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3.1 Apresentação, Descrição e Análise dos Dados

3.1.5 Acompanhamento das Pessoas com Deficiência

As perguntas sequentes direcionaram-se a informações sobre os usuários do BPC por pessoa com deficiência para verificar se os mesmos são acompanhados pelos profissionais dos CRAS; se há algum acompanhamento específico para as pessoas com deficiência; quais seriam as principais ações que o serviço social desenvolve no CRAS para esse público; e as principais dificuldades encontradas no trabalho pelos profissionais com relação ao efetivo acompanhamento desses usuário do BPC.

O questionamento sobre se os usuários do BPC são acompanhados pelos CRAS, tem como propósito analisar de que forma os serviços proteção social estão sendo garantidos aos mesmos. Para duas das profissionais entrevistadas o acompanhamento ocorre no momento do

acesso ao benefício, desde sua solicitação até o seu deferimento, e posteriormente, quando os profissionais identificam a necessidade de uma visita domiciliar,

Quando a gente identifica no atendimento que há possibilidade dessa pessoa receber o BPC, ou se ela já está recebendo, a gente sinaliza como acompanhamento. Por enquanto o acompanhamento está sendo feito através dos atendimentos particularizados, ou vista domiciliar. Dessa forma que a gente vai acompanhando. Quando é identificado que a família é elegível do BPC, a gente faz toda orientação, se possível, as vezes a gente faz agendamento (no INSS) [...] Se a gente identifica a necessidade de ter visita domiciliar a gente faz. Não em todos os casos. As vezes a visita domiciliar vai ocorrer depois que a gente conhece um pouco a família. E a família pode se sentir um pouco invadidas já de cara de ter uma visita domiciliar. (profissional nº 1)

Eles são acompanhados no sentido do acesso, no início, meio e fim. Acompanho famílias, por exemplo, que já estão aguardando há dois anos recurso no INSS, porque ele foi indeferido e entra com recurso. Então, esse acompanhamento para o acesso é feito. O que não é feito, é o acompanhamento dos beneficiários, dos que já estão recebendo. Para saber como eles estão vivendo, para trazê-los para o CRAS, para trabalhar um pouco a visão mais de grupos, com o fortalecimento de vínculos, de convivência. (profissional nº 2)

Já para outras profissionais o acompanhamento ocorre com os usuários que já estão inseridos e referenciados no CRAS,

[...]. tem famílias que já recebem o BPC que a gente já acompanhou, mas hoje em dia a gente não acompanha mais, está referenciada, mas não está num acompanhamento contínuo. Geralmente essas famílias que a gente acompanha que recebe o BPC, a gente faz visita, uma vez por mês, as vezes duas, ou as vezes uma a cada dois meses. (profissional nº 4).

[...]. somente acompanhamos os beneficiários do BPC que já estão referenciados no CRAS e que já estão inseridos no PAIF. Esse acompanhamento se dá através de visitas domiciliares mensais, orientações e possíveis encaminhamentos para a rede socioassistencial. (profissional nº 3).

Diante das respostas recebidas, o que fica evidente é o acompanhamento para o acesso do usuário à concessão do BPC, todo o processo, desde o preenchimento do formulário, a orientação para o agendamento para apresentação no INSS. Nos casos de indeferimento ocorrem os encaminhamentos aos órgãos públicos competentes para medidas de representação e manifestação judicial, além das orientações sobre as documentações que deverão ser apresentadas ao INSS. O acompanhamento neste sentido é apenas burocrático – administrativo e de orientação.

Conforme o PMAS (2010-2013, p. 46), um dos objetivos específicos do PAIF é “realizar a proteção pró-ativa às famílias que estejam em situações de vulnerabilidade e risco, principalmente as que forem beneficiária do BPC e quando a família estiver sendo acompanhada pelo PAIF e não estiver aderindo às atividades”. O acompanhamento do BPC está previsto no SUAS, com o acompanhamento dos usuários do BPC e de sua família, com o objetivo de inseri-los à rede de serviços socioassistenciais e nas demais políticas sociais. As

ações de acompanhamento aos usuários do BPC tem por finalidade suprir as necessidades de sobrevivência, proporcionando a obtenção materiais e sociais, desenvolver e ampliar a convivência familiar e comunitária, possibilitando o protagonismo e autonomia dos usuários. Segundo a Tipificação (2009a) o serviço de Proteção Social Básica no Domicílio para Pessoas com Deficiência e Idosas, tem como objetivos:

-Prevenir agravos que possam desencadear rompimento de vínculos familiares e sociais;

-Prevenir confinamento de idosos e/ou pessoas com deficiência; -Identificar situações de dependência;

-Colaborar com redes inclusivas no território;

-Prevenir o abrigamento institucional de pessoas com deficiência e/ou pessoas idosas com vistas a promover a sua inclusão social;

-Sensibilizar grupos comunitários sobre direitos e necessidades de inclusão de pessoas com deficiência e pessoas idosas buscando a desconstrução de mitos e preconceitos;

-Desenvolver estratégias para estimular e potencializar recursos das pessoas com deficiência e pessoas idosas, de suas famílias e da comunidade no processo de habilitação, reabilitação e inclusão social;

-Oferecer possibilidades de desenvolvimento de habilidades e potencialidades, a defesa de direitos e o estímulo a participação cidadã;

-Incluir usuários (as) e familiares no sistema de proteção social e serviços públicos, conforme necessidades, inclusive pela indicação de acesso a benefícios e programas de transferência de renda;

-Contribuir para resgatar e preservar a integridade e a melhoria de qualidade de vida dos (as) usuários (as);

-Contribuir para a construção de contextos inclusivos. (PMAS, 2010-1013, p. 64).

Ainda conforme o mesmo documento, referente ao mesmo serviço de proteção social o PMAS (2010-2013, p. 65) prevê a articulação com a Rede/Parcerias como:

-Serviços socioassistenciais de proteção social básica e especial;

-Serviços públicos de saúde, cultura, esporte, meio-ambiente, trabalho, habitação e outros, conforme necessidade;

-Conselhos de políticas públicas e de defesa de direitos de segmentos específicos; -Instituições de ensino e pesquisa;

-Organizações e serviços especializados de saúde, habilitação e reabilitação; -Programas de educação especial;

-Centros e grupos de convivência.

O foco desse serviço de proteção social é de prevenir a ocorrência de risco social; com caráter preventivo; proteção e orientação às famílias atendidas; possibilitar o acesso aos serviços socioassistenciais e com as demais políticas públicas, bem como ampliar o acesso aos direitos socioassistenciais. Esses serviços de suma importância aos usuários deveriam ser o que realmente acontece nos CRAS, mas pelo que podemos perceber da pesquisa realizada,

não acontece em sua plenitude, geralmente ocorre a articulação com a rede de serviços como a saúde, educação e previdência social.

Como sequência da pergunta anterior e a partir dos serviços apresentados referente ao público alvo, perguntou-se se há algum acompanhamento específico para os usuários do BPC por deficiência.

Dos quatros CRAS pesquisados apenas um faz um acompanhamento com os usuários do BPC por pessoa com deficiência, conforme profissional nº 1: “Não, o nosso acompanhamento hoje é através desses atendimentos particularizados, desse acompanhamento do INSS. Hoje não tem nada específico do BPC”. De acordo com outra entrevistada é necessário que se tenha uma equipe completa para que seja realizado os acompanhamentos dos usuários,

Não há acompanhamento específico para usuários do BPC por deficiência. Assim que tivermos as equipes técnicas completas e o levantamento dos usuários beneficiários do BPC por CRAS, podemos assim planejar ações específicas e direcionadas para esse público. (profissional nº 3)

Já outra entrevistada informa que o CRAS continua como referência para população apenas para concessão do benefício, Neste sentido o vínculo com CRAS apenas ocorre neste aspecto e não como órgão prestador de serviços.

Os que começam por aqui eles acabam recorrendo ao CRAS. O CRAS fica como referência. Aquela família que a gente acompanhou para ter acesso acaba criando vínculo, e vem em busca de outras orientações em outras situações. O CRAS está vinculado ao benefício, então eles procuram pelo benefício. (profissional nº 2) Diferente das entrevistas citadas acima, outra entrevistada relata que há um acompanhamento com o usuário do BPC por deficiência,

Geralmente essas famílias que a gente acompanha que recebe o BPC, a gente faz visita, uma vez por mês, às vezes duas, ou as vezes uma a cada dois meses, sempre para ver como trabalhar esse fortalecimento de vínculo com a família, sempre estar junto. (profissional nº 4)

Com relação aos principais serviços socioassistenciais desenvolvidos nos CRAS para pessoas com deficiência que são usuários do BPC, as entrevistadas responderam que há apenas o acompanhamento para algumas dessas famílias que se dão através de visitas domiciliares mensais, orientações e possíveis encaminhamentos para a rede socioassistencial.

3.1.6 Principais dificuldades encontradas pelos profissionais dos CRAS para realizar o