TRABALHO DE CONCLUSÃO DE
3.3 Abordagem de análise e interpretação
As pesquisas, em geral, visam a produção de conhecimento novo. Este conhecimento pode ser restrito à “descrição das condições sob as quais um fenômeno ocorre” (LUNA, 2009, p. 16). O objetivo de uma pesquisa, portanto, é conhecer algo, é descrever e analisar uma realidade.
Gatti (2007) explica que a pesquisa na área da educação possui algumas particularidades, pois significa trabalhar com algo relativo a seres humanos, o que significa pesquisar fatores que não podem ser controlados, em especial, porque envolvem conhecer o ser humano dentro de um sistema de relações sociais. A autora afirma que a “pesquisa educacional, tal como ela vem sendo realizada, compreende, assim, uma vasta diversidade de questões, de diferentes conotações, embora todas relacionadas complexamente ao desenvolvimento das pessoas e das sociedades” (p. 13).
Assim, para compreender os atos de educar, bem como seu contexto e as reflexões e situações reais dos sujeitos do processo, sejam eles professores, alunos ou gestores, há uma variedade de abordagens, uma multiplicidade de métodos de investigação que, conforme os teóricos contemporâneos, não se excluem, no mais das vezes, complementam-se.
O enfoque teórico proposto para esta pesquisa é o fenomenológico onde é por meio das “experiências, do seu mundo-vida, que é possível ao investigador interrogar o mundo que o circunda em busca do entendimento do fenômeno” (OLIVEIRA e CUNHA, 2008, p. 08).
Masini (2006, p. 63), explica a fenomenologia afirmando que
[...] não se limita a uma descrição passiva. É simultaneamente tarefa de interpretação (tarefa da Hermenêutica) que consiste em pôr a descoberto os sentidos menos aparentes, o que o fenômeno tem de mais fundamental. [...] a apropriação do conhecimento se dá através do círculo hermenêutico: compreensão-interpretação- nova compreensão. A Pesquisa Fenomenológica, portanto, parte da compreensão de nosso viver – não de definições ou conceitos – da compreensão que orienta a atenção para aquilo que vai investigar. Ao percebermos novas características do fenômeno, ou ao encontrarmos no outro, interpretações, ou compreensões diferentes, surge para nós uma nova interpretação que levará a outra compreensão.
O trabalho tem início com a pesquisa exploratória. Esta “visa prover o pesquisador de um maior conhecimento sobre o tema ou problema de pesquisa em perspectiva e utiliza métodos bastante amplos e versáteis” (MATTAR, 1996, p. 84).
Para Triviños (2007, p. 109) “os estudos exploratórios permitem ao investigador aumentar sua experiência em torno de determinado problema. O pesquisador parte de uma hipótese e aprofunda seu estudo nos limites de uma realidade específica”.
A abordagem de análise será quantitativa e qualitativa, baseadas no questionário como instrumento de pesquisa. A abordagem quantitativa avaliará, por meio de escalas matemáticas, o grau de importância que os docentes possuem em relação a afirmações sobre: formação profissional, processos de ensino-aprendizagem, saberes docentes e relações interpessoais e, ainda, recorrerá a possíveis correlações entre as valorações medidas pelas categorias destacadas.
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Para a análise das correlações entre os atributos será utilizado o coeficiente de correlação de Spearman, adotando-se como valor de referência de significância 5%, ou seja, os atributos que apresentarem correlação com p-valor menor que 0,05 (valores em vermelho) estão associados (são dependentes) e os que apresentarem p-valor superior a 0,05 (valores em preto) são independentes.
Na abordagem qualitativa procuraremos interpretar as concepções docentes, baseadas nos achados das questões abertas reflexivas e de situações reais, por meio de categorizações. Essas categorias terão um enfoque compreensivo e interpretativo (GAMBOA, 2003, p. 399) das concepções docentes em relação à sua prática, aos motivos que o levaram a exercer a docência e aos pontos positivos e negativos de sua atuação em sala de aula. O estudo considera as concepções enquanto conceitos valorativos atribuídos pelos docentes.
A categorização baseou-se na Análise de Conteúdo de Bardin (2011), na qual se configura em “um conjunto de técnicas e análise das comunicações que utiliza procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens” (p. 44). Seguiremos, portanto, as fases da descrição, interpretação e inferência, com a finalidade de “desviar o olhar para outra significação” (p. 47), quando e se houver.
Assim, a partir da “leitura flutuante”, os dados brutos foram tratados de maneira a serem significativos. Os procedimentos de repartição das categorias partiram dos “elementos particulares e reagrupamentos progressivos por aproximação de elementos contíguos, para no final deste procedimento atribuirmos um título à categoria” (BARDIN, 2011, p. 68).
A natureza da abordagem qualitativa e quantitativa é diferente, mas não contraditória. A qualitativa é adequada para aprofundar as complexidades dos fenômenos sociais e a quantitativa atua em níveis onde os dados apresentam-se aos sentidos. Assim, “o estudo quantitativo pode gerar questões para serem aprofundadas qualitativamente, e vice-versa” (MINAYO E SANCHES, 1993, p. 247).
Minayo e Sanches (1993), Chizzotti (1991), Goldemberg (1999) e Gunter (2006), apontam para a tendência de fusão de diferentes abordagens na pesquisa que tem como objeto o homem em suas relações interpessoais, ou seja, as pessoas em seu contexto, tendo no campo educacional um forte representante dessa multiplicidade e mescla de metodologias.
A pesquisa quantitativa, para Richardson (1999), caracteriza-se pelo emprego da quantificação e, sua importância deve-se ao fato de garantir a precisão dos resultados, evitando distorções de análise e possibilitando uma margem de segurança quanto às inferências feitas. É uma abordagem que “após ter reunido os elementos tirados dos conteúdos em categorias, o pesquisador constrói distribuições de frequência e outros índices numéricos,
colocando em movimento o aparelho estatístico habitual” (LAVILLE e DIONNE, 1999, p. 224).
Na abordagem qualitativa tenta-se “descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de determinadas variáveis, compreender e classificar os processos dinâmicos vividos por grupos sociais” (RICHARDSON, 1999, p.80). Esse será o objetivo do trabalho quando da discussão das respostas abertas dos sujeitos pesquisados.
Assim, interpretaremos os dados numa combinação de abordagens quantitativa e qualitativa. Quanto essa possibilidade de análise numa investigação, Goldenberg (1999) é enfática ao afirmar que
A integração da pesquisa quantitativa e qualitativa permite que o pesquisador faça um cruzamento de suas conclusões de modo a ter maior confiança que seus dados não são produto de um procedimento especifico ou de alguma situação particular. Ele não se limita ao que pode ser coletado em uma entrevista: pode entrevistar repetidamente, pode aplicar questionários, pode utilizar fontes documentais e dados estatísticos […] há uma interdependência entre os aspectos quantificáveis e a vivencia da realidade objetiva no cotidiano (1999, p. 62).
Nessa relação de importância das pesquisas quantitativas e qualitativas, cada uma com suas peculiaridades, elas acabam por se complementarem, pois a primeira é útil para “identificar conceitos e variáveis relevantes de situações que podem ser estudadas quantitativamente” e a segunda, pelo seu valor em estudar as atitudes e crenças individuais. Portanto, a “integração repousa na ideia de que os limites de um método poderão ser contrabalançados pelo alcance do outro” (GOLDENBERG, 1999, p. 63).
Corroborando com a confluência de possibilidades das pesquisas quantitativas e qualitativas, Chizzoti (1991) diz que elas não se opõem e que se pode fazer uma analise interpretativa de dados quantificáveis, bem como uma quantificação de material recolhido com técnicas qualitativas.
Bauer, Gaskell e Allum (2008) definem o que eles chamam de cobertura adequada dos acontecimentos, com o pluralismo metodológico como uma opção válida. Estes autores também defendem que: não há quantificação sem qualificação e nem análise estatística sem interpretação. Por isso tentam demonstrar a superação da tradição em pesquisas puramente quantitativas ou qualitativas, justificando a necessidade de uma visão mais holística da investigação social e, portanto, contribuições diversas de diferentes abordagens podem oferecer uma pesquisa mais completa.
A característica da pesquisa quantitativa é a descoberta e a construção de teorias baseadas em textos e a compreensão se dá a partir das relações entre variáveis. Na pesquisa
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qualitativa a característica é a flexibilidade e a adaptabilidade. Ambas as intenções podem ocorrer na medida em que
ao conceber o processo de pesquisa como um mosaico que descreve um fenômeno complexo a ser compreendido é fácil entender que as peças individuais representem um espectro de métodos e técnicas, que precisam estar abertas a novas ideias, perguntas e dados. Ao mesmo tempo, a diversidade nas peças deste mosaico inclui perguntas fechadas e abertas, implica em passos predeterminados e abertos, utiliza procedimentos qualitativos e quantitativos (GUNTER, 2006, p. 202).
Dessa forma, nosso objetivo implica conhecer a concepção do docente em Direito sobre sua prática e, analisar suas ideias a partir da construção de significados com as generalizações dos resultados obtidos.