O estudo iniciou com 164 alunos, porém 140 alunos construíram os dois mapas previstos na unidade de ensino, e assim, fizeram parte da análise. Em relação aos questionários de opinião, 126 alunos foram incluídos na análise, pois responderam aos dois questionários. Essa redução deveu-se ao fato de os estudantes ou construírem somente um dos mapas ou responderem a somente um dos questionários.
Para a escolha do delineamento do estudo, foram considerados os fatores relacionados a:
a) Impossibilidade de estabelecer uma amostragem aleatória, tendo em vista a distribuição dos alunos em seis grupos pré-estabelecidos que correspondem às turmas da própria instituição de ensino;
b) Intenção de não contrariar os princípios éticos de pesquisas com seres humanos. Embora Schramm (2004) tenha discutido sobre a dimensão bioética, suas colocações podem evidenciar os cuidados que o pesquisador na área do ensino deve tomar na relação entre os atores sociais da investigação. Para o autor, toda atividade humana que envolva a pesquisa que tenha a população humana como objeto de investigação, terá essencialmente uma dimensão ética, que resulte em implicações morais a serem consideradas.
Portanto, na presente investigação, grupos não aleatorizados foram submetidos ao pré e ao pós-teste sem a utilização de grupo de controle, tendo em vista que a formação de grupos de controle implicaria na privação de uma parcela de indivíduos à metodologia adotada pelo investigador, considerada fundamental para a formação do aprendiz. Essa disposição metodológica consiste de um delineamento pré- experimental, que sugere que as observações podem ser realizadas com o pré e o pós-teste (variáveis dependentes) em um único grupo de sujeitos (BOLSONI-SILVA
et al., 2006), podendo ou não haver manipulação da variável independente, como
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submetidos à primeira observação O1, que correspondeu à aplicação dos
questionários e dos mapas no início da unidade de ensino, em seguida ocorreu a aplicação do tratamento X, que correspondeu à aplicação da unidade de ensino e, por fim, foi realizada a segunda observação O2, que correspondeu à aplicação dos
questionários e dos mapas conceituais. Esquematicamente, esse delineamento está representado no Quadro 4.4.
Quadro 4.4: Delineamento utilizado na pesquisa quantitativa
O1 X O2
Observação 1 tratamento Observação 2
Fonte: Moreira (2003)
Já que nessa investigação pretende-se avaliar a aprendizagem segundo a teoria da aprendizagem significativa, a unidade de ensino deve ser ajustada de modo a atender as especificidades da estrutura cognitiva do aluno, ou seja, o tratamento só pode ser definitivamente elaborado após a realização da primeira observação. Desse modo, a observação constituída de questionários e mapas conceituais prévios e o tratamento constituído pela unidade de ensino, devem formar uma relação dialógica de modo que dessa interação resulte, não somente a alteração das condições iniciais observadas nos estudantes, como também o modo como a unidade de ensino será estruturada e conduzida.
A validade externa refere-se ao potencial dos resultados obtidos na amostragem serem extrapolados para outros contextos (PONTE, 2006). Para melhor atender aos princípios de validade externa, foi elaborado todo material instrucional para que a unidade de ensino possa ser reproduzida com detalhes por outro professor- pesquisador. Somado a esse fator, o grupo de alunos da escola participante dessa investigação obteve pontuação geral no PAEBES (SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO, 2011; 2012) que se assemelha aos padrões obtidos, em média, na rede estadual de ensino do Espírito Santo, indicando que os perfis da amostragem em relação ao aproveitamento escolar são comuns a esta realidade, propiciando maiores condições na obtenção de resultados semelhantes em sua reaplicação em outros contextos.
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estabilidade, à reprodutibilidade, à precisão das medidas obtidas [...]” à partir dos
mapas conceituais e dos o questionários de opinião aplicados (MOREIRA, 2003, p. 8). Em relação aos mapas conceituais, vários fatores podem interferir em sua fidedignidade, tais como os emocionais ou os cognitivos relacionados à memória no momento da avaliação, os quais são dificilmente eliminados.
Sobre o uso de mapas conceituais, Moreira (2003) questiona quais os limites da relação entre os resultados obtidos através dos mapas e dos questionários e o tratamento correspondente à unidade de ensino. Apesar disso, mesmo que no decorrer da aplicação da unidade de ensino ou até mesmo no momento de aplicação do pré-teste, ocorrerem estímulos para que ele aprenda significativamente, a aplicação da unidade de ensino terá sido exitosa, independentemente de a aprendizagem ser ou não atribuída diretamente às intervenções em sala de aula.
Para saber se as diferenças encontradas entre os resultados do pré e do pós-testes podem ser atribuídas ao tratamento ao qual a amostra foi submetida, os resultados foram dispostos em tabelas cruzadas com pareamento das informações obtidas nos testes. Adotando-se um nível de significância igual a 5%, foi utilizado como suporte o pacote estatístico SPSS versão 20.0, software de análise estatística de dados, para a realização do teste estatístico McNemar e obtenção do índice Kappa. Como o presente trabalho não tem como objetivo o aprofundamento em termos da estatística e da probabilidade, serão feitas apenas descrições básicas dos fundamentos necessários para a compreensão das análises realizadas. Os resultados obtidos à partir desses testes estão apresentados no Apêndice F.
Naturalmente, as hipóteses são testadas dentro de limitações impostas em função desse estudo não possuir um delineamento puramente experimental.
Os mapas conceituais também foram avaliados segundo critérios propostos por Novak (1984), que considera as proposições, as ligações cruzadas, os exemplos e a hierarquia de conceitos como parâmetros para estabelecer uma pontuação aos mapas. O autor propõe que deve-se:
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ii. Atribuir 5,0 pontos ao mapa que possui nível hierárquico;
iii. Atribuir 10,0 pontos ao mapa para cada relação cruzada válida;
iv. Atribuir 1,0 ponto ao mapa para cada exemplo válido.
Esses critérios foram utilizados para avaliar a evolução dos mapas conceituais construídos pelos alunos, relacionando-as às evoluções sofridas em suas estruturas cognitivas.
Capítulo V
Análise e Interpretação dos Dados
A partir da coleta dos dados, se iniciou a sua análise na busca de verificar o potencial significativo da unidade de ensino. Dessa forma, este capítulo traz uma análise sob a luz da Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel, Novak e Hanesian (1980).