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Seção 7 – Variáveis sobre o atendimento institucional das mulheres transferidas

4.1.2 Abordagem qualitativa

Pesquisa do tipo exploratório-descritiva, com abordagem qualitativa. Na pesquisa descritiva explora-se uma situação não conhecida, para obtenção de maiores informações (LEOPARDI, 2001). A pesquisa exploratória tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista, a formulação de problemas futuramente pesquisáveis. Proporciona uma visão geral acerca de um determinado fato (GIL, 2010).

Participantes

Os participantes foram os profissionais de saúde que assistiram às mulheres no parto domiciliar planejado. Os profissionais foram identificados durante a coleta de dados da abordagem quantitativa, sendo selecionados e convidados profissionais de todas as Regiões abrangidas na etapa anterior (Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul) para que fossem contempladas as particularidades de cada uma delas.

O número de informantes foi estabelecido durante a coleta de dados pela saturação dos mesmos, ou seja, até que o número de entrevistados tivesse sido suficiente para alcançar o objetivo proposto, e quando ocorreu a repetição dos conteúdos já obtidos em entrevistas anteriores, sem acrescentar novas informações relevantes à pesquisa (POLIT; BECK, 2011). Os participantes foram selecionados a partir de critérios de inclusão, e foram convidados a fazer parte da pesquisa mediante contato telefônico, carta, rede sociais ou via e-mail.

Seleção dos participantes

Foram selecionados os profissionais que prestaram assistência no domicílio, pelo período mínimo de um ano, com inclusão gradativa de um profissional por Região e um por categoria profissional até obter-se a saturação de dados. Os critérios de inclusão dos profissionais foram: possuir formação de nível superior completo, com registro no Conselho de Classe competente e habilitado legalmente para o atendimento ao parto normal, de acordo com a Lei do Exercício Profissional.

Coleta de dados

Para a coleta de dados foram realizadas entrevistas com os profissionais elegíveis para o estudo, utilizando-se de um roteiro de entrevista semiestruturado (Apêndice B). Para refinamento do roteiro foi realizada uma entrevista pré-teste com uma enfermeira que no passado atendia partos no domicílio. A entrevista foi transcrita, e o roteiro revisado, sendo incluídas questões que não estavam presentes no roteiro original e que poderiam contribuir para que fossem melhor coletadas as informações necessárias para responder aos objetivos da pesquisa.

As entrevistas aconteceram concomitantemente à coleta de dados quantitativos, de março de 2015 a agosto de 2015, sendo que algumas foram realizadas de forma presencial em local, hora e dia de acordo com a disponibilidade do profissional, todavia a maioria foi realizada por Skype em virtude da distância geográfica entre os informantes e a pesquisadora. No quadro 1, são apresentadas as características dos 17 profissionais entrevistados.

Todas as entrevistas foram gravadas, transcritas integralmente, lidas e revisadas pela própria pesquisadora, e posteriormente inseridas no programa computacional ATLAS.ti – versão 7.0 (FRIESE; 2012). O programa ATLAS.ti é um tipo de CAQDAS (Computer Assisted Qualitative Data Analysis Software) no qual facilita a análise dos dados qualitativos e possibilita a organização e a codificação das informações coletadas (LAGE, 2011; FRIESE, 2012).

Quadro 1 – Região, categoria profissional, idade, sexo e tempo de atendimento ao parto domiciliar dos profissionais de saúde entrevistados

Região Categoria profissional Idade (anos) Sexo Tempo de atendimento ao parto domiciliar planejado (anos) Nordeste Enfermeira obstétrica 37 Feminino 6 Nordeste Enfermeira obstétrica 32 Feminino 5 Nordeste Médica obstetra 42 Feminino 10 Nordeste Médico generalista 62 Masculino 39 Centro-Oeste Enfermeira obstétrica 36 Feminino 9 Centro-Oeste Enfermeiro obstétrico 32 Masculino 5 Centro-Oeste Médica obstetra 49 Feminino 3 Sudeste Enfermeira obstétrica 49 Feminino 6 Sudeste Enfermeira obstétrica 50 Feminino 6 Sudeste Enfermeira obstétrica 31 Feminino 3 Sudeste Enfermeira obstétrica 34 Feminino 4 Sudeste Médica obstetra 30 Feminino 2 Sul Enfermeira obstétrica 30 Feminino 4 Sul Enfermeira obstétrica 45 Feminino 2 Sul Enfermeira obstétrica 52 Feminino 5

Sul Médica obstetra 45 Feminino 4

Sul Obstetriz 33 Feminino 3

Análise dos dados

A análise das informações coletadas foi realizada segundo a técnica de Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2011). Tem como objetivo a identificação dos núcleos de sentido que compõem uma comunicação, cuja presença ou frequência, signifique algo para o objetivo proposto. A análise foi organizada em torno de três polos cronológicos: pré-analise; exploração do material ou codificação; e tratamento dos resultados, inferência e interpretação (BARDIN, 2011).

Na pré-analise, ou seja, a fase de organização, foi realizada a leitura exaustiva do material, a fim de escolher os documentos a serem submetidos à análise e sistematizar as ideias iniciais; e também, formular hipóteses, objetivos e indicadores que fundamentem a interpretação final (BARDIN, 2011). Dessa forma a escolha dos documentos dependem dos objetivos, ou os objetivos só são possíveis diante dos documentos disponíveis e os indicadores serão construídos em função das hipóteses, ou as hipóteses serão delineadas na presença de certos índices. Assim, na leitura flutuante o pesquisador deixa-se invadir por impressões e

orientações; na escolha dos documentos seleciona-se um corpus que serão submetidos aos procedimentos analíticos; na formulação das hipóteses, faz-se suposição ou indagação do que o pesquisador deseja confirmar ou infirmar, e dos objetivos; referenciação dos índices e elaboração de indicadores, os recortes do texto e; preparação do material ou seja a transcrição na íntegra das entrevistas.

Conforme Bardin (2011) no caso de entrevistas que desejam obter resultados globais ou comparar entre si os resultados essa deve ser realizada por indivíduos semelhantes.

A operacionalização desta etapa através do ATLAS.ti 7.0 deu-se com a construção de um projeto denominado Unidade Hermenêutica (hermeneutic unit) pelo próprio programa (FRIESE, 2012). Neste estudo a unidade hermenêutica é o conjunto das 17 entrevistas. Cada uma das entrevistas foi inserida no ATLAS.ti 7.0 como um documento primário (primary documents). Na sequência foi feita a edição ou o recorte dos trechos relevantes das entrevistas (quotations), segundo os objetivos do estudo, preparando-os para a etapa seguinte.

Na exploração do material, fase longa e exaustiva, consiste essencialmente em operações de codificação, relacionando os depoimentos com mesmo sentido (BARDIN, 2011). Os códigos, unidade de registro, são os nomes adotados para as ideias, que podem tanto ser palavras ou frases, cujo sentido pode ultrapassar o significado semântico, ou, como é característico da análise de conteúdo, os temas. Dessa forma fazer uma análise temática consiste em descobrir os “ núcleos de sentido” que compõem uma comunicação e, assim significar algo para o objetivo escolhido.

Nessa etapa, a função do ATLAS.ti 7.0 é auxiliar na codificação (codes) dos trechos dos depoimentos (quotations) em unidades temáticas de significado semelhantes (families).

A etapa de tratamento dos resultados obtidos, inferência e interpretação, consiste no tratamento dos dados de modo que os mesmos se tornem significativos e válidos, permitindo a construção de quadros de resultados, figuras e modelos que destacam as informações fornecidas pela análise, no sentido de fazer inferências e interpretações. Os resultados também podem servir de base para outras análises (BARDIN, 2011).

Nessa etapa, as ferramentas do ATLAS.ti 7.0 possibilitaram a construção de diagramas, figuras e modelos, que destacaram as informações obtidas.

As etapas da Análise de Conteúdo de Bardin de acordo com as ferramentas do programa ATLAS.ti são apresentadas no Quadro 2.

Neste estudo, a partir das informações dos profissionais de saúde, foram identificadas as razões que incentivaram o início do atendimento ao parto domiciliar, as facilidades encontradas para assistir nesse contexto e as dificuldades enfrentadas diante da transferência materna e/ou neonatal.

Quadro 2 – Descrição das etapas da Análise de Conteúdo de Bardin de acordo com as ferramentas do programa ATLAS.ti

ETAPA AÇÃO

Pré-análise Inserção de cada entrevista no programa (primary document), resultando no conjunto dessas (hermeneutic unit).

Leitura flutuante dos dados. Elaboração de hipóteses.

Recorte dos trechos relevantes (quotatios). Exploração do

material

Elaboração dos códigos (codes), relacionando-os aos depoimentos (quotations) de mesmo sentido.

Organização dos códigos em unidades temáticas (families). Tratamento

dos resultados

Tratamento dos dados.

Construção de diagramas e modelos.

Fonte: Adaptado do quadro – Descrição das etapas da Análise de Conteúdo de Bardin segundo as ferramentas do programa ATLAS.ti (EBSEN, 2015).