3. COAGULAÇÃO E FLOCULAÇÃO
3.2. Definições
3.3.4. Mecanismos da Coagulação
3.3.4.2. Adsorção e Neutralização de Carga
De acordo com Faust e Aly (1998), pesquisadores têm compilado recentemente
considerável quantidade de informação de vários sistemas coagulante-colóide, indicando que
outras interações, além das eletrostáticas são responsáveis pela desestabilização. Por exemplo,
uma dosagem de 6 x 10
-5mol/L do dodecilamônio (C
12H
25NH
3+) é suficiente para coagular certa
concentração de sol de iodeto de prata, enquanto a quantidade necessária do íon sódio para
coagular igual quantidade do íon negativo é de 10
-1mol/L,o que, para estes autores, sugere um
mecanismo de coagulação em adição à interação eletrostática, pois, conforme a tabela anterior,
ambos os coagulantes teriam igual poder relativo, já que a valência de ambos é a unidade.
Os coagulantes inorgânicos usados na neutralização (tais como o sulfato de alumínio) e os
polímeros catiônicos, operam freqüentemente com a neutralização da carga, que é uma maneira
prática de abaixar a barreira da energia (DLVO) e dar forma aos flocos estáveis.
De acordo com Di Bernardo (2005), a desestabilização das partículas coloidais consiste em
interações coagulante-colóide, coagulante-solvente e colóide-solvente e, no caso de espécies
hidrolisadas de Al e Fe ou de polímeros sintéticos catiônicos, é comum ocorrer a interação
específica entre coagulante-colóide, sendo dominante o fenômeno de adsorção. Neste tipo de
desestabilização, as partículas presentes na água bruta adsorvem, em suas superfícies, produtos de
hidrólise do alumínio ou ferro que neutralizam os ânions da superfície dos colóides.
A desestabilização por adsorção ocorre em tempo muito reduzido, portanto, os íons
hidrolisados de alumínio devem estar disponíveis. A mistura rápida deverá ser feita com muita
energia e durante tempo curto. Os produtos da hidrólise do alumínio que podem ser adsorvidos
ficam na água apenas durante alguns segundos (0,0001 a 1s). Esse tipo de coagulação é
recomendado para uma das tecnologias de tratamento com filtração direta. Para Gregory (2001), a
desestabilização da partícula coloidal carregada negativamente ocorre devido à adsorção
específica de espécies catiônicas da solução. Sendo assim, os produtos da hidrólise dos sais de Al
e Fe, que são catiônicos, podem coagular através da neutralização da carga dos colóides.
A neutralização da carga envolve a adsorção de um coagulante positivamente carregado na
superfície do colóide com carga negativa, que, resulta em carga líquida próxima a zero. A
neutralização é a chave da otimização do tratamento, precedendo a filtração direta em meio
granular. Porém somente a neutralização da carga não produzirá os macro-flocos, necessários na
operação de sedimentação ou flotação, sendo oportuna a coagulação com dosagem maior do
coagulante no mecanismo da varredura ou ainda a aplicação de auxiliar de floculação.
Micro-flocos são formados na coagulação por adsorção dos produtos de hidrolise do
coagulante metálico na superfície da partícula coloidal, com conseqüente neutralização, mas não
são agregados rapidamente como flocos visíveis. A adsorção de cátions na superfície negativa
pode ocorrer por ação eletrostática ou por alguma ação complexa na superfície. Os coagulantes
hidrolisados são eficazes para um amplo espectro de partículas, inclusive bactérias e argilas. É
comum ter partículas coloidais desestabilizadas com pequena quantidade do coagulante
hidrolisado em que a ótima dosagem corresponde à quantidade necessária para a neutralização da
carga da partícula (determinada através da mobilidade eletroforética).
coagulante. Para baixa concentração de partículas, será necessária baixa dosagem. Sob estas
condições, a eficiência da coagulação será elevada na tecnologia da filtração direta e reduzida na
tecnologia de tratamento da água do tipo completo ou convencional, pois a velocidade de
sedimentação destas partículas é baixa. A técnica da filtração direta foi muito divulgada no Brasil
por Di Bernardo, sendo propriamente usada após o diagrama de Amirtharajah e Mills desde 1982.
Grande quantidade do coagulante pode carregar positivamente as partículas, provocando à
re-estabilização das partículas coloidais como colóides positivos. O resultado é um sistema mal
coagulado, devido ao excesso do coagulante metálico ou orgânico.
A Figura 3.3 apresenta a coagulação no mecanismo de adsorção e neutralização, onde
inicialmente o produto da hidrolise do coagulante (Al
+3) é adsorvido na superfície das partículas
coloidais e na seqüência neutraliza a carga dos colóides negativos.
Substâncias
Solúveis
Partículas
Suspensas
Neutralização de
Cargas
Hidróxido de
Poli-Alumínio
3+
+ + +
+
+
Al²
Floculação
Polímero Não-iônico
ou Aniônico
Partículas
Finas
Figura 3.3.Coagulação de partículas coloidais por neutralização de cargas (Kemira,2003)
De acordo com Gregory (2001), apesar de as partículas coloidais poderem ser efetivamente
desestabilizadas por neutralização da carga, há duas desvantagens na tecnologia para o tratamento
de água com sedimentação ou flotação:
• Controle completo e eficiente da dosagem do coagulante para uma ótima
desestabilização;
• A taxa de colisão das partículas. A taxa de coagulação depende do quadrado da
concentração de partículas, que poderá ser muito baixa para suspensões diluídas.
Ambos os problemas podem ser contornados, se for usada alta dosagem de coagulante,
adotando-se a coagulação por varredura, desde que considerável quantidade de precipitado de
hidróxido amorfo seja formada. Porém, para o uso adequado do mecanismo de coagulação por
neutralização e adsorção de cargas, deve-se adotar a tecnologia de tratamento por filtração direta,
onde não é necessário desenvolver flocos apropriados à sedimentação ou flotação, mas adequados
à adsorção nos grãos do material filtrante.
No documento
USO DE POLÍMERO NATURAL DO QUIABO COMO AUXILIAR DE FLOCULAÇÃO E FILTRAÇÃO EM TRATAMENTO DE ÁGUA
(páginas 52-55)