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Acessibilidade digital

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1 CAPÍTULO I DEFICIENCIA VISUAL E ACESSIBILIDADE

1.3 Acessibilidade digital

Há pelo menos 12 anos atrás a comunicação e informação era para poucos, pois o acesso a uma comunicação de qualidade demandava disponibilidade da tecnologia pretendida, além de posses financeiras. Isso são pretensos elementos que são muito reducionistas, mas a midiatização para o senso comum traz à luz essa forma de pensar.

Na aurora deste século XXI, tem-se o início das articulações para a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, na qual “Os Princípios de Genebra” seriam conhecidos como marco para o desenvolvimento da comunicação e informação. Pois lá, muito distante e perto, a internet ganha seu primado, a informação em tempo real. Isso também influenciará a comunicação e a informação no Brasil.

Por conseguinte, o Decreto 5296/04 traz no seu bojo as marcas dessa Cúpula Mundial. Para tanto, o título informação e comunicação sobre acessibilidade trazia a questão da TIC. O artigo 47 editou as regras para acesso de portais e sítios da administração pública na rede mundial de computadores (a internet).

Tornar acessível as informação é primordial por meio de quaisquer formatos, seja pela comunicação ou por dispositivos eletrônicos. Portanto, vale a máxima: “[...] o conhecimento é um legado que pertence a toda a humanidade, portanto é um ‘bem comum’ que deve estar

acessível a todos sob condições justas [...] através de todos os formatos e meios disponíveis, para as futuras gerações” (DROSSOU; FATHEUER;FÜKS, 2004, p. 6).

Dessa maneira, o termo acessibilidade abrange uma totalidade de condição para utilização com facilidade e autonomia de espaços físicos, arquitetônicos e urbanísticos, edificações, transportes e equipamentos, de comunicação e informação, importando a máxima para o acesso à informação e a comunicação, pensando no meio envolvente de uma sociedade da informação. Daí as atenções ao milênio da globalização.

Em face disso, o Brasil organizava a sociedade à inclusão de pessoas com deficiência para acesso as tecnologias que despontavam. E o Decreto era a normatização mais apropriada àquele ano de 2004. Para tal, os sistemas e dispositivos eletrônicos para uso foram contemplados em artigos que vão do 47 até o 60.

Como acessar informações? Como ir a um logradouro? Os que possuem os mecanismos biológicos dentro dos padrões de funcionalidade e, portanto, não farão uso de ferramentas, formatos diferenciados, equipamentos, dispositivos ou sistemas de transportes ou mobiliários adaptados, não possuem esse tipo de preocupação.

Assim, a Ajuda Técnica como forma de acesso à informação e comunicação, sendo razoável o uso de ferramentas que estão categorizadas aqui. O conceito de Ajuda Técnica se apresenta como sendo produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia adaptada ou especialmente projetada para melhorar a funcionalidade da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, favorecendo a autonomia pessoal, total ou assistida.

Por conseguinte, a acessibilidade é a palavra de ordem para todos, especialmente, às pessoas com limitações ou comprometimento de uma ou mais funcionalidade. Por isso, a compreensão do conceito infere o meio envolvente, as coisas em torno das pessoas, pois elas interagem com o meio, gerando a possibilidade e condição de acesso aos diversos ambientes.

O Decreto Nº. 5296/04 completou seus 12 anos de vigência contribuindo com o modo e a forma de organização dos espaços físicos, da arquitetura e da urbanização nos sistemas de transportes e dos dispositivos, das comunicações e informações. Para tanto, considerou-se a diversidade humana como conjunto de partícipes que integram uma sociedade democrática e inclusiva.

Conforme o Decreto assinalado, a acessibilidade nos diversos meios eletrônicos, tais como a internet, as telecomunicações, após o prazo estabelecido, passam à obrigatoriedade na oferta de aparelhos com acessibilidade para pessoas com deficiência visual e auditiva, desse modo tornando acessíveis os sistemas de telecomunicações, facilitando o uso de aparelhos.

A continuidade dos serviços de comunicação foi adotada a partir das medidas técnicas previstas no artigo 53, § 2o e seus Incisos com o texto: "I - a subtitulação por meio de legenda oculta; II - a janela com intérprete de LIBRAS; e III - a descrição e narração em voz de cenas e imagens"(BRASIL, 2004). Essas medidas visavam o acesso por meio de recursos tecnológicos.

Para tanto, o incentivo de ofertas de aparelhos equipados com os recursos acima mencionados, era para garantir os direitos com vistas a permitir a utilização por pessoas com deficiência visual e auditiva. Por conseguinte, os sistemas com radiodifusão de sons e imagens deveriam veicular as informações de forma acessível.

Em vista disso, também no artigo 60 o poder público propôs incentivos para produção de componentes e dispositivos relacionados à tecnologia da informação acessíveis para pessoas com deficiência. Da mesma forma, créditos para programas e linhas de pesquisas voltadas à temática da tecnologia da informação com seus diversos sistemas de acesso.

O escopo desse Decreto contemplou, naquela década, estímulos para concessão para linhas de créditos, bem como financiamentos para aquisição de produtos e equipamentos de ajuda técnica, até mesmo a isenção de tributos e deduções no imposto de renda. Esses feitos foram sinais da implementação da política de acessibilidade no Brasil.

Ademais, o Decreto 5296/04 referenda nos artigos 67 e 68 o Programa Nacional de Acessibilidade articulado pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, tendo como intermediadora a Coordenadoria Nacional para integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE). Até então, era o nome do órgão, bem como a terminologia usada para pessoa com limitações de funcionalidade.

A CORDE foi criada em 1989 e era responsável por consecução de ações setoriais de promoção dos direitos das pessoas com deficiência, vinculada à Presidência da República. Após dez anos seria elevada como Secretaria de Promoção dos Direitos, então articuladora das ações intersetoriais das políticas de integração das pessoas com deficiência.

A Lei nº 13146/15, que instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), reafirmou as políticas de inclusão nas diversas áreas do desenvolvimento humano, trazendo previsões como acessibilidade, tecnologia assistiva, igualdade e não discriminação, atendimento prioritário, direitos fundamentais, do direito à habilitação e à reabilitação, do direito à saúde, do direito à educação, à moradia, ao trabalho, enfim, extensiva temática de inclusão.

Diante disso, sublinham-se os direitos apresentados pela referida lei, no que diz respeito à concepção de pessoa com deficiência e sua avaliação biopsicossocial, considerando os impedimentos das funções e das estruturas do corpo, os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais, a limitação no desempenho de atividades e restrições de participação.

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