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ABORDAGEM TERRITORIAL

No documento Pesca e pobreza no Brasil (páginas 103-108)

3.4 CONCLUSÕES DO CAPÍTULO

4.2.4 ABORDAGEM TERRITORIAL

100 considerando todo o território brasileiro a partir das regiões geográficas do país; zona costeira,

conforme definição legal dada pelo Decreto no 5.300/2004; e calhas de rios, abordando os

principais rios brasileiros. Para o trabalho em questão foram selecionados os municípios de 29 conjuntos de calhas contendo 48 rios brasileiros: 1) rios Madeira, Mamoré e Guaporé; 2) rio Tocantins; 3) rio Araguaia; 4) rios Juruá e Tarauacá; 5) rios Purus e Acre; 6) rios Solimões e Amazonas; 7) rios Negro e Branco; 8) rio São Francisco; 9) rio Parnaíba; 10) rio Jaguaribe; 11) rio Piranhas-Açu; 12) rios Paraíba e Uma; 13) rio Gurupi; 14) rio Turiaçu; 15) rios Pindaré, Mearim, Grajaú e Itapicuru; 16) rio Acaraú; 17) rio Jequitinhonha; 18) rio Doce; 19) rio Grande; 20) rio Paraíba do Sul; 21) rio Tietê; 22) rio Paranapanema; 23) rio Paraná; 24) rios Uruguai, Canoas, Ijuí e Pelotas; 25) rio Itajaí-Açu; 26) rio Jacuí; 27) rios Paraguai, Taquari, Aquidauana, Miranda e Cuiabá; 28) rios Tapajós, Juruena e Teles-Pires; e 29) rio Xingu.

Assim, para cada grupo de municípios foi utilizada uma relação obtida entre a quantidade de pescadores existente no município e população total daquele município, que, para o presente trabalho, foi classificada da seguinte forma: 1) baixa proporção de pescadores, quando a relação pescadores / população total for inferior a 1%; 2) média proporção de pescadores, quando a relação situar-se entre 1 e 3%; 3) alta proporção de pescadores, quando porcentagem de pescadores for superior a 3% da população total.

Para a análise estatística buscou-se comparar cada variável dependente com a proporção de pescadores no município (relação pescador / população total), utilizando, para tanto, regressão múltipla multivariada, no caso do IDHM (em função de seus três componentes – IDHM – renda, IDHM – longevidade e IDHM – educação), e regressão simples para as outras variáveis.

Desta forma, foi avaliada a concentração de pescadores de forma regionalizada e suas possíveis associações com os indicadores de desenvolvimento humano e concentração de renda. Para tanto, todas as variáveis foram agrupadas por região geográfica, por zona costeira, e por calha de rio.

4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.3.1 BRASIL

O Brasil é um país de dimensões continentais e um dos 17 países considerados megadiversos do mundo (Marques et al., 2013), o que lhe confere características socioeconômicas também distintas em seu território. No que diz respeito à distribuição dos

101 pescadores profissionais no território brasileiro em 2010, percebe-se uma assimetria regional, estabelecida por uma maior concentração desses profissionais nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, quando comparado às regiões Sudeste, Sul e Centro Oeste (figura 22).

A figura 22 mostra também que os pescadores profissionais brasileiros concentram-se, preferencialmente, nos municípios da zona costeira e nas calhas dos grandes rios brasileiros, estando presentes em 3.429 municípios e totalizando 881.771 pessoas.

Figura 22 – Distribuição dos pescadores profissionais

brasileiros por municípios em 2010.

A figura 23 apresenta os indicadores socioeconômicos selecionados para o país, por município, permitindo comparar tais indicadores com a distribuição dos pescadores e com a concentração de pescadores frente à população total municipal.

A distribuição dos pescadores profissionais brasileiros por municípios em 2010, mostrada na figura 22, indicou que existe uma maior concentrações de pescadores nos municípios situados nas regiões Norte e Nordeste, com destaque para toda a região Norte, boa parte da zona costeira da região Nordeste, a calha do rio São Francisco e a área compreendida pelo pantanal matogrossense. Com uma representatividade menor, aparecem a zona costeira das regiões Sudeste e Sul e algumas calhas de rios dessas regiões.

102 possível identificar os estados do Espírito Santo, Minas Gerais e Mato Grosso como limites que dividem o Brasil em duas grandes áreas: uma ao norte desses estados, com maior quantidade de vulneráveis à pobreza, e outra ao sul, caracterizada por uma baixa vulnerabilidade da população à pobreza. Tal situação se repete quando observa-se o comportamento do Índice de Gini, que indica a concentração de renda no país. Tem-se o sudeste e o sul do Brasil caracterizado por uma maior distribuição de renda, enquanto o Norte, Nordeste e Centro-Oeste apresentam maior desigualdade quanto a esse indicador.

Com relação ao desenvolvimento humano, medido a partir do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDHM, a tendência acompanha o que se observou para os outros indicadores selecionados, mostrando as regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste com baixo desenvolvimento humano e o Sudeste e Sul do país com melhores valores.

O diagnóstico apresentado no trabalho “Política Nacional de Desenvolvimento Regional” do Ministério da Integração Nacional (Brasil, 2005), revela, dentre outras coisas, a persistência de um padrão macrorregional expressivo de diferenciação das principais variáveis, destacando a distância básica que ainda divide essencialmente o Norte e o Nordeste do Sul e Sudeste, com o Centro-Oeste aproximando-se destas últimas macrorregiões. Tal conclusão corrobora com a situação apresentada neste trabalho, onde é clara a divisão do país em duas grandes áreas: 1) a primeira formada pelas regiões Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste, que se apresenta como de baixo desenvolvimento humano, elevada concentração de renda e altamente vulnerável à pobreza. Essa área caracteriza-se pela grande quantidade de pescadores profissionais presentes; e 2) a segunda área, formada pelo Sudeste, Sul e parte do Centro-Oeste, com uma dinâmica econômica forte e, consequentemente, maior distribuição de renda, refletindo positivamente no desenvolvimento humano. Apresenta-se, ainda, com menores quantidades de pescadores em seu território.

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Mapa de localização

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