4.1 A FUNDAÇÃO CATARINENSE DE CULTURA E A LEI DE INCENTIVO A
4.1.2 Processo de financiamento
4.1.2.4 Acompanhamento dos projetos
Em relação ao acompanhamento da execução dos projetos culturais, este dá-se somente ao final da implementação de toda a proposta. Ao término de trinta dias da execução do projeto, conforme Art. 45 do Decreto n. 3.604/98, o produtor deverá encaminhar à EXAC a prestação de contas dos recursos recolhidos e despendidos, comprovada através de faturas, notas fiscais, extratos bancários e recibos, dentre outros documentos exigidos. Esta prestação de contas se atém a aspectos financeiros, não sendo analisado o cumprimento de outros aspectos relacionados no projeto cultural, como por exemplo, a qualidade das apresentações e a quantidade de apresentações realizadas.
Quanto ao acompanhamento durante a execução do projeto, de acordo com o entrevistado 3, isto é uma lacuna, [...]. No final existe uma prestação de contas só. Nem relatório não é cobrado, ele faz se ele quer, alguns retornam pro Conselho. Algumas coisas a gente até participa, porque chega sempre os convites, alguns lembram de convidar a gente, porque na verdade se sou responsável de ter aprovado a gente gostaria de ver o que que acontece. Pelo menos tudo que passa por mim eu tento conferir até pra me dar a idéia se tou no caminho certo, se é por aí, eu tento participar de tudo, mas é difícil acompanhar tudo. Mas não existe essa gestão dos projetos aprovados, eu chamo isso de gestão, teria que acompanhar, saber como está acontecendo, saber o relatório das atividades, não financeiro, pra gente não importa só o financeiro, o financeiro é importante, mas a gente quer saber quantas pessoas foram atingidas pelo projeto, se foi legal, se o público gostou, se os atores se aperfeiçoaram e isso a gente não tem, não existe um retorno. O entrevistado 3 entende que
esta avaliação não é realizada por falta de funcionários, salienta ainda que o SEIC é extremamente enxuto no tocante aos recursos humanos.
O entrevistado 4 afirma não existir um acompanhamento do projeto. Lá na Lei de Incentivo existe, por exemplo, a EXAC que recebe os relatórios, essa coisa toda e tal, mas é tudo coisa de papel, não é um controle efetivo, isso assim, tem gente que vai lá ver a coisa feita, não tem pessoal, não tem estrutura pra acompanhar o andamento do projeto.
Conforme o entrevistado 2 o Art. 4 do Decreto n. 3.604/98 não é respeitado no que se refere aos funcionários da Secretaria de Estado da Fazenda, conforme já salientado anteriormente, devido a isto a fiscalização não acontece. A fiscalização durante a execução do projeto não acontece devido ao não cumprimento da legislação, ou seja, o pessoal da Fazenda acaba não participando do processo (ENTREVISTADO 2).
Somente um dos entrevistados afirmou existir um acompanhamento da execução dos projetos sendo que este é feito por amostragem, fiscaliza-se assim, por exemplo, se o cronograma físico-financeiro foi realizado, também a qualidade, o número de apresentações, se o figurino que estava no projeto foi realmente o apresentado, o número de pessoas que assistiram aos espetáculos, etc (ENTREVISTADO 1).
De acordo com Costa e Castanhar (1998) historicamente a Administração Pública brasileira não tem se preocupado em avaliar seus programas. “Na busca da melhoria dos padrões de gerenciamento do setor público, a produção de conhecimento técnico sempre esteve muito mais voltada para os processos de formulação de programas do que para aqueles relacionados à sua avaliação” (COSTA e CASTANHAR, 1998, p. 1).
Em relação à divulgação dos resultados, os entrevistados salientam que ainda não chegaram nesta etapa. Não realizam nenhuma divulgação dos resultados dos projetos, tendo em vista o não conhecimento destes resultados.
A respeito da avaliação do SEIC desde 1999 até 2004, o entrevistado 3 diz que é uma experiência positiva, só me sinto frustrada por achar que o recurso é muito pouco ainda pra isso né?, a gente precisaria estar trabalhando na margem de 1% de renúncia sobre o ICMS, a gente trabalha na margem de 0,3%, então nesse sentido me sinto frustrada e acho que as políticas públicas tem que intervir nessa margem de 80% que ficou desprotegida pela lei. A iniciativa privada também através de patrocínios espontâneos sem ser de renúncia fiscal, sem ser de benefício fiscal, deveriam entrar realmente com sua parte social, com sua contrapartida social através da cultura e juntando a iniciativa privada e o poder público na lacuna desses 80% eu acho que dosaria bem as propostas pra atender melhor os artistas. O
estado além do SEIC tem outras iniciativas, mas estão ficando presas pelos compromissos administrativos, pela folha de pagamento, pelo saneamento, o problema de base, pavimentação, de infra-estrutura, de segurança, como se gasta muito nessas outras partes, a gente vê que o quinhão da cultura ela tá ficando bem minguada, a gente é quase que a única, mas existem algumas poucas iniciativas, até a gente tá tentando criar alternativas, ser criativo pra isso mas ainda é latente isso.
O entrevistado 4 entende que é preciso uma discussão que não se consegue fazer, pra definição de uma política cultural, o que que nós queremos além disso?, qual é a visão de cultura que o conselho deva ter pra aprovar os projetos?, porque cabe a eles, isso tá em lei, cabe a eles definir pra onde a cultura vai, qual é a cara da nossa cultura, qual é o conceito que a gente quer de cultura. [...]. O governo, o governador principalmente, o foco dele muito é o entretenimento, então assim, ele faz uma política de eventos, ele não faz uma política de cultura. Que é bom, tudo bem, funciona essa coisa toda, e tal. Porém não dá base, política de eventos não dá base pro crescimento, pra criatividade, pras pessoas se desenvolverem.
Pôde-se perceber que a maioria dos entrevistados afirma não existir um acompanhamento do órgão apoiador durante a execução do projeto, sendo que somente ao final acontece uma prestação de contas. A prestação de contas voltada à disponibilização de informações acerca das despesas e receitas do projeto remete ao Modelo de Processos Internos. Analisando Bowditch e Buono (1992), a eficácia, na perspectiva deste modelo, refere-se à capacidade da organização em estabelecer mecanismos que assegurem a estabilidade e controle, tal como ênfase na disponibilização de informações, que pode ocorrer, por exemplo, através da prestação de contas.
Diante do exposto pôde-se perceber que a FCC utiliza diferentes critérios para avaliar o desempenho dos grupos teatrais que remetem ao Modelo de Objetivos, Modelo de Sistema Aberto, Modelo de Recursos Humanos e Modelo de Processos Internos. Sendo que o Modelo de Objetivos e o Modelo de Processos Internos estão mais fortemente presentes, conforme pode ser constatado no quadro a seguir.
PROCESSO FCC M.A.D. Captação
- publicação em jornais e mídia - distribuição de cartazes e folders
- cursos de capacitação sobre a LEIC
M.P.I. M.P.I. M.R.H.
Exigências
- apresentação de documentos (CNPJ; CND; comprovante de domicílio no Estado há mais de 3 anos;
- orçamento.
- A partir de 2001 - informações detalhadas sobre o espetáculo além de currículo dos envolvidos)
- preenchimento de formulários
- prestação de contas
-deve constar a divulgação do apoio institucional M.P.I. M.O. A partir de 2001 M.R.H. M.P.I. M.P.I. M.S.A. Avaliação - orçamento
- aspectos legais documentação
- qualidade projeto artístico
- capacitação artistas
- desenvolvimento cultural estado
- viabilidade - relevância - oportunidade M.O. M.P.I. M.O. M.R.H. M.O. M.P.I. M.O. M.O. Acompanhamento
- prestação de contas dos recursos recolhidos e despendidos (faturas, notas fiscais, extratos bancários e recibos)
M.P.I.
Quadro 12 – Critérios de avaliação de desempenho de grupos teatrais utilizados pela FCC. Fonte: Dados primários (2005).
4.2 FUNDAÇÃO CULTURAL DE FLORIANÓPOLIS - FRANKLIN CASCAES E A LEI