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Adaptação das plantas

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 76-79)

4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.4. Adaptação das plantas

A seguir, é apresentado o comportamento inicial, no período da adaptação e aclimatação de cada tipo de macrófita usada no tratamento por sistema alagado.

4.4.1. Eichhornia crassipes

Como previsto, o aguapé apresentou uma rápida adaptação às condições do tanque, e um crescimento muito acelerado, tendo em vista que foram introduzidos apenas 5 espécimes e num período inferior a 3 semanas, biomassa já ocupava toda a superfície do tanque, ou seja, 2 m2. Outros autores verificaram tempos superiores de adaptação, chegando a dois meses, em alguns casos como Solano et al. (2004); porém deve ser levado em consideração as condições climáticas e as características de cada efluente.

Apesar dessa rápida adaptação e crescimento, alguns espécimes apresentaram, em folhas já maduras, pontos e/ou manchas amareladas ou amarronzadas com aspecto de “ferrugem”, típicas de altas cargas poluidoras que acelera o processo de senescência. Estas foram removidas, buscando uma seleção das mais adaptadas e tolerantes. Comportamento semelhante foi verificado por Sooknah & Wilkie (2004), que comparou tanques que recebiam altas cargas poluidoras e tanques com diluição do efluente.

Um aspecto que não estava sendo esperado durante o desenvolvimento da Eichhornia crassipes, porém também observado por Sooknah & Wilkie (2004), foi o curto comprimento das raízes. Sooknah & Wilkie (2004) atribuiu tal fato como sendo consequência da alta carga poluidora; todavia, outros fatores também podem estar afetando o desenvolvimento das raízes, como o baixo fluxo ou a velocidade superficial do líquido, o confinamento, a aglomeração e a pouca influência dos ventos.

Contudo, o aguapé mostrou-se bem adaptado às condições e o posicionamento do tanque no sistema, sendo o primeiro tanque vegetado, com uma produção de biomassa quinzenal muito superior as outras macrófitas (Calheiros et al., 2007), sendo retiradas 25% do total da superfície ocupada por ela a cada 15 dias, com a vantagem da mesma ser facilmente coletada e retirada do tanque.

Segundo Diniz et al. (2005), o grande problema apresentado pelos aguapés é que se não for feito manejo constante através de retirada de biomassa, essas plantas podem acelerar o processo de assoreamento e elevar os teores de nutrientes devido à sua decomposição. Ainda, segundo Diniz et al. (2005), o manejo adequado é importante para manter o poder de filtração, absorção e biodegradação pelo biofilme associado às raízes.

4.4.2 Algas

As algas, por serem grandes consumidoras de fósforo e nitrogênio e terem rápido crescimento e grande produção de biomassa (Hussar et al., 2004), foram escolhidas para fazer parte do tratamento. Em Kavanagh & Keller (2007), a presença das algas foi questionada, pois não teve a eficiência esperada. Contudo, as condições oferecidas por aqueles autores não foram as ideais para o seu desenvolvimento. Melhores condições, como maior volume do tanque, TRH e superfície de contato superior e menor turbidez foram buscadas no presente sistema de tratamento.

Apesar das algas já estarem presentes no esgoto, em pouca quantidade, sua adaptação e desenvolvimento inicial não foram boas. Um fator que teve grande influência foi a vazão usada no início da operação (200 L/h). Com isso, uma alta carga de poluentes e turbidez, ainda remanescentes acumulou-se no tanque retardando o processo inicial de adaptação. Esse problema foi resolvido com a redução da vazão para 52 L/h, introdução de suportes móveis (carriers) e a colocação de um filtro de brita no primeiro compartimento, logo na entrada do tanque. Após estas mudanças, em 15 dias houve a colonização das algas nos suportes e paredes do tanque.

A introdução de um suporte, no caso bobs de cabelo de plástico (sugestão verbal do pesquisador Daniel Raices) (área superficial específica do suporte adotado: 200 m²/m³), aumentou a superfície de contato, facilitando a permanência das algas na superfície d’água evitando que a biomassa fosse levada para o fundo do tanque pelo fluxo. Suportes artificiais para biofilme (carriers) têm sido usados em estudos de tratamento de esgotos em lagoas (Bento et al., 2005), sendo relatado o aumento na adesão e imobilização das espécies de

microrganismos, e o aumento no tempo de permanência e concentração. Assim como Bento et

al. (2005), foi observada uma presença maior das algas aderidas aos suportes do que em suspensão.

A permanência das algas nos tanques foi possível também devido ao fato de que o tanque de algas antecedia dois tanques com meio filtrante (brita 1) e fluxo sub-superficial, reduzindo, desta forma, a quantidade de algas lançadas no rio.

4.4.3 Cyperaceae - Schoenoplectus sp.

Para o terceiro tanque, foi escolhida uma macrófita emergente, coletada às margens do rio Barra Grande, ao lado do CEADS. Esta macrófita, inicialmente classificada como taboa -

Typha sp. - durante o período de monitoramento foi identificada como sendo, na realidade,

Schoenoplectus sp. da família Cyperaceae.

Esta Cyperaceae teve um período de adaptação de 2 meses, após os quais, podas quinzenais passaram a ser feitas. Esta macrófita foi escolhida por apresentar tolerância a ambientes eutróficos, e pelo seu rápido crescimento e produção de biomassa, que foi verificado ao longo do período de monitoramento. Segundo Klomjek & Nitisoravut (2005), algumas espécies de plantas emergentes, como as da família das Cyperaceae possuem grande capacidade de remoção de nitrogênio e DBO.

Apesar de já adaptada às condições do tanque, e apresentar bons dados de remoção, foi possível observar em algumas folhas, assim como no aguapé, pontos e manchas amareladas ou amarronzadas com aspecto de “ferrugem”. Estas folhas, assim como no aguapé, foram removidas, buscando uma seleção das mais adaptadas e tolerantes.

4.4.4 Poaceae - Panicum cf. racemosum

Para o quarto tanque, foi usada uma espécie de gramínea, Panicum cf. racemosum, da família Poaceae, que possui raiz capilar e rápido crescimento. O Panicum cf. racemosum foi coletado no exato local do rio onde era lançado o efluente tratado do CEADS. Sua adaptação as condições do tanque não foi difícil e, além disso, por ser o último tanque do tratamento, recebia um efluente já tratado e com baixa taxa de carga orgânica.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 76-79)