Os métodos de pesquisa e seu emprego na realização de estudos são apresentados por Flick (2009) como característica essencial à realização de um trabalho de pesquisa confiável, oferecendo orientações sobre a aplicação, definição e combinação dos métodos ideais a serem aplicados em cada contexto. Assim, é possível avaliar métodos complementares e encontrar a combinação mais adequada para a cada situação.
Para a realização desta pesquisa foi adotada uma abordagem qualitativa. Esse tipo de abordagem permite compreender fenômenos a partir de dados que ocorrem de forma espontânea, conforme Silverman (2009), com o objetivo de produzir os encadeamentos em que os elementos dos participantes são apresentados e constituem o estilo do fenômeno analisado, contribuindo com o delineamento e compreensão do estilo de um fenômeno.
A partir do aprofundamento das informações e os limites do método qualitativo, Flick (2009) destacou o interesse desse tipo de pesquisa partindo da perspectiva dos pesquisados sobre as práticas, as rotinas e o conhecimento conforme o objetivo da pesquisa e, também, sobre a adequação dos métodos à questão de estudo. Para o autor, a pesquisa qualitativa permite a consideração desses itens de maneira suficientemente flexível para que seja possível a geração do entendimento sobre a relação ou o processo estudado, utilizando o texto como artigo empírico.
Quanto ao método de procedimento, utilizam-se, nesta pesquisa, elementos da etnometodologia, compreendida como uma perspectiva de investigação sociológica que mobiliza procedimentos para o estudo da organização de um grupo social, aos métodos práticos que os membros empregam para fazer os arranjos que promovem sua rotina e existência (WHITTLE, 2018). Dessa maneira, a etnometodologia pode ser um procedimento metodológico adequado para a pesquisa atual, pois permite a observação das tribos urbanas como organizações fluidas, em que seus integrantes interagem em tempo real quando se organizam para uma tarefa ou prática.
A capacidade de descrever fenômenos organizacionais que podem ou não ser consolidados, sendo continuamente reproduzidos ou realizados, possibilita que a abordagem etnometodológica seja eficiente para a compreensão das organizações a partir de uma visão humana, permitindo analisar as ações que levam ao estabelecimento ou à criação de atributos que acabam sendo padronizados conforme a rotina do grupo se desenvolve (WHITTLE, 2018). A flexibilidade da etnometodologia está, portanto, ligada à forma como aborda a realidade e as
atividades práticas do grupo pesquisado como atributos organizacionais, e não como fatos concretos.
Para a realização da pesquisa também foram utilizadas técnicas do método estudo de caso. Por permitir a compreensão de fenômenos organizacionais, sociais, políticos e até individuais (YIN, 2001), o método do estudo de caso contribuiu para esta pesquisa por permitir a compreensão das tribos como fenômenos sociais e seus desdobramentos a partir da abordagem da estratégia como prática. Para Schwandt e Gates (2018), a metodologia do estudo de caso viabiliza a investigação de suposições e princípios e oferece meios para encontrar justificativas conforme se realiza a investigação do mundo social, sendo, por isso, um processo complexo e adaptável, que exige zelo e organização por parte do pesquisador.
O emaranhado do mundo social, caracterizado por interações não ordenadas, ciclos variados e independentes e efeitos diversos como resultantes das vivências humanas e processos estratégicos de qualquer natureza, confere ao método do estudo de caso uma orientação crítica da realidade (SCHWANDT; GATES, 2018). As metodologias baseadas em casos preconizam uma preocupação com os limites das generalizações resultantes dos estudos qualitativos em ciência social e, por esse motivo, a profundidade e a complexidade do método etnográfico requerem cuidado e responsabilidade por parte do pesquisador, para que seja garantido o rigor aplicado às práticas mais adequadamente determinadas
O estudo de caso se adequa a essa pesquisa por permitir a investigação de um “fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto da vida real” (YIN, 2001, p. 32). Por isso, foi aplicado um estudo de caso único, com unidades incorporadas de análise, conforme Yin (2001), definidas pelas diferentes tribos que se dispuseram a participar e permitir a observação de suas rotinas e atividades e cujos integrantes puderam participar das entrevistas individuais.
O método do estudo de caso apresenta algumas limitações enquanto estratégia de pesquisa. A primeira está relacionada ao rigor na execução do método, o qual, por sua característica de abertura para investigação de temas complexos, pode permitir erros e falhas nos resultados por negligência do pesquisador, intencional ou não. Ainda que este seja um entrave comum a outros métodos de pesquisa, a qualidade dos resultados pode ser mais facilmente ou tradicionalmente questionada para esse método, por sua flexibilidade (YIN, 2001).
Outra barreira em relação ao estudo de caso é a dificuldade para aplicação dos resultados de uma pesquisa baseada nesse método para um modelo de generalização científica. Para Yin (2001), os estudos de caso “são generalizáveis a proposições teóricas, e não a populações ou universos”, considerando que o pesquisador que aplica tal método pretende expandir teorias,
promovendo generalização analítica e não generalização estatística. Conforme o autor, o volume de material produzido e a pressuposição de que o estudo de caso exige um longo tempo para exposição dos resultados também são limitações comumente compartilhadas em relação ao método, as quais, no entanto, foram minimizadas por meio do cuidado com que a pesquisadora conduziu este processo de pesquisa, seguindo as etapas indicadas pelas referências metodológicas consultadas.
Após a definição do tema e do campo de trabalho, a pesquisa foi iniciada por uma leitura prévia, para familiarização e informação sobre o tema e os campos por meio de um trabalho de documentação prévia baseada, principalmente, em material bibliográfico e notícias e páginas de redes sociais que oferecessem informações para a definição das tribos pesquisadas (PRIEST, 2011). Prosseguiu-se com o trabalho de pesquisa, preparando a observação e entrevistas, elementos etnometodológicos mais adequados para a coleta de dados, de acordo com as recomendações teóricas e o público a ser pesquisado.