2 ASPECTOS HISTÓRICOS
5. PAISAGENS CULTURAIS E DOMESTICAÇÃO
7.5 CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA DAS POPULAÇÕES
8.1.5. Agricultores extrativistas e manejo de erva-mate nativa
Diante das informações discutidas até agora, pode-se perceber que os agricultores/extrativistas possuem várias práticas de manejo, uso e comercialização da erva-mate. Assim, a Análise dos Componentes Principais (ACP) foi usada visando detectar os aspectos mais relevantes destes processos.
Na Tabela 20 estão explicitadas as características dos descritores utilizados para compor as análises dos componentes principais.
Planalto Norte Catarinense.
Foram utilizados 24 descritores para compor as análises. Do produto da Análise dos Componentes Principais, obteve-se os autovalores de cada eixo e os respectivos autovetores (Tabela 21). Os três primeiros eixos explicaram 33,14% da variação dos dados. Na Tabela 22 são apresentadas as correlações encontradas para os descritores em cada um dos três principais eixos.
Código
Natureza do
descritor Significado
ROÇ Binária Limpa as áreas de cobertura florestal através de roçadas freqüentes GADO Binária Presença de gado nas áreas florestais
VENENO Binária Realiza roçadas frequentes e utiliza veneno nas áreas Roçada+gado Binária Limpa as áreas de cobertura florestal através de roçadas freqüentes com presença de gado
EMPR Binária
Utiliza mão de obra contratada/empresa no manejo de produção da erva-mate
PART Binária Utiliza mão de obra particular no manejo de produção da erva-mate FAM Binária Utiliza mão-de-obra familiar
PLERV Binária Já realizou plantio de erva-mate ROÇADEIRA Binária Faz a roçada com roçadeira ROÇA Binária Faz a roçada com trator FOICE Binária Faz a roçada com foice
PDFACOA Binária Utiliza como ferramenta de poda o facão PDFOICE Binária Utiliza como ferramenta a foice
PDSER Binária Utiliza como ferramenta de poda o serrote
PRQBR Binária Utiliza como ferramenta de poda a mão (quebrada no pé) PDTES Binária Utiliza como ferramenta de poda a tesoura
PDMOT Binária Utiliza como ferramenta de poda a motosserra ANUAL Binária Realiza a colheita anual
1,5 ANOS Binária Realiza a colheita a cada 1,5 anos 2 ANOS Binária Realiza a colheita a cada 2 anos 2 - 3 ANOS Binária Realiza a colheita a cada 2 ou 3 anos 3 ANOS Binária Realiza a colheita a cada 3 anos 3-4 ANOS Binária Realiza a colheita a cada 3 ou 4 anos 4 -4 ANOS Binária Realiza a colheita a cada 4 anos
Eixo 1 Eixo 2 Eixo 3
Autovalores 3,01 2,82 2,12
% da Variação 12,54 11,75 8,85
% Acumulada 12,54 24,29 33,14
Tabela 22: Coeficientes de correlação entre as variáveis da caracterização manejo e os três primeiros eixos de ordenação da ACP.
Correlações
Descritores Eixo 1 Eixo 2 Eixo 3
VENENO 0,73 0,30 0,09 PDMOT 0,58 -0,01 -0,21 PLERV 0,54 0,07 -0,09 ANUAL 0,43 0,10 -0,41 ROÇADEIRA 0,41 0,37 0,35 2 ANOS 0,41 -0,21 0,50 PRQBR 0,26 0,04 0,12 ROÇ 0,20 -0,16 0,12 PDTES 0,15 0,35 -0,62 FAM 0,15 -0,73 -0,30 1,5 ANOS 0,13 0,21 0,01 PDSER 0,06 -0,30 -0,15 EMPR -0,04 0,74 -0,26 PDFOICE -0,07 -0,53 0,06 4 -4 ANOS -0,11 -0,41 -0,22 GADO -0,12 -0,37 -0,21 PART -0,14 0,01 0,62 3-4 ANOS -0,18 0,17 -0,13 FOICE -0,29 -0,28 -0,14 3 ANOS -0,30 -0,03 -0,13 2 - 3 ANOS -0,34 0,37 -0,04 TRATOR -0,36 0,50 -0,30 PDFACOA -0,41 0,28 0,55 roçada+gado -0,70 0,03 -0,08
correlação positiva e Roçada + gado correlação negativa (Tabela 22). O eixo 2 mostrou duas correlações elevadas (≥ 0,60, em módulo): Mão de Obra empresarial na poda da erva-mate - correlação positiva e mão de obra familiar na poda da erva-mate correlação negativa (Tabela 22).
O diagrama da Figura 12 mostra que não houve uma separação clara entre as situações ( unidades de pasiagem) a partir das práticas de manejo. Os agricultores estão manejando suas áreas com diferenças das práticas que não puderam (numa amostra de 93 agricultores) serem agrupadas pela ACP. Mas, de acordo com a Figura 12, pode-se notar que o eixo 2 está separando os manejos no sentido de práticas mais simples com podas a cada 4 anos e utilização de mão de obra familiar na fração negativa do eixo. Enquanto na fração positiva estão os agricultores que estão utilizando mão de obra empresarial e técnicas com uso de maior tecnologia como poda com tesoura e uso do trator para realização da prática de roçadas.
Figura 12: Diagrama de ordenação dos dados de manejo em ervais nativos para 93 entrevistas na Região do Planalto Norte Catarinense. Os eixos 1 e 2 explicam 24,29 % da variação total.
PCA case scores
A x is 2 Axis 1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 86 87 88 89 90 91 92 93 -0.09 -0.19 -0.28 -0.37 -0.46 0.09 0.19 0.28 0.37 0.46 -0.09 -0.19 -0.28 -0.37 -0.46 0.09 0.19 0.28 0.37 0.46 ROÇ GADO roçada+gado veneno EMPR PART FAM PLERV ROÇADEIRA TRATOR FOICE PDFACOA PDFOICE PDSER PRQBR PDTES PDMOT ANUAL 1,5 ANOS 2 ANOS 2 - 3 ANOS 3 ANOS 3-4 ANOS 4 -4 ANOS
plantaram erva-mate nas suas áreas, utilizam veneno, e realizam podas anuais. A fração negativa também está associada a práticas com várias intervações antrópicas, porém menos intensas, roçadas das áreas e presença de gado, podas a cada 2 ou 3 anos. Entre estas práticas estão concentrados no meio do eixo 1 os agricultores com as menores ações antrópicas como poda a cada 4 anos, poda da erva-mate com mão de obra familiar e ferramenta foice na poda da erva-mate e na prática de roçar as áreas.
Assim, a Figura 12 mostra que existem práticas de manejo que são de uso comum, por isso não houve formação de um agrupamento conciso. Por exemplo, pode-se ter uma área que é manejada a cada 4 anos com utilização de poda da erva-mate com a ferramenta facão, mas utilização de mão de obra empresarial.
Estas peculiaridades mostraram que, de uma forma geral, existem: a) áreas utilizadas com poucas intervenções antrópicas (sem presença de gado e sem roçadas), porém com práticas de manejo na erva-mate que podem ser mais drásticas, como poda com tesoura a cada 3 anos a intervenções menos drásticas como poda com a “mão quebrada” no pé a cada 4 anos; e b) áreas que estão sendo usadas com maiores intervenções (presença de gado, roçadas nas áreas), mas com as mesmas peculiaridades das práticas de manejo nas plantas de erva-mate discutidas acima.
CONSIDERAÇÕES SOBRE OS AGRICULTORES/EXTRATIVISTAS E O