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2.7. Morfologia da planta

2.8.14. Actividade antioxidante

A actividade antioxidante é atribuída à actividade de enzimas, nomeadamente as superóxido dismutases, ascorbato-redutases, catalases e peroxidases, e também a compostos do metabolismo secundário como compostos fenólicos (ácidos fenólicos e flavonóides),

18 vitaminas (C, E e A) (Severo et al., 2010), carotenóides (López et al., 2013), que permitem a eliminação de radicais livres, produzidos durante as reacções de oxidação (Sgarbieri e Pacheco, 1999; López et al., 2013). A oxidação pode acarretar alterações na textura, cor e sabor do produto, redução do prazo de validade, perda de vitaminas e ácidos gordos essenciais, tendo influência negativa no valor nutricional e pode ser prejudicial para a saúde (Trinderup, 2011).

Physalis apresenta na sua composição vitamina C, licopeno e betacaroteno (Pereira, 2007), polifenóis e vitamina A com efeito antioxidante (Puente et al., 2011).

Segundo diversos estudos, physalis apresenta baixa actividade antioxidante. Severo et

al. (2010) detectaram teores entre 1,14 e 1,73μmolTE/g e Vasco et al. (2008) um teor médio

de 0,7±0,4μmolTE/g. A amora apresenta valores de 41±16μmolTE/g e o morango de 11±3μmolTE/g, pelo que se verifica que possuem maior actividade antioxidante que physalis (Vasco et al., 2008).

Dallmann et al. (2013) reportam valores de 7,31±1,72 e 46,65±1,28% de inibição, realizadas pelo ensaio de DPPH e ABTS, respectivamente, em physalis.

Estudos comprovam que o consumo de substâncias antioxidantes provenientes da dieta, principalmente dietas ricas em frutos e legumes diminuem o risco de doenças cardiovasculares, no entanto, é também relatado que quando é inserido um micronutriente específico com capacidades antioxidantes como suplemento, de modo a reduzir a incidência de diabetes e doenças cardiovasculares, o impacto pode ser inexistente, podendo mesmo ser negativo. O efeito inexistente ou mesmo negativo, como a toxicidade, pode estar relacionado com dúvidas ainda existentes relacionadas com a dose ideal e duração da suplementação (Catania et al., 2009).

2.8.15. Vitaesteróides

Os vitaesteróides constituem uma classe de substâncias bioactivas caracterizadas como lactonas esteroidais, estruturalmente baseadas no esqueleto do ergostano, sendo na sua maioria polioxigenados. Possuem função lactónica no carbono 26, pelo que têm a capacidade de originar uma grande variedade de estruturas, que se classificam em vitanólidos/vitanolídeos “modificados”, vitafisalinas, fisalinas, acnistinas, ixocarpalactonas e perolactonas (Tomassini et al., 2000).

19 São comumente encontradas, e de forma mais expressiva, em espécies pertencentes à família Solanaceae, não sendo no entanto exclusivas desta família (Veleiro et al., 2005).

Os vitaesteróides apresentam várias actividades biológicas como anti-inflamatório, imunossupressor, antitumoral, actividade citotóxica, antiparasitário, anticolinesterásico e antimicrobiano (Veleiro et al., 2005).

De entre os vários géneros da família Solanaceae, Physalis sp. apresenta maior produção de vitanolídeos e fisalinas (Tomassini et al., 2000).

As fisalinas são derivados esteroidais do tipo 13,14-seco-16,24 ciclo ergostano, carbonilados em C-15, para além da lactona característica apresentam uma outra lactona fundida ao anel D da molécula, sendo deste modo considerado um composto estruturalmente complexo (Tomassini et al., 2000). Esta substância actua sobre o sistema imunológico humano evitando a rejeição de órgãos transplantados, e apresenta propriedades terapêuticas como a redução do colesterol LDL, diminuição da glicémia e apresenta também acção diurética (Rufato et al., 2008).

2.9. Propriedades terapêuticas

Os frutos de physalis apresentam elevado conteúdo de ácidos gordos polinsaturados, vitaminas A, B e C e fitoesteróis, bem como minerais essenciais, vitaminas E e K, fisalina (Puente et al., 2011), fósforo e ferro (Pereira, 2007).

Os benefícios associados a este fruto, consequência da sua composição nutricional e de componentes biologicamente activos permitem reduzir o risco de algumas doenças. Physalis apresenta propriedades medicinais já comprovadas, como a redução do colesterol LDL (lipoproteínas de baixa densidade), também conhecido como “mau colesterol”, diminuição da glicemia e acção diurética. Alguns estudos científicos ainda não concluídos revelam que esta planta pode apresentar uma forte actividade como estimulante imunológico e revelam também a existência da fisalina, que actua sobre o sistema imunológico humano, evitando a rejeição de órgãos transplantados (Rufato et al., 2008). A presença de fisalina e vitaesteróides específicos da família das Solanáceas atribuem a este fruto propriedades anti- inflamatórias, antimicrobianas e anticancerígenas (Puente et al., 2011).

Também o cádmio causa danos oxidativos no fígado e rins, prejudicando a função hepática e renal. Moneim et al. (2014) verificaram efeito protector de physalis contra a toxicidade provocada pelo cádmio. Este facto foi atribuído às suas propriedades

20 antioxidantes, anti-apoptóticas e anti-inflamatórias, considerando que a physalis tem um importante potencial terapêutico. Arun e Asha (2007) também mencionam actividade anti- hepatotóxica em physalis.

Alguns estudos têm sido realizados com o intuito de perceber se as folhas de physalis têm algum efeito na saúde. Em 2013, na República do Congo, foi realizado um estudo que pretendia avaliar o efeito do extrato de folhas de physalis no tratamento de diabetes em cobaias. O extracto aquoso bruto de folhas de physalis apresenta actividade hipoglicémica em animais mas que, em doses elevadas, pode causar intoxicação grave (Kasali et al., 2013).

Os fitoesteróis encontram-se em elevada concentração, conferindo propriedades antioxidantes e hipocolesterolémicas. Os principais fitoesteróis presentes são campesterol, β- sitosterol e estigmasterol, a que se associa a diminuição de colesterol no sangue (Puente et

al., 2011).

2.10. Colheita

Physalis é um fruto delicado, pelo que exige cuidados específicos no momento de colheita, pós-colheita e acondicionamento (Gonçalves et al., 2012).

A colheita do fruto deve ser manual, com a particular atenção de não danificar o cálice que envolve o fruto, e deve ser realizada pela manhã, para evitar colher frutos com humidade excessiva e temperaturas elevadas (Tapia e Fries, 2007; Rufato et al., 2008). A comercialização ideal do fruto é até 12horas após a colheita, caso contrário, deve ser armazenado a 4ºC e humidade relativa de 90% (Rufato et al., 2008).

Physalis apresenta perfil respiratório climatérico, pelo que durante a maturação há aumento da produção de etileno e de dióxido de carbono (Trinchero et al., 1999; Fischer et

al., 2005). Os frutos climatéricos podem ser colhidos e deixados amadurecer fora da planta.

Apresentam uma elevação da taxa respiratória após a colheita, melhorando deste modo características sensoriais como aroma, cor, sabor e textura (Celestino, 2010).

O etileno é uma hormona natural proveniente do produto do metabolismo das plantas e regula o crescimento, desenvolvimento, maturação e senescência (Pinto e Morais, 2000). É principalmente sintetizado sob condições de stresse. Em physalis, o etileno promove o amadurecimento do fruto acelerando o processo de senescência (Vieira et al., 2010).

21 Para serem colhidos os frutos de physalis devem apresentar desenvolvimento e maturação adequados, de modo a suportarem o manuseamento e transporte, e chegarem em condições satisfatórias ao destino (Codex Alimentarius, 2001).

A maturação do fruto pode ser avaliada pela cor externa, que muda gradualmente de verde até laranja, quando este se encontra laranja está maduro e próprio para consumo. O teor mínimo de sólidos solúveis totais para um fruto maduro deve ser superior a 14,0ºBrix, e a mudança da cor do cálice não é suficiente para indicar o amadurecimento do fruto (Codex Alimentarius, 2001), embora seja através da alteração da cor do mesmo que se determina o momento ideal de colheita (Fischer e Martínez, 1999).

2.11. Pós-colheita

Os hortofrutícolas são caracterizados como tecidos vivos que mesmo após a colheita estão sujeitos a alterações, embora algumas dessas alterações sejam desejáveis para o consumidor, outras são indesejáveis pois contribuem para a diminuição da qualidade do produto, implicando em casos extremos a sua perda. Estas alterações estão relacionadas com factores biológicos, como respiração, transpiração e acção do etileno. Deste modo devem retardar-se largamente estas modificações, recorrendo à aplicação de técnicas e tecnologias pós-colheita (Pinto e Morais, 2000).

2.11.1. Seleção e classificação

Para a comercialização do fruto fresco, o Codex Alimentarius (2001) impõe limitações relativamente às características físicas dos frutos. Estes devem estar inteiros; com ou sem cálice; sãos, não apresentar sinais de podridão ou alterações que tornem os frutos impróprios para o consumo; limpos, praticamente isentos de matérias estranhas visíveis; isentos de parasitas; isentos de ataques de pragas; isentos de humidade externa anormal, excepto quando esta resulta da condensação após remoção do armazenamento refrigerado; devem apresentar aspecto fresco e ter consistência firme, a sua epiderme deve ser lisa e brilhante e não devem apresentar odor ou sabor estranhos.

Existem três categorias de classificação de physalis: extra, I e II. A categoria extra engloba frutos de qualidade superior, isentos de defeitos, com a excepção de defeitos bastantes ligeiros, que não prejudiquem o aspecto geral do fruto, qualidade, conservação e apresentação na embalagem. A categoria I engloba frutos de boa qualidade, embora possam

22 apresentar ligeiros defeitos, desde que estes não prejudiquem o aspecto geral dos frutos, qualidade, conservação e apresentação na embalagem. Os defeitos podem ser, ligeiros defeitos na forma, coloração e epiderme, estes defeitos não podem afectar a polpa do fruto. A categoria II engloba os frutos que foram excluídos das duas categorias acima referidas, por apresentarem mais defeito que os inclusos na categoria II, embora estas não possam afectar o aspecto geral dos frutos, qualidade, conservação e apresentação na embalagem. Os defeitos podem ser, ligeiros defeitos na forma, coloração e epiderme, e com distinção da categoria I estes frutos podem apresentar pequenas fendas cicatrizadas desde que não ultrapassem 5% da superfície do fruto (Codex Alimentarius, 2001).

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