O Decreto Federal nº 7.611/11 dispõe sobre o atendimento educacional especializado. Na busca em promover um atendimento educacional especializado, em seu Art.5º, determina como deve ser a articulação entre os entes federados quando diz:
A União prestará apoio técnico e financeiro aos sistemas públicos de ensino dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na forma deste Decreto, com a finalidade de ampliar a oferta do atendimento educacional especializado aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, matriculados na rede pública de ensino regular (BRASIL, 2011).
O apoio técnico se traduz no que diz o parágrafo 2º do mesmo Decreto Federal, ao discriminar os recursos educacionais que facilita a aquisição dos conteúdos curriculares pelos educandos com deficiência, logo terão as seguintes ações:
I - aprimoramento do atendimento educacional especializado já ofertado; II - implantação de salas de recursos multifuncionais;
III - formação continuada de professores, inclusive para o desenvolvimento da educação bilíngue para estudantes surdos ou com deficiência auditiva e do ensino do Braile para estudantes cegos ou com baixa visão;
IV - formação de gestores, educadores e demais profissionais da escola para a educação na perspectiva da educação inclusiva, particularmente na aprendizagem, na participação e na criação de vínculos interpessoais; V - adequação arquitetônica de prédios escolares para acessibilidade;
VI - elaboração, produção e distribuição de recursos educacionais para a acessibilidade; e
VII - estruturação de núcleos de acessibilidade nas instituições federais de educação superior. (BRASIL, 2011)
Quanto ao apoio financeiro, o Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação Básica ( FUNDEB), aprovado em 2007, com relação aos recursos financeiros destinados aos alunos da educação especial, em seu Art.9º fica prescrito que, “para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, será admitida a dupla matrícula dos estudantes da educação regular da rede pública que recebem atendimento educacional especializado. (BRASIL, 2007).
E como forma de garantir a universalização do ensino desta modalidade, prescreve no artigo 14º do Decreto de 2011 que:
Admitir-se-á, para efeito da distribuição dos recursos do FUNDEB, o cômputo das matrículas efetivadas na educação especial oferecida por instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos, com atuação exclusiva na educação especial, conveniadas com o Poder Executivo competente. (BRASIL, 2011)
Embora a descentralização seja característica político-administrativa de nossa federação no que diz respeito aos recursos financeiros direcionados ao sistema educacional, por se tratar de uma política pública distributiva, sente-se a real necessidade de recursos federais para a implementação e efetivação da mesma.
Alves (2011, p. 119), mostra que:
O aporte de recursos financeiros é condição indispensável à implementação das ações que materializam uma política pública. No âmbito da legislação educacional (Brasil 1996,LDB,art.68;I a V) esse aporte é originário da receita de impostos próprios da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; receita de transferências constitucionais e outras transferências; receita do salário-educação; e de outras contribuições sociais; receita de incentivos fiscais e de outros recursos previstos em lei.
Quanto à distribuição de recursos do FUNDEB, entre as esferas do poder estatal, Andrade (2012) nos chama a atenção quanto à forma de organização em que o nosso sistema educacional está aportado e de como isto interfere diretamente na distribuição desses recursos, considerando que:
É oportuno ressaltarmos que o entendimento de sistema como discurso fundante que passa a ser incorporado no campo educacional denota um conjunto de atividades organizadas sob normas próprias, portanto,
autônomas, mas também comuns a todas as suas instâncias. (ANDRADE. 2012, p. 121)
Ainda Andrade (2012) nos chama a atenção à questão da responsabilização de cada esfera administrativa, quanto ao planejamento e acompanhamento das políticas públicas educacionais,
Essas instâncias devem ter legitimidade para o planejamento e acompanhamento de políticas para a educação, e capacidade para viabilizar a colaboração entre as instituições envolvidas com a garantia da educação básica em cada esfera administrativa. (ANDRADE. 2012, p. 120)
Planejar, acompanhar a capacidade de viabilização é fator indispensável para a materialização de políticas educacionais em nosso contexto educacional, principalmente se tratando de políticas voltadas ao Atendimento Educacional Especializado.
Quanto ao termo Atendimento Educacional Especializado, o Decreto Federal de nº 7.611, de 17 de novembro de 2011, que dispõe sobre a educação especial, o atendimento educacional especializado e dá outras providências, considera em seu art.2º, parágrafo 1º sendo: “o conjunto de atividades, recursos de acessibilidade e pedagógicos organizados institucionalmente, prestado de forma complementar ou suplementar à formação dos alunos no ensino regular.” (BRASIL, 2011).
Salienta em seu parágrafo 2º que: “O atendimento educacional especializado deve integrar a proposta pedagógica da escola, envolver a participação da família e ser realizado em articulação com as demais políticas públicas” (BRASIL, 2011).
Ainda no mesmo Decreto Federal, estas políticas estão explicitadas no Art. 7º quando diz:
O Ministério da Educação realizará o acompanhamento e o monitoramento do acesso à escola por parte dos beneficiários do benefício de prestação continuada, em colaboração com os Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e com a Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. (BRASIL, 2011)
Desta forma, envolve uma articulação conjunta da comunidade escolar e de outras esferas estatais que buscam promover ações que reverberam nestes espaços.
A elaboração da proposta pedagógica também deve vir embasada com o apoio da família, pois em se tratando de pessoa com deficiência, o núcleo familiar pode ajudar a desenvolver junto aos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e os
demais professores da classe regular comum, os recursos pedagógicos que venham a se adaptar melhor ao aluno com deficiência, informando quais as suas potencialidades e limitações. Neste contexto, o Decreto 7611/11, em seu Art. 3º, traz como objetivos para o Atendimento Educacional Especializado:
I - prover condições de acesso, participação e aprendizagem no ensino regular e garantir serviços de apoio especializados de acordo com as necessidades individuais dos estudantes;
II - garantir a transversalidade das ações da educação especial no ensino regular;
III - fomentar o desenvolvimento de recursos didáticos e pedagógicos que eliminem as barreiras no processo de ensino e aprendizagem; e
IV - assegurar condições para a continuidade de estudos nos demais níveis, etapas e modalidades de ensino. (BRASIL, 2011)
Logo, o AEE requer da escola mudanças consideráveis em todos os níveis de aprendizado, em busca de promover um ensino inclusivo eficiente, atendimento este que visa proporcionar recursos didáticos pedagógicos que viabilizem o pleno desenvolvimento do educando com deficiência.
O documento que norteia a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (ME/2008) reafirma ao dizer que:
O atendimento educacional especializado tem como função identificar, elaborar e organizar recursos pedagógicos e de acessibilidade que eliminem as barreiras para a plena participação dos estudantes, considerando suas necessidades específicas. As atividades desenvolvidas no atendimento educacional especializado diferenciam-se daquelas realizadas na sala de aula comum, não sendo substitutivas à escolarização. Esse atendimento complementa e/ou suplementa a formação dos estudantes com vistas à autonomia e independência na escola e fora dela (ME, 2008, p.11).
Este atendimento complementar/suplementar vem sendo operacionalizado nas salas de recursos multifuncionais onde são disponibilizadas tecnologias assistivas diversas, aporte indispensável no desenvolvimento do aluno com deficiência, é o que exporemos nas próximas a linhas.