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Abordagem 2: Valorizar os Recursos Locais

No documento Dimensão Social do Design Sustentável: (páginas 52-56)

2.3 Abordagens para Implementação da Dimensão Social do Design Sustentável

2.3.3 Abordagem 2: Valorizar os Recursos Locais

2.3.3.1 Definição

Este princípio heurístico significa promover e favorecer sistemas que promovam a regeneração e valorização da economia local. Neste sentido os seguintes questionamentos podem ser feitos ao sistema, pelo designer, com base nestes princípios: a) empobrece os valores e identidades das culturas locais? b) oferece uma solução ou pouca variação para todas as regiões ou culturas? c) tem impacto negativo no bem-estar de comunidades locais?

d) desvaloriza a economia local? e) absorve recursos locais não renováveis?

Vezzoli (2007) argumenta que o design deverá promover e favorecer sistemas que gerem e fortaleçam as economias locais. Essa estratégia é uma tentativa de evitar empobrecimento

de valores e identidades culturais locais, aumentar a personalização de soluções para demandas locais, melhorando assim o bem-estar social das pessoas dentro das comunidades.

2.3.3.2 Situação

Fomentar as “regiões econômicas” ou “economias distribuídas” oferece muitas vantagens em relação aos grandes sistemas industriais ao responder aos novos desafios impostos pela sustentabilidade. As economias distribuídas resultam em maior flexibilidade econômica (JOHANSSON, et al., 2005). Johansson, et al. (2005) chama a atenção para o fato de que a vitalidade das regiões pode ser criada e mantida através de esforços locais e iniciativas individuais e não apenas através de mega-projetos com planejamento centralizado. De fato, os grandes projetos carecem da capacidade e motivação para melhorar a qualidade de vida local. Economias distribuídas têm a grande vantagem de trazerem muitas das questões fundamentais do desenvolvimento sustentável (incluindo os de caráter ético), mais próxima do indivíduo, tanto como, do consumidor, cidadão ou produtor, oferecendo novas oportunidades de lidar com as limitações de atuação regional. (JOHANSSON, et al., 2005).

A sustentabilidade exige uma capacidade de receber sinais de um mercado relevante e oportuno para conceber e implementar soluções inovadoras, que satisfaçam estas demandas emergentes. E esta capacidade está se tornando cada vez mais um fator determinante para a sobrevivência das empresas. Os sistemas de produção flexíveis e em pequena escala têm uma vantagem inerente de resposta a estes desafios.

No entanto, economias distribuídas não significam abandonar os sistemas de larga escala de uma vez por todas. Pelo contrário, não será certamente uma necessidade de formas eficazes de produção de commodities e mercadorias a granel, pois em muitos setores, simplesmente não é realista adotar as soluções de pequena escala. As soluções híbridas, onde coexistem ambos os sistemas, podem representar um caminho a ser seguido. No entanto, não é

possível delinear exatamente onde é o equilíbrio ideal de ambos os sistemas (JOHANSSON, et al, 2005).

Valorizar a economia local pode contribuir para uma melhor equidade, tanto do ponto de vista ambiental, bem como os direitos humanos. Uma estrutura baseada em rede de economias (distribuídas) localmente e “alimentada” por fontes renováveis, pode contribuir para reduzir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, facilitar a democratização dos recursos e da energia (RIFKIN, 2003).

Em particular, o sistema de produtos e serviços é uma concepção emergente, que oferece maiores benefícios em termos de estímulos para a economia local. De fato, a UNEP (2009) argumenta que o SPS – Sistema Produto Serviço – tem um maior enfoque no contexto local, bem como o impacto sobre a abertura de novas relações com o usuário final. SPS pode desencadear um maior envolvimento local (e mais competente) melhor que as empresas globais, onde as partes interessadas podem promover e facilitar um reforço para a economia local. Além disso, uma vez que SPS emprega mais mão-de-obra, pode levar a um aumento do emprego local e uma consequente difusão de conhecimentos.

Johansson et al. (2005) indica que o paradigma convencional sobre o modelo econômico e industrial, caracterizado pela centralização e produção em grande escala minam a sustentabilidade (tanto nas questões ambientais e termos sócio-éticos). As consequências incluem:

a. aumento na circulação de matérias-primas e produtos por longas distâncias, principalmente baseando-se na diminuição proporcional dos custos de transporte;

b. distanciamento da produção por parte dos consumidores, o que esconde os custos ambientais e sociais devido à miopia cognitiva (um fenômeno em que as pessoas tendem a ignorar o que é distância no tempo ou no espaço);

c. enfraquecendo os atores locais e diminuindo as possibilidades de controle sobre seu ambiente econômico local.

A introdução e difusão das economias distribuídas, definida como uma “quota de produção seletiva distribuída pelas regiões em que a atividade é organizada sob a forma de pequenos e flexíveis, que são unidades sinergicamente conectadas umas com as outras” é a alternativa prevista para o paradigma convencional (JOHANSSON et al., 2005)

2.3.3.3 Implicação no Design

Outra forma de promover a economia local pode ser vista nas estratégias de negócio do tipo BDP - Base-da-Pirâmide. Um exemplo destas iniciativas vem sendo desenvolvido pela empresa Masisa, a qual está promovendo um projeto que busca a equidade dos stakeholders dentro da cadeia produtiva do mobiliário. Com base nesta proposta está sendo desenvolvido um projeto que busca a produção e distribuição de móveis pela própria comunidade e, desta forma, gerando renda ao redor da comunidade que circunda o consumidor final. A empresa para tanto promove, entre outras atividades, a qualificação da mão-de-obra dos marceneiros, possibilitando juntamente em parcerias com órgãos governamentais, o fomento e a inclusão dos mesmos na economia formal (SANTOS et al, 2007).

Segundo Santos et al, (2007) esta proposta direcionada para Base-da-Pirâmide tem como diferencial esta troca de fluxo da riqueza de maneira que seja distribuída de forma a beneficiar a população de baixa renda, como pode ser vista a seguir na figura de comparação entre os dois modelos. Iniciativas como esta possibilitam oferecer para os consumidores uma forma de quebrar o ciclo vicioso da pobreza. É preciso gerar valor econômico e aumentar a qualidade de vida da região de sua própria vizinhança.

Figura 2-9. Processo convencional de negócios x novo modelo sob o processo do BDP (Fonte: Santos et al, 2007)

A produção convencional gera riqueza longe de onde a população se encontra. Para implementar um negócio socialmente inclusivo, uma das estratégias é trazer a geração de renda proveniente da revenda mais próxima do público-alvo.

No documento Dimensão Social do Design Sustentável: (páginas 52-56)