7. DISPENSA DE MEDICAMENTOS
7.5. ACONSELHAMENTO E DISPENSA DE OUTROS PRODUTOS DE SAÚDE
7.5.1. Produtos de dermofarmácia, cosmética e higiene
Os Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal (PCHC) não necessitam de autorização administrativa prévia de comercialização. O fabrico, controlo, segurança e cumprimento da legislação em vigor são da exclusiva responsabilidade do fabricante, do importador ou do responsável pela introdução dos produtos no mercado. No entanto, as
5 Despacho n.º 2245/2003, de 16 de Janeiro
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exigências legais destinadas a estes produtos justificam-se essencialmente pela necessidade de proteção da saúde pública, assegurando mecanismos de intervenção da administração e permitindo uma eficaz fiscalização e vigilância do cumprimento das exigências legais, garantindo assim, em última análise, a proteção dos direitos e interesses dos consumidores. Os PCHC são regulamentados pelo Decreto-Lei n.º 142/2005 de 24 de Agosto que os define como: qualquer substância ou preparação destinada a ser posta em contacto com as diversas partes superficiais do corpo humano, designadamente epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos, ou com os dentes e as mucosas bucais, com a finalidade de, exclusiva ou principalmente, os limpar, perfumar, modificar o seu aspeto, proteger, manter em bom estado ou de corrigir os odores corporais.
O Decreto-Lei n.º 296/98, de 25 de Setembro, estabelece, no seu artigo 10º, que as menções constantes da rotulagem dos PCHC não devem induzir o consumidor, em erro sobre as suas características ou atribuir a esses produtos características que não possuem, nomeadamente, indicações terapêuticas. Hoje em dia o uso destes produtos vai muito além da componente estética, tratando-se sim de uma questão de saúde, assumindo um papel de “tratamento” e proteção, como na resolução de determinadas situações dermatológicas, nomeadamente acne, rugas, pele seca ou irritada, caspa, queda de cabelo, higiene íntima, entre outros.
Uma vez que se trata de uma área em constante evolução, dinâmica e de larga difusão nos media, compete então ao técnico de farmácia assumir uma constante atualização de conhecimentos nesta área de forma conseguir corresponder às expectativas do utente que o procura e a responder o melhor possível às características individuais dos seus utentes.
7.5.2. Produtos dietéticos para alimentação especial e produtos dietéticos infantis Segundo o Decreto-Lei nº 227/91 de 19 de Junho, entende-se por géneros alimentícios para alimentação especial os produtos alimentares que, devido à sua composição ou a processos especiais de fabrico, se distinguem claramente dos géneros alimentícios de consumo corrente, são adequados ao objetivo nutricional pretendido e são comercializados com a indicação de que correspondem a esse objetivo.
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Para além disso, o produto dietético define-se como produto de natureza alimentar que se destina a complementar ou substituir parcialmente os alimentos habituais ou a satisfazer necessidades nutritivas especiais de pessoas em que os processos naturais de assimilação ou metabolismo estejam perturbados. Dentro dos produtos dietéticos encontramos aqueles que se destinam à alimentação infantil e à alimentação de adultos, podendo ambos serem incluídos em regimes alimentares hipo ou hiper-calóricos, proteicos e glucídicos. Neste grupo inclui: preparados para lactentes; leites de transição e outros alimentos de complemento; alimento para bebés; géneros alimentícios com valor energético baixo ou reduzido, destinados a controlo de peso; alimentos dietéticos destinados a fins medicinais específicos; alimentos pobres em sódio, incluindo os sais dietéticos hipossódicos ou assódicos; alimentos sem glúten; alimentos adaptados a esforços musculares intensos, sobretudo para os desportistas; alimentos destinados a pessoas que sofrem perturbações no metabolismo dos glúcidos (diabéticos).
No que diz respeito aos produtos dietéticos infantis, o técnico de farmácia desempenha um importante papel no aconselhamento e acompanhamento das futuras e atuais mamãs. Além de devidamente informado e atualizado, o técnico de farmácia deve procurar ser uma fonte de informação a quem a mãe pode recorrer nas suas dúvidas, estejam relacionadas com produtos dietéticos infantis ou não. Apesar deste tipo de produtos não serem de venda exclusiva em farmácias é a este local que muitas vezes recorrem, porque encontram sempre um atendimento personalizado. Essencialmente, nas farmácias, encontram-se disponíveis dois tipos de produtos: os leites e as farinhas.
De acordo com as necessidades do lactente, e adaptado à sua idade e estado de desenvolvimento, pode encontrar-se disponível nas farmácias uma vasta gama de leites, que de forma geral podem ser caracterizados como: leites para lactentes (0-4/6 meses); leites de transição (a partir dos 4 meses de idade) e leites de crescimento (do 1º ao 3º ano de vida)
Por outro lado, existem as farinhas láteas que são outro produto dietético infantil de extrema importância na alimentação das crianças. De uma forma geral classificam-se em farinhas lácteas ou não lácteas, conforme sejam para preparar com água ou leite e, ainda, com ou sem glúten, na sua composição.
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7.5.3. Fitoterapia e suplementos nutricionais
A fitoterapia diz respeito a produtos que tiram partido das propriedades curativas de algumas plantas, constituindo uma alternativa possível aos medicamentos de síntese. Os produtos fitoterapêuticos podem apresentar-se sob a forma de formulações orais sólidas (comprimidos e cápsulas), soluções orais (xaropes, ampolas bebíveis) e infusões (chás). Este tipo de produtos pode constituir alternativa razoável aos medicamentos de síntese, principalmente em doentes polimedicados. Dos produtos fitoterapêuticos e suplementos que se podem encontrar disponíveis na farmácia são exemplos:
• Produtos fitoterapêuticos:
o Chá verde - emagrecimento;
valeriana - insónia, nervosismo e ansiedade;
produtos com ginseng e Ginkgo biloba (QI plus®; Ginsactiv®) – fadiga intelectual, agente antioxidante, reforça as defesas imunitárias;
o chá midro – laxante;
• Suplementos nutricionais (essencialmente multivitamínicos): o Centrum®;
o Viterra®; o Pharmaton®.
7.5.4. Homeopatia
De acordo com o Decreto-Lei n.º 176/2006 de 30 de Agosto que revoga o anterior Decreto-Lei n.º 94/95 de 9 de Maio, os medicamentos homeopáticos define-se como medicamento obtido a partir de substâncias denominadas stocks ou matérias- primas homeopáticas, de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia ou, na sua falta, em farmacopeia utilizada de modo oficial num Estado membro, e que pode conter vários princípios. Este documento prevê o registo simplificado de medicamentos homeopático que, cumulativamente: sejam administrados por via oral ou externa; apresentem um grau de diluição que garanta a inocuidade do medicamento, não devendo este conter mais de uma parte por 10000 de tintura-mãe, nem mais de 1/100 da mais pequena dose eventualmente utilizada em
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alopatia, para as substâncias ativas cuja presença num medicamento alopático obrigue a receita médica; não apresentem quaisquer indicações terapêuticas especiais na rotulagem ou em qualquer informação relativa ao medicamento.
7.5.5. Medicamentos de uso veterinário
Segundo o Decreto-Lei n.º 184/97 de 26 de Julho, entende-se como medicamento para uso veterinário (MUV) como todo o medicamento (toda a substância ou composição que possua propriedades curativas ou preventivas das doenças e dos seus sintomas, com vista a estabelecer um diagnóstico médico ou a restaurar, corrigir ou modificar as suas funções orgânicas) destinado aos animais.
A gama de medicamentos de uso veterinário existentes à venda nas farmácias é bastante variada, que vão desde produtos para a desparasitação interna e externa (champôs, comprimidos, coleiras, pastas), anticoncetivos, medicamentos para o tratamento de algumas patologias, etc. De referir que, existem alguns medicamentos para uso humano podem ser utilizados em animais mediante indicação do médico veterinário, como tive oportunidade de constatar no decorrer do meu estágio.
O técnico de farmácia tem pois um papel fundamental no aconselhamento e dispensa destes produtos, nomeadamente no seu modo de emprego, doses e frequência de administração. Por outro lado, o técnico de farmácia tem um papel educacional no que diz respeito à valorização da importância da vacinação e aconselhamento de medidas profiláticas para determinadas patologias. É, por isso, uma área em que cada vez mais o técnico de farmácia deverá ter formação especializada.
7.5.6. Dispositivos Médicos
Atendendo à Diretiva do Dispositivos Médicos 93/42/CEE, transposta para a lei nacional pelo Decreto-Lei n.º 273/95 de 23 de Outubro, alterado pelo Decreto-Lei nº 30/2003, de 14 de Fevereiro, considera dispositivo médico como, qualquer instrumento, aparelho, equipamento, material ou artigo utilizado isoladamente ou combinado, incluindo os suportes lógicos necessários para o seu bom funcionamento, destinado pelo fabricante para ser usado no corpo humano para fins de: diagnóstico, prevenção,
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monitorização, tratamento ou atenuação de uma doença; diagnóstico, monitorização, tratamento ou atenuação ou compensação de uma lesão ou deficiência; investigação, substituição ou modificação da anatomia ou de um processo fisiológico; controlo da conceção e cujo principal efeito pretendido no corpo humano, não seja alcançado por meios farmacológicos, imunológicos ou metabólicos, embora a sua função possa ser apoiada por estes meios.
Os critérios como, os potenciais riscos inerentes à utilização do dispositivo e os possíveis incidentes relacionados com as características e/ou funcionamento do dispositivo, bem como a duração do contacto do dispositivo com o corpo humano; a invasibilidade do corpo humano e a anatomia afetada pela uso do dispositivo, permitem classifica-los em: dispositivos médicos de classe I - dispositivos de baixo risco (ex: sacos coletores de urina, meias de compressão, muletas, pensos oculares, algodão hidrófilo, seringas sem agulha, colares cervicais); dispositivos médicos de classe IIa - dispositivos de baixo médio risco (ex: compressas de gaze, agulhas de seringa, cateteres urinários, etc.); dispositivos médicos de classe IIb - dispositivos de alto médio risco (ex: canetas de insulina, preservativos, diafragmas, material d penso para queimaduras graves, etc); dispositivos médicos de classe III - dispositivos de alto risco (ex: preservativos com espermicida, pensos medicamentosos, etc).
Estes são produtos com bastante procura na farmácia, o que obriga o técnico de farmácia a estar devidamente informado sobre a variedade de produtos existentes e aconselhamento a prestar na dispensa dos mesmos.