Os rendimentos de grãos, obtidos no experimento, não diferiram (p = 0,05) em função da adubação, variando de 3.719,11 a 3.624,32 kg.ha-1, na média das amostras, sem e com adubo,
respectivamente. Isso, possivelmente, pode ser explicado pela alta fertilidade do solo, onde o experimento foi instalado (Apêndice A) e também em função dos maiores teores de Mn nas folhas amostradas nas parcelas onde foi efetuada a adubação.
Costamilan et al. (2006) relatam que a cultivar BRS 244RR, em condições experimentais, nos municípios de Passo Fundo, Cruz Alta, Júlio de Castilhos e Vacaria, produziu, na safra 2005/2006, 3.965, 2.576, 1.718 e 2.386 kg.ha-1, respectivamente. Entretanto, o potencial genético dessa cultivar,
pode ultrapassar patamares de rendimento de 4.000kg.ha-1, quando em
condições climáticas favoráveis e em condições de solo que não favorecidas pela compactação e encharcamento.
Os teores (p = 0,000) e a quantidade extraída (p = 0,0101) de Mn (Figuras 1 a 3) foram maiores nas folhas coletadas nas parcelas adubadas em relação às folhas coletadas nas parcelas não adubadas. Esse fato pode ter sido influenciado pela acidificação do solo próximo ao sulco de semeadura, resultante da dissolução do adubo fosfatado (YAMADA e ABDALLA, 2004), ou, ainda, pela contaminação com esse nutriente na matéria prima do adubo utilizado no experimento, além do pH do solo, onde o experimento foi instalado (RAIJ, 1991).
Figura 1 - Teor de manganês (Mn) em função da adubação e o tipo de folha de soja. Média de quatro repetições e dos estádios amostrados.
Os maiores teores observados de Mn nas OF (Figura 1) coincidem com o observado por Machado et al. (2006), onde a toxidez desse micronutriente foi observada na quinta e na sexta folha e não nas folhas jovens e recém maduras da soja.
Nos estádios iniciais (V4, V5 e V7) pode-se observar maiores teores foliares de Mn nas parcelas adubadas (Figura 2). Entretanto, essa diferença desapareceu nos estádios seguintes (V9, V11 e R2). Assim, a folha índice (FI) não expressa o acúmulo de Mn, sendo isso também observado por Machado et al. (2006), ao estudar problemas de toxidez com esse nutriente em soja.
Figura 2 - Teor de manganês (Mn) em função da adubação e o estádio de desenvolvimento da soja. Média dos três tipos de folhas amostradas.
Esse processo pode ser atribuído ao maior desenvolvimento radicular da planta, que ao se desenvolver, explora maiores volumes de solo, onde encontra camadas mais favoráveis a absorção de Ca e Mg, por exemplo, que diminuem a absorção de Mn, resultando em atenuação dos sintomas de toxidez. Além disso, isso pode estar relacionado ao maior acúmulo de matéria seca na planta, em relação ao de Mn, resultando na diluição desse nutriente no tecido foliar.
Como a adubação não variou significativamente o rendimento de grãos, os dados dos demais nutrientes, obtidos nas amostras dos tratamentos com e sem adubação foram analisados em conjunto, perfazendo oito repetições por estádio
Figura 3 - Quantidade extraída de manganês (Mn) em função da adubação e o tipo de folha analisada. Média de quatro repetições e dos estádios amostrados.
Não houve efeito da interação entre estádio de desenvolvimento e adubação (p = 0,383) sobre o teor de matéria seca, entretanto, os fatores estádio (p = 0,000) (Figura 4) e adubação (p = 0,020) (Figura 5) foram significativos.
Como mostram os resultados (Figura 4) o acúmulo máximo matéria seca total ocorreu em R2. Os resultados da análise indicaram que a maior contribuição de matéria seca na planta foi proporcionada pelas hastes, parte esta que não foi analisada, pois o trabalho teve como objetivo estudar os nutrientes e respectivos índices das folhas de soja. Neste sentido, sabe-se que essa parte da planta concentra maior teor de nutrientes que as hastes (Malavolta et al., 1997; Mascarenhas, 1972).
Figura 4 - Matéria seca (MS) de plantas de soja (outras folhas + folha recém madura + hastes), em diferentes estádios de desenvolvimento. Media de oito repetições.
O maior acréscimo de matéria seca entre os tipos de folhas analisadas foi observado nas OF, em V9, enquanto que nas FRM, em R2, sendo nessas últimas linear (Figura 6). Esse acúmulo de matéria seca, no entanto, não acompanhou o efeito ilustrado nas figuras 4 e 5, uma vez que o peso das hastes contribuiu para maior acréscimo de matéria seca, entre as parcelas com e sem adubação. Outro aspecto observado, foi que, a partir de V9, verificou-se acentuada perda de folhas do terço inferior das plantas de soja, por ocasião de déficit hídrico (Apêndice Y). Isso explica a inflexão da curva descrita com os resultados das OF, na figura 6. Tecnologias... (2006) apontam que a demanda hídrica da soja, é crescente ao longo do ciclo da cultura, atingindo o máximo durante a floração-enchimento de grãos (7 a 8 mm.dia-1) de água disponível no solo.
Considerando que a demanda média diária, no período compreendido entre os estádios V9 (26/01/2006) e R2 (14/02/2006) foi 5 mm, verifica-se que a cultura demandaria teoricamente 75 mm. A precipitação acumulada no período de 22/01 a 14/02/2006, entretanto foi de 56,8 mm. Ainda que toda precipitação infiltrasse no solo e se tornasse água disponível, houve déficit hídrico de 18,2 mm, que associado às temperaturas observadas de 27,3 e 17,2° C, média das máximas e mínimas, respectivamente, foram fatores importantes para senescência e perda precoce de folhas observada na cultura. Entretanto, atributos físicos do solo, como quantidade de água armazenada, e o balanço hídrico, não foram avaliados, o que constituiu uma limitação para detalhar esses efeitos neste trabalho.
Figura 5 - Matéria seca (MS) de plantas de soja (outras folhas + folha recém madura + hastes), com e sem adubo, média dos estádios analisados.
Figura 6 - Acúmulo de matéria seca (MS) em folhas de soja. Média de oito repetições.
A análise de variância dos resultados obtidos mostrou que os teores de nutrientes das amostras analisadas variaram conforme o estádio e a parte da planta amostrada. Isso não ocorreu com a concentração de N, cujo teor médio foi de 2,14% (Apêndice B). A amplitude da faixa de teores de N, obtida em R2, variou de 1,01 a 2,84%, sendo os valores médios obtidos e a amplitude menores que o limite inferior da faixa de suficiência, proposta por Sociedade... (2004), que varia de 4,5 a 5,5%. Essa diferença pode apresentar relação com o cultivar utilizado no ensaio, uma vez que é um material recente, de ciclo médio e com gen de tolerância a glifosato, e que ainda não foram incluidos em trabalhos publicados, que relatem a respeito da composição nutricional. Os baixos teores podem estar ainda relacionados a disponibilidade desse nutriente no solo, o que parece menos provável, em função dos rendimentos obtidos, ou ainda em função das análises químicas desse nutriente. Essa última possibilidade foi testada, repetindo- se a digestão das amostras e a destilação/titulação de N por três vezes. Como os resultados não variaram isso também é pouco provável.
Mascarenhas (1972), em trabalho semelhante, observou teores iniciais de N nas folhas que variaram de 5,29 a 4,27%, aos 20 dias após emergência e em R2 (60 dae), respectivamente. Esses valores também não coincidem com os teores obtidos nesse trabalho em V4 (22 dae) e R2 (60 dae), que correspondem a 2,10 e 2,06%, respectivamente (Apêndice B).
e o estádio amostrado, devido à mobilidade desse elemento na planta e da maior concentração nas FRM, comparativamente as OF. Essa última parte da planta é composta por tecidos mais velhos (EPSTEIN & BLOOM, 2006), além da maior concentração em estádios inicias (BATAGLIA & MASCARENHAS, 1977).
Nos estádios vegetativos o pico de extração desse nutriente, com base na matéria seca, ocorreu em V9 (Figura 7), sendo de 131,36 mg folha-1 nas OF. Nas FRM, isso ocorreu em R2, quando se obteve
25,38 mg folha-1. Após o V9, a quantidade desse nutriente extraída
pelas OF decresceu, possivelmente, em função do descarte de folhas, que estavam senescentes e que não foram analisadas (Apêndice C). Além disso, é possível que tenha ocorrido mobilização desse nutriente para partes reprodutivas, cujo teor de nutrientes não foi avaliado, o que parece ser mais provável.
A maior quantidade extraída de N pelas OF em relação às FRM era esperado, em função da maior quantidade de matéria seca da primeira em relação à segunda.
Os teores obtidos de P, K e S variaram de 0,35 (V9, OF) a 0,72% (V9, FRM), de 1,89 (V9, OF) a 2,93% (V4, FRM) e 0,15 (V5, FRM) a 0,22 (V9, FRM), respectivamente, (Figuras 8, 11 e 12 e Apêndices D, F, H).
Nas OF, a maior quantidade extraída de P (20,46 mg folha- 1, Apêndice E), e de S (11,78 mg folha-1, Apêndice I) ocorreu em V9;
ao contrário do K (121,11 mg folha-1, Apêndice G), que ocorreu em
Figura 7 - Quantidade de nitrogênio (N) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Nas FRM, a maior quantidade extraída de P ocorreu em V9 (6,26 mg folha-1). Isso também ocorreu com o S, (1,94 mg folha-1), cuja
quantidade extraída não diferiu do V11 e R2 (Figura 10). Como observado nas OF, a maior quantidade extraída de K foi em V11 (25,61 mg folha-1,
Figura 13).
Na folha índice (FI), amostrada em R2, os teores de P, K e S, obtidos em todas as unidades experimentais (UE), variaram de 0,25 a 0,56%, 1,29 a 2,78% e 0,10 a 0,22%, sendo a variação média das UE, usadas para cada estádio de amostragem em R2, 0,45 a 0,47% (Apêndice D), 2,02 a 2,23% (Apêndice F) e 0,16 a 0,19% (Apêndice H), respectivamente.
A variação do teor de P em R2 (0,25 a 0,56%) foi muito similar aos teores da faixa de suficiência (0,26 a 0,50%), sugeridos por
Sociedade...(2004), de forma que os valores médios (0,45 a 0,47%) estão de acordo com a mesma. O estádio em que houve semelhança entre os teores de P da FI com as OF e a FRM foi o V5. Já entre a FI e a FRM, foram os estádios V5 e V7, sendo que V7, V9, V11 e R2, foram os estádios que apresentaram maior diferença entre os teores das FRM e das OF (Figura 8).
Os teores de K observados em R2 (1,29 a 2,78%) foram mais amplos que os teores da faixa de suficiência (1,7 a 2,5%), sugeridos por Sociedade...(2004), entretanto os valores médios (2,02 a 2,23%) enquadraram-se na mesma. Em V7 e R2, os teores de K obtidos nas OF foram semelhantes aos observados na FI, já a diferença dos teores desse nutriente entre as OF e as FRM foram observadas em V7 e V9 (Figura 11).
Os teores de S em R2 (0,10 a 0,22%) situaram-se próximos ao limite inferior (0,21 a 0,4 %) da faixa de suficiência (SOCIEDADE..., 2004), sendo que os valores médios (0,16 a 0,19%) foram menores que o limite inferior dessa faixa (Apêndice H). Os estádios em que houve semelhança entre os teores da FI com os das OF e da FRM foram V4, V11 e R2. Já entre as FI e a FRM isso ocorreu no V4, V5 e V11, de forma que o V5, foi o estádio que apresentou maior diferença entre os teores das FRM e OF (Figura 12). A dinâmica desse nutriente nas OF e FRM foram semelhantes nos outros estádios.
Os resultados obtidos de P, K e S indicam uma dinâmica diferente de absorção entre esses nutrientes. Assim, é necessário que cada um desses nutrientes sejam analisados de forma específica, em relação aos resultados dos diferentes estádios e do R2, quanto se
pretende comparar teores e realizar diagnósticos nutricionais antecipados.
Os maiores teores de P e K (Figuras 8 e 10) foram obtidos nas FRM. Conforme Epstein & Bloom (2006) e Malavolta et al. (1997), os maiores teores destes nutrientes nas FRM devem-se a alta mobilidade desses nutrientes via floema, com tendência de concentrarem nas folhas recém maduras, sendo essa a razão pela qual os sintomas de deficiência de P e K serem manifestados nas folhas velhas.
Nas OF, os maiores teores de N (Apêndice B), P (Figura 8) e S (Figura 12) foram obtidos no estádio V9, indicando que, houve maior extração desses nutrientes, respectivamente (Figuras 7, 9 e 13) nesse estádio. Isso está relacionado com a maior concentração desses nutrientes no estádio vegetativo nas OF (Figuras 7, 9 e 13). No estádio V11, houve redução dos teores de N e P, o que pode ser atribuído ao início da redistribuição desses nutrientes para os órgãos reprodutivos (BATAGLIA & MASCARENHAS, 1977). Isso é possível, pois as plantas atingiram o estádio R2, quatro dias após estarem no V11.
Dentre os estádios vegetativos, o maior teor de K foi observado no estádio V4, sendo isso também observado por Bataglia et al. (1976). Esses autores mencionam que o teor desse nutriente na folha decresce ao longo do desenvolvimento da cultura da soja.
Os elevados teores de P e K obtidos nos tecidos amostrados eram esperados, uma vez que os teores desses nutrientes no solo são considerados muito altos (P = 33,9 e K = 241,7 mg dm-3 (Apêndice A)),
conforme critérios de interpretação sugeridos por Sociedade...(2004). Por outro lado, os teores de N e S na folha índice foram menores que os sugeridos
por Sociedade...(2004) como sendo adequados. Isso indicaria, potencialmente, deficiência desses nutrientes na planta, entretanto, não houve manifestação de sintomas visuais dessas deficiências e o menor rendimento de grãos obtido no experimento foi de 3233,9 kg.ha-1.
O teor de S no solo foi de 15,3 mg dm-3 (Apêndice A)
sendo considerado alto, o que contraria a existência de baixos teores na folha índice. A semelhança do S, o teor de matéria orgânica (3,4%), considerado médio, e ao processo de inoculação realizado antes da semeadura, contrariam o baixo teor de N, na folha índice.
Baixos teores de N e S na planta discordam de elevados rendimentos, de forma que nesse caso a análise de solo é mais adequada que a de tecido para diagnóstico nutricional.
Figura 8 - Teor de fósforo (P) em função dos estádios de desenvolvimento da soja e do tipo de folha amostrada. Média de oito repetições.
Figura 9 - Quantidade de fósforo (P) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Figura 10 - Teor de potássio (K) em função dos estádios de desenvolvimento da soja e do tipo de folha amostrada. Media de oito repetições.
Figura 11 - Quantidade de potássio (K) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Figura 12 - Teor de enxofre (S) em função dos estádios de desenvolvimento da soja e do tipo de folha amostrada. Média de oito repetições.
Figura 13 - Quantidade de enxofre (S) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Assim como o observado com os teores de P, K e S, houve efeito da interação entre parte da planta e o estádio amostrado nos teores de Ca, Mg, B, Fe e Mn (Figuras 14, 16, 18, 20, 22). Quanto à distribuição dos mesmos nas folhas (Apêndices J, L, N, P, R), verifica-se, em geral, que ocorreram maiores teores desses nutrientes nas OF em relação a FRM e a FI. Os teores de Ca e Mn variaram mais com a parte amostrada (Figuras 14 e 22), sendo isso menos evidente com os teores de Mg, B e Fe (Figuras 16, 18, 20).
Os teores de Ca variaram de 0,50 (V9, FRM) a 1,18 % (V9, OF), enquanto que os teores de Mg variaram de 0,27 (R2, FI) a 0,51 % (V4, OF) (Figuras 14 e 16 e Apêndices J e L). A maior quantidade extraída de Ca (68,87 mg folha-1) (Figura 15 e Apêndice
que nas FRM não houve diferença entre estádios.
Na FI, amostrada em R2, os teores de Ca e Mg, de todas as UE, variaram de 0,36 a 0,76 % e de 0,20 a 0,32% respectivamente, sendo a variação de cada estádio amostrado em R2, por sua vez, de 0,51 a 0,57% (Apêndice J) e 0,27 a 0,28% (Apêndice L), respectivamente. Assim, os teores de Ca e de Mg obtidos nas OF, no estádio V9, foram semelhantes que os obtidos na FI, a qual também é a FRM do estádio R2.
A variação dos teores de Ca (0,36 a 0,76%) e de Mg (0,20 a 0,32%) na FI, no estádio R2, foram menores que os teores da faixa de suficiência (0,4 a 2% de Ca e 0,3 a 1% de Mg), sugerido por Sociedade...(2004), de forma que os valores médios de Ca (0,51 a 0,57%) foram semelhantes ao limite inferior da faixa de suficiência enquanto que os valores de Mg (0,27 a 0,28%) foram enquadrados menores. Os teores de Ca e Mg trocáveis obtidos no solo do experimento, mostram que esses nutrientes estão na faixa considerada média e alta, respectivamente (Apêndice A).
Os estádios em que houve semelhança entre os teores de Ca da FI com os da FRM foram o V9 e o V11 (Apêndice J), o teor de Mg, por sua vez, em nenhum estádio, foi semelhante entre a FI e as OF e a FRM, porém, em V11, os teores das OF foram semelhantes as FRM (Apêndice L).
Como mostram os resultados ilustrados na figura 14, os teores de Ca foram maiores nas OF, em todos os estádios analisados. Isso também ocorreu com o Mg, mas as diferenças observadas entre os teores obtidos nas OF e nas FRM foram menores que as observadas com o Ca (Figura 16).
A semelhança do N, P e do S, o maior teor de Ca ocorreu no estádio V9, nas OF, enquanto que nas FRM o maior teor desse nutriente foi observado em V4 (Figura 14). Esse maior teor de nutrientes nos estádios iniciais também ocorreu com o teor de Mg, obtido em ambas as folhas avaliadas, sendo que o maior teor foi verificado nas OF, observado no V7 (Figura 16).
Bataglia et al. (1976) observam que a época de maior concentração de Ca e Mg na parte vegetativa (folhas e hastes) da soja ocorreu aos 50 dias, após a emergência (DAE), sendo, aproximadamente, 20 dias antes do florescimento pleno (R2). Isso corrobora com os resultados de Ca obtidos neste trabalho (Figuras 15 e 17, Apêndices K e M), uma vez que o estádio V9 ocorreu aos 41 DAE e o R2 aos 60 DAE.
O decréscimo dos teores de Ca e Mg, ao longo do desenvolvimento da cultura, como pode ser observado nas FRM (Figuras 14 e 16) estão relacionados com a diluição dos nutrientes na matéria seca (RAIJ, 1991). Nos estádios vegetativos mais avançados, há mistura das folhas novas com as maduras, sendo que a participação dessas é maior, em função do tamanho e massa seca, o que influencia a magnitude dos resultados das OF e pode explicar os resultados obtidos com os teores de Mg neste trabalho.
Os teores de B variaram de 24,28 (V5, FRM) a 47,39 mg kg-1
(V5, OF) (Figura 18 e Apêndice N), sendo que os teores na folha índice (R2) de todas as UE, variaram de 19,96 a 46,33 mg kg-1 e os teores médios,
variaram de 29,79 a 33,69 mg kg-1 (Apêndice N). Esses teores de B estão
que variam de 21 a 55 mg kg-1. A quantidade extraída de B foi máxima em
V9, nas OF (218,12 ug folha-1), enquanto que nas FRM, a quantidade desse
nutriente foi semelhante entre o V11 (36,63) e o R2 (37,66 ug folha-1) (Figura
19 e Apêndice O).
Dos estádios avaliados, houve semelhança entre os teores de B da FI com as OF e a FRM no V4, V9 e R2, e entre as OF e a FI no V11 e R2. Os teores das FRM, foram semelhantes aos da FI, nos estádios V4, V5, V7 e V9. Já os estádios em que se observou maior diferença entre os teores das FRM e OF, foram o V5, V7 e V11 (Figura 18 e Apêndice N).
A dinâmica desse elemento nas folhas em função dos estádios analisados indica dois comportamentos distintos. Nos estádios iniciais, os maiores teores foram obtidos nas OF, mas, em V9, os teores foram semelhantes entre os três tipos de folhas amostradas. Posteriormente, o teor de B, foi mais alto nas FRM. Essa dinâmica é resultante do efeito da diluição do nutriente na matéria seca (RAIJ, 1991) e da mistura das folhas mais novas com as maduras, na composição das OF.
Na cultura da soja Furlani et al. (2001) constataram que o B é um nutriente pouco móvel, em que os sintomas de excesso surgem nas folhas velhas e os sintomas de deficiência, em folhas jovens. Entretanto, há padrões diferenciados de manifestações de sintomas entre cultivares, o que é atribuído a diferentes graus de tolerância, capacidade de absorção, transporte e acúmulo de B, em função do material genético.
Embora haja diferenças entre culturas e cultivares quanto à absorção, transporte e manifestação de sintomas de deficiência de B, esperava-se, a semelhança do Ca, que os maiores teores de B fossem
Figura 14 - Teor de cálcio (Ca) em função dos estádios de desenvolvimento da soja e do tipo de folha amostrada. Média de oito repetições. obtidos nas OF, em função desse ser o tecido mais velho da planta, onde há tendência de maior concentração dos nutrientes imóveis, a semelhança do que ocorreu com o Ca, principalmente em situações onde há baixa disponibilidade de B no solo, o que não ocorreu nesse trabalho.
Figura 15 - Quantidade de cálcio (Ca) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Figura 16 - Teor de magnésio (Mg) em função dos estádios de desenvolvimento da soja e do tipo de folha amostrada. Média de oito repetições.
Figura 17 - Quantidade de magnésio (Mg) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Figura 18 - Teor de boro (B) em função dos estádios de desenvolvimento da soja e do tipo de folha amostrada. Média de oito repetições.
Figura 19 – Quantidade de boro (B) extraída em folhas de soja, amostrada em diferentes estádios de desenvolvimento. Média de oito repetições.
Os teores de Fe variaram de 107,74 (V7, FRM) a 256,91 mg kg-1 (V4, OF) (Figura 20), enquanto que, a quantidade máxima extraída
ocorreu em V9, nas OF (1.042 ug folha-1). Nas FRM não houve diferença
significativa entre as quantidades extraídas nos diferentes estádios (Figura 21). A amplitude de teores obtida na FI, coletada em R2, variou de 70,97 a 327,04 mg kg-1, sendo que os teores médios nesse estádio (Apêndice P)
variaram de 117,59 a 158,13 mg kg-1.
Os valores obtidos de Fe nos três tipos de folha amostrados nos estádios analisados são semelhantes aos teores obtidos no R2, sendo esses contemplados na faixa de suficiência proposta por Sociedade...(2004), que varia de 50 a 350 mg.kg-1.
Os estádios em que houve semelhança entre os teores de Fe da FI com as OF e FRM foram o V11 e o R2. Os teores das OF foram