4. RESULTADOS E DISCUSSÕES
4.1. Agrupamento das Melhores Práticas de Gestão de Projetos de TI
Após realizar o levantamento das melhores práticas de gestão de projetos TI e de discutir a importância das mesmas para a obtenção de sucesso, esta seção apresenta o processo de agrupamento aplicado sobre as trezentas e vinte e duas melhores práticas, identificadas durante a revisão bibliográfica. Tal procedimento mostra-se relevante uma vez que, no contexto deste trabalho, as melhores práticas correspondem às variáveis
independentes. Desta forma, sumarizá-las sem a perda de informação é imprescindível para a obtenção de resultados finais consistentes.
Para realizar o agrupamento em questão, foi adotado o método hierárquico aglomerativo conhecido como Ward. De forma geral, os métodos hierárquicos agrupam ou dividem os elementos analisados, de forma sucessiva. No caso do agrupamento aglomerativo, no início, cada elemento é considerado um grupo, e a cada nova fase, um grupo ou elemento é ligado a outro, de acordo com o grau de similaridade. Assim, o método é finalizado quando todos os elementos são aglomerados em apenas um único grupo (RODRIGUES, 2009). É importante ressaltar que a escolha do método Ward foi resultado de uma variada gama de testes realizada tanto com este método como com o método k-means. Em todos os casos de teste o Ward apresentou melhores resultados, conseguindo agrupar de forma mais consistente as melhores práticas analisadas.
Além dos experimentos com os métodos de agrupamento, também foram realizados testes com diferentes tipos de formatação da descrição das melhores práticas. Nesse sentindo, foram realizados quatro grupos de testes:
• Teste 1 – descrição literal: foram realizados testes com a descrição das práticas de forma quase exata, como encontrado na literatura. Entretanto, os resultados do agrupamento não foram satisfatórios, visto que muitos dos grupos gerados possuíam práticas pouco similares e outros grupos eram formados por apenas uma prática;
• Teste 2 – descrição resumida: o segundo teste realizado foi com a descrição das práticas de forma bem resumida e objetiva. Com este conjunto de dados foi gerado um grupo de práticas pouco similares, apesar de que os demais grupos eram consistentes e possuíam práticas bem relacionadas. Além disso, na tentativa de otimizar os resultados, foi realizado um subagrupamento apenas no grupo com as práticas pouco similares. Entretanto, a característica de existir um grupo muito disperso e outros grupos menores com poucos elementos, repetiu-se;
• Teste 3 - descrição com palavras-chave: O terceiro teste foi realizado apenas com palavras-chave (verbo e objeto), para identificar cada uma das práticas. Os resultados alcançados não foram satisfatórios, pois os grupos eram formados por práticas com pouca similaridade real;
• Teste 4 – descrição otimizada: o quarto teste foi realizado com a descrição das práticas em um estágio intermediário, com apenas um tratamento inicial na descrição. Esse teste apresentou os melhores resultados, uma vez que foram gerados grupos com práticas bem relacionadas e próximas (com grande similaridade). Assim, este foi o teste escolhido para ser utilizado no trabalho (A descrição utilizada é a mesma apresentada no resultado gerado no Apêndice C).
Também foram realizados testes para a geração de diferentes quantidades de grupos. Ao final, obteve-se melhores resultados quando as práticas foram organizadas em oito grupos.
A Figura 5 apresenta o dendrograma gerado, onde é ilustrada a estrutura e ordem de agrupamento das melhores práticas, seguindo a teoria do método hierárquico aglomerativo. Assim como o ponto de corte, para a criação dos oito grupos (em vermelho).
Figura 5 - Dendrograma de agrupamento das práticas com Ward, com a marcação dos 8 grupos gerados.
Com a geração dos grupos, tornou-se necessário caracterizá-los, com isso foram geradas nuvens de termos, a fim de evidenciar os mais fortes em cada grupo. As nuvens de termos geradas para cada um dos oito grupos de melhores práticas podem ser verificadas na Figura 6.
Figura 6 - Nuvens de termos evidentes nos 8 grupos de melhores práticas.
Com base nas descrições das práticas contidas em cada grupo (Apêndice C), e com o auxílio das nuvens de termos, os oito grupos de melhores práticas de gestão de projetos foram caracterizados da seguinte forma:
• Grupo 1 dentre os grupos gerados é aquele que possui a maior quantidade e variedade de melhores prática (cento e cinquenta e uma), como pode ser visto em sua nuvem de termos. Por estes motivos é o grupo que abrange mais áreas dentro da gestão de projetos, tais como: objetivo e escopo, cronograma e orçamento, assim como requisitos e qualidade. A descrição formulada para este grupo foi “Cumprir objetivo,
escopo, cronograma, orçamento, requisitos e qualidade”;
• Grupo 2 conforme pode ser observado em sua nuvem de termos, a palavra mais evidente é “projeto”, sendo que as demais possuem destaque similar. Com isso, este grupo foi nomeado como “Gerenciar o
projeto considerando aspectos como: documentação, ambiente, política, softwares de apoio e critérios de sucesso”. É importante ressaltar que
este é o segundo grupo com maior número de práticas, sendo composto por cinquenta e seis;
• Grupo 3 formado por vinte e seis melhores práticas, é um dos mais bem caracterizados, uma vez que as práticas que o compõem são bastante similares. Tal grupo foi nomeado como “Satisfazer as necessidades da
• Grupo 4 é também um grupo muito bem caracterizado. Tal fato é evidenciado ao analisar a sua nuvem de termos. Com isso, este grupo foi nomeado como “Planejar adequadamente o projeto”. Este grupo é formado por vinte e nove melhores práticas;
• Grupo 5 conforme pode ser observado em sua nuvem de termos, este grupo é composto por melhores práticas fortemente relacionadas ao controle e monitoramento durante a execução do projeto, e por esse motivo foi nomeado como “Realizar o controle e monitoramento do
projeto”. É um dos grupos com menor número de melhores práticas
(treze);
• Grupo 6 é o grupo com menor número de práticas (dez), sendo que estas estão fortemente relacionadas às gestão de portfólio. Com isso, o grupo foi caraterizado como “Adotar práticas de portfólio”;
• Grupo 7 este é um dos grupos que possui práticas mais similares, sendo todas elas relacionadas ao gerenciamento de riscos durante a execução do projeto. Assim, o grupo foi nomeado como “Gerenciar riscos”. Este grupo é formado por dezenove melhores práticas;
• Grupo 8 composto por dezoito melhores práticas é um dos grupos que possuem elementos bastante similares. Todos relacionados à importância de possuir um gerente de projetos bem preparado e qualificado. Com isso, foi caracterizado como “Possuir gerente de
projetos qualificado”.
Vale ressaltar que todos os passos executados para realizar o agrupamento das melhores práticas podem ser verificados no Apêndice B. Além disso, o resultado do agrupamento, ou seja, as melhores práticas que compõem cada um dos oito grupos, pode ser analisado no Apêndice C.
Diante disso, com os procedimentos e resultados apresentados nesta seção, cumpriu-se o segundo objetivo específico, onde era proposto organizar em grupos as melhores práticas de gestão de projetos, identificadas a partir do estudo da literatura, mediante técnica de agrupamento.
Compreendendo como as variáveis independentes (melhores práticas de gestão de projetos) do modelo conceitual foram agrupadas, as próximas seções abordam os resultados de avaliação da influência das melhores
práticas de gestão sobre a performance da qualidade da informação em projetos, sendo essa relação afetada pelos critérios de avaliação da qualidade da informação.