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CAPÍTULO I – REFERENCIAIS TEÓRICOS

2.4. Abordagem Comportamentalista/Behaviorista

Vemos em Mizukami (1986, p. 19) que, “os comportamentalistas ou behavioristas consideram a experiência ou a experimentação planejada como base para o conhecimento”. No Brasil, os estudos de Skinner sobre o comportamento foram muito difundidos. Conforme apontado pela autora, em seu estudo, Skinner não se preocupou com processo, mas sim com o controle do comportamento que fosse observável. O conhecimento, portanto, é estruturado de forma indutiva, a partir da experiência. Dentro desta concepção, a escola é considerada e aceita como uma agência educacional que deverá adotar forma peculiar de controle, de acordo com os comportamentos que pretende instalar e manter. Para Mizukami (op. cit.) cabe à escola manter e conservar os padrões de comportamento aceitos e/ou desejáveis para a sociedade. Na perspectiva behaviorista, a ação educacional é

responsável por transmitir os modelos de comportamentos. Ensinar consiste na concretização de um planejamento que garanta o reforço e a aprendizagem do comportamento, enquanto a aprendizagem é concebida a partir da “organização (estruturação) dos elementos para as experiências curriculares”(op. cit., p. 31).

Na perspectiva comportamental, segundo Mizukami (1986), o professor é responsável por planejar e desenvolver o sistema, isto é, ele é responsável por garantir a aprendizagem dos alunos, oferecer bons modelos, feedback constante que forneça elementos que contribuam para a aprendizagem dos alunos de uma determinada habilidade e apresentação do conteúdo em pequenos passos, respeitando o ritmo de cada aluno.

Encontramos nessa abordagem a forte influência dos estudos da linguística estrutural, como, por exemplo, a divisão do conteúdo em pequenas partes, do simples para o complexo, a fim de reforçar as respostas e estruturas a serem aprendidas. Ainda de acordo com Mizukami (1986), o instrutor, nesta abordagem dispõe de três formas para arranjar ou combinar os conteúdos ou reforços e contingências: encadeamento, modelagem, ou enfraquecimento ou mudança graduada de estímulo. Segundo a autora na concepção skinneriana, a pedagogia, a educação e o ensino são identificados como métodos e tecnologia.

Semelhante à abordagem tradicional, aqui encontramos ênfase no produto obtido, na transmissão cultural, na influência do meio e no controle sobre o que será aprendido e sobre o que será transmitido às gerações.

Observamos nos estudos sobre ensino e aprendizagem de línguas que as teorias, a partir do início do século XX, desempenharam importante papel na compreensão do que é ensinar e aprender língua materna e estrangeira. De acordo com Yokota (2005), a maioria dos estudos tinha como foco a segunda língua, doravante L2, e não língua estrangeira (LE). Os estudos tinham como base o aporte teórico behaviorista, em que a língua materna e a língua-alvo eram estudadas e comparadas, visando evitar os erros na produção em LE ou L2. Esses estudos foram desenvolvidos por linguistas na Europa e também nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos a preocupação em ensinar LE ganhou ênfase nos anos 40, por ocasião da Segunda Guerra e nos esforços das Forças Armadas em preparar seus combatentes para atuarem no exterior. Também era crescente o número de imigrantes no país e que precisavam aprender a língua para poderem continuar os estudos. Nesse período, o linguista Charles Fries (1945) e seus colegas no English Language Institute, em Michigan, desenvolveram suas pesquisas com base na linguística estrutural e na concepção behaviorista de ensino, em que a língua é vista como sistema formado por elementos sintáticos e

fonológicos, com um número limitado de normas linguísticas e que compreende a aprendizagem como formação de hábitos. A ênfase residia na comparação sistemática entre língua materna e língua-alvo, conforme apresenta Yokota:

...usando noções behavioristas de imitação, estímulo-resposta, transferência positiva e negativa, repetição, etc., os pesquisadores podiam formular forte relação entre as propriedades de L1 e L2 e previam o grau de dificuldade da aprendizagem, que estaria relacionado com o conceito de distância interlinguística, ou seja, a distância que existe entre a língua nativa (L1) e a língua meta (L2). (YOKOTA, 2005, p. 14)

Nos estudos com base na teoria behaviorista, surgiram vários métodos que propunham uma alternativa ao ensino tradicional. O método Audiolingual surge como proposta de ensino das habilidades orais, segundo afirmam Lightbown & Spada (2006, p. 34): “o argumento era que, diferente do ensino da gramática-tradução, em que os alunos aprendiam sobre a língua, o ensino audiolingual iria ensinar os alunos a falar a língua”. O método tem como base a repetição de estruturas simples e a análise contrastiva. O erro é evitado, pois acredita-se que pode se tornar hábito, por esse motivo é incentivada a repetição e fixação das estruturas antes de incentivar a fala livre. As habilidades linguísticas são ensinadas seguindo a ordem: escuta, fala, leitura e escrita. As atividades de compreensão oral têm foco no treinamento das estruturas gramaticais.

O “Método do Exército”, como ficou conhecido, apresentou bons resultados, logo sendo considerado um programa inovador. O sucesso do projeto despertou o interesse dos linguistas da época, conforme vemos em Leffa (1999), o que contribuiu para que o método adquirisse status de método científico e que posteriormente ficou conhecido como método Audiolingual. Conforme vemos em Leffa (op. cit.), importantes contribuições neste período se destacam, a do linguista Bloomfield, no campo das metodologias, os estudos de Nida, Fries e Lado, e no campo da psicologia de Skinner, cujos estudos tiveram grande impacto na compreensão do que é ensinar e aprender.

Na visão estrutural de LE, a língua é vista como um sistema de elementos relacionados: fonemas, morfemas, categorias, estruturas visando à codificação de sentidos. Conforme vemos em Amadeu-Sabino (1994), os diálogos e drills formam a base da sala de aula. Os diálogos são usados para contextualizar e apresentar as estruturas novas as quais são usadas para repetição e memorização. A ênfase é colocada na pronúncia correta, no ritmo e na entonação. O erro deve ser evitado, pois é considerado prejudicial à aprendizagem. De acordo com o método, o professor tem papel central e ativo, sendo responsável por controlar a

apresentação das estruturas linguísticas, monitorar as atividades e corrigir o desempenho dos alunos. A aprendizagem é vista como resultado da interação entre professor e alunos.

Outros aspectos destacados por Celce-Murcia (2014) são: as habilidades seguem uma ordem específica, primeiro ouvir e falar, depois ler e escrever; a língua é ensinada com foco nas estruturas, e os materiais e atividades são cuidadosamente preparados, dando pouca ou nenhuma oportunidade para a criatividade do professor.

O método audiolingual se tornou muito popular inclusive no Brasil e dominou o ensino de línguas até final dos anos 60, início dos anos 70. Nesse período, o linguista Chomsky (1975) apresenta a teoria gerativa da gramática e faz críticas à abordagem estrutural e à teoria de aquisição de línguas com base na abordagem comportamental. Para Chomsky, a aprendizagem da língua depende de processos inatos na mente e não por imitação ou repetição. No Brasil, à semelhança dos outros países, a contribuição dos estudos no campo da psicologia cognitiva e da linguística gerativista, conforme vemos em Leffa (1999), somada a alguns problemas relatados por professores e alunos como, por exemplo, as repetições consideradas cansativas e a experiência de fracasso dos alunos no contato com nativos, foram alguns dos fatores que levaram ao declínio do método. (LEFFA, 1999).

Na visão comportamental, e nos métodos deste período vemos que a estrutura e a gramática permanecem como eixo norteador do ensino de línguas. Na metodologia audiolingual a repetição é enfatizada, apesar de ser considerada cansativa pelos alunos, acabando por reforçar as concepções sobre a aprendizagem de línguas, tendo forte impacto na formação dos professores neste período.