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4   Conceitos teóricos 12

6.7   Abordagem ao problema 40

Tal como no projecto executado na integrada Simon, fez-se um planeamento da abordagem ao problema.

Planeamento

Os objectivos deste projecto foram mais vastos que os definidos no projecto da Integrada Simon. O objectivo principal traçado para este projecto foi a diminuição do tempo de preparação do equipamento para 29 minutos. No entanto, Imai (1986) defende que é impossível melhorar qualquer processo sem que este se encontre sistematizado. Assim, para que tal sistematização seja atingida é necessário ultrapassar várias barreiras.

A primeira barreira encontrava-se no próprio equipamento: era necessário colocar o equipamento a desempenhar eficientemente as suas funções. Era necessário colocar o sistema de posicionamento automático funcional, pois a sua utilização permite eliminar grande parte das tarefas mais demoradas da preparação e dividir da melhor forma as tarefas pelos operadores.

Um projecto SMED pressupõe uma eficaz divisão de tarefas pelos operadores. Mas, para tal acontecer, é necessário que todos os operadores possuam conhecimentos acerca do equipamento e das preparações para produzir os diversos formatos de caixas.

Assim, os objectivos delineados foram os seguintes, na seguinte ordem:

 Resolver os problemas técnicos da máquina, colocando o sistema automático operacional;

 Estimular a partilha de conhecimentos entre os operadores;

 Reduzir o tempo médio de preparação da máquina, aplicando os vários passos da metodologia SMED (objectivo final).

Execução

A execução deste projecto iniciou-se em paralelo com o projecto da integrada Simon. No entanto, os principais intervenientes no inicio deste projecto não foram os operadores, mas sim a equipa de manutenção e conservação da empresa. Foi necessário realizar uma análise às possíveis causas do sistema automático não funcionar eficientemente.

A primeira causa encontrada foi o facto de a máquina não estar devidamente calibrada, o que impossibilitava que esta se comportasse correctamente. A resolução deste problema não foi muito fácil pois o manual fornecido pelo fabricante não era claro e possuía diversos erros. Assim, por tentativa e erro, conseguiu-se calibrar convenientemente o equipamento. Para evitar futuros problemas, realizou-se um manual de calibração no qual ficaram detalhadamente registados os principais passos necessários para efectuar a calibração, bem como os diversos parâmetros de funcionamento. Outros problemas foram encontrados, maioritariamente de foro electrónico, que também tiveram de ser resolvidos.

No final de Março, o sistema ficou operacional. No entanto, os operadores demonstraram dificuldades em interagir com o sistema, sendo essa dificuldade causada pelo facto de nunca o terem utilizado. Assim, para combater essa dificuldade, decidiu-se elaborar um manual de operador (fornecido no anexo E), no qual foram retratados os procedimentos necessários para trabalhar eficientemente com o software do equipamento. Este manual caracteriza-se por apresentar imagens de todas as janelas do software e instruções passo-a-passo de como realizar as diversas tarefas. Com isto, a tarefa de gravar um formato de caixa e activá-lo posteriormente começou a tornar-se numa tarefa simples para os operadores. O sistema que anteriormente era desprezado passou a ser utilizado frequentemente, aumentando o entusiasmo dos operadores pela máquina e pelo projecto.

Aproveitando o entusiasmo das equipas, realizou-se um workshop, semelhante ao realizado com as equipas da integrada Simon. Focaram-se os objectivos do projecto e apresentaram-se as metodologias 5S e SMED, utilizando os exemplos práticos do projecto da Integrada Simon. O workshop focou-se bastante na aplicação dos primeiros passos da metodologia 5S ao local de trabalho, realizando-se uma triagem aos acessórios e ferramentas que se encontravam nas proximidades da máquina (figura 18 e figura 19).

Com o intuito de facilitar a partilha de conhecimentos, foi acordado nesse mesmo dia, que durante o mês de Abril não se iria dar atenção aos tempos de preparação, mas sim à partilha de conhecimentos entre os operadores. Durante esse mês, os operadores mais experientes (condutores da máquina) ficaram responsáveis pela formação dos restantes operadores na execução das tarefas de preparação.

No entanto, sabia-se de antemão que este processo de formação iria ser complicado. Rego (2002) defende que todos aqueles que se sintam potencialmente prejudicados pela mudança tenderão a resistir-lhe. No caso em questão, os condutores da máquina possuíam de antemão um nível de poder superior ao restantes operadores, pois estes eram os únicos que sabiam trabalhar convenientemente com o equipamento. Assim, existiu de início uma certa relutância por parte dos condutores da máquina em divulgar os principais segredos das tarefas de preparação.

Para combater esse espírito e para prevenir que os operadores menos experientes fossem banidos de participar nas preparações, fez-se um acompanhamento quase contínuo das equipas. Durante esse acompanhamento, foi-se discutindo em grupo a forma como as tarefas eram executadas e como poderiam ser realizadas no futuro. Com as ideias que surgiram, à semelhança do projecto da integrada Simon, elaboraram-se dois modos operatórios: um para a preparação da máquina para a produção de caixas de modelo americano e, outro para a produção de caixas de três e quatro pontos de cola (fornecidos no Anexo D). Com estes documentos, tenta-se dividir da melhor forma as tarefas pelos operadores, incutindo o espírito de trabalho em equipa e o foco no tempo despendido nas tarefas internas da preparação. Para os modelos de caixas Twinbox, Caixas com divisórias e Meias caixas coladas, não se realizou qualquer modo operatório. Como são caixas muito complexas e cuja produção é pouco usual (uma encomenda por mês), existe uma grande dificuldade na preparação destes tipos de formatos. Assim, antes de dividir as tarefas pelos operadores, decidiu-se elaborar um manual que ajudasse os operadores neste tipo de preparação.

Na abordagem à metodologia SMED, foi referido que o principal foco deve estar sobre o tempo das tarefas internas. Do acompanhamento das equipas, evidenciou-se que a máquina

Figura 19 - Material que se encontrava na máquina e que não é necessário para o dia-a-dia de trabalho.

possuía uma excessiva dependência do uso de ferramentas: possuía mais de cinquenta sistemas de aperto (vulgar sistema parafuso/porca) que necessitavam constantemente de ser apertados/desapertados. Assim, com o intuito de diminuir o tempo das tarefas internas, decidiu-se trocar estes sistemas por manípulos, os quais não necessitam do uso de chaves e tornam mais rápido o aperto e fixação dos componentes e acessórios da máquina. As figuras que se seguem, retratam a modificação efectuada.

Outro foco de desperdício de tempo, situava-se no sistema de fixação das pistolas de cola. O Figura 20 - Acessórios fixos com parafusos.

posições. Com esta abordagem, conseguiu-se diminuir o tempo dispendido em ajustes aos parâmetros de colagem bem como se facilitou a colocação das pistolas (o antigo sistema era pouco prático).

Como já se referiu, os níveis de fiabilidade da máquina estavam muito aquém dos desejáveis. Da análise das causas dos problemas de fiabilidade, chegou-se à conclusão que a principal causa residia na deficiente execução das tarefas de manutenção preventiva. Assim, analisou-se o manual de manutenção já existente e fez-se uma reestruturação, de forma a que este começasse a ser utilizado pelas equipas. Durante várias semanas, fez-se um acompanhamento da execução da manutenção preventiva, explicando a importância da execução das tarefas para o bom funcionamento do equipamento.

Realizadas as melhorias à máquina e terminado o período dedicado à formação das equipas, colocou-se em execução os métodos de trabalho estabelecidos pelo modo operatório. Durante o mês de Maio, deu-se uma especial atenção à comunicação, publicando diariamente os resultados obtidos e discutindo os problemas que foram surgindo.

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