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4 VULNERABILIDADES DOS ESTUDANTES

4.1 ACADÉMICAS

4.2.9 Acontecimentos de vida

Segundo Holmes & Rahe (2006), os acontecimentos de vida referem-se às experiências objetivas que perturbam ou ameaçam romper as atividades habituais do indivíduo, causando um reajustamento substancial no seu comportamento. No mesmo sentido, Dohrenwend & Dohrenwend (2005) definem os acontecimentos de vida como ocorrências objetivas de magnitude suficiente para alterar as atividades usuais da maioria das pessoas. Por outro lado, Ramos (2004) entende que os acontecimentos de vida são os problemas de vida que desencadeiam emoções intensas (independentemente da sua natureza).

Avaliação do risco de suicídio em estudantes do ensino superior politécnico: prevalência e fatores assoc

Por acontecimentos de vida negativos (AVN) consideram-se os eventos que alteram, ameaçam, danificam ou desafiam as capacidades físicas, psicológicas e sociais dos seres humanos, com efeitos mais nefastos em função da frequência da sua ocorrência, do impacto sentido e das estratégias e recursos do individuo para lidar com essas situações (Oliva, Jiménez, & Parra, 2009).

Deduz-se das definições, acima descritas, duas componentes fulcrais dos acontecimentos de vida: por um lado, é um fenómeno discreto, descontínuo, transversal à vida do indivíduo e, por outro lado, simboliza uma mudança, uma alteração no curso da vida. Estas alterações afetam o equilíbrio global da pessoa, exigindo-lhe um esforço de readaptação. As mudanças que as pessoas experimentam ao longo da vida (normativas), tais como, o casamento, a promoção ou a perda do emprego, o nascimento de um filho, mas também as experiências menos comuns ou extremas (não normativas) como a guerra e as catástrofes naturais, são exemplos de acontecimentos de vida (Ramos, 2004).

No que se refere aos acontecimentos de vida adversos, que podem estar na origem de comportamentos suicidários nos jovens, fazem parte, os problemas disciplinares ligados à escola, perdas interpessoais significativas, rutura de relações amorosas, separação dos pais e gravidez precoce entre adolescentes do sexo feminino Freitas e Botega (2002).

Os AVN são um dos principais fatores de risco na adaptação psicossocial do individuo devido ao seu impacto emocional e possível enfraquecimento das estratégias para lidar com a situação (Rutter, Tizard, & Whitmore, 1970; Jiménez, Menéndez, & Hidalgo, 2008). No entanto, alguns destes podem constituir um desafio ou um processo de aprendizagem.

A heterogeneidade de respostas e os diferentes graus de impacto emocional das adversidades estão relacionados com a natureza dos acontecimentos stressantes, com o significado que lhes é atribuído, com o suporte familiar e social para lidar com os mesmos e com as características individuais e as estratégias utilizadas (Aggarwal, Prabhu, Anand, Kotwal, 2011).

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A relação entre experiências ocorridas na infância e o seu impacto na saúde mental adulta tem sido muito teorizada. É particularmente nessa idade que um acontecimento, aparentemente sem grande significado para os adultos, a perda de um amigo, uma frustração amorosa, uma discussão com os pais, pode destruir o sentimento de segurança e de confiança, no relacionamento com pessoas adultas mais significativas, levando ao afastamento ou à rotura nas ligações afetivas, à autodesvalorização e a múltiplas situações e condutas de risco, onde se incluem comportamentos desajustados, como violência, consumo de drogas ou álcool, envolvimento com grupos de pares marginais, fuga do ambiente familiar, abandono escolar e até comportamentos suicidários.

Serra (1999) diz que os acontecimentos traumáticos ocorridos na infância e adolescência podem ter consequências nefastas na vida adulta, dado que os indivíduos são “apanhados” em fase de reorganização psicológica e social e, por isso, vulneráveis. Num período crucial de desenvolvimento do adolescente, um ambiente familiar disfuncional pode marcar negativamente o seu ajustamento futuro e tornar-se inseguro, pouco afirmativo, com dificuldade em se relacionar com outras pessoas, receoso e onde existe um elevado risco de desenvolvimento de problemas psicológicos e comportamentais (Brás & Cruz, 2008).

Os acontecimentos de vida negativos constituem fontes de stress, pelo que obrigam os indivíduos a reagir de forma mais ou menos intensa para se ajustarem a eles, sendo que o impacto provocado depende das estratégias de ajustamento individuais e dos recursos sociais disponíveis. Importa, porém, considerar que os indivíduos não reagem de igual maneira aos mesmos fatores de stress, depende sempre do significado que cada um lhes atribui e também das estratégias adaptativas individuais e das ajudas externas. Estudos realizados neste âmbito salientam o papel da vivência de acontecimentos de vida negativos (AVN), de determinadas características de personalidade, de estilos cognitivos específicos e de padrões de vinculação inseguros como fatores que aumentam a probabilidade de ideação suicida (Brás & Cruz, 2008).

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A vivência de acontecimentos negativos na infância tem sido associada a múltiplos problemas psicológicos na idade adulta, tais como a ideação e conduta suicidas (Dieserud, Forsen, Braverman, & Roysamb, 2002). Todavia, o modo como essas experiências contribuem para o surgimento de ideação e conduta suicidas na idade adulta contínua por explorar.

Outros estudos têm, de forma idêntica, encontrado relações significativas entre os acontecimentos de vida negativos (AVN) vivenciados na infância e níveis de ideação suicida na idade adulta (Brás & Cruz, 2008; Langhinrichsen-Rohling, Monson, Meyer, Caster, & Sanders, 1998; Ystgaard, Hestetun, Loeb, & Mehlum, 2004).

Embora estes estudos tenham demonstrado a existência de relações significativas entre os acontecimentos de vida e ideação suicida, a forma como os AVN precoces influenciam a ideação suicida na idade adulta não se encontra completamente esclarecida.

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