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2.4 Manipulação do Ecossistema Ruminal

2.4.1 Agentes antimicrobianos e aditivos alimentares

Várias revisões sobre agentes antimicrobianos e aditivos alimentares

microbianos para ruminantes tem sido reportadas (Nagajara et al., 1997).

Os antibióticos ionóforos são os mais comuns agentes

antimicrobianos utilizados para ruminantes de produção, e incrementos na

eficiência alimentar e crescimento são atribuídos principalmente às

modificações na fermentação ruminal. A monensina tem sido comumente

usada, particularmente na produção de bovinos, mas outros ionóforos

utilizados incluem lasalocida, laidomicina, lisocelina, narasina, salinomicina e

tetronasina (Mackie et al., 2002).

O efeito biológico dos ionóforos contendo sódio ou potássio (por

exemplo, monensina e lasalocida) é interferir no transporte de hidrogênio. A

interferência ocorre porque ionóforos bloqueiam o transporte de prótons (H

+

),

o que tornana reciclagem de co-fatores enzimáticos (por exemplo, NAD para

NADH) mais difícil para a célula (Arcuri et al., 2006).

Rogers et al. (1997), estudando os efeitos da suplementação com

monensina, a curto e longo prazos, na digestão de ovinos, concluíram que a

suplementação provocou redução mais acentuada no número de

protozoários do rúmen quando utilizada a curto prazo.

A monensina tem causado redução do consumo de alimento sem

afetar negativamente o desempenho dos animais e de modificação da

relação acetato:propionato, promovendo aumento da eficiência ruminal,

causado pela depressão da produção de ácido lático sob condições que

induzem a acidose, bem como redução da viscosidade do fluído ruminal em

animais com timpanismo e melhorando o desempenho em função da

estabilização do ambiente ruminal e proteção do trato gastrintestinal de

agentes patogênicos (Araújo et al., 2006).

Segundo Mackie et al. (2002), a monensina tem promovido aumento

na síntese de proteína microbiana e na digestão do nitrogênio em dietas à

base de concentrado fornecida para ovinos, e estas respostas também estão

associadas a diminuição no número de protozoários nestes animais.

No entanto, a diminuição na população de protozoários tem sido

apenas temporária. Com a suplementação contínua de ionóforos a

população de protozoários retornou aos níveis pré-suplementação (Dennis et

al., 1986), sugerindo o desenvolvimento de resistência da população de

protozoários aos ionóforos (Reis et al., 2006).

Arakaki et al. (2000) verificaram os efeitos da monensina sobre a

população de protozoários ruminais e constataram diminuição na

percentagem de Entodinium e aumento de Dasytricha nos animais

recebendo dietas com adição do ionóforo. No entanto, durante todo o

período de 124 dias do experimento, um aumento no número total de

protozoários foi observada tanto no grupo controle (sem adição do ionóforo)

quanto no grupo de novilhos suplementados com monensina.

Valinote et al. (2005) estudaram o efeito da monensina em dietas com

caroço de algodão sobre a população de protozoários ciliados, e concluíram

que a utilização de monensina em dietas contendo caroço de algodão e alto

concentrado não influenciou o número de protozoários ciliados no rúmen de

bovinos Nelore.

Rivera (2006) avaliou o efeito do uso de monensina e de um

complexo de leveduras, ácidos graxos poliinsaturados e aminoácidos (LAA)

na população de protozoários e na produção de metano. A suplementação

com monensina proporcionou menor consumo de matéria seca e dos

nutrientes, maior produção de ácido propiônico e menor população de

protozoários.

Fandiño et al. (2007) estudaram os efeitos da monensina sobre a

fermentação ruminal de novilhas recebendo dietas ricas em concentrado. A

monensina reduziu a contagem de protozoários de 5,69 para 5,46 log

10

células/mL.

Martinele et al. (2008b) avaliaram os efeitos da monensina e do óleo

de soja na dieta de vacas lactantes sobre o número de protozoários ciliados.

Os autores verificaram a ocorrência de onze gêneros de ciliados, sendo

Entodinium o predominante em todos os tratamentos. Os gêneros

Entodinium, Dasytricha, Eremoplastron e Isotricha foram reduzidos nas

dietas com óleo, enquanto a monensina diminuiu o número de Dasytricha,

Eremoplastron e Epidinium. O número total de protozoários e de ciliados

celulolíticos foi reduzido pelos efeitos de óleo de soja e monensina,

indicando efeito aditivo defaunatório quando combinados o óleo e a

monensina.

Ríspoli et al. (2009) verificaram o efeito de dietas suplementadas com

monensina ou produtos à base de própolis sobre as populações de

protozoários ciliados no rúmen de bovinos (Bos taurus) e bubalinos (Bubalus

bubalis). Em búfalos, foi observado o efeito redutor do tratamento com

própolis nas populações do gênero Entodinium, além do efeito redutor dos

tratamentos monensina e própolis sobre os gêneros da subfamília

Diplodiniinae.

Segundo Ortolan (2005) outro ionóforo muito usado é a salinomicina,

pertencente ao mesmo grupo da monensina, resultante do produto

metabólico de Streptomyces albus. Além de ser usado como aditivo em

alimentos para controlar problemas de coccidiose, promove, além do

tratamento terapêutico, o ganho de peso em gado de corte e em outras

espécies animais. Este mesmo autor constatou que o uso de salinomicina

não afetou as contagens de protozoários totais quando comparado ao grupo

controle.

Zinn (1986) observou que a salinomicina tem efeito sobre o

metabolismo ruminal. Hristov et al. (2003) evidenciaram toxidez para

protozoários ciliados quando utilizado este ionóforo.

A Influência da flavomicina, um antibiótico fosfoglicolipídico promotor

de crescimento em ruminantes, foi avaliada por Edwards et al. (2005). Os

autores concluíram que os protozoários ruminais são insensíveis à

flavomicina. Min et al. (2005) avaliaram os efeitos de aditivos alimentares

sobre as características ruminais in vivo e in vitro, e concluíram que

alimentação suplementada com aditivos pode ser usada para promover

diminuição de gases ruminais e produção de espuma, ou ambas, protegendo

contra a incidência de timpanismo espumoso.

Ortolan (2005) constatou que a utilização de leveduras

(Saccharomyces cerevisiae) na dieta de bovinos de corte tem sido estudada

nos últimos anos, com intuito de desenvolver uma forma de aditivo natural

em substituição ao uso de outros ionóforos convencionais. Vários autores

relataram que sua utilização tem promovido melhoria no desempenho,

possivelmente devido aos efeitos no processo digestivo, degradabilidade da

parede celular, estabilização do pH ruminal e aumento na população

microbiana do rúmen. Spedding (1990) relatou que o uso de Saccharomyces

cerevisiae proporciona aumento na concentração de protozoários ciliados no

rúmen.

As mudanças na população microbianas associados à suplementação

com levedura também têm favorecido a digestão ruminal, através da

remoção de O

2

e do fornecimento de nutrientes que estimulariam o

crescimento de bactérias, fungos e protozoários ruminais (Wallace, 1994).

De acordo com Plata et al. (1994) pesquisas comprovaram que o

aumento do número de protozoários ciliados pode estar relacionado aos

efeitos providos pelos fatores nutricionais das leveduras.

Mathieu et al. (1996) observaram tendência em aumentar o gênero

Epidinium quando adicionado levedura. Entretanto foi notada também a

presença de protozoários do mesmo gênero quando adicionado salinomicina

na dieta, enquanto para monensina e na ausência de aditivo não foram

identificados presença de protozoários deste gênero.

Jouany et al. (1998) determinaram o efeito de dois aditivos oriundos

de Saccharomyces cerevisiae e Aspergillus oryzae em ovinos faunados e

defaunados, e observaram que o uso dos respectivos aditivos resultou em

aumento no número de protozoários.

Os efeitos da levedura na degradabilidade, digestibilidade, parâmetros

ruminais e protozoários ciliados de novilhos Nelore arraçoados com dietas

concentradas foram avaliados por Ortolan (2005). O fornecimento de

levedura aumentou significativamente o número de protozoários do rúmen

(p<0,05).

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