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Agravo de Instrumento n 4021579-29.2019.8.24.0000, de Joinville

4.3 Teoria da carga dinâmica da prova e o ônus de produzir a prova negativa

4.4.3 Agravo de Instrumento n 4021579-29.2019.8.24.0000, de Joinville

Em outra decisão proferida pelo egrégio Tribunal de Justiça de Santa Catarina, nos autos do processo n. 4021579-29.2019.8.24.0000, sendo relator o Des. Jorge Luis Costa Beber, publicada no dia 05 de setembro de 2019, assim ementada:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. AÇÃO DE COBRANÇA DE COMPLEMENTAÇÃO DE INDENIZAÇÃO SECURITÁRIA. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA QUE INDEFERE A INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. RECURSO DO AUTOR. ALEGADA NECESSIDADE DE INVERSÃO DO ÔNUS PROBATÓRIO PARA OBRIGAR À RÉ A DEMONSTRAR QUE CIENTIFICOU OS SEGURADOS QUANTO ÀS CLÁUSULAS LIMITATIVAS DE DIREITO. TESE AMPARADA EM PREMISSA EQUIVOCADA. SEGURADORA QUE, NA LINHA DA JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE MAIS MODERNA, NÃO TEM ESSA RESPONSABILIDADE, A QUAL RECAI SOBRE A ESTIPULANTE DO SEGURO. AUTOR QUE, ADEMAIS, NÃO PODERIA FAZER PROVA NEGATIVA. TESE INICIAL QUE, FUNDADA NA AUSÊNCIA DE CONHECIMENTO ACERCA DAS CONDIÇÕES GERAIS CONTRATUAIS, SÓ DE SI IMPUTA À PARTE ADVERSA DEMONSTRAR QUE O FEZ. À luz da dinâmica ordinária de distribuição do ônus da prova, já é da parte adversa o ônus de demonstrar que cientificou o contratante do seguro quanto às suas condições gerais e cláusulas limitativas, se a não ciência a seu respeito é que compõe a causa de pedir. Entender de maneira diversa implicaria obrigar o autor a produzir prova negativa ou diabólica, inadmitida pelo ordenamento. A dinâmica estática do ônus da prova, portanto, é que tem aplicação na espécie, avivando-se desnecessária a pretendida inversão. Sem embargo, deve-se ter em mente que o dever de informação exigido da seguradora opera-se em relação à estipulante do contrato de seguro de vida em grupo, não em relação a cada segurado, individualmente considerado. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJSC, Agravo de Instrumento n. 4021579-29.2019.8.24.0000, de Joinville, rel. Jorge Luis Costa Beber, Segunda Câmara de Direito Civil, j. 05-09-2019).

Trata-se de demanda judicial em que decisão interlocutória que indeferiu distribuição dinâmica do ônus probatório é impugnada pela parte autora, alegando que não é capaz de produzir as provas necessárias.

Nesta decisão, verifica-se o indeferimento do pedido de inversão do ônus probatório realizado pela parte. A fundamentação da decisão leva em conta a modalidade de prova negativa que seria imposta à parte, caso fosse realizada a dinamização do ônus probatório. Trata-se de prova referente a um fato negativo absoluto, também chamado de prova diabólica, visto que o fato é indefinido no espaço/tempo, sendo insuscetível de prova.

Deste modo, observou-se que as decisões dos Tribunais supracitados seguem um mesmo entendimento, no sentido de que a aplicação da distribuição dinâmica a

fim de imputar a parte o ônus de produzir prova negativa, limita-se às hipóteses em que a prova é em relação a um fato negativo relativo, excluindo-se as provas referentes a fatos negativos absolutos, por não admitirem prova capaz de comprova- los. Assim, assegura-se a parte sob quem recaiu os encargos probatórios, a impugnação da decisão que distribuiu o ônus probatório de forma dinâmica.

Com essas considerações a seguir será apresentada a conclusão, de acordo com o referencial teórico demonstrado.

CONCLUSÃO

A presente monografia demonstrou a importância do estudo da nova dinâmica de distribuição do ônus probatório, previsto pelo Código de Processo Civil de 2015. Essa nova dinâmica traz maior eficiência na produção de provas no processo. Com a implementação desta nova dinâmica probatória, pode-se perceber a fluidez e a dinamização do processo, oferecendo ao juiz uma maior e melhor base fática para prolação da sentença.

Uma maior dinamização na distribuição da carga probatória significa maior chance de que a parte demandante possa satisfazer suas pretensões, impedindo que o processo fique sem uma solução por falta de capacidade e recursos da parte em produzir a prova. Ressalta-se que, mesmo que a mudança tenha benefícios, também cria alguns empecilhos indesejados no processo, como a imputação de produzir prova negativa pela parte, considerada pelo juiz, a mais capaz de produzi-la.

Como já mencionado na presente monografia, a parte que, em teoria e no entendimento do juiz, tem a maior capacidade de produzir a prova, quando lhe imputado a produção de prova acerca de um fato negativo, poderá ter dificuldades e, em muitos casos, impossibilidade de produzir. Por tratar-se de um conteúdo relativamente recente no âmbito jurídico, os tribunais têm entendimentos diferentes a respeito, de modo a não existir, ainda, uma corrente majoritária de entendimento acerca da imputação do ônus de produzir prova negativa.

Entretanto, com o presente estudo, pode-se concluir que a depender da modalidade de prova negativa, a parte em que recair o ônus probatório poderá, ou não, ter a capacidade e os recursos necessários para a produção da prova. Deste modo, para que distribuição dinâmica do ônus probatório seja adequada, e não coloque uma das partes em uma situação onerosa, deverá o magistrado atentar-se para cada hipótese em específico, respondendo-se ao problema de pesquisa formulado.

Um ponto importante que deve ser ressaltado, é a respeito dos princípios constitucionais, no presente caso, o contraditório e ampla defesa. Deve-se oportunizar às partes o livre exercício da defesa nos processos judiciais, sendo a prova um dos meios mais importantes para que seja realizado a defesa. Deste modo, a parte poderá

comprovar os fatos alegados, contribuindo com o livre convencimento do juiz que, com base em seu poder de valoração, poderá proferir as decisões.

Conclui-se que a distribuição dinâmica do ônus probatório encontra limite nas hipóteses que imputar a produção de prova de fato negativo absoluto, visto que este não é suscetível de prova, não sendo permitido que a parte tenha sua defesa prejudicada pela onerosidade do ônus que lhe recaiu.

Assim, em cooperação com o juiz, as partes poderão produzir as provas necessárias para a conclusão do conflito que gerou o processo, buscando a verdade, respeitando-se os princípios contidos na Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.

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