O encontro era iniciado com a aplicação do impresso (APÊNDICE H) onde os adolescente de forma individual registrava como estavam chegando, e em seguida prosseguíamos com as atividades propostas para o grupo.
1º Momento - Aquecimento: Caixa de surpresa
Foram colocados dentro de uma caixa os seguintes materiais: tecido de seda, lixa, palha de aço, algodão e massa de modelar; de maneira que os participantes não vissem o que estava dentro desta caixa, e que apenas pudessem manusear e sentir as texturas dos materiais e a sensação proporcionada ao tocá-los. Em seguida eles falaram sobre o que cada um sentiu ao colocar a mão na caixa sem saber o que iria tocar e qual foi a sensação (15 minutos).
2º Momento - Vulnerabilidade
Objetivo: Discutir sobre a temática das drogas Técnica: O Toque
Material: caixa de sapato, tecido de seda, lixa pequena, palha de aço, algodão, massa de modelar, compressa gelada e compressa morna.
O coordenador do grupo apresentou aos participantes do grupo os seguintes materiais: tecido de seda, lixa, palha de aço, algodão, massa de modelar, compressa gelada e compressa morna. Passamos para eles cada objeto e pedimos que associassem a sensação que eles tiveram ao tocar com a temática das drogas; que eles associassem com tudo o que eles sabiam e/ou vivenciaram sobre isso e tentassem comparar com as sensações provocadas pelos objetos tocados. Em seguida foi solicitado aos adolescentes que falassem sobre o que pensaram e quais materiais representaram para eles as drogas, discorrendo o por quê (30 minutos).
3º Momento - Fechamento/Avaliação
O que significou para vocês trabalharem esta temática (drogas)? Vocês costumam conversar com outras pessoas sobre isso? Por quê?
O tema escolhido pelos adolescentes para o próximo encontro foi poder falar mais sobre eles.
Para finalizar era aplicado novamente o impresso (APÊNDICE H) onde os adolescente de forma individual registrava como estavam saindo após o encontro.
No início do grupo desta semana, o adolescente que não sabia o motivo da escolha do seu nome (aquecimento do encontro anterior) se manifestou para falar para os demais que seu nome foi escolhido pelo seu pai porque teve um professor com esse nome, e ele gostava muito dele e achava o nome pouco comum. Foi interessante esta iniciativa, pois demonstrou que eles estavam gostando e levando a sério o que vinha sendo trabalhado, e o espírito de grupo se traduziu no compartilhamento desta informação. Como resposta o grupo acolheu bem a informação, verbalizando palavras de apoio (o nome era diferente, mas era bonito e que o seu pai tinha acertado na escolha).
Após a técnica do aquecimento foi pedido aos adolescentes que falassem sobre os objetos, se conseguiram identificar e como. Todos souberam identificar o que tinha dentro da caixa utilizando apenas o tato e relataram que isso foi possível, por conta de serem coisas com texturas bem específicas e que eles já tinham sentido anteriormente, só que não dessa maneira. Mas, inicialmente alguns (as mulheres) tiveram receio de colocar a mão, pois estavam com medo, porque não tinham nem ideia do que poderia ter na caixa, contudo, mesmo assim, enfrentaram. Este momento foi proposto para já ir sensibilizando o grupo para a técnica de desenvolvimento, denominada de toque, onde foi apresentada aos participantes novamente a caixa com os objetos, sendo solicitado que eles pensassem no tema das drogas,
no que eles sabiam sobre isso, o que eles pensavam a respeito, o que significava para eles, de forma que escolhessem objetos que considerassem, segundo a sensação provocada por tocar neles, relacionados com este tema.
O grupo conseguiu encontrar objetos que pudessem relacionar com o que pensavam sobre drogas e a maioria dos comentários socializados tinha conotação negativa: destruição, agressividade, mentiras, vício, solidão, violência, desunião. Contudo, uma adolescente (A4) escolheu algodão e tecido de seda, pois representava para ela que a droga causa muita coisa ruim na vida de uma pessoa, pois afeta muita gente ao seu redor, mas ela deve proporcionar uma sensação boa no início e por causa disso, nem pensam no mal que faz, por isso as pessoas ficam viciadas e procuram usar por algum motivo. Depois desse comentário, aproveitamos o momento para realizar o fechamento desta etapa, conversando sobre o que são as drogas, os tipos e os efeitos, discutindo sobre o que a adolescente colocou, mas lembrando que a repercussão negativa era predominante. Diante disso, o próprio grupo reforçou que a droga não deve ser usada para resolver problemas ou por qualquer outro motivo, pois causa muito mal à pessoa que usa, bem como a quem convive com ela.
Para realizar o fechamento deste ciclo, foi perguntado aos adolescentes o que significou trabalharem esta temática e eles relataram que não é costume as pessoas falarem abertamente sobre isso, que eles já sabiam que existiam porque já haviam visto no seu bairro, conheciam pessoas que usavam e os programas de televisão abordam sobre os riscos. Que as drogas estavam muito próximas deles, mas ninguém gostava muito de falar e para eles foi bom discutir no grupo, pois eles não eram ingênuos e gostariam que sua família e na clínica falassem mais abertamente sobre isso, e que não precisavam ter medo de tocar neste assunto.
Como resposta ao instrumento (APÊNDICE H) que lhes permitia manifestar como estava chegando e saindo do grupo, foi possível realizar uma avaliação relacionada a oficina, pois este tinha como finalidade coletar os sentimentos dos adolescentes antes e após a realização dos encontros, conforme tabela abaixo:
Tabela 6 - Representação dos adolescentes relativo a como estavam se sentindo antes e após a participação nas oficinas vivenciais. Fortaleza-CE, 2012.
Ao descrever sobre como estavam chegando, dois adolescentes escolheram o rosto que significa mal, chateado e/ou triste, cinco registraram que estavam indiferentes, normais ou mais ou menos, apenas um registrou que estava bem, alegre e/ou feliz e os motivos relatados para não estar bem foram: cansado, rotina, raiva, brigas e sono. Os adolescentes que responderam indiferente escreveram as palavras: sem novidade, mais ou menos e desanimando; o adolescente que respondeu estar bem justificou que estava animado, contente e alegre.
Em relação aos sentimentos dos adolescentes relatados ao sair, sete adolescentes registraram que estavam saindo bem, alegres e/ou felizes e justificaram com as seguintes palavras: animando, importante, divertido, feliz, alegre, muito bem e melhor. E um adolescente que disse que estava mal, escreveu: dor, febre e desanimando.
Para que seja efetivada uma proposta de práxis de enfermagem ao adolescente renal crônico, juntamente com a equipe de enfermagem, se faz necessário entender os riscos e demandas deste grupo para a construção de uma assistência com qualidade e pautada pela realidade cotidiana na qual este grupo está inserido, por isso foi importante trabalhar a temática drogas com estes sujeitos.
Risco e vulnerabilidade estão muito ligados às características próprias do desenvolvimento psico-emocional dessa fase da vida. A busca de identidade leva ao questionamento dos padrões adultos e a exposição ao novo funciona como um grande desafio vinculado à onipotência do adolescente que se julga sempre vencedor; por outro lado a timidez e a baixa auto-estima podem torná-lo potencialmente frágil, levando-o à vinculação com soluções externas inadequadas para os seus problemas (uso de drogas). Quanto menos acesso à saúde e educação, quanto mais marginalizados e excluídos, quanto menos recursos os jovens tiverem para elaborar escolhas para suas vidas, mais vulneráveis a diferentes riscos eles estarão (PAULINO et al., 2001).
Oficina Como estou chegando (nº de adolescentes)
Como estou saindo (nº de adolescentes)