O termo Desenho Universal foi usado pela primeira vez nos Estados Unidos pelo arquiteto Ronald Mace em 1985 (Roosmalen & Ohnabe, 2006), mas os conceitos embutidos neste termo já eram utilizados antes desta data em outros países, principalmente no Canadá. No entanto, a partir da década de 1990 a denominação de Desenho Universal tem sido a mais utilizada.
O Desenho Universal é uma filosofia de projeto que visa a criação de ambientes, edificações e objetos, considerando desde o início de sua concepção a diversidade humana. Nesta concepção, as necessidades específicas de todos os usuários (idosos,
crianças, gestantes, pessoas com deficiências temporárias ou permanentes etc.) devem ser atendidas, eliminando-se a idéia de fazer ou adaptar “projetos especiais” (Dischinger et al., 2004).
Outra líder no campo do Desenho Universal é Patricia Moore que, na década de 1990, viajou pelos Estados Unidos simulando ser uma idosa (Figura 2.1) para experimentar as dificuldades que esta parte da população encontrava nos ambientes, nos produtos e na atitude da população (Moore, 2001).
Figura 2.1: Transformação da pesquisadora Patty Moore em experiência como idosa de 85 anos Fonte: Moore (2001)
O Desenho Universal foca a inclusão social, com oportunidades iguais para todos. O projeto que segue os princípios do Desenho Universal deve ser realizado de forma integrada de acordo com as necessidades de todos os usuários. Assim, para permitir a integração de pessoas com deficiência ou idosas na sociedade, é necessário o desenvolvimento de ambientes adaptados ou acessíveis (Roosmalen & Ohnabe, 2006).
A intenção do uso do Desenho Universal é simplificar a vida de todos fazendo com que os ambientes, as informações e os produtos sejam usados pelo máximo de pessoas possível - por pouco ou nenhum custo extra aos usuários. Isto significa o benefício de pessoas de todas as idades e capacidades (habilidades).
Assim, dentro do tema da acessibilidade aos espaços urbanos, segundo Cambiaghi (2007) o objetivo do Desenho Universal é reduzir a distância funcional entre os elementos do espaço e a capacidade dos indivíduos. Isto permite que o usuário
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desfrute dos ambientes sem receber um tratamento discriminatório por causa de suas características pessoais.
Entre 1994 e 1997, segundo Story (2001) o Centro para Desenho Universal da Universidade do Estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, conduziu uma pesquisa e um projeto intitulado “Estudos para Promoção do Desenvolvimento do Desenho Universal”. Uma das atividades do projeto foi desenvolver um guia de desenho universal.
Em abril de 1995, a equipe do projeto realizou um encontro que reuniu dez profissionais peritos no assunto, de sete instituições dos Estados Unidos, que incluíram arquitetos, designers de produtos, engenheiros e pesquisadores do desenho ambiental. Os membros do grupo passaram dois dias reunidos para organizar as principais informações e dar início à elaboração do guia. Por fim, desenvolveram uma lista a qual denominaram “Princípios do Desenho Universal”. O esboço destes princípios foi enviado para alguns pesquisadores e profissionais que atuavam no ramo dentro daquele país para uma revisão. As sugestões foram incorporadas ao documento final. Várias versões precederam à atual, mas a versão de dezembro de 1995 já trazia os sete princípios, utilizados ainda hoje. São eles:
i) Utilização equitativa – o projeto deve ser útil e acessível para todas as
pessoas, ou seja, deve ser capaz de ser utilizado por pessoas com diversas capacidades (habilidades);
ii) Utilização flexível – o projeto deve se adequar a todas as pessoas, ou seja,
deve acomodar uma larga escala de preferências e habilidades individuais;
iii) Uso simples e intuitivo – o projeto deve ser de fácil entendimento,
independentemente da experiência do usuário, de seu conhecimento, linguagem, habilidade ou nível de concentração;
iv) Informações perceptíveis – o projeto deve fornecer informação necessária
para o usuário a respeito das condições do ambiente independentemente de suas habilidades sensoriais;
v) Tolerância ao erro – o projeto deve eliminar a ocorrência de situações
perigosas, ou seja, deve minimizar riscos e consequências negativas decorrentes de ações acidentais ou involuntárias;
vi) Mínimo esforço físico – o projeto deve ser usado eficientemente e
confortavelmente, com um mínimo de fadiga.
vii) Espaço e dimensões adequadas para aproximação e utilização – espaços
de tamanho apropriado devem ser fornecidos para aproximação, alcance, manipulação e utilização, independente da estatura, capacidade de locomoção ou postura do usuário.
Articular e descrever atributos que façam o desenho universalmente utilizável não é um desafio trivial. Foram desenvolvidos testes que pudessem guiar projetos a partir de informações prévias dos usuários, criando-se um Desenho Universal apropriado. Os esforços descritos na realização do guia puderam atender a conceitos que abrangem a diversidade humana.
A finalidade dos princípios do desenho universal é guiar planejadores, projetistas e administradores urbanos. Apesar de sua natureza genérica, têm provado sua utilidade para moldar projetos de vários tipos por todo o mundo.
Adotou-se assim, principalmente, os aspectos relativos aos princípios i, ii e vi para a análise do problema levantado nesta tese pesquisa. Quanto aos princípios de “utilização equitativa” e “utilização flexível” há um esforço para incorporar, no modelo de avaliação proposto, dados que possam determinar quais os níveis aceitáveis de acessibilidade dos espaços para grupos de pessoas com deficiências ou restrições de mobilidade, bem como aqueles níveis considerados inadequados. A avaliação proposta considera como primordial o princípio do “mínimo esforço físico” para determinar tais níveis.
Em 2001, o então Presidente do EUA, George W. Bush apresentou o plano “Freedom Initiative”, contendo seis prioridades. Uma delas apontava para o aumento da “acessibilidade e mobilidade dentro do ambiente físico”. Este ambiente inclui desde vias e veículos até edifícios públicos e privados. Para tornar o ambiente acessível a todos, essa prioridade segue o uso do processo que incorpora o Desenho Universal (Roosmalen & Ohnabe, 2006).
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