• Nenhum resultado encontrado

3 EVOLUÇÃO HISTÓRICA: ABORDAGENS ADMINISTRATIVAS EXPLICATIVAS E DESCRITIVAS

3.2 Abordagem Comportamental da Administração

De acordo com CHIAVENATO (2003) esta abordagem surge em 1957, nos Estados Unidos da América do Norte. Enfocou as variáveis PESSOAS e AMBIENTE e teve, entre outros, os representantes, SIMON, McGREGOR, BARNARD, LIKERT, ARGYRIS, BENNIS.

3.2.1 Teoria Comportamental

A Teoria comportamental também é conhecida como Behaviorismo, uma derivação aportuguesada da palavra inglesa behavior , que significa comportamento.

Por se tratar de uma extensão da Teoria das Relações Humanas, enriquecida por novos estudos de psicologia organizacional, essa teoria é a mais profunda influência das ciências do comportamento na administração.

Novos estudos foram desenvolvidos, contemplando a motivação humana, por nomes como McGregor, Maslow e Herzberg. Estava definitivamente aceita a proposição de que o administrador deveria conhecer os mecanismos motivacionais humanos para poder dirigir adequadamente as organizações por meio das pessoas.

Motivação humana

O modelo de Abraham MASLOW apresenta uma explicação para os motivos que levam as pessoas a fazerem as coisas. A compreensão disso certamente auxiliaria os gerentes a trabalhar com esses vetores para conseguir melhores resultados nas relações organizacionais.

O modelo que consta de cinco tipos de necessidades, devidamente hierarquizadas, e que teriam o poder de mover as pessoas nas suas ações é o seguinte:

MASLOW colocava a capacidade de motivar numa dessas cinco necessidades, conforme fosse o estágio em que cada pessoa se encontrasse.

Um outro teórico, Frederick HERZBERG, buscou entender como a motivação se relacionava com o trabalho humano nas organizações e desenvolveu um modelo baseado em dois fatores: os higiênicos e os motivadores.

Um detalhamento maior desses dois modelos está registrado no Processo Administrativo, dentro tópico Direção.

Os comportamentalistas (behavioristas) também deram muito valor aos estudos dos estilos de administração. São desenvolvidos os estilos de Douglas McGREGOR , por meio das Teorias X e Y, e de Rensis LIKERT, sobre os quatro sistemas organizacionais.

McGREGOR propõe um modelo motivacional, composto por dois estilos extremos, que denominou de “Teoria X” e de “Teoria Y”. Nessa proposta, McGREGOR apresenta como os gerentes se comportam, a partir de pressupostos sobre o comportamento das pessoas. Os gerentes “X” e “Y” manifestam uma visão totalmente antagônica a respeito na natureza humana. Essas diferentes percepções desencadeiam diferentes estilos de liderança.

As premissas dessas duas visões aparece na tabela a seguir:

Acredita-se que existe uma projeção de expectativas dos gerentes sobre seus subordinados que condiciona o comportamento destes (motivação). Então, de acordo com o que os gerentes pensam de seus funcionários, certos comportamentos de resposta seriam manifestados por eles. Uma outra abordagem para os estilos de administração organizacionais foi desenvolvida por Rensis LIKERT.

Este autor classificou os estilos administrativos em quatro sistemas, que denominou de:

•-Sistema 1 (autoritário coercitivo): sistema administrativo autocrático e forte, altamente coercitivo e arbitrário, que controla rigidamente tudo o que ocorre dentro da organização. É o sistema mais duro e fechado dos quatro.

•-Sistema 2 (autoritário benevolente): constitui uma variação atenuada do sistema 1, pois é o mesmo sistema, um pouco condescendente e menos rígido.

•-Sistema 3 (consultivo): sistema que tende mais para o lado participativo do que para o lado autocrático e impositivo. Representa um gradativo abrandamento da arbitrariedade organizacional. •-Sistema 4 (participativo): sistema democrático por excelência e, por conseguinte, o mais aberto de todos.

Considerando o conceito de continuum (um intervalo, marcado por dois pontos extremos contraditórios ou antagônicos), uma empresa qualquer pode ocupar qualquer um dos dois extremos ou qualquer outra posição entre eles.

No caso do continuum dos sistemas administrativos de LIKERT, as empresas não precisam estar necessariamente no extremo 1 ou no 4, ou então nas outras posições 2 ou 3. Podem estar em qualquer ponto entre 1 e 4, por exemplo, 2,5 ou 3,5 etc.

Cada um desses quatro sistemas é avaliado por meio de variáveis, como: processo decisório, sistema de comunicações, relações interpessoais e sistemas de recompensas e punições.

FERREIRA e outros (1997) apresentam no quadro a seguir, como cada uma dessas variáveis é tratada em cada um desses

fonte: FERREIRA, Ademir Antonio, REIS, Ana Carla Fonseca, PEREIRA, Maria Isabel; Gestão empresarial:de Taylor a nossos dias: evolução e tendências da moderna administração de empresas. São Paulo: Ed. Pioneira, 1997. Esses estilos de liderança estão estreitamente relacionados com o tópico 3.3.2 – Liderança, da PARTE 3 – O processo Administrativo.

Para essa escola, toda decisão envolve seis elementos, a saber: O tomador de decisões; os objetivos desejados; as preferências (critérios de escolha); a estratégia; a situação (aspectos do ambiente onde a decisão está sendo tomada) e os resultados.

SIMON, o principal teórico da decisão, nessa escola, adverte que há uma grande dose de subjetividade em toda decisão tomada e lembra alguns aspectos que estão envolvidos nela:

• racionalidade limitada: não existe acesso a todos os dados necessários; é preciso escolher subjetivamente muitas vezes;

• imperfeição nas decisões: não existem decisões perfeitas, mas apenas decisões melhores ou piores que outras. Assim, deve-se buscar o máximo resultado possível numa decisão;

• relatividade das decisões: uma escolha qualquer representa a renúncia sobre as demais. Nunca uma decisão é ótima, mas sim, satisfatória;

• hierarquização das decisões: é preciso distinguir o que é apenas um meio ou um fim;

• racionalidade administrativa: os processos administrativos são, basicamente, processos decisórios;

• influência organizacional: as organizações já possuem processos decisórios previamente desenvolvidos, ou seja, as pessoas decidem muito pouco.

O processo decisório está apresentado no Processo Administrativo, dentro do tópico Planejamento, mais à frente, nesta apostila.

Críticas à Teoria comportamental • ênfase exagerada nas pessoas

• abordagem mais descritiva (mostra o que é) e menos prescritiva (mostra o que deve ser) • profunda reformulação na filosofia administrativa

• dimensões bipolares: tudo é abordado em modelos antagônicos (macro X micro, informal X formal, etc.)

• relatividade das teorias de motivação

• influência das ciências do comportamento sobre a administração • organização como um sistema de decisões

• visão tendenciosa: padronizou respostas não considerando as diferenças entre as pessoas 3.2.2 Teoria do Desenvolvimento Organizacional (DO)

Aparece no início dos anos 1960, com base em considerações sobre o homem, a organização e o ambiente, como um desdobramento da Teoria Comportamental em direção à Abordagem Sistêmica e deve-se aos seguintes aspectos:

• dificuldade de colocar em prática as diferentes abordagens administrativas, até então. Isso demandava um esforço para promover mudança e flexibilidade nas organizações;

• necessidade de revisão dos estudos sobre motivação humana, pois nem sempre há convergência dos objetivos das pessoas com os da organização;

• a criação do National Training Laboratory (NTL), em 1947, com as primeiras pesquisas sobre o comportamento de grupo e publicação de estudos sobre como estes poderiam ser aplicados nas organizações;

• grande variedade de mudanças que estavam ocorrendo no mundo, nessa época; • a fusão dos estudos sobre comportamento humano com o das organizações.

O DO trata-se, então, de uma integração de tudo isso, por meio da abordagem sistêmica.

Com base na atuação de consultores de dinâmica de grupo e de comportamento organizacional, o DO chegou a assumir postura de uma nova teoria administrativa.

Existe uma variedade de técnicas de DO para os relacionamentos interpessoais, grupais, intergrupais e organizacionais, com vários tipos de treinamento associados a esses trabalhos. Podem ser citados: treinamento de sensitividade, análise transacional, consultoria de processos, desenvolvimento de equipes, reuniões de confrontação, tratamento de conflito intergrupal.

Vários modelos são apresentados, tais como o de BLAKE & MOUTON, de LAWRENCE & LORSCH e de REDDIN.

O modelo de BLAKE & MOUTON, como trata de liderança, está apresentado no Processo Administrativo, no tópico Liderança.

O DO também se preocupou com o estudo do clima organizacional, que é condicionado basicamente pela cultura da organização.

O ICEBERG organizacional

É tradicional em administração, quando se discute a cultura da organização, lançar mão da figura do iceberg para explicar os aspectos nela envolvidos.

Esse artifício permite representar a organização como um iceberg, que tem como parte visível a parcela que está emersa, acima da linha da água, e como parte invisível a que está imersa, abaixo da linha da água.

Embora seja a parte aparente a que nos mostra a organização, a parte submersa é que lhe dá sustentação.

Conforme mostram vários autores, como, por exemplo, MOSCOVICI (2000) e OLIVEIRA (2006), a porção visível recebe várias denominações: é o lado luz da empresa, são os seus aspectos formais e abertos, seus aspectos racionais.

Da mesma forma, o pedaço invisível seria então o lado sombra da organização, os seus aspectos informais e ocultos, seus aspectos afetivos.