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** Instituto Politécnico de Lisboa, Escola Superior de Educação de Lisboa

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Introdução

O projeto – enquanto trabalho final da Pós-graduação em Animação de Histórias1 – partiu de duas questões: Como criar uma animação de textos usando o animador como um mediador da promoção do livro e da leitura? Como demonstrar que a animação de textos pode ser realizada usando várias linguagens artísticas, de uma forma simples?

Durante o processo de idealização e revisão de literatura sobre o assunto, perseguiu-se o princípio de que a arte pode revelar-se um recurso muito interessante na conceção e apresentação de ideias, na linha de obras que são há muito referências (Ferran, Mariet &

Porcher, 1979; Penafria & Martins, 2007; Rodari, 1993). Escolheu-se a linguagem audiovisual, como forma de implementar e divulgar a animação.

Encontram-se presentes no projeto três referências estimulantes e influenciadoras do processo criativo: o texto poético surge como uma referência na promoção da leitura; a expressão artística e o jogo aparecem como instrumentos de trabalho do animador; os meios audiovisuais dão forma à concretização e divulgação do trabalho do animador.

As animações foram concebidas a partir de cinco livros de autores de língua portuguesa e deram origem a quatro sessões de vídeo, que têm como objetivo principal a sua utilização em bibliotecas, em contexto escolar, surgindo como um recurso de promoção do livro e da leitura de poesia.

O trabalho de vídeo derivou da ideia do início do cinema inspirado em coreografias de dança.

A animadora foi fotografada em várias sessões de stop motion que, depois de serem sujeitas a montagem num programa próprio (vídeo PAD), deram origem aos vídeos da animação, em

1 1 O projeto foi orientado pelo Professor Miguel Falcão e coorientado pelos Professores Encarnação Silva, Natália Vieira e Abel Arez.

conjunto com a música escolhida, e subsequentemente à própria animação.

O projeto assenta, principalmente, na exploração da poesia, na sua apropriação como um jogo, e na ideia de que a arte é um fenómeno que desencadeia um conjunto de oportunidades de trabalho que ultrapassa a sua intervenção específica. As diversas expressões artísticas possuem uma linguagem própria, e por vezes especializada, no entanto, elas podem servir como força motora de ações muito particulares e extremamente interessantes, na promoção da educação e do conhecimento.

Contextualização

Vamos Brincar com a Poesia começou por ser um conceito para uma animação de poemas ao vivo, seguida de uma oficina de expressão dramática, no entanto, devido ao contexto gerado pelo confinamento, passou a ser uma animação de poemas apresentada em vídeo, seguida de várias propostas de atividades expressivas.

O objetivo principal é a promoção dos livros e da sua leitura recorrendo ao estímulo e análise lúdica de poemas de cada um dos livros apresentados. A finalidade foi também a de criar uma estratégia alternativa ao primeiro projeto apresentado, visto que a sua execução se encontrava comprometida no seu conceito essencial, que seria a participação e intervenção ativa do público, numa animação seguida de oficina de expressão dramática, no espaço biblioteca.

O projeto pretende ser uma solução de promoção do livro e da leitura, numa situação de confinamento, mas também poderá vir a ser apresentado no espaço da biblioteca, em contexto de escola, ou num contexto de biblioteca pública.

A animação foi apresentada numa sequência de quatro vídeos. A animação Vamos Brincar com a Poesia apresenta um conjunto de livros de poesia, a serem trabalhados em quatro sessões distintas. Cada sessão de vídeo corresponde à apresentação de um livro de poesia, à apresentação de um ou dois poemas do livro e a uma sugestão de atividade a ser explorada pelo público. Também possibilita que o público partilhe os trabalhos realizados com o animador através do email [email protected] .

Histórias

Foram escolhidas quatro obras literárias para o projeto de animação: Primeiro livro de poesia:

poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência (Andresen, 1997), Uma Mão-Cheia de Rimas para Primos e Primas (Letria & Cavalheiro, 1998), O poeta faz-se aos 10 anos (Menéres, 1999) e As fadas verdes (Araújo & Bacelar, 2014).

Os livros escolhidos desempenharam um papel importante na construção do projeto e constituíram a sua principal referência. A escolha das obras incidiu na preferência de autores de língua portuguesa, como veículos da expressão da nossa cultura. A poesia é um jogo de escrita, pode brincar com as palavras e manifestar sentimentos e emoções que por vezes são mais fáceis de entender na nossa própria língua. A escolha dos autores e dos textos foi determinada pela qualidade estética e literária e pela faixa etária a que se dirigem. O texto poético para a infância é curto e respeita o tempo de concentração do indivíduo. Os poemas apresentados também foram escolhidos tendo em conta a mensagem neles contida e a

exploração do seu ritmo e da musicalidade. As obras escolhidas podem possibilitar, para lá da própria animação, uma vasta diversificação da exploração dos seus textos.

Técnicas

As principais técnicas utilizadas nesta animação surgiram do universo do teatro (a comunicação diante do público, o trabalho de corpo e movimento, o uso da voz, em resumo, a representação e o trabalho de ator necessário e fundamental para a animação de histórias).

No entanto, o trabalho demonstrou que esta arte consegue agregar várias outras expressões artísticas. O projeto beneficiou, para além da linguagem do teatro, da literatura, da dança, da música e do cinema na sua conceção e apresentação.

As técnicas utilizadas relativamente ao público aparecem no vídeo como estímulos à criatividade e à expressão artística. O trabalho propõe quatro atividades expressivas de pós- escuta que indicam a exploração da expressão escrita, da expressão plástica, da expressão dramática e da expressão musical, junto do público. Verifica-se que é possível colocar, numa animação, as várias expressões artísticas, para dar forma ao pensamento, à criatividade e à comunicação de uma forma simples e possibilitando a experimentação de atividades e a interação por parte do público, sendo este o propósito inicial do Vamos brincar com a Poesia.

Conclusão

A apresentação do texto poético pode transformar-se numa estratégia que permite desenvolvimento, liberdade de expressão e diálogo. O poema é um texto com ritmo e musicalidade, o que pode constituir um recurso importante, ao nível do desenvolvimento de capacidades expressivas.

Neste projeto, o animador surge como um mediador de livros e de leituras, convertendo a arte no brincar e o brincar em arte. Na construção da performance foram usadas técnicas do teatro (a expressão, o movimento, o ritmo corporal e vocal). Na divulgação foram usadas técnicas audiovisuais. O recurso em si mesmo mostra-se muito interessante e com um grande potencial de enriquecimento das bibliotecas e salas de aula do 4º, 5º e 6º anos do ensino básico. No entanto, o conceito também permite abranger outros níveis de educação e ensino, a partir da escolha de obras adequadas à faixa etária.

A conceção do Vamos Brincar com a Poesia partiu de uma ideia simples, mas não foi simples de executar. Implicou uma planificação clara das ideias a atingir, inúmeros ensaios, repetidas gravações e o permanente melhoramento da composição e montagem dos vídeos. No entanto, é muito gratificante investir num projeto que pretende levar os livros até ao ensino, à educação e aos agentes educativos, numa perspetiva de desenvolvimento do conhecimento, da apropriação da arte nas escolas, numa ação interventiva e participativa que articula a educação e a arte.

Palavras-chave: Animação de histórias/ Poesia/ Arte/ Educação/ Brincar

Referências

Andresen, S. D. M. B. (1997). Primeiro livro de poesia: poemas em língua portuguesa para a infância e a adolescência. Caminho.

Araújo, M. R., & Bacelar, M. (Ilustrador). (2014). As fadas verdes. Civilização

Ferran, P., Marient, F. & Porcher, L. (1979). Na escola do jogo. Editorial Estampa.

Letria, J. J. & Cavalheiro, P. (Ilustrador). (1998). Uma mão-cheia de rimas para primos e primas (2ª Edição). Terramar.

Menéres, M. A. (1999). O poeta faz-se aos 10 anos (2ª edição). Porto: Asa Editores.

Penafria, M. & Martins, Í. M. (org.) (2007). Estéticas do digital: cinema e tecnologia. Livros Labcom. Disponível em: http://labcom.ubi.pt/ficheiros/penafria-esteticas_do_digital.pdf

Rodari, G. (1993). Gramática da fantasia (2ª. edição). Caminho.

HISTÓRIAS FORA DA CAIXA: um

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