No Brasil, no que diz respeito à concepção da “pessoa com deficiência” e à possibilidade de acessibilidade, entre tantos pesquisadores, Borges (2014, p. 33) é o autor que aborda com mais contemporaneamente sobre esse tema, pois esclarece o crescimento dos movimentos associativos em relação à proposta de Políticas Públicas para pessoas com deficiência. Esse autor entende as políticas públicas como uma evolução das “políticas de sustentabilidade em diferentes espaços sociais”. Dessa forma, ele acredita que o desenvolvimento econômico e social se dá quando as iniciativas são objeto de diálogo entre as partes interessadas de cada segmento social. Para Borges (2014, p. 34), o “desenvolvimento sustentável [é o que] representa a possibilidade de garantir mudanças sociopolíticas”.
Somente no século XX, a partir dos anos 50, mais especificamente no ano de 1957, registra-se a primeira ação de Políticas Públicas no Brasil, a qual propôs mudanças para garantias de acessos da “pessoa com deficiência” a todos os espaços sociais, principalmente o
Segundo as associações de Tradutores Públicos ou Juramentados de Minas Gerais e outros sites pesquisados
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acesso no eixo da educação e comunicação. Nessa época, o governo federal brasileiro passa 52
a dar vistas às pessoas com deficiência, gerando, assim, campanhas especificamente voltadas para esse fim.
Em 1957, foi realizada a primeira campanha para os deficientes auditivos, intitulada “Campanha para a Educação do Surdo Brasileiro ”. Essa ação teve como objetivo estabelecer 53
as medidas necessárias para a educação e a assistência aos surdos em todo o Brasil. Em 1958, outros setores passaram também a criar campanhas específicas para as pessoas com deficiências físicas, visuais e/ou intelectual. Esses movimentos passaram a ter notoriedade em nível federal, o qual instigou os governantes à necessidade de implantar leis e diretrizes para o atendimento educacional.
Após a implementação dessas campanhas em todo território nacional, ações educacionais foram implantadas e, com isso, foi aprovada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei de nº 4.024/61 – que regulamentou, pela primeira vez, diretrizes para a Educação Especial das pessoas com deficiência no Brasil. Essa lei definiu procedimentos para as escolas matricularem alunos com deficiências com “atendimento educacional” em “classes especiais”. A partir de 1971‑54, a LDB é reformulada pela Lei de nº
5.692/1971, a qual introduz alterações no sistema educacional brasileiro, enfatizando o tratamento especial para todos os alunos com deficiência física, mental e superdotação.
De acordo com Miranda (2006), mesmo que apenas no âmbito das intenções das ações, as mudanças sociais foram se manifestando em diversos setores e contextos, e, certamente, o envolvimento das comunidades minoritárias foi essencial para essas mudanças. Essa discussão fora contemplada, ainda em 1988, pela Constituição Federal, no artigo 208, o qual discorre sobre a integração escolar, enquanto preceito constitucional, devendo preconizar o atendimento aos indivíduos que apresentam uma deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.
Nas décadas de 80 e 90, o conceito de “integração escolar”, em outros países, passou a ser discutido. Na Tailândia, em 1990, aconteceu a "Conferência Mundial de Educação Para
O Brasil, em 1948, foi influenciado e pressionado pelo reconhecimento dos direitos de todos à educação na
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Declaração Universal dos Direitos Humanos, assumindo, assim, publicamente, em 1957, a responsabilidade pelo atendimento da educação especial (MENDES, 1995; BORGES, 2014).
Para campanhas governamentais e para pessoas com deficiência na Educação Especial ver Mendes (1995).
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Nas décadas de 60 e 70, novas tendências produziram no mundo uma profunda modificação nas concepções
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da educação especial, surgindo o conceito de necessidades educacionais especiais e a concepção de integração escolar do sujeito (MIRANDA, 2006).
Todos", com o objetivo de garantir o direito de educação para todos, independentemente das diferenças particulares. Na Espanha, em 1994, a Declaração de Salamanca é assinada por mais de 90 governantes que se reuniram para discutir os princípios das políticas e das práticas da integração, evoluindo para o conceito de uma “educação inclusiva” apropriada ao direito de escola para todos.
No Brasil, com a Constituição Federal de 1988 e a homologação da LDB de nº 9.394/1996, iniciaram-se as mudanças de políticas e práticas referentes à educação especial. As instituições escolares e os profissionais que nelas atuavam receberam orientações e apoio para se adequarem aos novos dispositivos legais da LDB. Somente ao final do século XX, as discussões passaram a estabelecer o conceito de “inclusão escolar”, dando início a um novo modelo de atendimento escolar ao aluno com deficiência. Com o novo paradigma de discussão, Miranda (2006) compreende que surge uma reação ao processo de integração, levando os educadores a efetivarem as ações pedagógicas em práticas de inclusão escolar. De qualquer maneira, mesmo com o avanço da época, ainda havia controvérsias no processo de integração, e as discussões permaneciam nos discursos da necessidade de trazer novos elementos específicos para as atividades da vida diária e escolar das pessoas com deficiências.
Nesse sentido, Borges (2014) relata que o Brasil acompanhou, embora tardiamente, a evolução frente à Educação Especial no cenário internacional. Todavia, a história da Educação Especial no Brasil não é linear, ela se constitui de forma dialética. No Brasil, atualmente, encontram-se várias leis e diretrizes que determinam ações para a questão da inclusão escolar e social. Porém, a evolução das práticas educacionais em relação aos “deficientes” foi marcada por fases históricas de avanços e retrocessos em longos diálogos na educação. A Educação Especial é marcada, na linha do tempo, por períodos de “fases educacionais”, segundo Borges (2015) : 55
a) na primeira fase, foi marcante a “exclusão” (rejeição), no sistema escolar, das pessoas com deficiência. Esse período foi marcado pelo preconceito, pela discriminação, pela negligência e pela omissão por parte de todos da sociedade e, principalmente, pelos membros familiares (pelo desconhecimento), considerando- os como “inválidos, incapacitados, defeituosos”;
Anotações realizadas na palestra proferida pelo autor na Conferência Municipal dos Direitos das Pessoas com
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b) na segunda fase, estabelecem-se ações educacionais voltadas à “segregação” (o assistencialismo) no sistema escolar para as “pessoas diferentes”, o que era visto como algo inapropriado. Nessa fase, foram criadas grandes instituições públicas para tratamento, de forma medicamentosa, de pessoas com deficiências, tendo como base serviços clínicos e terapêuticos;
c) na terceira fase, iniciou-se o processo de “integração” (modelo médico) ao sistema escolar, possibilitando que a pessoa com deficiência ingressasse no âmbito escolar, desde que a família e o próprio deficiente se adaptassem às normas da escola. d) na quarta fase, houve um avanço da evolução educacional em ações de
“inclusão” (modelo social) no sistema escolar. As leis brasileiras foram regulamentadas, estabelecendo normas de adaptação ao processo bilateral do sistema escolar e social, não apenas modificando a estrutura arquitetônica, como também alterando as práticas pedagógicas e sociais.
Os direitos humanos das pessoas com deficiência são discutidos há mais de 20 anos no Brasil e, desde 2000, estão sendo implantadas políticas inclusivas. Segundo Borges (2014), o Brasil está entre os 50 países que possuem legislação (Políticas Públicas) específica para pessoas com alguma deficiência.
Desde o ano de 2000, na Lei da Acessibilidade (Lei Federal de nº 10.098/2000), o Tils já é mencionado e caraterizado como um agente fundamental para a acessibilidade comunicacional da comunidade surda. No ano de 2001, o Tils passou a ter notoriedade junto às diretrizes aprovadas para o Plano Nacional de Educação (Lei Federal de nº 10.172/2001), às Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (Resolução MEC/CNE nº 02/2001) e à Educação Superior (Portaria de nº 3.284/2003, que substituiu a Portaria de nº 1.679/1999), que mais enfatizam a real necessidade do Tils para efetivamente obter-se a inclusão dos alunos surdos.
Atualmente, o Brasil dispõe do Estatuto da Pessoa com Deficiência na Lei Brasileira da Inclusão – LBI (Lei de nº 13.146, de 6 de julho de 2015), do projeto de Lei do Senado de nº 6, de 2003, e do projeto de Lei de nº 7.699, de 2006, na Câmara dos Deputados Federais. O objetivo da LBI é “assegurar e promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos
e liberdades fundamentais pela pessoa com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania” (Artigo 1º – Lei de nº 13.146/2015/LBI).
Ainda, no Brasil, a Comissão de Estudos de Acessibilidade na Comunicação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) elaborou um documento para normatizar a presença do Tils em espaço de mídias televisivas. Nota-se que, apesar de a legislação ter avançado, quando se trata de políticas públicas para deficientes, não apenas para os deficientes visuais, é possível encontrar ainda barreiras na acessibilidade comunicacional que envolve os direitos e deveres da profissão do Tils. Nesse sentido, a sociedade, atualmente, como um todo, tem se voltado para articular políticas públicas na ordem da inclusão social. A Lei de Acessibilidade veio para garantir o direito de todas as pessoas de se comunicarem sem barreiras ou discriminação, mas ainda há desafios para a inclusão das pessoas com deficiência serem incluídas de fato na sociedade.
Assim, as diretrizes das políticas públicas estabeleceram e implementaram o direito à “acessibilidade” para as pessoas com deficiências, não permitindo barreiras na comunicação e garantido a igualdade de oportunidades a todos os deficientes. De acordo com a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência , a comunidade surda é atendida pela 56
“Acessibilidade Comunicacional” (Decreto de nº 6.949/2009), na qual é garantida a presença do tradutor e intérprete de Libras e português na comunicação interpessoal (face a face, língua de sinais, Libras), na escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila, etc.) e no meio virtual (acessibilidade digital).