Os ensaios de rugosidade foram efetuados num rugosímetro HOMMELWEKE, utilizando um comprimento de avaliação de 4.80 mm e um cut-off de 0.8 mm.
Realizaram-se quatro medidas em cada provete na direção transversal.
Os resultados obtidos, para os parâmetros de rugosidade medidos, são apresentados no capítulo seguinte.
91 4.4 - MODIFICAÇÕES REALIZADAS E VANTAGENS
4.4.1 - INTRODUÇÃO
O estudo dos mecanismos de desgaste e ensaios de fadiga é utilizado com frequência na escolha de materiais para componentes mecânicos onde é fundamental a sua otimização e previsão da durabilidade.
Diferente de outras propriedades mecânicas, o comportamento ao desgaste apresenta- se como uma variável no dimensionamento de componentes. As dificuldades na previsão ao desgaste estão normalmente associadas às variações dos parâmetros que compõem o sistema tribológico (Gahr, 1987).
O desgaste é definido como a perda progressiva de massa da superfície em serviço de um corpo, devido ao movimento relativo desta (Yamaguchi, 1990).
Para estudar e analisar as características tribológicas de materiais foi construída a máquina de discos, da qual se apresenta o melhoramento como objetivo deste trabalho.
O equipamento permite realizar ensaios com discos em que é possível a variação de velocidade, de pressão de contacto, ensaios com/sem escorregamento e ensaios com lubrificação. A repetibilidade dos resultados foi validada com a realização de vários ensaios com discos com as mesmas características.
Na interação entre corpos elásticos em contacto não-conformes, uma das formas de falha mais frequente é o aparecimento de escamas denominada de “spalling”, devida às elevadas cargas aplicadas à superfície, que ocorrem devido à fadiga de contacto em rolamento puro. É considerado um tipo de desgaste que, leva a defeitos localizados que podem reduzir a vida dos componentes podendo originar falhas catastróficas, daí a importância de preservar a integridade das superfícies.
O “spalling” é monitorizado através do sinal de falha de continuidade de contacto “vibração” que está associado ao estado de desgaste.
Como a máquina de ensaio de discos para ensaios à fadiga de contacto não era automatizada obrigava à presença de um técnico durante os ensaios e como consequência o tempo de ensaio diário da máquina estava limitado ao tempo de trabalho do técnico.
92 O controlo da temperatura do lubrificante para manter a viscosidade constante era manual devido à inexistência de sistema de refrigeração do óleo.
4.4.2 - OBJETIVOS
Na realização deste trabalho foram levadas em consideração as variáveis típicas envolvidas no ensaio de fadiga de contacto.
São elas:
Tipo de contacto entre as superfícies; Pressão de contacto entre as superfícies; Presença de lubrificante e/ou refrigeração; Acabamento superficial;
Número de ciclos de cada ensaio.
Em consequência, os objetivos para o up-grade na máquina foram:
Especificar as características de um sistema de aquisição e controlo de dados para instrumentação;
Desenvolver uma solução de aquisição de dados para o ensaio de fadiga de contacto;
Correlacionar a ocorrência de defeitos no rolamento com a descontinuidade de contacto;
Programar a máquina para desligar automaticamente em caso de descontinuidade atribuída á fratura;
Parar por aumento de temperatura;
Enviar SMS sempre que o valor das variáveis se situe fora do intervalo programado;
93 4.4.3 - MELHORAMENTO
Para acabar com as limitações do equipamento dotou-se o sistema com um autómato
Beckhoff BC9100, onde todos os sinais a monitorizar e controlar estão ligados. O
autómato disponibiliza a informação numa pequena consola táctil Beiger Exter T60c colocada na zona frontal do painel de comando que permite fazer a leitura de todos os sinais e atuar nas saídas. Essa consola táctil está ainda ligada à rede ethernet interna do laboratório, disponibilizando através do acesso remoto as suas funcionalidades em qualquer computador ligado a essa rede. O esquema do sistema é apresentado na figura 4.7.
O autómato e respetivos componentes de controlo estão instalados numa platine aplicada no interior do painel de comando.
Assim procedeu-se à alteração da máquina conforme descrito nos pontos seguintes deste capitulo e a alteração permitiu obter resultados que até ao momento não eram possíveis. Após a alteração foi possível realizar ensaios sem a presença do técnico, aumentar a disponibilidade da máquina em contínuo devido ao sistema de alarmes introduzido e à possibilidade de controlo remoto. A variedade de resultados, visualização, observação e registo tornaram esta máquina capaz de fornecer informação científica através dos ensaios e reproduzi-la se necessário, assim como o aumento da quantidade de informação e ainda a possibilidade de reconstruir o ensaio através do histórico e avaliar os aspetos de interesse para o estudo (anexo IV).
94 Fig. 4.7 - Sistema de comunicação da máquina de discos
95 Fig. 4.8 - Painel de comando - Vista de frente
Painel de Controlo Consola do Variador de Velocidade Pressostato analógico Controlador de Pressão de Contacto Betoneira de Emergência Pré arranque do sistema
96 Fig. 4.9 - Descrição de componentes do painel de comando
Vista posterior
Para além da consola táctil a interface com o operador é feita com alguns botões e sinalizadores já existentes no painel de comando identificados na figura 4.10 e através de mensagens enviadas e recebidas por um Modem GSM. Existe também uma consola gráfica figura 4.11.
Zona de Potência AC Variador de Velocidade Controlo Caixa de controlo já existente Antena de Modem GSM
97 Fig. 4.10 - Painel de comando
Fig. 4.11 - Consola gráfica
Como já foi referido o painel de comando já existia, assim como a maior parte dos equipamentos. Foi necessário fazer algumas alterações indicadas na tabela 4.5. Consola gráfica
Botões de Pré arranque do sistema
98 Tabela 4.5 - Alterações elétricas ao sistema
Entrada Digital Saída Digital Entrada Analógica Saída
Analógica Descrição Alteração necessária no rack
1 1 Leitura de Pressão
atual.
Ligação do sensor de pressão ao PLC. Ligação de PLC ao controlador de pressão
disponível.
2 Leitura de Pressão de
Contacto dos Discos
Ligação de sensores indutivos para medição de distância ao disco.
2* Leitura da
velocidade de Motor
Sensor liga diretamente a entradas rápidas de PLC.
1 Corte de alimentação
de Motor Ligação de relé a variador de frequência.
1 Simular botão de
Emergência Ligação de relé a botão de emergência.
1 Leitura de
Temperatura Ligação de novo sensor temperatura (IR). Leitura,
monitorização e controlo do sistema
Consola táctil. Temporizador do
Teste Temporizador na consola táctil. Envio/receção de
mensagens Modem GSM.
* Entrada de impulsos rápida.
O autómato tem ainda entradas analógicas para a leitura de uma sonda de temperatura sem contacto (raios infravermelhos), pressão atual e pressão de contacto dos discos com dois sensores indutivos. A velocidade do motor será lida através de uma carta de entradas rápidas, disponibilizando a velocidade no ecrã da consola, não sendo necessário nenhum tacómetro.
De salientar que o arranque do sistema terá sempre de passar pelo pré arranque já existente no painel de comando - botões existentes na zona frontal do painel (figura 4.10). Só depois de estas condições se verificarem (leds dos respetivos botões a verde) é que se pode iniciar o sistema na consola táctil, que não faz mais do que ligar o motor e começar a monitorizar os valores do sistema.
99 A segurança do sistema não foi alterada, ou seja, continua a ser controlada através do equipamento de controlo já existente no painel de comando. A modificação efetuada foi simular o botão de emergência pressionado através de um relé ligado a uma saída digital e desligar o variador de velocidade, uma vez que este agora passa a ser controlado pelo autómato.
4.4.4 - SISTEMA
No sistema propriamente dito, foram substituídos os sensores de medição da continuidade dos discos por outros (dois) com as seguintes características:
Sensor Indutivo Analógico, sensor de proximidade indutivo M8, saída analógica em tensão 0…10 V (não linearizada), distância de operação de 0…4 mm (aço), resolução ≤ 1 μm, repetibilidade ± 0,01 mm (TA= K), tensão de alimentação 10…30 VCC, ligação através de conector M12, IP 67, montagem quase à face.
100 Fig. 4.13 - Posição do sensor na máquina de discos
101 4.4.5 - MATERIAIS, EQUIPAMENTO E MÉTODOS
Os discos de ensaio são cilíndricos e os materiais são os da roda e do carril e AISI 52100.
Dimensões dos discos: diâmetro exterior de 70mm e a espessura de 7mm, fig.5.2e 5.3.
Antes do ensaio foi analisada a rugosidade da zona de contacto, a dureza” 62 HRC”e a quantidade de massa.
A máquina para ensaio de discos destinada ao ensaio de fadiga por rolamento de contacto permite avaliar o efeito da pressão de contacto, do lubrificante, dos materiais, da temperatura, escorregamento e velocidade. A estrutura do equipamento permite que os discos sejam montados de forma a rodarem um sobre outro. A aquisição de dados é feito através do autómato, onde todos os sinais a monitorizar e controlar estão ligados.
Para a monitorização dos sinais foi desenvolvido um programa que atendesse aos requisitos necessários como o acompanhamento da informação, o nível de continuidade do contacto, o intervalo de temperatura na qual o ensaio deve ser realizado (set-points), e outros.
Para o melhor entendimento da máquina de discos é feita uma análise dos itens referidos nos pontos seguintes.