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3.2 Os passos de desenvolvimento dos PSMs Interpretação de

3.2.5 Adaptação / refinamento

De maneira geral, o passo de adaptação/refinamento pode ser dividido em passos de especificação mais gerais e dois passos de especificação mais específicos, descritos como estabelecimento de suposições e detalhamento operacional. Os passos de especificação mais gerais, por sua vez, são divididos em especificação usando

movimentos, especificação de inferências, especificação do PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos e especificação de PSMs alternativos:

• especificação usando movimentos

As adaptações/refinamentos realizados para desenvolver os PSMs Interpretação de Rochas e Interpretação de Ambientes Diagenéticos podem ser compreendidos como movimentos bidimensionais de especificação, assim como propostos por Fensel et al. [FEN 2000]. Tais movimentos desenvolvidos possuem uma característica em comum: envolvem os eixos de compromissos de tarefas, ou

estratégias de solução de problemas, sempre associados ao eixo de suposições sobre conhecimento de domínio.

Por exemplo, um movimento nos eixos de compromissos de tarefas e suposições sobre conhecimento de domínio realizado poderia ser explicado como sendo o refinamento de uma tarefa de interpretação para uma tarefa de interpretação

de rochas, assim supondo a disponibilidade de conhecimento de domínio sobre

"tarefas de interpretação de amostras de rochas". Outro movimento bastante claro envolvendo os eixos de compromissos de tarefas e suposições sobre conhecimento de domínio foi realizado na adaptação do PSM Interpretação de Rochas para o PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos, pois este último efetivamente considera o conhecimento de domínio adquirido e representado no âmbito do projeto

PetroGrapher.

• especificação de inferências

As inferências básicas definidas em especificações intermediárias de ambos os PSMs também foram adaptadas/refinadas segundo requisitos de conhecimento de

domínio. Um exemplo que pode ser citado é o refinamento da inferência de

"composição de soluções" do PSM Interpretação de Rochas. Este passso de inferência foi especializado para apresentar somente "composições possíveis de soluções" no PSM Interpretação de Rochas, e devido às dificuldades de aquisição de conhecimento foi posteriormente simplificado para apenas apresentar uma "combinação de soluções" no PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos.

• especificação do PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos

O processo de adaptação/refinamento mais explicitamente realizado durante o desenvolvimento foi a derivação do PSM Interpretação de Rochas para o PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos. Tal processo poderia ser comparado a um

processo de adaptação/refinamento de um modelo de análise para um modelo que

considera requisitos de conhecimento mais fortes, tais como: limitações de aquisição de conhecimento, representação de conhecimento, derivação de soluções possíveis, confiabilidade das entradas, etc. Tais passos foram realizados no sentido de detalhar

uma teoria de competência mais operacional (tal como proposto por Wielinga et al.

[WIE 98]), representada mais precisamente no PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos.

• especificação de PSMs alternativos

Durante o processo de adaptação/refinamento do PSM Interpretação de Rochas para o PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos, vários PSMs

alternativos foram gerados. O detalhamento desses PSMs alternativos poderia ser

caracterizado como um processo de configuração (Teije et al. [TEI 96]), ou como um

processo de especificação de uma teoria de competência refinada (Wielinga et al.

[WIE 98]). Porém, os PSMs intermediários alcançados perfeitamente poderiam descrever esquemas de inferência usáveis na Petrografia, pois eles representavam especificações conceituais que demonstravam requisitos de competência requeridos para resolver o problema, mas competências ainda não adequadas aos requisitos de inferência do projeto PetroGrapher.

Dentre os PSMs alternativos adaptados do PSM Interpretação de Rochas, apenas um foi selecionado e descrito como o PSM Interpretação de Ambientes Diagenéticos. Tal PSM foi usado como modelo de análise mais refinado, o qual orientou o desenvolvimento de um algoritmo de inferência para o sistema

PetroGrapher (descrito na seção 5.5). Mesmo assim, a descrição de tais PSMs variantes (Fensel et al. [FEN 2000]), ou possivelmente ajustados (Teije et al. [TEI

96]), poderia ser relevante para diferentes domínios de aplicação (ou tarefas no domínio da Petrografia) que viessem a reutilizar tais descrições mais operacionais.

3.2.5.1 Estabelecimento de suposições

O passo de estabelecimento de suposições pode ser descrito como

caracterização da competência, descrição de suposições básicas e descrição de suposições mais abrangentes:

• caracterização da competência

Existe um consenso atualmente que o processo de desenvolvimento de PSMs seja dirigido por suposições. Tal afirmação tem grande relevância para a caracterização dos PSMs construídos, pois diversas suposições foram estabelecidas durante o passo de adaptação/refinamento dos modelos. Entre outras suposições estabelecidas, as suposições sobre existência de associações entre pacotes e esquemas e suporte para composições originais mais comuns (descritas respectivamente nas seções 4.1.4 e 4.3.4) podem exemplificar o processo de caracterização da competência dos PSMs Interpretação de Rochas e Interpretação de Ambientes Diagenéticos, respectivamente.

• descrição de suposições básicas

Somente a partir da definição de uma estrutura de inferência básica para representar um processo de raciocínio de interpretação de rochas desenvolvido pelo especialista em Petrografia, algumas suposições simplificadas foram identificadas. Uma das primeiras suposições estabelecidas que exemplificam esse fato foi a descrição do PSM Interpretação de Rochas em função de esquemas de rochas e pacotes visuais. Estes são os principais conceitos (ou se supõe que sejam) que suportam a perícia neste domínio de problemas.

Segundo Abel et al. [ABE 98], especialistas em Petrografia efetivamente utilizam estruturas de conhecimento bastante elaboradas, as quais permitem desenvolver raciocínios mais complexos. Todavia, pacotes visuais e esquemas de rochas são interpretações simplificadas destas estruturas de conhecimento mentais, assim permitindo compreender e explicar o comportamento de solução de problemas desenvolvido por humanos.

• descrição de suposições mais abrangentes

Muitas das suposições que foram estabelecidas dizem respeito ao detalhamento do esquema de raciocínio para interpretação de rochas (descrito no capítulo 4) como um todo, caracterizando o comportamento de solução de problemas derivável pelo conjunto dos modelos especificados. Assim como pôde ser notado, a descrição formal das suposições, tal como proposto por Teije et al. [TEI 96], pode dificultar muito o processo de validação das especificações de PSMs intermediários junto a especialistas, além de tornar o processo de detalhamento dos PSMs demorado e cansativo.

Mesmo assim, a descrição de suposições para tarefas de diagnóstico em um formato informal, tal como aquelas apresentadas por Fensel et al. [FEN 98a] e Benjamins et al. [BEN 96b], auxiliaram na identificação das suposições estabelecidas para os PSMs Interpretação de Rochas e Interpretação de Ambientes Diagenéticos. Tal como essas suposições sobre diagnóstico, as suposições que foram estabelecidas nesse trabalho (seções 4.1.4 e 4.3.4) possivelmente podem ser reutilizadas para orientar o estabelecimento de novas suposições em outras tarefas de raciocínio em domínios similares a este, bem como em outros domínios de aplicação.

3.2.5.2 Detalhamento operacional

Está explícito em diferentes abordagem de desenvolvimento de PSMs (seção 2.5) que eles sejam utilizados tanto como um meio de formalização de processos de

raciocínio eficientes, como também um meio de operacionalização destes. Como

requerido pelo projeto PetroGrapher, um dos critérios que nortearam o desenvolvimento dos PSMs Interpretação de Rochas e Interpretação de Ambientes Diagenéticos foi alcançar uma estratégia de solução de problemas para expressar

aspectos operacionais de inferência possíveis de serem empregados no domínio da

Petrografia. No entanto, especificações de PSMs eficientes não foram consideradas logo em princípio, pois somente quando uma estratégia operacional preliminar estava completamente especificada (tal como atendendo a objetivos estáticos - Teije et al. [TEI 96]), então aspectos de eficiência requeridos nesse domínio de problemas foram explicitamente analisados.

Segundo Fensel et al. [FEN 96], é necessário considerar que especialistas também desempenham tarefas de raciocínio sob limitações reais, onde grande parte do conhecimento perito está associado com algum tipo de raciocínio eficiente considerando essas limitações. O PSM Interpretação de Rochas, neste caso, pode representar mais fielmente uma estratégia de solução de problemas descrita a partir de uma análise do comportamento de solução de problemas do especialista em Petrografia. Portanto, tal modelo já considera como alcançar soluções melhores de maneira mais eficiente, assim descrevendo quando efetivamente utilizar o conhecimento de domínio para resolver problemas no domínio da Petrografia Sedimentar.

Todavia, a descrição dos PSMs Interpretação de Rochas e Interpretação de Ambientes Diagenéticos em um formalismo executável, o qual poderia ser utilizado para implementar e testar algoritmos de inferência derivados automaticamente a partir da especificação dos PSMs, não foi realizada. Para declarar as especificações de

controle dos PSMs modelados, uma linguagem contendo estruturas de controle

simplificadas foi empregada. Desta forma, optou-se por uma especificação semiformal (tipo script), não descrevendo as especificações operacionais dos PSMs Interpretação de Rochas e Interpretação de Ambientes Diagenéticos em um formalismo muito preciso, normalmente não muito claro para leigos em computação. Isso facilitou a validação dessas especificações operacionais junto ao especialista em Petrografia, mas não permitiu realizar sobre elas nenhum processo de configuração

dinâmica dos PSMs especificados, assim como proposto por Teije et al. [TEI 96].