CAPÍTULO 2 EFEITO DA APLICAÇÃO DE SUBSTÃNCIAS HÚMICAS E ÓLEO
2.4.3 Acúmulo de Carbono e Nitrogênio da biomassa vegetal
De maneira geral o acúmulo de nitrogênio (N) na biomassa foliar é reduzido com o maior nível de déficit hídrico.
As médias encontradas em relação ao teor de N de 19,4 g kg-1 a 23,6 g kg-1 nos percentuais de 70% e 49% do VTPOA, respectivamente, foram superiores as encontradas por Santos et al (2007), onde as médias variaram de 18,1 g/Kg-1 a 19.3
g/Kg-1. Estes autores ressaltam que valores mais baixos podem ser encontrados em
situações de pastagens degradadas.
Braz et al. (2004) avaliando o acúmulo de nutrientes em de espécies milheto (Pennisetum glaucum), capim braquiária (Brachiaria brizantha) e Mombaça (Panicum maximum), relataram que o capim brachiaria obteve um teor de N de 20,5 g.kg-1 aos 107 dias de idade da planta.
O fator umidade em 28% do VTPOA, apresentou as menores médias de teor de N da massa foliar. Silva et al. (2000) verificaram redução no acúmulo de macro e micronutrientes na parte aérea de duas espécies de eucaliptos submetidas ao déficit hídrico. Segundo Barber (1974), o déficit hídrico rigoroso diminui ou inibe a absorção de nutrientes pelas plantas devido a água ser veículo através do qual os íons se movimentam da solução do solo para o sistema radicular das plantas, principalmente quando esse movimento se dá por fluxo de massa e difusão
Nota-se que o acúmulo de N da biomassa foliar foi influenciado pela aplicação de OEE e SH aplicados isoladamente ou em conjunto (OEE+SH) dentro dos percentuais de umidade 70 e 49%.
O efeito do óleo essencial de eucalipto pode ser explicado por Parrado et. al. (2007), onde afirma que o uso de óleos essenciais aumenta a atividade da ATPase, proteínas integrais de membrana que utilizam a energia liberada na hidrólise do ATP para bombear prótons ativamente para o apoplasto ou para o vacúolo, de modo a controlar o pH citossólico, criando um gradiente eletroquímico, importante para a captação de nutrientes (DUFUOR; GOFFEAU, 1980).
Segundo Mora et al., (2010) o efeito da aplicação de SH se deve a uma ativação das ATPases bombeadoras de prótons presentes na membrana celular, que levaram a uma maior troca de íons e, assim, maior absorção de nutrientes, como nitratos, os quais favorecem o crescimento vegetativo.
Constataram-se concentrações menores de N na biomassa da raiz quando comparadas as concentrações de N da biomassa da parte aérea. Os teores de N total tendem a ser mais elevados na parte aérea do que nas raízes (CECATO et al., 2001). De maneira geral os tratamentos dentro do fator umidade em 49% apresentaram maior incremento no acúmulo de N da biomassa da parte radicular quando comparados aos tratamentos dentro dos demais percentuais de umidade. Tal resultado pode ter ocorrido pela maior produção de MSPR dentro deste percentual de umidade. O déficit hídrico, ao provocar a secagem superficial do solo, estimula a expansão das raízes, as quais se aprofundam no solo em busca de umidade (GONÇALVEZ, 2013; SCALON ET AL., 2011). Nessas condições, as plantas investem no desenvolvimento do sistema radicular, aumentando o comprimento das raízes (FITTER; HAY. 1987).
Ao analisar os tratamentos dentro de cada percentual de umidade, a aplicação de SH proporcionou maior aporte de N no sistema radicular nos percentuais de umidade 70 e 49%. De acordo com Trevisan et al (2010) hormônios como a auxina podem ser estimulados na presença de ácidos húmicos, resultando em crescimento do sistema radicular das plantas. A auxina em condições de déficit hídrico tem atuação determinante na regulação do metabolismo e crescimento das raízes. Ribaut e Pilet (1994) observaram
aumento do nível de auxina em raízes de milho quando foi diminuído o teor de água do solo.
De forma geral os valores médios de CCA e CCR foram menores em 28% de VTPOA, se diferenciando estatisticamente dos demais percentuais de umidade. A taxa de assimilação de CO2 é reduzida em períodos prolongados de deficiência hídrica mesmo
as plantas mais adaptadas podem sofrer as consequências desse estresse (PIMENTEL et al., 2016).
O conteúdo de C da parte radicular apresentou maiores médias em 49% do VTPOA, pois a modificações no sistema radicular também são esperados com a escassez de água no solo. Trabalhos conduzidos em condições controladas por Guenni et al. (2002) observaram que houve redistribuição do sistema radicular a maiores profundidades e desenvolvimento de raízes laterais em plantas de espécies de Brachiaria submetidas a diminuição do conteúdo de água no solo. O estoque de C nas raízes grossas supera o existente nas raízes de menor diâmetro (PAIVA; FARIA, 2007), proporcionando também maior acúmulo de C nos tratamentos com maior umidade.
A aplicação de SH proporcionou maiores médias tanto de CCA quando de CCR. Tais efeitos são refletidos na aceleração das taxas de crescimento vegetal, incremento de biomassa vegetal e alterações na arquitetura do sistema radicular (CANELLAS et al., 2002).
2.5 CONCLUSÕES
Em um contexto geral o déficit hídrico ocasiona a diminuição da massa seca, tanto da parte aérea quanto radicular e da altura de plantas de Brachiaria brizantha cv. Marandu.
Em alguns casos onde o estresse não ocorre de maneira tão brusca pode induzir o alongamento das raízes laterais, pela busca de água. O estresse hídrico de forma mais intensa como o de 28% do VTPOA, inibe o crescimento radicular.
As umidades em 70% e 49% do VTPOA se mostraram mais eficientes em ralação aos parâmetros fotossintéticos.
A utilização de óleo essencial de eucalipto e substancias húmicas promovem maior crescimento e a mantença dos parâmetros fotossintéticos em plantas de Brachiaria brizantha cv. Marandu em condições sem déficit hídrico.
Em situações com o déficit hídrico não intenso, a aplicação de substâncias húmicas aumenta a eficiência do uso da água, mantendo maiores valores de fotossíntese mesmo em menores valores de condutância estomática e consequentemente menores valores de transpiração.
A aplicação de SH proporcionou maior acúmulo de N e C da parte aérea e radicular em plantas de Brachiaria brizantha cv. Marandu.
CAPÍTULO 3 - EFEITO DA APLICAÇÃO DE SUBSTÃNCIAS HÚMICAS E ÓLEO ESSENCIAL DE EUCALÍPTO NO CRESCIMENTO DE STYLOSANTHES SPP RESUMO
A capacidade de fixação biológica de nitrogênio (FBN) é uma das principais características das leguminosas que beneficia o sistema solo-planta, auxiliando no processo de recuperação de pastagens juntamente com o uso de bioestimulantes. Estes produtos incluem uma gama de substâncias como os mais diversos óleos essenciais (OE), produtos derivados do metabolismo secundário vegetal, bem como substâncias húmicas (SH). O objetivo deste trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de substâncias húmicas e de óleo essencial de eucalipto no crescimento e desenvolvimento de Estilosantes cv. Campo Grande em diferentes teores de umidade do solo. O trabalho foi conduzido no ano de 2018, em casa de vegetação, em um delineamento inteiramente casualizado, com três repetições, utilizando o esquema fatorial, tendo como o primeiro fator a forrageira (Estilosantes cv. Campo Grande), o segundo fator, três diferentes umidades do solo, determinado através do cálculo de VTP (volume total de poros), onde 70%, 49% e 28% do total de poros foram ocupados por água, e o terceiro fator, quatro diferentes tratamentos (controle, óleo essencial, substancias húmicas, óleo essencial + substancias húmicas). Foram semeadas 10 sementes da espécie Estilosantes cv. Campo Grande, em vasos de 5 dm3. As doses
dos bioestimulantes foram aplicadas em 35, 50 e 65 dias após a emergência das plantas. O experimento foi conduzido durante 90 dias, as medidas de altura, produção de massa seca e trocas gasosas foram realizadas no fim do experimento. A redução da umidade no solo limitou o desenvolvimento morfológico e fisiológico das plantas. Os resultados mostram que as plantas foram beneficiadas nos parâmetros morfológicos através da aplicação do óleo essencial de eucalipto e substancias húmicas. A dos mesmos promoveu maior produção de MSPA tendo uma diferença de 57,8 e 35,2% a mais de MS quando comparados ao controle. Também proporcionaram resultados favoráveis a produção de MSPR e aumento na nodulação. Palavras-chave: bioestimulantes; nodulação; nitrogênio.
ABSTRACT
The biological nitrogen fixation capacity (BNF) is one of the main characteristics of legumes, where it benefits the soil-plant system, benefiting in the process of pasture recovery along with the use of biostimulants from different sources, has increased considerably. These products include a range of substances such as the most diverse essential oils (OE), products derived from secondary plant metabolism, as well as humic substances (SH). The objective of this work was to evaluate the effect of the application of humic substances and eucalyptus essential oil on the growth and development of Estilosantes cv. Campo Grande in different levels of soil moisture. The experiment was carried out in April, in the greenhouse of the Department of Agronomy of the Center of Agrarian Sciences and Engineering of the Federal University of Espírito Santo, in a completely randomized design with three replications using the factorial scheme , the second factor, three different humidity, determined by the calculation of VTP (total pore volume), where 70%, 49% and 28% of the total pore were occupied by water, and the third factor, four different treatments (control, essential oil, humic substances essential oil + humic substances). Seeds of the species
Estilosantes cv. Campo Grande, in pots of 5 dm3. Biostimulant doses were applied at 35, 50 and 65 days after plant emergence. The experiment was conducted for 90 days, measurements of height, dry mass production and gas exchange were performed at the end of the experiment. The reduction of soil moisture limited the morphological and physiological development of the plants. The results show that the plants were benefited in the morphological parameters through the application of the essential oil of eucalyptus and humic substances. The same promoted a higher MSPA production, having a difference of 57.8 and 35.2% more MS when compared to the control. They also provided favorable results for MSPR production and nodulation increase.
3.1 INTRODUÇÃO
A produção animal em regime de pastagens, nos trópicos brasileiros, durante muito tempo caracterizou-se pelo extrativismo, no entanto algumas condições de manejo adotadas ao longo dos anos, como o consórcio com outras culturas vem mudando cada vez mais tal cenário. A implantação de leguminosas na formação e recuperação de pastagens, em consórcio é orientada pela escolha do cultivar mais adequado às condições ambientais, à natureza da exploração, à capacidade de intervenção e à disponibilidade de recursos, entre outros. Dentre os cultivares ou gêneros botânicos com maior estoque de informações, destacam-se os estilosantes (Stylosanthes spp.) por ser uma das cultivares mais promissoras (BARCELOS., 2008).
A capacidade de fixação biológica de N (FBN) é uma das principais características da leguminosas, onde beneficia o sistema solo-planta (PEOPLES; CRASWELL, 1992). Outra característica importante das leguminosas é a baixa relação C/N, quando comparada a plantas de outras famílias. Este aspecto, aliado à grande presença de compostos solúveis, favorece sua decomposição e mineralização por microrganismos do solo e a reciclagem de nutrientes (ZOTARELLI, 2000).
De maneira geral, nas leguminosas fixadoras de N, cerca de 75 % do N é oriundo da fixação biológica (TISDALE et al., 1985). A quantidade de N fixado varia com a espécie e com as condições do ambiente (sentido amplo). Acidez do solo, salinidade, deficiências ou excesso de minerais, estresse hídrico, variações na temperatura, a quantidade de N inorgânico no solo, pragas e doenças acabam por afetar a FBN. Quanto mais pobre em N for o solo, maior será a proporção do N da planta derivado da FBN (PEOPLES; CRASWELL, 1992).
Além da utilização de leguminosas como manejo na recuperação de pastagens o uso de bioestimulantes vegetais tem se mostrado cada vez mais eficientes na complementação de tal processo. Estes produtos incluem uma gama de substâncias, como os mais diversos óleos essenciais (OE), produtos derivados do metabolismo secundário vegetal.
O óleo essencial de eucalipto (OEE) pode gerar alelopatia a outras espécies de plantas, porém essa reação depende da concentração utilizada e de compostos específicos presentes (DELASQUIS et al., 2002; BONALDO et al., 2004; SANDI & BLANCO, 2007; STEFFEN et al., 2008).
As substâncias húmicas extraídas de vermicompostagem de diversos resíduos orgânicos, como o esterco bovino tem resultado em um produto com uma elevada atividade biológica (NARDI et al., 2009; KAUSHIK E GARG, 2003). Os ácidos húmicos e fúlvicos, produtos do fracionamento das substâncias húmicas, são capazes de estimular alterações fisiológicas nas plantas, as quais podem contribuir para um melhor desenvolvimento e produtividade. (CANELLAS et al., 2005).
Desse modo, o objetivo do presente trabalho foi avaliar o efeito da aplicação de substâncias húmicas e de óleo essencial de eucalipto no crescimento e desenvolvimento de plantas de Stylosanthes spp. em diferentes teores de umidade do solo.
3.2 MATERIAIS E MÉTODOS