2 de agosto de 1979, quinta-feira. Os exercícios prévios in-tensos foram iniciados às 20h 29min, de pé, depois sentado no lei-to. Ao deitar-me houve uma curta perda de lucidez e, logo após, ti-ve uma visão mental, interna, diminuta e nítida da consciex José Grosso. Recolhi-me para dormir às 21h 21min, bastante descansa-do. Posição: deitado do lado esquerdescansa-do.
Experimentei a sensação completa da projeção consciente na etapa final da decolagem do psicossoma. Saída para cima e à direita.
Pensamento imediato dominante: certeza de estar plenamente consci-ente fora do soma. A atmosfera estava muito escura e me chamou atenção. Foi pensar na escuridão ambiente para começar a enxergar melhor dentro de uma claridade levemente azulada. A modificação ín-tima era do psicossoma e não do ambiente. A luz artificial que saía das janelas isoladas, nas casas e apartamentos em diversos andares dos edifícios era indubitavelmente mais forte e clara que a luz que parecia ter surgido antes em toda a paisagem urbana entrevista, derivada do mecanismo da percepção visual ampliada.
A rua larga, sem asfalto, mostrava poeira. Apareceu-me o aviso interior para não pensar em sexo, pois havia consciências com pen-samento fixo no assunto, excursionando por perto, procurando abordagens mentais. No ambiente de arrabalde, destacaram-se um prédio em construção e outro pronto, habitado, de uns seis andares.
Quando fixei a vista sobre a edificação de seis andares sobressaí-ram as estruturas dos pavimentos e a intimidade da habitação, co-mo se cada segmento da construção se tornasse iluminado com ni-tidez maior. A distância, dava para perceber de fora para dentro que era ocupado. Outra advertência íntima sugeriu-me que não de-via devassar a privacidade daqueles que ali vide-viam.
Dava para distinguir os apartamentos habitados e alguns sem moradores. Via por dentro da cabeça, numa visão circular, de raios X, por todos os lados ou em todas as direções ao mesmo tempo, a distância, dois ou três andares de uma vez. Era como se fosse o esqueleto do edifício iluminado e habitado, qual imensa
cristalei-ra. Com a percepção visual melhorada, mais penetrante, dotada de recursos diferentes de acuidade, enxergava sempre em primeiro plano, num close perfeito, por dentro das coisas, sem as influências da perspectiva. Acho que essa visão apurada, tipo telescópica,
de-pende da estrutura do psicossoma e também da cosmoética vigente na intenção da consciência. Não sei por que me lembrei de certos projetores cegos que veem perfeitamente na dimensão extrafísica.
Concentrando a focalização mais detalhista, a minha vontade permitia localizar consciexes e conscins passantes na rua, ao longe.
Um ou outro, às vezes parecia colega intrafísico temporariamente fora do soma. Nos passeios havia conscins, homens e mulheres. Na rua de chão batido só havia consciexes. No exame da rua, casas e transeuntes, ajudado por essa percepção intensificada pelos Am-paradores, os minutos passaram. Não vi veículos, nem identifiquei o local. Ao descer a travessa lateral, senti o chamado irresistível de retorno à base.
Nove horas e 56 minutos da noite. Estive exatamente 35 mi-nutos fora do soma, que ficara repousando deitado do lado esquer-do. Aconteceu-me a rememoração espontânea, natural, como se a ocorrência extrafísica fosse simples cena comum da vida materi-al, lembrada de manhã, depois de uma noite de sono tranquilo.
Imediatamente dei início ao manuscrito deste registro.
Devo esclarecer aqui, com toda sinceridade, que durante um sonho e mesmo numa projeção, a roupa apertada com a consequen-te estase sanguínea, a repleção vesical ou a bexiga cheia, e uma po-sição no leito, às vezes provocam a ereção do pênis do corpo bio-lógico. Esse fato, contudo, não repercute no psicossoma. Em outras palavras, não ocorre, no caso, ereção do pênis do veículo extrafísi-co. Acontece, independente das condições do corpo humano, um desejo latente de união ou forte impulso de sexo intrafísico durante a projeção, que deve ser identificado, analisado e convenientemen-te domado pelo projetor que deseja evoluir, superando as próprias deficiências, porque esse apelo sexual, constituindo energia psíqui-ca, pode ser vampirizado pelas consciexes enfermas, que parecem só pensar nisso e viver com esse objetivo, através de abordagens mentais e ataques extrafísicos permanentes e diretos na crosta
pla-netária. Nesse ponto, em certos casos, o casamento, trazendo a normalização da vida sexual, constitui a única solução natural ou
fisiológica do problema, auxiliando efetivamente os processos de projeção.
A comunhão, integração e comunicação emocionais na di-mensão extrafísica entre consciexes e conscins, jamais têm as ca-racterísticas sexuais do soma, podem perfeitamente espoliar as energias mentais da conscin projetora. Jamais ocorre orgasmo
ex-trafísico, mas acontece um interfluxo de forças, numa revitalização recíproca da qual quem quase sempre sai perdendo, quando isso acontece, é o projetor (ou projetora), principalmente se for uma companhia parapsicótica.
À vista disso, torna-se primordial que a vida sexual (assim co-mo a alimentação natural) seja atendida normalmente, sem ideias fixas e pensamentos de autoculpa, para que o projetor consiga a execução serena de outros trabalhos, na dimensão extrafísica, descondicionan-do-se a respeito dos tabus sobre o assunto e colocando a libido em plano secundário. O sexo, antes de mais nada, está na mente. O órgão sexual mais importante é a cabeça. Domando-se a mente, domina-se o sexo e tudo o mais. E é indispensável saber conviver pacificamente com o sexo sem atribuir-lhe uma supervalorização que acaba detur-pando os elementos fundamentais da autevolução.
As consciências se atraem pelos pensenes. Assim como a invo-cação direta atrai consciexes na vida comum, atrai igualmente cons-cins durante o período do sono. O pensamento fixo sobre sexo, com determinada criatura atraída, tem força para trazer, em certas circuns-tâncias, a sua consciência durante o repouso do soma para interfusões sexuais, provocando sonhos e rememorações. É o chamado con-gressus subtilis. Quanto mais próximas, geograficamente, estejam as criaturas, mais facilitada será essa união intangível. Quando uma consciência não quer a união, esta não se realiza sejam quais forem as circunstâncias. Daí vem a necessidade de autocontrole permanente das ideias e aspirações íntimas para se evitar abordagens mentais in-desejáveis. As uniões invisíveis podem ocorrer com conscins e cons-ciexes de mentalidade ou tendências masculinas e femininas, inde-pendente das aparências ou dos seus visuais intrafísicos ou extrafísi-cos. Os pecadilhos mentais predispõem e desencadeiam a materializa-ção de comportamentos imaturos e graves conflitos.
O projetor deve evitar qualquer ato que signifique invasão da intimidade das conscins, sustando a curiosidade, quando doentia, e as intenções infelizes. Isso constitui preservação do aspecto mo-ral da conduta e defesa da convivência natumo-ral com os demais, evi-tando-se arrebanhamento de parapsicóticos que estejam nos locais, atraídos pelas pessoas, que se sintam feridos em sua privacidade, julgando-se com o direito de persegui-lo, criando-lhe conflitos ex-trafísicos inesperados, perturbando-lhe a existência e as saídas do corpo humano.