6 DISCUSSÃO
6.1 Da Fase de Análise e Planejamento à Fase de Desenvolvimento
6.2.2 Acessibilidade e Usabilidade do Ambiente SOLAR
Para avaliar a acessibilidade na Web e de seus componentes, como um curso online, podem ser utilizados vários métodos, como a utilização de softwares avaliadores automáticos, como o ASES® ou DaSilva®, os quais fazem a varredura do código HTML e detectam erros de acessibilidade, bem como a solicitação de avaliadores usuários para navegarem pelo ambiente e identificarem dificuldades encontradas. O teste feito pelos usuários é realizado formalmente ou não, onde são convidados a acessarem o website enquanto seu comportamento é observado (BRAJNIK; YESILADA; HARPER, 2012).
Atrelado ao conceito de acessibilidade está a usabilidade, a qual está relacionada com a facilidade de uso do ambiente, descrevendo a qualidade da interação do usuário com uma interface e pode ser um requisito imprescindível para a permanência do interagente dentro espaço virtual de aprendizagem (SARMENTO et al., 2011). Ao solicitar que o usuário verbalize as dificuldades encontradas durante a navegação pelo ambiente de aprendizagem virtual, pode-se compreender melhor suas limitações individuais e como readaptar este ambiente às suas limitações. Estudo anterior avaliou um website com usuários com deficiência visual e percebeu a importância da verbalização informal no processo de avaliação, visto que as barreiras impostas pelo website avaliado eram diferentes para cada categoria de usuário (RAMOS, 2011).
De acordo com as queixas relatadas pelos usuários que foram observados durante a execução de suas atividades, o preenchimento do formulário de novo usuário apresentou maior número de barreiras, consequentemente, demandou mais tempo em sua execução. A primeira queixa apresentada pelas pessoas cegas foi a ausência de identificação do cadastro, onde o leitor de tela apresentou-se silencioso. À medida que o usuário com deficiência visual acessa o formulário ele deve interagir de forma que esta navegação desperte interesse e promova a continuidade do preenchimento (DONINI, 2005). Para que isto ocorra, o cursor deve ser automaticamente direcionado para o primeiro campo do formulário e todos os outros campos devem estar organizados de forma hierárquica e agrupados em categorias (dados pessoais, dados escolares), e este deve ter sua descrição textual para que a pessoa cega ouça em que campo está inicialmente (DONINI, 2005).
Na sequencia das atividades foi relatada dificuldade em encontrar o Curso Online Saúde Mamária. Ao ser posicionado o cursor no campo de escolha do curso, uma extensa lista é posicionada do campo à parte superior do formulário. Para as pessoas cegas, por se tratar de uma lista extensa e dependente da rolagem do mouse, não era possível buscar o Curso Online
Saúde Mamária, ao menos que se colocasse inicialmente a letra “S” no campo para selecionar apenas os cursos com nomes iniciados pela consoante. Isto identifica que problemas deste modelo ainda se referem a tarefas dependentes do uso do mouse como citado anteriormente. O uso do teclado é uma alternativa ao uso do mouse, especialmente por pessoas cegas. Contudo, a navegação através do teclado pode ser uma atividade penosa, se não houver teclas de atalho predefinidas (NÓBREGA, 2011).
Além disto, foi identificado dificuldade em prosseguir no preenchimento do cadastro, visto que à medida que se tentava avançar, o cursor retornava ao primeiro campo. Isto se deve por que a maioria dos formulários é desenvolvida para que sejam preenchidos com auxílio do mouse e do teclado ou necessitam de indicações sobre como preenchê-lo (PORTA, 2008). As pessoas com cegas utilizam principalmente a tecla “TAB” para o avanço nas atividades de utilização do computador, além de outros recursos do teclado, o que não é aceito por formulários controlados por mouse o que pode ocasionar obstáculos no preenchimento. Diante destas dificuldades, as atividades de educação online podem se tornar tarefas frustrantes ou intimidantes para as pessoas cegas, visto que a maioria das atividades nesta modalidade é dependente do uso do mouse (GUERCIO et al., 2011).
Outro aspecto negativo apontado pelas pessoas cegas foi o acesso ao fórum e o envio de uma mensagem. Ao chegar à caixa de edição de texto, mais uma vez o leitor não apresentava o editor para as usuárias, que ficavam desorientadas quanto a localização do campo para escrever a mensagem. Os fóruns são objetos de interatividade e de troca de informações em um AVA o que favorece o aprendizado e a troca de experiência entre os participantes. Contudo, na colocação de um fórum em um ambiente este deve receber um rótulo para que o usuário cego identifique onde está. Contudo, ambos os usuários determinaram que, se houvesse uma orientação prévia sobre o passo a passo para acessar o fórum e enviar a mensagem, tais problemas teriam sido minimizados.
Estudo sobre desenvolvimento e avaliação de um AVA inclusivo para pessoas com deficiência visual identificou que a ferramenta de interação mais utilizada e bem aceita pelos usuários foi o fórum (FRANCISCO, 2008). Contudo, os usuários com deficiência visual também sugeriram a criação de diretrizes para o acesso e envio de mensagens, o que tornaria mais agradável a execução (FRANCISCO, 2008).
De modo geral, o acesso ao ambiente foi considerado satisfatório pelos dois usuários, com considerações pontuais sobre a acessibilidade e a usabilidade. Foi evidente que as pessoas cegas apresentaram dificuldades que as fariam desistir do curso logo no início, o que também foi encontrado em estudos anteriores, onde atividades executadas em curso
online por alunos universitários cegos foram ditas totalmente inacessíveis (FITCHEN et al., 2009). Ajustes pontuais devem ser realizados para que a pessoa com deficiência visual possa usufruir deste AVA com a mesma satisfação e facilidade que as pessoas sem deficiência, tornando-o mais acolhedor (NÓBREGA, 2011). Por estes meios alcança-se um ambiente de aprendizagem inclusivo, apto a integrar todas as pessoas no mesmo processo educacional.