• Nenhum resultado encontrado

Agir como elemento dinamizador da equipa de enfermagem para a melhoria

3. EXECUÇÃO DAS TAREFAS PREVISTAS

3.6. Agir como elemento dinamizador da equipa de enfermagem para a melhoria

oncológica hospitalizado através da promoção de processos transicionais individuais saudáveis.

De acordo com a OE (2010b, p.2), cabe a todos os enfermeiros especialistas, independentemente da área de especialidade

as dimensões da educação dos clientes e dos pares, de orientação, aconselhamento, liderança e inclui a responsabilidade de descodificar, disseminar e levar a cabo investigação relevante, que permita avançar e melhorar a prática de enfermagem.

Partindo desta premissa, procurei incluir toda a equipa de enfermagem neste projeto, sensibilizando-a para a problemática do adolescente com doença hemato- oncológica hospitalizado e promovendo a sua participação ativa em todo o processo.

Para tal, durante o estágio C, realizei uma sessão de formação à equipa de enfermagem, através da qual apresentei o projeto de intervenção, revelando os resultados obtidos a partir da pesquisa bibliográfica efetuada. Para promover a sua divulgação, no seio da equipa, afixei um documento informativo, na sala de trabalho

61

de enfermagem e no gabinete da enfermeira-chefe e, concomitantemente, informei os colegas, em momentos de conversa informal. Embora a sua divulgação tenha sido efetuada, antecipadamente, não foi possível abranger a totalidade da equipa de enfermagem nesta formação já que alguns dos seus elementos se encontravam em período de férias e/ou baixa e outros mostraram-se indisponíveis pelo facto do dia da formação coincidir com a sua folga semanal. Por este motivo, assistiram à formação 12 enfermeiros, de entre os quais se destaca a enfermeira-chefe e a enfermeira subchefe do serviço. Para colmatar esta situação, estabeleci momentos de conversa informal com os restantes enfermeiros do serviço, procurando sensibilizá-los para a problemática do adolescente com doença hemato-oncológica, incutindo-lhes a necessidade de modificar as práticas vigentes de modo a promover uma prática baseada na evidência científica.

Para a realização da sessão de formação acima referida, realizei também um documento que contempla o plano da mesma (apêndice XIII) bem como um questionário de avaliação alusivo à formação efetuada (apêndice XIV), a partir do qual obtive um feedback bastante positivo por parte da equipa. Dos aspetos positivos identificados pelos enfermeiros e descritos no documento de avaliação da sessão, salienta-se a pertinência da temática abordada e o reconhecimento acerca da necessidade de implementação de estratégias específicas que permitissem melhorar e uniformizar as práticas de enfermagem com vista à melhoria contínua da qualidade dos cuidados prestados ao adolescente com doença hemato-oncológica hospitalizado neste serviço.

No contexto da prestação de cuidados ao adolescente com doença hemato- oncológica hospitalizado, os enfermeiros podem assumir um papel preponderante, enquanto agentes facilitadores dos processos de transição que estes atravessam (Meleis & Trangenstein, 1994). Para tal é necessário capacitá-los para uma prática de cuidados de qualidade a esta população específica, dotando-os de conhecimento apropriado e sensibilizando-os para a necessidade de sustentarem a sua intervenção nos processos transicionais vivenciados pelo adolescente, neste contexto. A elaboração do GOBP, intitulado: “Cuidar do adolescente com doença hemato- oncológica hospitalizado: Intervenções de enfermagem no processo de transição” (apêndice XV), surge neste seguimento como forma de sistematizar a informação inerente à prática de cuidados de enfermagem ao adolescente, permitindo facilitar e

62

uniformizar a sua intervenção, sustentando-a em evidência científica e capacitando, deste modo, os enfermeiros para proporcionar aos adolescentes a vivência de processos transicionais individuais saudáveis (Meleis, 2012). Tal como foi referido anteriormente, as temáticas incluídas neste GOBP foram selecionadas de forma a dar resposta às principais dificuldades manifestadas pelos enfermeiros tendo sido definidas de acordo com os resultados obtidos através da realização da revisão

scoping. A sua elaboração foi guiada pelas orientações emanadas pela OE (2007), no

documento “Recomendações para a elaboração de guias orientadores da boa prática de cuidados”, tendo sido fundamentada na teoria de médio alcance de Afaf Meleis.

Além deste GOBP, elaborei ainda um guião de entrevista (apêndice XVI) que se destina a ser aplicado pelos enfermeiros aos adolescentes, no momento do seu acolhimento ao serviço, considerando que “os primeiros minutos da entrevista são particularmente importantes, pois são eles que determinam o clima do resto do encontro” (Phaneuf, 2005, p.257). Este documento, atualmente integrado no GOBP, pretende-se que constitua um instrumento facilitador para a prática de enfermagem com adolescentes e que possibilite conhecer as "tendências, costumes e particularidades desta população em constante mudança, de modo que as intervenções de enfermagem respondam, efetivamente, às suas necessidades de saúde biopsicossociais” (OE, 2010a, p.35).

Para a elaboração dos documentos acima mencionados, foram utilizados, além dos resultados da evidência científica, as aprendizagens decorrentes da realização dos estágios A e B, nomeadamente os contributos oriundos dos momentos de partilha estabelecidos com os enfermeiros, em particular com os enfermeiros peritos, com os quais tive oportunidade de contactar ao longo de todo este percurso.

Deste modo, considero que as atividades desenvolvidas me permitiram agir como elemento dinamizador da equipa de enfermagem, possibilitando-me assim alcançar o objetivo inicialmente definido. O facto de ser detentora de “um conhecimento aprofundado num domínio específico de enfermagem” OE (2010b, p.2), que diz respeito ao processo de cuidar do adolescente com doença hemato- oncológica hospitalizado, tornou-me num elemento de referência no seio da equipa de enfermagem, facilitando a minha intervenção enquanto elemento dinamizador das aprendizagens dos enfermeiros da equipa.

63

Posso afirmar que o caminho percorrido para alcançar este objetivo, foi determinante para promover o meu desenvolvimento pessoal e profissional, proporcionando-me a aquisição de novas competências, de entre as quais importa salientar as competências do domínio da melhoria contínua da qualidade, com particular destaque para: “desempenha um papel dinamizador no desenvolvimento e suporte das iniciativas estratégicas institucionais na área da governação clínica”, “concebe, gere e colabora em programas de melhoria contínua da qualidade” e “cria e mantém um ambiente terapêutico e seguro” (OE, 2010b, p.3). Além destas, salienta- se o alcance de algumas competências definidas pela EONS (2013), nomeadamente: “Utiliza o conhecimento especializado para contribuir para o desenvolvimento de práticas baseadas na evidência” (EONS, 2013, p.23), promovendo ativamente a aprendizagem dos colegas na prática clínica (EONS, 2013). No que diz respeito às competências estabelecidas pela ESEL (2014) para a obtenção do grau de mestre em enfermagem médico-cirúrgica, importa ainda destacar o desenvolvimento de competências que permitem evidenciar a “capacidade de análise acerca do desenvolvimento do conhecimento que sustentou e ou sustente a prática de enfermagem (…) desenvolvendo projetos que reflitam e questionem práticas e paradigmas existentes” (ESEL, 2014, p.6-7).

64