Lei, temos as definições para as pessoas que cuidam dos animais de rua, onde o protetor independente é qualquer pessoa física que se dedique à recolha, proteção e guarda, temporária ou definitiva de animais; cuidador comunitário é a pessoa física ou jurídica que protege, alimenta, fornece água e medica os cães e gatos comunitários. Por serem parecidas, essas duas definições podem ser confundidas no cotidiano, e muitas vezes, a autodenominação cuidador ou protetor possa não condizer com a realidade.
2.6 Das responsabilidades do município.
De acordo com o Art 54º da Lei 11.140/2018 (PARAÍBA, 2018) o poder público municipal deve estruturar o Centro de Controle de Zoonoses, Canil ou estabelecimento equivalente, definindo suas instalações físicas, competências técnica e administrativa correspondentes, no prazo máximo de 2 (dois) anos, de forma a atender com eficiência e agilidade as demandas impostas pela presente Lei. De acordo com o artigo 5º desta mesma Lei, é necessário ao animal:
I - De ter as suas existências física e psíquica respeitadas;
II - De receber tratamento digno e essencial à sadia qualidade de vida;
III - A um abrigo capaz de protegê-lo da chuva, do frio, do vento e do sol, com espaço suficiente para se deitar e se virar;
IV - De receber cuidados veterinários em caso de doença, ferimento ou danos psíquicos experimentados;
V - A um limite razoável de tempo e intensidade de trabalho, a uma alimentação adequada e a um repouso reparador (PARAÍBA, 2018, Art. 5º)
Entretanto, deve-se salientar que as diretrizes para estruturação de estabelecimentos de controle de zoonoses são normatizados pelo Ministério da Saúde e contidas no Manual de Normas Técnicas para Estruturas Físicas de Unidades de Vigilância de Zoonoses (BRASIL, 2017a), conforme estabelecido na Portaria de Consolidação nº 5/2017 (BRASIL, 2017b), cujas ações de controle executadas no caso dos animais representarem risco á saúde pública e pelo
17
Conforme estabelecido na Seção I do Capítulo V da Portaria de Consolidação nº 5/2017 (BRASIL, 2017b) consideram-se ações e serviços públicos de saúde voltados para a vigilância, a prevenção e o controle de zoonoses e de acidentes causados por animais peçonhentos e venenosos, de relevância para a saúde pública:
I - desenvolvimento e execução de atividades, ações e estratégias relacionadas a animais de relevância para a saúde pública;
II - desenvolvimento e execução de ações, atividades e estratégias de educação em saúde visando à guarda ou à posse responsável de animais para a prevenção das zoonoses;
III - coordenação, execução e avaliação das ações de vacinação animal contra zoonoses de relevância para a saúde pública, normatizadas pelo Ministério da Saúde, bem como notificação e investigação de eventos adversos temporalmente associados a essas vacinações;
O Código de Direito e Bem-Estar Animal da Paraíba, instituído a partir da Lei 11.140/2018 (PARAÍBA, 2018), estabelece normas para a proteção, defesa e preservação dos animais vertebrados e invertebrados situados no espaço territorial desse Estado, visando a compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a conservação do meio ambiente e o convívio harmônico em sociedade, tudo em consonância com o que determinam as Constituições Federal e Paraibana e, ainda, a ordem constitucional vigente. A partir deste Código, fica instituído que o Poder Executivo tomará todas as providências necessárias ao fiel cumprimento desta Lei, devendo:
I - (VETADO);
II - (VETADO);
III - prestar aos membros das sociedades protetoras dos animais, pessoas físicas ou jurídicas, a cooperação necessária;
IV - (VETADO);
V - atuar diretamente ou por intermédio de políticas específicas, celebrando convênios com outros Entes Federativos e/ou pessoas jurídicas de direito privado, firmando parcerias público-privadas, bem como praticando todos os demais atos necessários para a consecução das determinações contidas no presente instrumento normativo;
VI - promover a saúde dos animais, objetivando, além do estado de boa disposição física e psíquica deles próprios, garantir a saúde da população humana e a melhoria da qualidade ambiental como partes da saúde pública (PARAÍBA, 2018, Art. 1º).
2.7 Das responsabilidades do tutor.
Segundo o Art. 3º da Lei 11.140/2018 (PARAÍBA, 2018) “é dever do Estado e de toda a sociedade garantir a vida digna, o bem-estar e o combate aos abusos e maus tratos de animais”.
Ainda segundo a mesma Lei, no Art. 23º, diz que “todo animal deve estar devidamente domiciliado, de tal modo a ser resguardada sua integridade físico-psíquica, a de outros animais e a de humanos, devendo o tutor: impedir sua fuga, utilizando os métodos necessários para tal
18
feito; dentre outras práticas, telar as janelas e vãos de prédios verticais e horizontais que propiciem sua queda e/ou fuga;evitar agressão a humanos, bem como proteger os animais de práticas agressoras provindas daqueles; inibir o ataque a outros animais e resguardá-lo de ataques oriundos também de outros animais;impedi-lo de provocar acidentes em residências, vias e logradouros públicos ou locais de livre acesso ao público.
De acordo com o Art. 44º “o tutor ou responsável pela guarda do animal responde, de acordo com a legislação própria, civil e penalmente pelos danos físicos, psíquicos e econômicos decorrentes de eventuais agressões dos animais a qualquer pessoa, bem como outros seres vivos ou bens de terceiros.”
Segundo o Art. 49º “aplicam-se aos cães e gatos comunitários todas as normas de proteção previstas nesta Lei, especialmente as determinações concernentes à obrigação, pelos Setores de Zoonoses, de promoção da esterilização de animais.”
Em 2020, a Lei 14.064 foi sancionada e veio alterar a Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, para “aumentar as penas cominadas ao crime de maus-tratos aos animais quando se tratar de cão ou gato” (BRASIL, 2020). Com esta Lei, a pena de detenção de três meses a um ano e multa, foram alterados para reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda.
A Lei Sansão, como ficou conhecida, foi escrita especificamente para cães e gatos, e foi assim apelidada em homenagem ao pitbull que foi vítima de agressões (suas patas foram decepadas por golpes de foice) em Confins/MG em julho de 2020 (O TEMPO, 2020).
2.8 Das zoonoses
Uma zoonose é uma infecção ou doença infecciosa transmissível, sob condições naturais, de homens a animais e vice-versa (SILVA, 2017). De acordo com o Conselho de Medicina Veterinária da Paraíba (CRMV/PB), as principais zoonoses são: raiva, leishmaniose, esporotricose, febre maculosa, teníase/cisticercose, hidatidose, brucelose, tuberculose e mormo.
Ainda de acordo com o CRMV/PB, é interessante ressaltar a diferença entre zoonoses e arboviroses:
“Zoonoses são as enfermidades transmitidas naturalmente entre os animais e o homem, podendo ser causadas por vários agentes etiológicos. Dentre eles, destacamos protozoários, vírus, bactérias, fungos, helmintos e rickettsias”. Já as “arboviroses são enfermidades que também incluem zoonoses, só que causadas especificamente por
19
Vacinação, saneamento básico, higiene, atuação dos órgãos de vigilância, inspeção de alimentos, defesa sanitária animal e educação ambiental são as principais medidas de prevenção tanto das zoonoses quanto das arboviroses (CRMV/PB, 2020). Com o abandono e o aumento de animais errantes, crescem também os riscos de zoonoses aumentando significativamente os custos para a saúde pública (SILVANO et al., 2010). Estudos mostram que há poucas iniciativas no sentido de controle e prevenção de zoonoses, como observado em Dantas (2020), onde mostra através do estudo sobre as notificações de Leishmaniose Viceral Humana (LVH) em que o comportamento oscilante no tempo tem evidenciado a falta de controle da enfermidade.
A LVH é uma zoonose onde o cão é o principal reservatório e é causada por protozoários heteroxênicos e intracelulares obrigatórios das espécies Leishmania chagasi ou L. infantum que afeta as células do sistema fagocítico mononuclear, é de notificação compulsória, pois apresenta elevado número de óbitos e está incluída entre as seis doenças endêmicas mais importantes do mundo (ALVES; FONSECA, 2018). Com esses dados, podemos perceber a importância da prevenção através do controle tanto do mosquito Lutzomyia longipalpis principal transmissor da doença e seu reservatório, o cão. O manejo ambiental é a principal forma de afastar os mosquitos, já para o controle do reservatório muitas outras ações devem ser pensadas, e a principal é sobre a proliferação desses animais nas ruas (FIOCRUZ, 2019).
O controle, prevenção esclarecimento e notificação de zoonoses também são de atribuição da população, ou seja, qualquer cidadão pode notificar um agravo. Porém, nem todas as pessoas realmente conhecem as listas de doenças de notificação compulsória que vigoram no Brasil ou a quem notificar em casos de suspeita e/ou confirmação (BRASIL, 2013).
A lista de doenças de notificação compulsória é vinculada ao Ministério da Saúde e ao Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Em caso de ocorrência de alguma doença de notificação compulsória (suspeita e/ou confirmação) envolvendo zoonoses e/ou pequenos animais, deve se notificar a Secretaria de Saúde municipal através de algum dos seguintes órgãos: Vigilância Epidemiológica, Vigilância Sanitária, Vigilância Ambiental, Centro de Controle de Zoonoses (CCZ – onde existir), Centro Integrado de Vigilância Toxicológica (CIVITOX – onde existir) (BRASIL, 2013).
20
3 METODOLOGIA
O presente trabalho foi realizado na cidade de Alagoa Grande - PB, situada no brejo paraibano, com área de 322,071km2, localizada a 111km da capital, 60km de Campina Grande e a 143m do nível do mar e com uma população de 28.470 habitantes de acordo com o censo de 2010. A cidade conseguiu sua emancipação em 26 de julho de 1965 e possui Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,582 (MASCARENHAS, 2005).
Inicialmente foi feita revisão de artigos, localizados no Periódico Capes e Google Acadêmico, que tiveram como finalidade o estudo sobre os animais comunitários, abandono e legislações acerca do tema. Em seguida, elaborou-se um questionário semiestruturado a ser aplicado a protetores independentes de animais do município de Alagoa Grande – PB, com o intuito de mensurar, de forma indireta, a quantidade de cães e gatos que são alimentados no centro da cidade e arredores, atualmente.
Apesar de identificar, através de levantamento bibliográfico, que o termo cuidadores comunitário seria mais adequado para os entrevistados, pois os mesmos não mantém os animais que alimentam sob seus cuidados, conservamos o termo protetor independente por ser a forma que todos estão familiarizados.
Os questionários eram compostos por 25 perguntas e um pedido de indicação de outro protetor independente, para a continuidade do trabalho. A entrevista foi iniciada pela pessoa que é considerada a mais popular entre os protetores, por ter seu trabalho reconhecido por populares, apesar de não receber nenhuma ajuda significativa. A partir dela, pudemos encontrar os demais através da indicação de cada entrevistado. Em alguns momentos, precisamos sair de forma aleatória na cidade, pois os mesmos nomes estavam sendo indicados constantemente, e por isso, as indicações não surtiram mais efeito. Não foram coletados dados em situações em que as pessoas não se reconheciam como protetores e/ou não quiseram participar da pesquisa.
Com relação ao levantamento de informações sobre o posicionamento da Prefeitura Municipal de Alagoa Grande - PB acerca dos animais de rua para mais informações sobre as responsabilidades na questão do controle de natalidade e zoonoses: contatou-se os responsáveis pelo setor de Vigilância Sanitária e de Endemias.
21
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesse trabalho o termo escolhido foi protetor independente, pois nem sempre existe a possibilidade dos cuidados médicos, e que na maioria dos casos, as pessoas acabam levando para suas casas os animais que se encontram em situação de rua; além de se aproximar com o termo protetor de animais, já bastante conhecido e usado na cidade.
Os resultados em relação ao perfil socioeconômico dos 14 protetores independentes entrevistados, residentes no município de Alagoa Grande, estão representados na tabela 1. De acordo com os dados gerados, a maioria dos entrevistados possui ensino médio completo (64,3%), trabalha para algum órgão público (42,9%) e atua como protetor independente entre 5 a 10 anos, pelo menos. A renda familiar de 42,9% fica entre dois salários-mínimos, sendo que apenas 21,4% têm renda de 2 a 5 salários-mínimos.
Tabela 1: Distribuição dos resultados das entrevistas com protetores independentes de animais do Município de Alagoa Grande-PB, de acordo com escolaridade, ocupação e renda média familiar. Alagoa Grande, 2022.
Variáveis Respondentes
nº %
Escolaridade
Sem estudos 0 0.0
Fundamental incompleto 2 14.3
Fundamental completo 1 7.1
Médio incompleto 0 0.0
Médio completo 9 64.3
Superior incompleto 0 0.0
Superior completo 2 14.3
De acordo com os dados levantados na tabela 1, a maioria dos entrevistados dispõem de até dois salários-mínimos para manter suas famílias e ajudar na causa animal da cidade de
22
Alagoa Grande-PB. Segundo Souza e Iglesis (2019) um protetor de uma cidade fluminense pode gastar com resgate e manutenção entre 100 a 4.000 reais por mês, dependendo do número de animais e seu estado de saúde.
O gráfico 1 mostra os gastos mensais dos protetores com a alimentação de cães e gatos, não sendo feita a distinção entre eles:
Gráfico 1: Custos mensais dos protetores da cidade de Alagoa Grande – PB com alimentação de animais de rua.
Alagoa Grande, 2022
Fonte: Elaborado pela autora.
Os custos com alimentação variam de acordo com seus rendimentos e não com o número de animais. Os 42,8% (6/14) que utilizam até 200 reais de suas rendas gostariam de poder aumentar este valor, pois segundo eles, o salário que recebem não é suficiente para um padrão de vida que gostariam de manter, e muito menos para alimentar os animais de rua.
Apesar de indicarem que gastam até 200 reais por mês com a alimentação de cães e gatos de rua, os protetores entrevistados admitem que esse valor pode ser ainda maior. Muitos afirmam que contraem dívidas ou que passam a ter uma vida financeira difícil, mesmo assim, não pedem ajuda, pois tem vergonha. Ainda em Souza e Iglesias (2019) podemos ver um exemplo de duas protetoras que falam sobre sua situação financeira frente a causa animal:
Não conheço um protetor que não esteja no vermelho. Tudo eu [que pago]. Doação eu não peço também, só se for emergência. Porque eu tô cuidando até de poucos agora.
Tem gente que cuida muito mais do que eu, eu fico até sem jeito de pedir (protetora Berenice, 43 anos).
23
todo mundo, entendeu? Tipo... e aí você vai ver, a renda da pessoa, só de doações que ela recebe, tipo, dá mais do que o meu salário, do meu que trabalho o mês inteiro, entendeu? (Protetora Cássia, 33 anos) (SOUZA; IGLESIAS, 2019).
Nesses dois exemplos referentes às protetoras do Rio de Janeiro, vemos que as semelhanças entre os Estados são grandes em relação ao trabalho voluntário independente.
Possivelmente, se tivéssemos incluído no nosso questionário algo sobre os motivos de não receber doações e fazer campanhas, veríamos falas semelhantes às citadas acima.
Os resultados referentes ao número e espécie de animais atendidos pelos protetores independentes estão representados nas tabelas 2 e 3. A maioria 8/14 (57,1%) afirma que alimenta entre 10 a 20 animais todos os dias, sem distinção entre cães e gatos. Dois entrevistados (14,3%) não souberam precisar a quantidade de animais que alimentam por dia, e por isso, informando que o número ficava acima de 40 animais.
Tabela 2: Número de animais assistidos pelos entrevistados.
Nº protetores Animais assistidos (alimentados)
Intervalo Média Total
Tabela 3: Espécies de animais assistidos pelos entrevistados
Espécies atendidas Protetores animais atendidos pelos 14 protetores entrevistados. Entretanto, não há identificação individual dos animais e o município é pequeno, um mesmo animal pode ter sido contabilizado por mais de um protetor. Mesmo com esse risco, pelo número de animais observados circulando pela cidade, este quantitativo pode ser bem superior ao número estimado.
Comparada com a cidade de Campina Grande, que só em 2021 contabilizou 1.255 animais resgatados, onde uma protetora independente afirma que cuida de 18 cães em um abrigo
24
construído na calçada da casa dela (MOTTA, 2021), a cidade de Alagoa Grande dá sinais de que está no mesmo caminho dos grandes centros na questão do número de animais errantes.
construído na calçada da casa dela (MOTTA, 2021), a cidade de Alagoa Grande dá sinais de que está no mesmo caminho dos grandes centros na questão do número de animais errantes.