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Adubação nitrogenada como ferramenta de intensificação do processo

A adubação nitrogenada aumenta o acúmulo de forragem, pois afeta o ritmo morfogênico das gramíneas (LEMAIRE; CHAPMAN, 1996), principalmente as tropicais, como o capim-mombaça (LAVRES; MONTEIRO, 2003); capim- aruana (LAVRES et al., 2004), capim-xaraés (MARTUSCELLO et al., 2005) e o capim-marandu (ALEXANDRINO et al., 2004; BATISTA; MONTEIRO, 2007; RODRIGUES et al., 2008; MESQUITA et al., 2010). A elevação da dose de N aplicada aumenta o comprimento médio das folhas devido à maior taxa de alongamento foliar (ALEXANDRINO et al., 2004; MARTUSCELLO et al., 2005; RODRIGUES et al., 2008; PEREIRA, 2009), assim como aumenta o número de folhas vivas por perfilho (ALEXANDRINO et al., 2004; MARTUSCELLO et al., 2005; PEREIRA, 2009), a densidade populacional de número de perfilhos (LAFARGE, 2006; BATISTA; MONTEIRO, 2007, CAMINHA et al., 2010) assim como o tamanho dos mesmos (ALEXANDRINO et al., 2004).

A densidade populacional de perfilhos aumenta por meio do maior aparecimento de perfilhos, pois o número de gemas axilares cresce e o N estimula os pontos de crescimento (JEWISS, 1972). No entanto, existem situações experimentais em que o incremento em densidade populacional de perfilhos com aumentos nas doses de N não é identificado, normalmente quando o intervalo de corte ou pastejo utilizado é longo e resulta em competição intra-específica por luz e pelos demais fatores de ambiente (SARMENTO et al., 2005; HENNESSY et al., 2008). O peso dos perfilhos é, no longo prazo, o principal componente do aumento da produção de matéria seca do capim-marandu (ALEXANDRINO et al., 2004). Se o manejo do pastejo for mantido constante, o incremento do suprimento de N pode, também, ocasionar a ocorrência de maior proporção de perfilhos reprodutivos (SARMENTO et al., 2005; LAFARGE, 2006) dependendo do intervalo de pastejo utilizado.

Com aumento das doses de N e aumento das taxas de acúmulo de folhas pode haver aumento correspondente em taxa de senescência foliar,

principalmente no final do período de rebrotação (ALEXANDRINO et al. 2004; MARTUSCELLO et al., 2005), o que reduz os ganhos em produção advindos da fertilização nitrogenada. O uso eficiente da forragem produzida depende do equilíbrio entre otimizar a interceptação de luz pelas folhas existentes e colher o tecido foliar antes que ele se torne senescente. Para tanto, o momento ideal de colheita da folha seria imediatamente antes do início de sua senescência, o que corresponde aproximadamente ao ponto de máxima taxa média de acúmulo de forragem (PARSONS et al., 1988; LEMAIRE et al., 2009). Portanto, para que o aumento em produção de forragem seja revertido em aumentos na produção animal, o intervalo de desfolhação deve ser reduzido para ajustar a colheita à precocidade de desenvolvimento da forragem adubada com nitrogênio (ALEXANDRINO et al., 2004; SARMENTO et al., 2005).

Cadish et al. (1994) estimaram que o déficit anual de N em gramíneas tropicais cultivadas em solos de Cerrado (Latossolos) varia de 60 a 100 kg.ha-1. Werner et al. (1996) propuseram adubações nitrogenadas de manutenção de 40 a 80 kg de N, variando conforme a planta forrageira. Para o capim-tanzânia a dose de 50 kg ha-1 ano-1 de N foi suficiente para manter a produção de forragem estável por 3 anos e, após esse período, tornou-se necessário elevação da dose para 100 kg ha-1ano-1 de N (EUCLIDES et al., 2007). O nitrogênio é também o principal nutriente cujo suprimento adequado pode evitar a degradação das pastagens e realizar sua recuperação. Isto porque a reciclagem no sistema é comprometida pela distribuição desuniforme e pelas elevadas perdas ocorridas nas dejeções dos animais, esgotamento do N do sistema, elevado requerimento desse nutriente associado a elevado custo de aquisição, perdas por volatilização de amônia, lixiviação e custos envolvidos na aplicação (OLIVEIRA et al., 2005). Aumentos nas doses de N de 75 a 300 kg ha-1 ano-1 para o capim-braquiária (FAGUNDES et al., 2005) e de 70 a 210 kg ha-1 ano-1 para o capim-marandu (OLIVEIRA et al., 2005) resultaram em aumento do acúmulo de forragem segundo uma função linear, revertendo o processo de degradação das pastagens. Dentre os macronutrientes, aqueles que mais afetam a produção de forragem do capim-marandu são nitrogênio e fósforo (MONTEIRO et al., 1995). Costa et al. (2000), em experimento

com pastagem degradada de capim-marandu, avaliaram doses de P e N (50 e 100 ha-1 ano-1 de N) e constataram que, independentemente do uso de fósforo, as maiores produções foram obtidas com a aplicação da maior dose de N e que a dose de 50 kg ha-1 ano-1 de N promoveu aumento significativo da produção de forragem.

Quando a estrutura do dossel é mantida sob controle (relativamente estável) não é esperada diferença significativa no ganho de peso diário dos animais, pois este é função do consumo que, por sua vez, é influenciado pela massa do bocado, variável essa muito sensível a variações em estrutura, principalmente altura do dossel forrageiro (STOBBS, 1973; COSGROVE, 1997). Nos trabalhos realizados em pastos de azevém perene (MAXWELL et al. 1998) e pastos consorciados de azevém perene e trevo-branco (SIBBALD et al., 2004) o aumento das doses de nitrogênio não resultou em elevação do ganho de peso diário (kg animal dia-1) dos animais em pastejo, no entanto a maior quantidade de nitrogênio causou maior acúmulo de forragem o que possibilitou incremento na taxa de lotação, resultando em maior produtividade animal (kg ha-1).

A aplicação de N influencia a maior produção de forragem, o que em pastos mantidos sob condições de estrutura controlada, causa aumentos proporcionais na taxa de lotação (WADE, 1991; LEMAIRE et al., 2009). Como a proporção da folha ou perfilho retirada em cada evento de desfolhação é proporcional ao tamanho inicial do perfilho, quanto maior a frequência de desfolhação de perfilhos individuais maior será a oportunidade de consumo do tecido foliar antes que ele entre em senescência, ou seja, maior proporção do tecido foliar será colhida durante a duração de vida da folha. Mazzanti e Lemaire (1994) avaliaram o efeito da aplicação de nitrogênio na freqüência de desfolhação de pastos de Festuca arundinacea, planta forrageira de clima temperado, sob lotação contínua e IAF constante, e relataram que os pastos que receberam maiores doses de N tiveram maior produção de forragem e maiores taxas de lotação, necessárias para manter as metas de altura do dossel forrageiro (IAF constante). Dessa forma, houve aumento proporcional da freqüência de desfolhação nos pastos que receberam maiores doses de N. Para capim-

marandu, planta forrageira de clima tropical, manejada sob lotação contínua e pastos mantidos constantemente a 30 cm de altura, incrementos na dose de N (0, 150, 300 e 450 kg ha-1) resultaram em aumento da produção de forragem (MESQUITA, 2008), da taxa de lotação e da freqüência de desfolhação de perfilhos individuais, porém não resultaram em maior eficiência de utilização da forragem produzida em função da redução da duração de vida da folha (GUARDA, 2010).

O padrão de aplicação de N durante a estação de crescimento pode influenciar a distribuição do suprimento de forragem ao longo do ano, alterando a necessidade de uso de suplementos, o desempenho individual dos animais e a produção total do sistema. Aplicações de N no final do período de águas podem elevar a produção animal (WERNER,1986; MAXWELL et al., 1998) e/ou melhorar a sincronia entre o suprimento e a demanda animal por forragem (EUCLIDES et al., 2007; HENNESSY et al., 2008) apesar da menor eficiência agronômica de utilização do fertilizante aplicado nessa época (FAGUNDES et al., 2005). No entanto, Ferris et al. (2008) apontaram para a tendência de redução do número de aplicações de nitrogênio ao longo da estação de crescimento, reduzindo assim o custo e a mão-de-obra empregada. Esses autores mostraram, em experimento conduzido com azevém perene pastejado por vacas em lactação, que a redução de três para uma aplicação de N por ciclo não reduziu a produção de forragem e nem a produção de leite.

O intervalo de pastejo (ou tempo de rebrotação) e a adubação nitrogenada são componentes importantes que afetam o crescimento da Brachiaria brizantha cv. Marandu e, por isso, devem ser considerados na determinação das estratégias de manejo de pastos formados por essa planta forrageira (ALEXANDRINO et al., 2004). Contudo, as informações relativas às respostas de plantas e animais a estratégias de pastejo para essa planta forrageira caracterizadas por controle estrito da estrutura do dossel por meio do uso do conceito de alvo de manejo (HODGSON; Da SILVA, 2002), particularmente com relação ao desempenho animal, são ainda escassas, razão pelas quais mais estudos são necessários

como forma de permitir a geração do conhecimento e favorecer o planejamento de estratégias de pastejo eficientes e sustentáveis.

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