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2. O ACIDENTE DE TRAJETO E A LEI 13.467/2017

2.4 DECISÕES JURISPRUDÊNCIAIS

2.4.1 Acidente de trabalho equiparado a acidente de trajeto

Primeiramente, ressalta-se a importância de trazer o conceito de acidente de trabalho.

Entende-se que o acidente de trabalho é aquele que ocorre no exercício da função laboral, deixando o trabalhador lesionado.

O acidente de trajeto foi equiparado ao acidente de trabalho, conforme entendimentos jurisprudenciais a seguir.

"AGRAVO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. RECLAMADOS. LEI Nº 13.467/2017. OCORRÊNCIA DE ACIDENTE DE TRAJETO. RESPONSABILIDADE. ÔNUS DA PROVA. 1 - Na decisão monocrática, ficou prejudicada à análise da transcendência da causa ante o não preenchimento de outros requisitos de admissibilidade do recurso de revista. 2 - Os argumentos da parte não conseguem desconstituir os fundamentos da decisão agravada. 3 - Inicialmente, cumpre registrar que, diferentemente do alegado pelo reclamado, a decisão monocrática não teve como fundamento o inciso IV, "a", do art. 932 do CPC, mas o inciso III do dispositivo, o qual permite que o relator não conheça de recurso que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida. 4 - No caso dos autos, no trecho do acórdão transcrito pela parte ficou consignado que os depoimentos colhidos demonstram que o acidente sofrido pelo reclamante aconteceu no trajeto de sua residência (Súmula nº 126 do TST). 5 - Agravo a que se nega provimento" (Ag-AIRR-10405-87.2015.5.01.0561, 6ª Turma, Relatora Ministra Katia Magalhaes Arruda, DEJT 16/04/2021).

O Tribunal Superior do Trabalho, no caso em análise, decidiu pela ocorrência do acidente de trajeto, responsabilizando o reclamado.

ACIDENTE DE TRAJETO. O acidente de percurso, considerado como de trabalho pela legislação previdenciária, é aquele ocorrido no trajeto da residência ao local de trabalho ou deste para aquela (artigo

21, IV, "d", da Lei nº 8.213/91 - redação anterior à Medida Provisória nº 905/2019), hipótese não comprovada no caso dos autos (TRT da 4ª Região, 7ª Turma, 0020314-93.2019.5.04.0541 ROT, em 09/11/2020, Desembargador Emilio Papaleo Zin)

RECURSO ORDINÁRIO. ACIDENTE DE TRAJETO. PROTEÇÃO CONTRA DESPEDIDA. O acidente de trajeto, independentemente do meio de locomoção utilizado, é equiparado a acidente de trabalho para fins previdenciários, por expressa previsão legal. Caso em que demonstrado que o empregado estava se deslocando para a empresa quando do infortúnio que lhe ocasionou lesão, configurando o acidente de trajeto. Nada obstante o acidente de percurso tenha no trabalho uma causalidade meramente indireta, não ensejando, a rigor, a responsabilização civil caso não haja comprovação da culpa do empregador, não há óbice à garantia de emprego de que trata o art. 118 da Lei 8.213/91 e a Súmula 378 do TST, tendo em vista que a proteção prevista na lei previdenciária e a responsabilidade civil do empregador possuem naturezas jurídicas distintas. Negado provimento ao recurso

ordinário da reclamada.

(TRT da 4ª Região, 10ª Turma, 0020827-86.2019.5.04.0662 ROT, em 24/08/2020, Desembargador Janney Camargo Bina)

O Tribunal Regional do Trabalho, afirmou que o acidente de trajeto, independe de qual meio de locomoção é usado, fica equiparado para fins previdenciários.

No mais, caso seja comprovado que houve enfermidade do trabalhador após o acidente de trajeto, faz jus à indenização, vejamos:

WICKBOLD & NOSSO PÃO. ACIDENTE DE TRAJETO.

ESTABILIDADE ACIDENTÁRIA. Comprovado nos autos, através de documentos e pela concessão de benefício previdenciário, que a enfermidade do trabalhador foi decorrente de acidente de trajeto, equiparado a acidente do trabalho, faz jus à indenização pelo despedimento em contrariedade à proteção instituída pelo art. 118 da Lei nº 8.213/91. Recurso ordinário da reclamada não provido.

(TRT da 4ª Região, 1ª Turma, 0020650-48.2018.5.04.0019 RORSUM, em 03/09/2020, Desembargador Fabiano Holz Beserra)

No mais, quando se refere a responsabilidade civil do empregador, a análise é feita com mais cautela. Apesar do acidente de trajeto ser equiparado ao acidente de trabalho, para fins previdenciários, isso não garante a indenização para a vítima.

Para que haja a responsabilização civil de indenização, é preciso ser comprovado que o empregador teve culpa no acidente de percurso.

O entendimento do Tribunal Superior do Trabalho, no caso em que houve acidente de trânsito ocorrido no trajeto para o trabalho, em que o transporte era fornecido pelo empregador, foi de que o empregador tinha responsabilidade civil, respondendo pelos danos causados.

"RECURSO DE REVISTA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS. ACIDENTE DE TRÂNSITO OCORRIDO NO TRAJETO PARA O TRABALHO.

TRANSPORTE FORNECIDO PELO EMPREGADOR. Discute-se a responsabilidade civil do empregador pelo pagamento de indenização por danos morais e materiais em face de acidente de percurso, no qual o empregado é transportado em ônibus fornecido pela empresa. Nessas circunstâncias, o empregador, ao se responsabilizar pelo transporte de seus empregados para que cheguem ao local da prestação dos serviços, equipara-se ao transportador, assumindo o ônus e o risco desse transporte para os efeitos dos artigos 734 a 736 do Código Civil, sobretudo porque tal transporte objetiva o atendimento do negócio e interesses da empresa. Os textos legais atinentes à matéria tratam com rigor as situações em comento, justamente em decorrência da obrigação a qual se deve ter em transportar pessoas em perfeitas condições de segurança ao seu destino, estando a cláusula de incolumidade implícita no contrato de transporte. A empresa, ao assumir essa responsabilidade, não obstante de maneira informal ou de forma gratuita, gera, como consequência, a obrigação de responder pelos danos causados aos transportados em decorrência de eventual acidente, porque tem o dever de garantir a incolumidade física da pessoa transportada. Não se pode alegar que a responsabilidade objetiva se dá apenas nos casos nos quais o transporte se faz por empresas concessionárias desse serviço porque a lei não faz tal distinção, mas se aplica a qualquer que seja o transportador. Em síntese, se a empresa avoca para si tal responsabilidade, a transportador se equipara, conforme determinam os artigos 734 e 736 do Código Civil. Ademais, o fato de o acidente de trânsito ter sido provocado pela ausência de sinalização na pista (suposto fato de terceiro) não afasta por inteiro a

relação causal, sendo forte a Súmula n. 187 do STF: "a responsabilidade contratual do transportador, pelo acidente com o passageiro, não é elidida por culpa de terceiro, contra o qual tem ação regressiva". Há precedentes. Recurso de revista conhecido e provido "

(RR-24334-06.2015.5.24.0091, 6ª Turma, Relator Ministro Augusto Cesar Leite de Carvalho, DEJT 09/04/2021).

Em outro julgado, o TST afirmou que o entendimento, era de que o empregador só responderia civilmente, caso fosse provado a culpa deste pelo infortúnio:

JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE REVISTA. LEGALIDADE. O fato de o Presidente do Tribunal Regional negar seguimento a Recurso de Revista não configura, por si só, cerceamento de defesa nem negativa de prestação jurisdicional. Essa decisão é ato inerente ao indispensável juízo prévio de admissibilidade do recurso, a teor do art. 896, § 1º, da CLT. 2. AGRAVO DE INSTRUMENTO.

RECURSO DE REVISTA. DANOS MORAIS E MATERIAIS. ACIDENTE DE TRAJETO. Esta Corte tem entendimento de que, embora o acidente de trajeto seja equiparado ao acidente do trabalho para fins previdenciários, não importa em responsabilidade civil do empregador se não demonstrada a culpa deste pelo infortúnio. Agravo de Instrumento a que se nega provimento" (AIRR-116-41.2017.5.12.0037, 8ª Turma, Relator Ministro Joao Batista Brito Pereira, DEJT 09/03/2021).

Também é possível verificar que o entendimento é que o acidente de trajeto, inclui o direito à estabilidade provisória conferida pelo art. 118, da Lei 8.213/91:

RECURSO ORDINÁRIO DO RECLAMANTE. ACIDENTE DE TRAJETO. PAGAMENTO DE INDENIZAÇÃO DO PERÍODO DA ESTABILIDADE PROVISÓRIA. COMPENSAÇÃO COM AS VERBAS DE MESMA NATUREZA PAGAS PELA EMPRESA QUANDO DA DESPEDIDA DO TRABALHADOR. Tendo sido a condenação ao pagamento de indenização do período de garantia estabilitária ditada em razão da impossibilidade de se determinar a reintegração ao emprego do autor, porque ultrapassado o período de garantia do emprego, não há a declaração de nulidade da despedida efetivada pela ré, mas apenas a protração da data de término do contrato de trabalho para a data do termo final do período estabilitário, o que irá gerar reflexos nas verbas resilitórias devidas, as quais devem ser compensadas com aquelas de mesma

natureza, já pagas pela empresa quando da despedida do trabalhador.

Apelo não provido no aspecto. RECURSO ADESIVO DA RÉ. ACIDENTE DE TRAJETO. ESTABILIDADE PROVISÓRIA. O acidente de trajeto equipara-se ao acidente do trabalho típico para os fins previdenciários, os quais incluem o direito à estabilidade provisória conferida pelo art.

118 da Lei 8.213/91, a teor da Súmula 378, I, do TST. Devida a indenização do período de garantia estabilitária porque demonstrada a ocorrência de acidente de trajeto sofrido pelo autor no percurso trabalho-casa. Apelo não provido.

A jurisprudência nos fornece diversos exemplos dos entendimentos dos tribunais.

Em síntese, os tribunais têm recentemente equiparado o acidente de trajeto ao acidente de trabalho.

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