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13 Legislative Assemblies in Spain: The Application of Information and Communication Technologies

1.8 ADERÊNCIA AO EGC

A aderência desta tese ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Gestão do Conhecimento (EGC) se dá primeiramente pela interdisciplinaridade da proposta.

A interdisciplinaridade caracteriza-se pela abertura ao diálogo e pela intensidade da interação entre as disciplinas no interior de um mesmo projeto de pesquisa (JAPIASSU, 1976).

Entende-se que este trabalho requer aportes de diferentes ciências para a compreensão do seu objeto como um todo, necessitando, portanto, cruzar contribuições de diferentes áreas de conhecimento, especialmente o Direito, a Administração Pública, a Estatística e a Engenharia e Gestão do Conhecimento.

Na medida em que se pretende desenvolver um framework de apoio à democracia eletrônica em portais de governo com base nas práticas de Gestão do Conhecimento, está se propondo, em síntese, identificar, organizar e representar o conhecimento necessário para a construção de portais que queiram promover a democracia eletrônica.

Esse processo de aquisição, modelagem e representação do conhecimento no domínio da democracia eletrônica insere a tese na linha de pesquisa Engenharia do Conhecimento Aplicada a Governo Eletrônico.

Este trabalho também apresenta um forte vínculo com a Gestão do Conhecimento, na medida em que se apresentam as práticas e os processos de Gestão do Conhecimento que possuem relação com as variáveis capazes de promover a democracia eletrônica. Como resultado, permite saber quais processos cada uma das variáveis viabiliza ao ser implementada nos portais de governo.

Este trabalho confere ainda complementariedade a outros estudos já defendidos dentro do Programa. São eles:

• Dissertação (OLIVEIRA, 2009): Sistemas Baseados em Conhecimento e Ferramentas Colaborativas para a Gestão Pública: Uma Proposta ao Planejamento Público Local.

• Tese (BIZ, 2009): Avaliação dos Portais Turísticos Governamentais quanto ao Suporte à Gestão do Conhecimento. • Tese (DZIEKANIAK, 2012): Método para inclusão de

conhecimento presente em mídias sociais no aprimoramento de plataformas de governo eletrônico.

• Tese (SALM JÚNIOR, 2012): Padrão de projeto de ontologias para inclusão de referências do novo serviço público em plataformas de governo aberto.

1.9 JUSTIFICATIVA

A ONU, por meio do estabelecimento de um ranking de governo eletrônico, avalia a excelência dos projetos de TICs aplicados aos governos no cenário mundial. Esse ranking mede a vontade e a capacidade do governo em usar as TICs para entregar serviços públicos aos cidadãos, considerando três dimensões básicas: o escopo e a qualidade dos serviços, a infraestrutura de telecomunicações e o capital humano.

Ao analisar a evolução deste ranque, percebe-se que o Brasil apresentou uma queda na sua colocação. O país, que ocupava a 18ª posição no ranque internacional em 2001, caiu para 33ª em 2005, para 45ª em 2008 e para 61ª em 2010.

Na avaliação de 2014, o Brasil apareceu na 57ª posição, subindo duas posições desde o último ranking estabelecido em 2012, quando atingiu a 59ª colocação, ficando atrás de países como Uruguai (26°), Chile (33°), Argentina (46°) e Colômbia (50°). As cinco primeiras posições no ranque da ONU de governo eletrônico em 2014 são ocupadas pela República da Korea, Austrália, Singapura, França e Holanda.

Uma possível razão para a queda do Brasil é atribuída à falta de direcionamento de estratégias e políticas públicas que considerem a face externa do governo, no sentido de utilizar ferramentas para aprimorar a participação cidadã (ROVER et al., 2012).

A própria ONU salienta que as iniciativas de governo eletrônico devem ser projetadas para serem ágeis, centradas no cidadão e socialmente inclusivas, e que os governos devem promover o engajamento dos cidadãos por meio de processos participativos de entrega de serviços, de forma que eles se tornem, além de usuários, coprodutores das informações e dos serviços públicos (UNESCO, 2012). Além disso, as administrações públicas ao redor de todo o mundo vivem um momento muito especial no que diz respeito à abertura de dados e ao acesso à informação.

Particularmente no Brasil, alguns movimentos merecem destaque:

• Promulgação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) - (Lei complementar nº 101 de 2000), alterada pela Lei Complementar

nº 131/2009, a qual inseriu no art. 48 a obrigatoriedade da disponibilização, em meio eletrônico, de informações pormenorizadas sobre a execução orçamentária e financeira da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; • Criação do Portal Transparência em 2004, que tem por objetivo

promover a transparência da gestão pública e estimular a participação e o controle social mediante divulgação das contas e orçamentos de todos os programas e ações do Governo Federal (BRASIL, 2012a, online);

• Elaboração do portal Marco Civil da internet (MARCO CIVIL DA INTERNET, 2012), cujos esforços e contribuições cidadãs auxiliaram no estabelecimento da chamada ‘Constituição da Internet’, sancionada em 23 de abril de 2014 com a promulgação da Lei n° 12.965, que estabelece princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil (BRASIL, 2014a);

• Criação do Portal e-democracia em 2009, cujo objetivo é o de promover debates e compartilhar conhecimentos no processo de elaboração de projetos de leis e políticas públicas de interesse estratégico nacional (BRASIL, 2009b);

• Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135, de 4 de junho de 2010) que alterou a Lei Complementar n° 64 de 18 de maio de 1990, estabelecendo novos casos de inelegibilidades e prazos de cessação, visando assegurar e proteger a probidade administrativa e a moralidade para exercício do mandato; • Constituição do Plano de ação Nacional sobre Governo Aberto

(PNGA), em setembro de 2011, com o objetivo de promover ações e medidas que visem ao incremento da transparência e do acesso à informação pública, à melhoria na prestação de serviços públicos e ao fortalecimento da integridade pública (BRASIL, 2011b);

• Promulgação da Lei de Acesso à Informação (LAI) em 18 de novembro de 2011, que dispõe sobre procedimentos, normas e prazos a serem observados pelos órgãos e entidades públicas, a fim de assegurar o direito fundamental de acesso à informação, inscrito na Constituição Brasileira e regulamentado pela Lei Federal n° 12.527/2011;

• Instituição da Política Nacional de Participação Social, por meio do Decreto n° 8.243, de 23 de maio de 2014, que objetiva fortalecer e articular os mecanismos e as instâncias de diálogo e

a atuação conjunta entre a sociedade civil e a administração pública federal (BRASIL, 2014b).

Esses movimentos demonstram que o governo está direcionando esforços para a consolidação e o amadurecimento do processo democrático. Ainda que as iniciativas, na prática, sejam tímidas, o processo já se iniciou.

Desta feita, é imprescindível que os portais de governo, tidos como um dos canais mais importantes para a interação entre governo e cidadão, se mostrem cada vez mais abertos, convidativos e receptivos à participação e ao controle social, tendo em vista inserir o cidadão no processo de tomada de decisão.

Acredita-se que, ao dispor de alguns elementos-chave, um portal de governo pode fortalecer o seu potencial de promoção da democracia eletrônica.

1.10 ESTRUTURA DO TRABALHO

Tendo em vista responder aos objetivos delineados inicialmente, esta tese está organizada em sete capítulos (Figura 3), considerando este introdutório.

O capítulo 2 apresenta a área da Engenharia e Gestão do Conhecimento e traz uma explanação sobre os tipos de conhecimento, as práticas e os processos de Gestão do Conhecimento, os sistemas de conhecimento e as metodologias da Engenharia do Conhecimento.

O capítulo 3 aborda o movimento de reforma do Estado e discute os conceitos e bases teóricas do governo eletrônico, democracia eletrônica, governança eletrônica e governo aberto.

O capítulo 4 traz a discussão sobre os fundamentos de indicadores de desempenho, argumentando sobre suas características, classificações e metodologias de apoio à construção.

O capítulo 5 traz a construção do framework, passando pelos conceitos, dimensões de análise, indicadores e variáveis de democracia eletrônica, bem como a ontologia que representa este domínio. Também é apresentado o procedimento de validação do conteúdo do instrumento de pesquisa, composto pelas variáveis capazes de conduzir a democracia eletrônica nos portais de governo, bem como o cruzamento destas variáveis com as práticas e processos da Gestão do Conhecimento.

O capítulo 6 aborda a verificação da consistência empírica do framework, dando ênfase ao pré-teste realizado, bem como a aplicação ao corpus eleito para esta pesquisa. O capítulo 7 traz as considerações finais, conclusões e as oportunidades de trabalhos futuros.

Por fim, são apresentadas as referências que contribuíram para o desenvolvimento do trabalho como um todo.