Embora Paulo certamente soubesse confrontar as pessoas com
a verdade quando necessário, o diferencial de sua abordagem era a apresentação lógica e ponderada da mensagem do evangelho. Leia qualquer uma das cartas que ele escreveu (Romanos é o melhor exemplo), e você verá um mestre em dar explicações sensatas das verdades centrais sobre a natureza de Deus, nosso pecado e a solução trazida por Cristo.
Ao olhar para a formação de Paulo, a organização de sua mente deixa de ser surpresa. Muito instruído, foi educado por um homem com reputação de ser um dos maiores mestres da região. Em seus escritos, é possível ver a tendência natural de argumentar os pontos e contrapontos de opositores imaginários que poderiam desafiar suas posições. Paulo era um intelectual difícil de enfrentar.
Você consegue imaginar uma pessoa melhor para Deus enviar aos filósofos de Atenas? Em Atos 17 você pode conferir Paulo apre sentando um argumento genial, que começa do altar ateniense ao deus desconhecido e faz todo o caminho até chegar ao único Deus verdadeiro e ao Messias ressurreto. Sua abordagem foi tão eficaz que alguns dos ouvintes céticos se tomaram cristãos.
É interessante observar a sabedoria demonstrada por Deus na escolha de seus porta-vozes. Os filósofos não se identifica.riam com a abordagem direta, do tipo "tudo ou nada'� de Pedro. Eles precisavam de uma lógica que lhes provasse o argumento de maneira conclusiva. Aposto que existem pessoas em seu círculo de amizades que são exata.mente como eles. Não querem respostas fáceis ou clichês como: "Você precisa aceitar pela fé': Uma declaração como essa soa assim: "Pule antes de olhar. Quem sabe você tem sorte!''. Elas querem saber por que devem tomar a decisão de pular!
Talvez você seja um Paulo. A abordagem intelectual o satisfaz?
Você é uma pessoa ávida por conhecimento, que gosta de trabalhar com ideias e evidências? Esse estilo tem ganhado importância, porque nossa sociedade está mais e mais secular. Muitos interessados precisam ouvir o evangelho não apenas ser declarado, mas tarn bém explicado e defendido.
Foi com esse estilo que Mark se identificou quando ensinamos o conceito pela primeira vez na igreja anos atrás. O padrão observado
em Paulo conferiu legitimidade a seu interesse em estudar filosofia e apologética (a defesa da fé cristã). Desde então, ele triunfou no evangelismo a.o reunir evidências que apoiam a fé cristã para alcançar
interessa.dos de maneira individual e em gmpos maiores. E desenvol- 157
veu ministérios destinados a ampüac esses esfo,ços. Essa também é 1
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CRISTÃO CONTAGIANTE[ a principal abordagem usada por cristãos muito conhecidos, como
158 Josh McDowell, Ravi Zacharias e Lee Strobel.
A abordagem testemunhal do homem cego
Embora saibamos muito menos sobre esse homem do que a res peito de Paulo e Pedro, podemos ter a certeza de que o cego curado por Jesus cm João 9 viu algo acontecer em sua vida que valia a pena contar a outros!
Cego de nascença, ele costumava ficar sentado, pedindo es molas às pessoas que passavam. Mas sua rotina logo mudou quan do Jesus apareceu e lhe deu o dom da visão. Logo que conseguiu ver, foi lançado a uma audiência hostil a fim de explicar o que havia acontecido.
É interessante observar que o homem se recusou a iniciar um debate teológico (João 9.25 ), embora Paulo provavelmente tivesse ficado feliz em fornecer alguns argumentos convincentes. E o ho mem também se esquivou da confrontação direta, ao passo que Pe dro talvez lhes teria ofertado um golpe de verdade. Essas reações não combinavam com quem aquele homem era.
Em vez disso, ele contou sua experiência e disse com confian ça: "Uma coisa eu sei: era cego, mas agora vejo!". É difícil discutir com uma declaração como essa, não é? É complicado escapar das consequências de um testemunho como esse, mesmo vindo de um cristão novato.
Observe que, no versículo 3,Jesus disse que aquele homem nasceu cego "para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele''. Isso é um exemplo do que estou dizendo: fomos feitos sob medida para uma abor dagem particular. O Senhor preparou o cego a vida inteira para relatar esse acontecimento a outros de uma maneira que apontasse para Cristo.
Muitas pessoas que vivem e trabalham a seu redor precisam ou vir um testemunho semelhante sobre o modo de Deus agir na vida de um cristão. Talvez elas não reajam bem a um desafio ou argumento,
mas o relato pessoal de alguém que conheceu a fé pode ser uma in fluência poderosa.
Essa pode ser a sua história? Você, como o homem antes cego, sente-se confortável contando a outros como Deus o atraiu? Ain da que você nunca tenha feito isso, essa ideia o empolga? Histórias como a sua podem ser instrumentos poderosos.
Exemplos de pessoas que usam de maneira eficaz a abordagem do testemunho incluem Dave Dravecky, o ex-jogador de beisebol que perdeu um braço para o câncer, e Joni Eareckson Tada, tetraplégica que conta como Deus a ajudou em seu trágico acidente. Outro exemplo é Lee Strobel, que com frequência usa detalhes de sua história para fazer apelos aos não cristãos, aliando o estilo intelectual ao testemunhal.
É importante ressaltar que os testemunhos eficazes não pre cisam ser dramáticos. Não se exclua dessa abordagem porque seu testemunho é comum. Talvez você tenha frequentado a igreja a vida inteira antes de se dar conta de que essas coisas não o transforma vam necessariamente num cristão. No entanto, o relato de como você passou da religião para um relacionan1ento com Cristo será mais relevante para a maioria de seus conhecidos do que a história sensacional de alguém que encontrou Jesus e livrou-se de uma vida de feitiçaria ou do vício em drogas.
Na verdade, a dificuldade de sentir uma identificação pessoal com os testemunhos dramáticos é que eles podem dar a seus amigos uma desculpa: "Pessoas assim precisam de religião!'� Mas sua histó ria comum é parecida com a vida cotidiana da maioria das pessoas e mostrará que elas também precisam da graça e da liderança de Deus que você encontrou.
Caso você tenha uma história mais dramática, peça a Deus que o oriente quanto aos detalhes a revelar de acordo com a pessoa que es tiver ouvindo, para que ela saiba de aspectos de sua experiência com
as quais poderá identificar-se e sentir-se atraída a procurar aquilo que 159
você encontrou em Cristo.
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1 DESCUBRA A ABORDAGEM QUE COMBINA COM VOCÊ
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CRISTÃO CONTAGIANTE1 A abordagem interpessoal de Mateus
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De todas as formas, ele era um candidato improvável. Cole- tores de impostos certamente não eram conhecidos por se tornar evangelistas. No entanto, foi isso o que aconteceu com Mateus. Após aceitar o chamado de Jesus para ser um de seus seguidores, ele decidiu fazer tudo o que estivesse a seu alcance para chamar o maior número de amigos possível.
Por isso, como registra Lucas 5.29, Mateus deu um grande ban quete para todos os seus colegas publicanos, na tentativa de aproximá -los de Jesus e da nova vida que ele oferecia. Diferentemente de outros que usam as abordagens já analisadas, Mateus não os confrontou, nem os desafiou na esfera intelectual, tampouco contou a história do que havia acontecido em sua vida. Isso não fazia parte de seu estilo.
Em vez disso, Mateus se valeu do relacionamento que havia construído com aqueles homens ao longo dos anos e tentou desen volver ainda mais a amizade. Convidou-os para ir a sua casa. Passou tempo e partilhou com eles uma refeição. Fez tudo isso porque se importava genuinamente com eles e queria influenciá-los a refletir sobre a mensagem de Cristo.
Nos capítulos anteriores, falamos sobre a importância de construir relacionamentos. Como vimos, a amizade nos dá um ponto de vanta gem, com a maior possibilidade de influenciar a vida de outros. Bem, com base em minha experiência, aqueles que têm o estilo interpessoal de evangelismo se especializam nessa área. Tendem a ser calorosos e focados em pessoas que desfrutam um nível profundo de comunicação e confiança com aqueles a quem estão tentando alcançar.
Muitas pessoas só serão alcançadas se alguém dedicar tempo para construir esse tipo de intimidade. Talvez você seja um evange lista interpessoal. Você gosta de ter longas conversas enquanto toma uma xícara de café com um amigo que está tentando evangelizar? Consegue ouvir com paciência as preocupações de outros sem se apressar para lhes dizer o que fzer? Gosta de receber pessoas ema casas, compartilhar uma refeição e passar tempo conversando?
Duas pessoas conhecidas que exemplificam o estilo interpesso al são Becky Pippert e Joe Aldrich. Ambos já escreveram livros úteis sobre o assunto. As igrejas ao redor do mundo precisam de muito ma.is membros que desenvolvam esse tipo de abordagem com seus amigos, familiares e pessoas perdidas da comunidade mais ampla. A abordagem convidativa da mulher samaritana
Você não aprecia que Deus escolhe pessoas improváveis para cumprir seu propósito divino? Vimos isso acontecer com o cego, com Mateus e agora com a mulher de Samaria.
E, quanto ma.is envolvido você ficar no evangelismo pessoal, mais se sentirá as sim. Às vezes, olho para a atuação divina em tocar as pessoas por meu intermédio e reflito: "Quem diria!''. O Senhor pare ce ter prazer em usar pessoas comuns de maneiras surpreendentes e empolgantes.
As vezes, olho para a atuação divina por meu intermédio e
reflito: "Qµem diria!/}.
O Senhor parece ter prazer em usar pessoas comuns de maneiras surpreendentes
e empolgantes. Havia três coisas contra a mulher samaritana: era samaritana, era mulher e tinha um estilo de vida imoral. Naquela época, qualquer um desses elementos era suficiente para desqualificá-la. Mas você acha que isso deteve Jesus? Você pode ler em João 4 como ele ignorou toda a sabedoria convencional e o politicamente correto da época ao iniciar uma conversa com a samaritana.
Não demorou muito para que a mulher percebesse que o ho mem com quem ela estava conversando não era um mestre judeu comum. Seu discernimento profético e as respostas cheias de autori dade a convenceram de sua afirmação de ser o Messias.
Então, o que ela fez? Imediatamente foi até sua cidade e levou um monte de pessoas para o poço, a fim de que ouvissem Jesus por si mes-
mas. Esse simples convite resultou na permanência de Cristo na cida-
de por dois dias. Muitos dos amigos dela declararam, no versículo 42: ''Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós rnes- 161
mos o ouvúnos e sabemos que este é mlmente o Salvado, do mund� '.
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CRISTÃO CONTAGIANTE[ Muitas pessoas dariam grandes passos em sua jornada espiritual
162 se alguém lançasse um convite estratégico para um culto da igreja voltado a interessados ou à evangelização.
Muitos não cristãos estão abertos a essa abordagem. Uma pes quisa realizada por George Barna, por exemplo, mostrou que cerca de 25% dos adultos nos Estados Unidos iriam à igreja se um amigo os convidasse. Pense nisto: um a cada quatro amigos seus estaria disposto a se unir a você! A principal pergunta que você precisa res ponder é que tipo de eventos - cultos, musicais, filmes, peças ou outros programas de sua igreja ou comunidade - seria apropriado. Pense na perspectiva e nos interesses de seu potencial convidado para fazer a melhor escolha.
Embora os convites sejam uma excelente forma de alcançar pes soas, alguns, como a mulher junto ao poço, têm um jeito especial para convidar pessoas. Talvez você seja um deles. Você sempre acaba am pliando o círculo de pessoas envolvidas em suas atividades? Observa que, quando acontece um evento evangelistico, sua minivan fica meio apertada? Talvez seja a hora de comprar um carro ainda maior para poder expandir seus esforços evangelisticos !
É difícil pensar em exemplos de pessoas conhecidas com o es tilo convidativo. Muitos desses cristãos tendem a ficar longe dos ho lofotes. Mas, quando você se encontrar com um, provavelmente o reconhecerá. Eles gostam de dar carona. São os heróis invisíveis que transformam os eventos evangelísticos em sucessos, enchendo-os de pessoas que necessitam ouvir a mensagem.
Mark conhece uma mulher chamada Nancy que tem esse estilo. Alguns anos atrás, seus amigos fizeram uma festa de aniversário para ele. Havia cerca de 30 pessoas ali, até mesmo um homem que ele nunca vira. Depois, o homem pegou um violino e tocou "Parabéns pra você''. Mark apreciou o gesto, mas ainda estava curioso em saber quem era aquela pessoa. Até que alguém explicou. O violinista estava viajando pelo país sozinho, e Nancy o conheceu na estação de trem. Ela decidiu
levá-lo para a festa de aniversário de Mark, para que ele encontrasse alguns cristãos contagiantes que poderiam ajudá-lo a conhecer Cristo.
Isso, sim, é que é abordagem convidativa!