5. Resultados
5.1. EC1 – Acompanhamento do Processo de Abate e Secagem em Campo de BFR
5.1.5. Acompanhamento do Processo de Abate de Eucaliptos na área em estudo
Os dados recolhidos durante o acompanhamento do abate encontram-se sintetizados no Anexo II, onde se apresentam as parcelas observadas, respetiva referência, coordenadas geográficas e área aproximada, a existência ou não de recolha de biomassa e o estado em que esta se encontrava, bem como o estado do terreno.
Esta informação foi depois representada sob a forma de um gráfico de barras (Figura 24), tendo-se definido um código de cores para melhor identificar o estado da recolha de biomassa: a vermelho estão representadas as parcelas cuja biomassa não foi retirada, a amarelo as parcelas onde a BFR foi retirada apenas parcialmente, observando-se a existência de rama ainda espalhada pelo terreno, e a roxo as parcelas onde a biomassa foi completamente retirada (Tabela 18). Este código foi igualmente utilizado na representação georreferenciada produzida através do Google Earth (Figura 25). Para melhor compreender as diferenças entre os tipos de recolha identificados, apresentam-se na Figura 26 três fotografias, obtidas durante as saídas de campo, que correspondem a parcelas observadas.
Cor Tipo de Recolha
rama retirada totalmente rama retirada parcialmente rama não retirada
Na Figura 24 apresenta-se a área de cada parcela e a existência ou não de recolha de biomassa, observando-se que de um total de 21 parcelas, doze tiveram algum tipo de recolha enquanto que em nove esta operação não foi efetuada. É interessante verificar que o número de parcelas onde houve recolha total de biomassa é idêntico ao número de parcelas onde a recolha foi apenas parcial, tendo ficado ainda em campo uma quantidade considerável de BFR. Nas parcelas com recolha total, apenas numa ficou a biomassa empilhada temporariamente na beira do terreno, sendo esta a BFR em estudo (AM3). Já as parcelas com recolha parcial apresentam uma igual distribuição entre a retirada parcial da biomassa (três) e o empilhamento no terreno (três). Por seu lado, nas nove parcelas onde não houve recolha de rama, esta foi empilhada em duas e nas restantes sete ficou espalhada pelo terreno (ver Anexo II).
Analisando a área ocupada por cada parcela, verifica-se que a maioria apresenta valores inferiores a 0,6 hectares (15 parcelas), e apenas quatro têm uma área superior a um hectare. Apesar de pequena, esta amostra caracteriza a situação atual da floresta portuguesa, uma vez que a maioria das parcelas existentes tem pequenas áreas. Confrontando a área com a recolha de biomassa, verifica-se que em três das quatro parcelas com área superior a um hectare houve algum tipo de recolha. No total, as vinte e uma parcelas abatidas ocupam uma área de 11,7 hectares, verificando-se que tanto a área com recolha completa como a área sem recolha têm um
peso percentual de 34% cada, estando os restantes 32% associados ao somatório da área onde a recolha de biomassa foi apenas parcial.
0,00 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40 1,60 1,80 Á re a [ h a] Parcelas observadas
Figura 24 - Representação gráfica das áreas das parcelas em função do tipo de recolha de biomassa efetuada, de acordo com o código de cores estabelecido.
Figura 25 - Representação georreferenciada das parcelas abatidas, com aplicação do código de cores identificativo do tipo de recolha. Fonte: Google Earth.
Relativamente à distribuição geográfica das parcelas, não é visível um padrão de recolha através da Figura 25, tendo-se verificado aquando das observações no terreno, que a remoção de biomassa diminuía com o aumento do declive do terreno, sendo mais eficaz no seu centro que nas zonas junto ao limite. Observou-se igualmente que a BFR caída, durante o processamento, fora dos limites da parcela em abate também não era recolhida, ficando no local.
É importante referir que, para a parcela AM3, cuja biomassa é um dos objectos deste estudo, as observações feitas no terreno imediatamente após abate sugerem que a limpeza foi efetuada com um equipamento mecânico, por arraste até um dos limites da parcela onde foi construída a pilha. A limpeza com equipamentos mecânicos é limitada, não conseguindo fazer uma remoção completa da biomassa em todo o terreno, tendo-se observado que nos limites da parcela existiam ainda vários ramos de eucalipto, bem como nas zonas limítrofes com as parcelas vizinhas. A recolha da biomassa de AM3 foi efetuada cerca de dois meses após abate, tendo ficado durante este tempo a secar ao ar, empilhada em campo. Igualmente pelo observado durante as saídas de campo, esta situação será prática comum na região em que a área de estudo se insere, tendo-se observado a existência de várias pilhas de biomassa construídas em parques locais junto aos caminhos florestais; algumas destas foram retiradas ainda durante o período de observações, não tendo sido possível relacionar a biomassa ali alocada com as parcelas de origem (Figura 27). Este intervalo de tempo entre o abate e construção da pilha e a retirada completa da biomassa da floresta, não tendo sido possível de quantificar para alguns casos observados, sugere que situações idênticas possam ter ocorrido para as parcelas analisadas, isto é, nas parcelas onde houve registo de recolha de biomassa mas não de retirada imediata do campo, é possível que a BFR tenha sido também retirada, mas numa data posterior e já fora do período de monitorização.
Figura 27 - Exemplo de uma pilha de BFR construída junto ao caminho florestal para a qual não é possível identificar a(s) parcela(s) de origem.
a) b)
c)
Figura 26 -Exemplos do tipo de recolha de biomassa efetuada. a) Parcela sem recolha (AB4). b) Parcela com recolha parcial (AB14). c) Parcela com recolha total (AM3).