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Não se pode negar que a Lei de Acesso à Informação, doravante denominada LAI no art. 1º e 2º apresenta de forma muito clara e resumida o objeto central deste item, ou seja, menciona abrangência da referida lei quanto ao direito de acesso à informação pública e sobre os procedimentos a serem observados pelos entes federativos.

Pertinente se faz mencionar o art. 1º in verbis:

Esta Lei dispõe sobre procedimentos a serem observados pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir acesso a informações previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 da Constituição Federal.

Assim, o referido parágrafo delimita de maneira pontual quem se sujeita à aplicação da LAI, ou seja, quem são os legitimados sob a qual a lei incide. Desta forma, as lições de Heinen (2014, p. 86) são fundamentais para o entendimento da abrangência da LAI.

Utiliza-se, ainda, de uma classificação sistematizada sendo que apresenta alguns critérios para definir os sujeitos passivos próprios e os sujeitos passivos impróprios. Pelo critério orgânico, subjetivo ou formal se tem Administração Pública Direta, conforme o art 1º e Administração Pública Indireta conforme art. 1º, I.

Segundo Heinen, no art. 2º, os sujeitos passivos impróprios podem ser classificados pelo critério material, objetivo ou funcional e neste se enquadram as entidades privadas sem fins lucrativos que recebam recursos públicos para a realização de ações de interesse público:

Observe-se que, enquanto o art. 1º adotou o critério orgânico, o qual sujeita a Lei àqueles que exercem a função ou atividade estatal, o art. 2º optou pelo critério objetivo, ou seja, abrangência da Lei adota um padrão muito claro quanto a definição de quais pessoas e instituições sofrem a incidência normativa, obrigando a todos que deem publicidade aos seus atos referentes às compras, gastos, contratos, etc.

Além disso, a norma obriga que todos aqueles que obtenham qualquer tipo de subvenção tenham de “publicizar” dados sobre contratos, licitações, gastos com obras, repasse ou transferências de recursos (art. 2º). Para tanto, criou-se um procedimento administrativo para que qualquer interessado possa acessar documentos e informações outrora sigilosos (arts. 10 a 20).

Não se nega que pelo critério funcional ou material todos aqueles que de alguma forma ou outra atuam em atividades do Estado, sejam entidades sem fins lucrativos ou não, mas que recebam recursos públicos estão sujeitos a abrangência da referida Lei. Inclusive não se questiona a incidência da referida Lei sobre os Tribunais de Contas e Ministérios Públicos, pois está expresso que esses órgãos estão submetidos a ela.

É importante frisar que Heinen (2014, p. 94) pontua com muita clareza a abrangência da LAI, ou seja:

(a) a LAI aplica-se indistintamente a toda a Administração Pública indireta, a partir de uma hermenêutica literal e teológica; (b) a LAI não se aplica às pessoas jurídicas de direito privado pertencentes à Administração Pública indireta e que prestem atividades econômica, a partir de uma interpretação conforme a Constituição; (c) as delegatárias de serviço público (art. 175, CF/1988) não se sujeitam à LAI, por estarem excluídas só âmbito de incidência dos arts. 1º e 2º desta legislação. Contudo, nada impede que se possa solicitar informações sobre o contrato administrativo de concessão, permissão ou autorização de serviço público.

Mesmo que somente estas pessoas jurídicas façam parte do rol de abrangência da LAI, arts. 1º e 2º e que os consórcios públicos não figurem como parte da administração pública indireta e nem mesmo a LAI tenha a previsão sob a incidência com relação a esses o entendimento de Heinen é que são abrangidas por esta Lei (2014, p. 96).

Não se pode deixar de mencionar que as associações públicas; as associações privadas estão obrigadas a cumprir com requisitos da legislação civil (art. 6º, II, da Lei nº 11.107/05).

Argumenta Heinen (2014, p. 97) que "incide a LAI sobre consórcios públicos - pessoa jurídica de direito público, na linha do art. 1º, parágrafo único, inciso II, da Lei nº 12.527/11, porque se trata de uma entidade controlada pelos entes federados

(parte final do dispositivo)".

Porém, quando se refere "à segunda espécie de consórcio público, porque a lei lhe confere personalidade jurídica de direito privado" sustenta que "nesse caso, considera-se que a parte final do inciso II do art. 1º da LAI ainda assim alcança essa entidade." (Heinen, 2014, p. 97).

Para corroborar o exposto, Heinen (2014, p. 101-102) entende que:

Assim, para os limites da incidência da LAI (que é o que nos importa no momento): (a) quanto às fundações públicas, ou seja, mantido pelo Estado, não há dúvida de que estas entidades a esta legislação se sujeitam. E , então, fica redundante repetir, no artigo, a expressão “fundações públicas” ao lado do termo “autarquias”, porque aquela seria espécie desta; (b) no caso das fundações de direito privado apenas instituídas pela Administração Pública, duas possibilidades se apresentam: (b1) caso considere que tais organismos com personalidade jurídica de direito privado estão englobados pela noção de “fundação pública” - que, repita-se, não é o nosso entendimento pessoal -,a questão fica resolvida pela literalidade do incido II do parágrafo único do art. 1º; (b2) contudo, no caso de tais fundações de direito privado instituídas pelo Poder Público não estarem englobadas no signo “fundações públicas” - porque este seria típico caso de organismo com personalidade estatal -, ter-se-ia de procurar a incidência: (b2.1) ou da parte final do inciso II, enfim, se é o caso de serem consideradas “entidades controladas direta ou indiretamente pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios; ou (b2.2) caso não sejam controladas, se pactuam com o Poder Público em uma das formas negociadas do art. 2º da lei, porque efetivamente compreendem o elemento dogmático “sem fins lucrativos” dessa regra.

No que pertine ao acesso à informação, marcado pela transparência é de suma importância que se reconheça que a Administração Pública, após o advento da LAI, de certa forma tem procurado dar mais publicidade e visibilidade as ações governamentais, demonstrando uma preocupação substancial no que diz respeito ao fomento de boas práticas administrativas.

O princípio da transparência não é exclusividade do Estado brasileiro, tendo em vista que a partir dos movimentos sociais, o acesso à informação tem assumido um formato diferenciado no âmbito das relações internacionais, mostrando a relevância que este tema tem assumido nas organizações transnacionais.

Dessa maneira, a lei de acesso vem na linha de um movimento internacional que busca fomentar boas práticas para que se possa dar vazão à transparência das informações públicas. Desde 2011, por exemplo, o Brasil participa do Open Government Partnership (OGP), que congrega mais de quarenta países que buscam discutir ferramentas ao fomento da transparência das ações governamentais. Os países membros prestam compromissos de tornar efetiva a disposição dos dados públicos que possuem.

Na verdade, a LAI foi elaborada com a finalidade de satisfazer a sociedade que clama por transparência nos atos praticados pelos governantes. O objetivo primordial da Lei de Acesso à informação é possibilitar ao cidadão "um padrão uniforme de acesso, que facilite a localização e obtenção das informações e se torne para ele, também, uma referência em transparência pública" (ACESSO A INFORMAÇÃO PÚBLICA SITIO).

Certamente que a LAI der termina que deve haver a divulgação das informações de interesse coletivo ou geral, sem que o cidadão a requeira, ou seja, deve a Administração Pública agir de forma espontânea e pró-ativamente, independentemente de solicitações.

Nesse sentido, a primeira providência imediata estabelecida pelo Governo Federal para seus órgãos e entidades no contexto de implementação da Lei foi, exatamente, a divulgação do máximo de informações de interesse público de forma organizada e centralizada em seção específica nos sítios eletrônicos dos órgãos e entidades. (ACESSO A INFORMAÇÃO PÚBLICA SITIO).

Isso significa que os órgãos públicos devem reunir as informações gerais e específicas e facilitar o acesso do cidadão às atividades e ações desenvolvidas por este órgão. Isso nada mais é do que o chamado Portal da Transparência.

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