vou explicar: o corpo humano é incapaz de absorver o cálcio do leite da vaca, pois ele eleva o ácido do pH. Isso implica a proteção do próprio corpo, que usa o cálcio que já temos para combater o ácido altíssimo do leite. Ou seja, perdemos cálcio e não o ganha- mos! Resultado: já que o maior armazém de cálcio do corpo é o esqueleto, adivinha quem supre as carências de cálcio geradas
66
pelo consumo de leite? Sim, o cálcio de nossos ossos! Uma vez expelido dos ossos para equilibrar o pH, o cálcio é expulso pela urina, causando um efeito surpreendentemente contrário ao que é vendido pelas indústrias leiteiras! É um verdadeiro “tapa na cara da sociedade”, eu sei. Mas, ao contrário do que a maioria pensa, o leite causa mais prejuízo do que benefício à saúde. Podemos exemplificar com os problemas respiratórios (rinite, bronquite, asma e sinusite) que são comumente associados ao consumo des- ses alimentos. Prisão de ventre, gastrite, amidalite, cansaço, dores de cabeça, enxaqueca, dermatites e acne também são sintomas frequentes! Esse alimento contém proteínas muito alergênicas, difíceis de serem digeridas e que provocam uma alergia denomi- nada tardia, devido ao aparecimento dos sintomas após 3 dias à ingestão do leite e/ou derivados. Essa reação alérgica causa uma inflamação no organismo, e sabe o que isso provoca? Doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e outras que têm caráter infla- matório. Ou seja, quanto mais você ingere o leite e seus derivados, mais as chances de contrair um desses males!
Por isso mesmo, volto a repetir: o leite está muito longe de ser saudável. As vacas leiteiras recebem diariamente hormônios de crescimento e de simulação de gravidez para aumentar a pro- dução de leite, bem como antibióticos para diminuir infecções provocadas pelos mais variados mecanismos e químicos a que es- tão expostas. Nada pior do que contaminar o próprio leite com esses materiais! Se você é do tipo que acredita que é o que come, pense no que está consumindo! Mas, claro, consulte sempre o seu nutricionista e médico para que sua dieta não saia prejudicada!
67
Glúten
Se há outro produto que faz tão mal quanto o leite, mas muitos não percebem, é o glúten. Há toda uma polêmica envolvendo essa substância, pois muitos condenam profissionais que recomendam sua exclusão, mas isso é porque não entendem o que o glúten pode fazer com o organismo, principalmente com o sistema digestivo! O problema maior em relação a essas substâncias inflamatórias é que vamos sofrendo as consequências e só detectamos a presença de alguma intolerância quando já é “tarde demais”. Ou seja, toda vez que a pessoa comer algo que tenha o glúten entre os ingredientes, ela será vítima de uma reação que danificará o forro do intestino delgado e os nutrientes não serão absorvidos apropriadamente, o que desencadeará reações físicas extremas.
Entendam o seguinte: nosso corpo tem aproximadamente 1 trilhão de células humanas e mais de 100 trilhões de bactérias.
Estima-se que tenhamos de um a um quilo e meio de peso em bactérias no organismo, portanto seria imprudente não levar em consideração a atividade metabólica que elas exercem. O intestino, depois do cérebro, é o que recebe maior número de terminações nervosas; assim sendo, tratar seu intestino é cuidar de sua micro- biota intestinal e fundamental para se obter e manter sua saúde na plenitude máxima. Nossa medicina copia da medicina americana, diferentemente da medicina alemã e chinesa, ou seja, elas não dão nenhum valor para isso, e é exatamente por esse problema que seu gastroenterologista só sabe prescrever omeprazol e mandar fazer endoscopia e colonoscopia. E isso não afeta só o intestino quando é relacionado ao glúten, mas também tem a ver com a intolerância à lactose, que causa o mesmo efeito no organismo!
68
Os sintomas para intolerância ao glúten variam, pois têm uma apresentação clínica diversificada, e abrange desde sintomas leves e pouco específicos até uma síndrome clássica de má absorção intestinal em pacientes desnutridos. O glúten, quando ingerido, chega ao intestino estimulando a produção de anticorpos, prin- cipalmente as imunoglobulinas, que se atrofiam e deixam de desempenhar a função de captação dos macro e micronutrientes.
Ou seja, os que não foram absorvidos são eliminados junto com as fezes, e o organismo fica privado de nutrientes básicos, tornan- do a pessoa desnutrida com o tempo. Está vendo como é coisa séria?! Se formos falar em doença celíaca, digo que ela comu- mente se manifesta durante a infância, e existem alguns fatores que predispõem as pessoas a se tornarem celíacas, mesmo na ida- de adulta. A herança genética afeta parentes de primeiro grau em 30% dos casos, e ocorre com mais frequência em mulheres do que em homens. Você pode detectar esse problema se observar a ocorrência de diarreia crônica, fator comum em 70% dos casos. Ir ao banheiro até quatro vezes por dia e observar características de má absorção nas fezes já é meio caminho andado para ir ao mé- dico. Perder peso também é normal, mas isso varia de acordo com a falta de apetite associada à doença e se ocorre má absorção dos alimentos. Muitos dos pacientes apresentam anemia por causa da deficiência de ferro e ácido fólico que colaboram para a redução da massa mineral óssea dessas pessoas.
Nas últimas quatro décadas, inúmeros trabalhos têm revelado que o glúten poderá estar implicado em outras doenças autoimu- nes. De fato, foi constatado que pacientes com doença celíaca têm um risco aumentado de outras doenças autoimunes, tais como diabetes tipo 1 (DT1), doenças autoimunes da tireoide (como a tireoide de Hashimoto), psoríase urticária, síndrome de Sjögrene, nefropatia IgA, entre outras. Importante salientar que essa infla- mação gerada pelo glúten proporciona ambiente oportuno para
69
instalação e o desenvolvimento/agravamento de doenças autoimu- nes. Por essa razão, ao meu entender, a primeira ação alimentar quando se manifestar qualquer doença é a imediata retirada de ali- mentos potencialmente alergênicos e intolerantes, como o glúten e a lactose. Além disso, há alguns trabalhos que implicam diretamente o glúten (ou algumas das suas frações proteicas, como as gliadinas, que são confundidas com agentes externos alergênicos e o organis- mo erroneamente desenvolve anticorpos para atacar essa proteína, mirando em seu próprio organismo por ter confundido suas células) a doenças como artrite reumatoide, síndrome de Sjögren, esclerose múltipla, psoríase, nefropatia IgA67, Hashimoto e DT1.