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3. APLICAÇÃO DE TÉCNICAS SEM VALA ABERTA

3.4. Pipe bursting e vala aberta – caso 3

3.4.3. Acompanhamento da obra

Todo o trabalho começou após as sondagens com a abertura dos poços de acesso das extremidades do troço, podendo ver-se a sua localização na Figura 3.31, também se realizou a abertura de pequenos poços de acesso aos ramais dos prédios e outro para ligação de uma travessia que abastecia o outro lado da rua. Todas estas escavações foram inevitáveis à execução do by-pass necessário para que a rede de abastecimento de água continuasse em funcionamento. O esquema de ligação do by-pass pode ser visto na Figura 3.32, assim como um conjunto de fotografias do mesmo na Figura 3.33.

Figura 3.31. Localização dos poços das extremidades do troço (adaptado de Google Earth)

Figura 3.32. Esquema de ligação do by-pass

Analisando o esquema do by-pass junto com a Figura 3.33(a) pode ver-se o início da ligação do by-pass através de três tubos em PEAD de menor diâmetro, que também se podem visualizar na Figura 3.33(b) no poço da travessia da rua. Na Figura 3.33(c) apresenta-se um exemplo de ligação a um ramal de um prédio e, finalmente, na Figura 3.33(d) vê-se o fim do by-pass com a ligação deste à conduta que já não necessita de substituição.

Note-se que durante os trabalhos de ligação do by-pass o abastecimento de água foi cortado, mas, para que os habitantes da rua não fossem apanhados de surpresa, foi afixado em todas as entradas dos prédios um comunicado a avisar que haveria um corte do abastecimento durante um determinado período de tempo no dia designado para a sua realização.

Após isto, o trabalho de substituição da conduta de fibrocimento foi iniciado com a colocação da máquina que auxilia a técnica de pipe bursting. Esta máquina, que pode ser observada na Figura 3.34, é composta por macacos hidráulicos que funcionam através de um grupo hidráulico que também é visível na mesma figura.

Figura 3.34. Máquina de pipe bursting

Para iniciar o processo, são introduzidas na conduta de fibrocimento varas em aço maciço roscadas entre si que percorrem a conduta velha com uma ponta arredondada (Figura 3.35). Como o peso destas varas é elevado, a máquina que no fim as vai puxar auxilia o processo empurrando as varas todas. Pode observar-se, em figuras anteriores, como por exemplo na Figura 3.31, a capacidade de curvatura destas varas maciças. Uma vez introduzidos os 100 metros de varas que a empresa possui, fez-se uma medição com auxílio de uma roda de medição, para calcular onde é que a ponta se encontrava. Para precaver algum tipo de erro de medição, foi aberto um poço de acesso intermédio a 95 metros de distância. Depois de encontrarem a conduta existente, esta foi partida para se verificar se as varas se encontravam dentro desta e, estando confirmado, abriu-se o poço por completo para haver comprimento suficiente para que o tubo pudesse executar o raio de curvatura e, posteriormente, fosse ali

colocada a máquina para efectuar o mesmo processo para o resto do troço (aproximadamente 55 metros).

Figura 3.35. Varas de aço maciço e ponta arredondada

Na Figura 3.36 observam-se os mecanismos que são acoplados às varas para a destruição da conduta existente, nomeadamente o chamado rabo-de-bacalhau, que serve para cortar a conduta e todas as braçadeiras que se encontrem nela instaladas, e a cabeça fragmentadora que destrói a conduta e comprime os destroços contra o solo envolvente, deixando assim espaço para que a conduta nova seja inserida.

Para que se possa adaptar a conduta a todos os mecanismos atrás referidos, existe uma peça metálica que possui um mecanismo de expansão que, ao ser enroscado, expande a ponta e adapta-se ao tubo fazendo com que este exerça força de tracção para se “agarrar” à referida peça. Pode ver-se este mecanismo já adaptado ao tubo na Figura 3.37.

Figura 3.37. Mecanismo de adaptação ao tubo

Pode observar-se na Figura 3.38 uma sequência de fotografias que ilustra o início da introdução de todos os mecanismos, incluindo o tubo em PEAD.

Figura 3.38. Início da introdução do rabo-de-bacalhau + cabeça fragmentadora + tubo PEAD

Como já referido anteriormente, o tubo foi fornecido em rolos de 50 metros. Uma vez concluída a introdução do primeiro rolo houve a necessidade de efectuar uma soldadura topo a topo com outro rolo, processo que vai ser ilustrado de seguida, começando com a descrição das características da soldadura utilizada neste tipo de material que se encontra no quadro seguinte.

Quadro 3.4. Características da soldadura

Tipo de material PEAD classe 1.0 MPa

Diâmetro 90mm

Espessura 6,6mm

Temperatura de aquecimento 215ºC

Tempo de aquecimento 1 minuto e 20 segundos

Tempo de arrefecimento 14 minutos

Pressão de contacto 460 psi ou 31,7 bar

O conjunto necessário para efectuar a soldadura é composto por várias partes, desde uma máquina de estabilização das duas pontas do tubo a soldar (Figura 3.39 (a)), comandada por uma pequena central (Figura 3.39(b)) que regula o movimento de aproximação e afastamento das extremidades do tubo e também a pressão de contacto necessária, e por fim uma caixa que continha o ferro de aquecimento e um disco de aperfeiçoamento das arestas do tubo (Figura 3.39(c)) para que o contacto das duas superfícies a soldar seja perfeito.

Figura 3.39. Equipamento para soldadura topo a topo

O primeiro passo para realizar a soldadura é a ligação da ponta do tubo que está introduzido, fazendo-se o mesmo com a outra ponta, como mostra a Figura 3.40(a). De seguida a superfície a soldar tem de ser aperfeiçoada, mediante a utilização de um disco de corte (Figura 3.40(b)) que regulariza as superfícies para que o contacto seja o mais perfeito possível. Antes de se proceder à soldadura é necessário limpar bem as superfícies a soldar com auxílio de papel e acetona (Figura 3.40(c)). É então introduzido o ferro de aquecimento, que foi previamente ligado e se encontra a cerca de 215ºC (Figura 3.40(d)), durante 1 minuto e 20 segundos, a uma pressão de cerca de 31,7 bar. Após o aquecimento, o ferro é retirado e com a mesma pressão regulada na central as duas superfícies encostam-se (Figura 3.40(e)) durante um período de arrefecimento de cerca de 14 minutos. Passado o tempo de arrefecimento, a soldadura está completa (Figura 3.40(f)) e pode continuar-se com a introdução do novo troço de conduta.

Figura 3.40. Processo de soldadura topo a topo

Estando o processo de soldadura concluído, a introdução do novo troço de conduta pode ser continuada sem qualquer outro obstáculo, a não ser que exista a necessidade de outra soldadura. Neste caso, houve essa necessidade, não para ligação de outro rolo mas sim por ter existido um descuido associado aos trabalhos de “ajuda” no desenrolar do rolo. Para que não houvesse problemas deste tipo, era necessário a empresa ter destacado para esta frente de obra um desenrolador para o rolo de tubo. Como não existia um desenrolador, o desenrolar do rolo de tubo teve de ser auxiliado através de trabalho manual, o que causou um vinco como se pode ver na figura seguinte.

Para este tipo de acontecimento, a única solução é o corte do troço vincado e a realização de uma nova soldadura. Assim sendo, realizou-se todo o processo já atrás descrito.

Com o aproximar da conclusão do troço, é de referir o cuidado que existe com este tipo de maquinaria, desde o controlo da pressão dos macacos hidráulicos à limpeza das varas que se iam retirando do tubo de fibrocimento. Na Figura 3.42, pode observar-se a chegada do rabo- de-bacalhau e da cabeça fragmentadora ao poço de acesso. Como a máquina de puxar fica muito próximo da ponta do tubo de fibrocimento, tem de se puxar o tubo de PEAD recorrendo, neste caso, a uma corrente e uma retroescavadora que puxa o necessário para fazer as ligações à conduta já existente.

Figura 3.42. Fim da introdução do primeiro troço

Após a realização deste troço, foi altura de passar para o troço final, como é representado na Figura 3.43, onde se mostram os poços de acesso das extremidades e o intermédio que serviu apenas de ponto de união.

O procedimento repete-se e conclui-se a introdução da tubagem nova. A partir daqui os trabalhos seguem com a ligação do tubo novo com o existente e ligações pontuais aos ramais de cada prédio, sendo que para isso era necessário efectuar escavações pontuais como se pode ver na Figura 3.44, onde também se vê uma ligação para um marco de incêndio.

Figura 3.44. Ligação a um ramal predial (esquerda) e marco de incêndio (direita)

Antes de efectuar as ligações, há que realizar a limpeza da conduta nova. Esta limpeza serve apenas para retirar as pequenas impurezas que se acumulam enquanto o tubo não está ligado. Para a sua realização, é necessário fazer a ligação ao ponto de água inicial e utilizar a técnica de limpeza flushing (descarga de água com cloro mediante a abertura controlada da ligação). Depois de realizada a limpeza é necessário finalizar as ligações e aterrar os poços e valas abertas, usando para isso uma primeira camada de areia com 0,30 metros de espessura, seguida da colocação de uma fita sinalizadora plástica, de cor azul, com uma largura mínima de 0,20 metros, com a inscrição “atenção rede de água” e logótipo da entidade gestora. Por fim aterra-se a parte restante da vala ou poço com areia, pó de pedra ou tout-venant regado e compactado em camadas de 0,20 metros de espessura, até cerca de 0,30 metros do topo da vala, sendo estes últimos 0,30 metros aterrados obrigatoriamente com tout-venant. Quando acabado o aterro, vem a parte da repavimentação, seja em material betuminoso (estrada) ou calçada (passeios).

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