5 RESULTADOS E DISCUSSÃO
5.1 Tópico I – Classificação preliminar dos clones de Eucalyptus
5.2.4 Agrupamento multivariado dos clones de Eucalyptus
Observou-se que as três primeiras variáveis canônicas foram, estatisticamente, significativas a 1% pelo teste de Wilks, com aproximação da distribuição F e explicaram 76,10% da variância total. Logo as informações mais relevantes dos dados originais estão contidas nessas três variáveis latentes (TABELA 15).
Tabela 15 - Coeficientes padronizados das três primeiras variáveis canônicas.
Variáveis originais VC1 VC2 VC3 Cont (%)
Energia calorífica individual 0,39 -1,10 -0,12 15,61
Taxa de combustão máxima 0,30 0,62 0,53 7,98
Teor de materiais voláteis 0,13 0,96 0,11 12,77
Relação siringil/guaiacil 0,12 -0,21 0,55 5,18
Temperatura de máxima perda de massa 0,07 -0,27 0,00 1,24
Teor de lignina total -0,07 0,09 -0,34 2,69
Temperatura de ignição -0,21 -0,38 -0,14 0,81
Teor de cinzas -0,22 -0,23 -0,77 6,8
Teor de extrativos solúveis em acetona -0,33 -0,18 0,95 13,31
Temperatura final da combustão -0,45 0,64 -0,47 5,92
Tempo de ignição -0,61 -0,19 -0,40 2,48
Densidade energética (base PCI) -1,05 0,00 -0,28 25,23
Variância explicada (%) 37,8 23,0 15,3 -
VC1; VC2 eVC3: variáveis canônicas 1, 2 e 3, respectivamente; Cont: contribuição
relativa dos caracteres para a divergência pelo método de Singh (1981).
A densidade energética unitária da madeira, influenciada positivamente pela densidade básica (MOUTINHO et al., 2009; PROTÁSIO et al., 2013b), apresentou a maior correlação com a primeira variável canônica. Dessa forma, os maiores escores dessa variável latente indicam clones de Eucalyptus com maior quantidade de energia liberada após a combustão completa por unidade de volume.
Pode-se observar que a produtividade energética por árvore apresentou, em módulo, elevado coeficiente e, consequentemente, alta correlação com a segunda variável canônica. Por outro lado, os teores de extrativos solúveis em acetona e materiais voláteis, a taxa de máxima combustão e a temperatura final desse processo de oxidação da madeira apresentaram significativa importância e coeficientes positivos nessa variável canônica.
Dessa forma, baixos escores para a segunda variável latente indicam clones de Eucalyptus com maior produtividade energética individual. Por outro
lado, elevados escores representam clones com maiores teores de materiais voláteis e extrativos, maior taxa máxima de queima, maior temperatura final de combustão e baixa produtividade energética.
Além disso, os sinais dos coeficientes da segunda variável canônica permitem afirmar que há uma relação positiva entre o teor de materiais voláteis e a taxa máxima de combustão. Esses resultados reiteram os comentários realizados anteriormente (ver itens 5.2.1, 5.2.2 e 5.2.3) e evidenciam a importância dos materiais voláteis na combustão, corroborando com o trabalho de Leroy, Cancellieri e Leoni (2006).
Para a terceira variável estatística canônica, o coeficiente positivo de maior relevância foi associado ao teor de extrativos solúveis em acetona, enquanto, para o teor de cinzas, foi atribuído um coeficiente com sinal negativo. Logo maiores escores para essa variável latente indicam clones de Eucalyptus mais propícios, para o uso energético, pois apresentam madeira com maiores teores de extrativos solúveis em acetona e menores teores de cinzas.
Com base na análise de variáveis canônicas, pode-se constatar que a relação siringil/guaiacil, a temperatura correspondente à máxima perda de massa, o teor de lignina total, a temperatura e o tempo de ignição não foram parâmetros decisivos para o agrupamento dos clones de Eucalyptus analisados (TABELA 15 e FIGURA 19).
Figura 19 - Agrupamento clones de Eucalyptus por meio dos escores das três primeiras variáveis canônicas.
Protásio et al. (2013b) relataram que o teor de lignina total apresentou alta correlação com a primeira variável canônica e afirmaram que esse resultado foi importante, na classificação de clones de Eucalyptus, para a finalidade energética, diferindo do obtido neste trabalho. Entretanto os autores não utilizaram os parâmetros de combustão e o teor de extrativos solúveis em acetona no agrupamento dos clones estudados.
É válido mencionar, ainda, que os materiais genéticos avaliados são provenientes de seleções preliminares e apresentam alto teor de lignina na madeira, ou seja, para essa característica, a variabilidade encontrada entre os clones de Eucalyptus foi menor (5,0%), comparativamente, ao obtido para o teor de extrativos solúveis em acetona (44,0%). Além disso, foi observado efeito
significativo de clone, para o teor de lignina que, por sua vez, apresenta correlação com os teores de materiais voláteis e carbono fixo (ver item 5.2.5).
Pelo método de Singh (1981), Tabela 15, observou-se que os caracteres que mais contribuíram para divergência genética dos clones de Eucalyptus foram a produtividade energética individual, a densidade energética unitária, o teor de extrativos solúveis em acetona, o teor de materiais voláteis e a taxa máxima da combustão, corroborando com os resultados obtidos pela análise de variáveis canônicas e reafirmando a importância dessas propriedades como índices de qualidade da madeira de Eucalyptus para a geração de calor.
Quanto ao agrupamento multivariado dos materiais genéticos avaliados, pode-se constatar que os clones 1039 (Híbrido de E. grandis), 1025 (Híbrido de E. camaldulensis) e 1009 (E. urophylla) apresentaram baixos escores, para a primeira variável canônica, principalmente, pelos maiores valores de densidade energética unitária da madeira e, dessa forma, foram considerados similares.
O grupo formado pelos clones 1024 e 1033, ambos híbridos de E. urophylla e 1036 de E. urophylla, foi caracterizado por desempenho intermediário, na combustão expressa pelo teor de materiais voláteis, densidade energética unitária e produtividade energética individual. Entretanto os clones 1006 de E. urophylla e 1031 de Eucalyptus sp. apresentaram os maiores escores, para a primeira variável canônica, evidenciando menores valores de densidade energética unitária da madeira e, consequentemente, integraram um único grupo.
Os clones 1015 (E. urophylla) e 1023 (híbrido de E. urophylla) apresentaram resultados similares no desempenho na combustão e na quantidade de energia térmica liberada por unidade de volume e, por isso, foram considerados um único grupo pela análise de variáveis canônicas. De forma semelhante, os clones 1004 de E. urophylla x E. camaldulensis e 1005 de E. urophylla, também, integraram um único grupo pela técnica multivariada empregada. Esse resultado pode ser atribuído aos baixos escores para a terceira
variável canônica, ou seja, baixos teores de extrativos solúveis em acetona da madeira desses materiais genéticos.
O clone 1037 pode ser considerado dissimilar, em relação aos demais, pelo baixo escore, para a segunda variável latente que, por sua vez, indica elevada produtividade energética por árvore. Esse clone, também, apresentou elevado escore, para a terceira variável canônica, evidenciando, assim, o maior teor de extrativos solúveis em acetona presente na madeira. O clone 1008, também, foi considerado um único grupo, principalmente, em razão dos maiores teores de materiais voláteis, a maior taxa máxima de combustão da madeira e a menor densidade energética unitária, comparativamente, aos demais materiais genéticos.
Além disso, apesar do desempenho da madeira do clone 1008, no processo de combustão, a sua produtividade energética individual e a sua densidade energética unitária foram inferiores aos resultados observados para o clone 1037. Esses resultados corroboram com aqueles reportados para os agrupamentos univariados e reiteram o potencial de uso da madeira do clone 1037 de Eucalyptus sp. na geração de energia calorífica.
5.2.5 Correlações lineares entre os parâmetros avaliados nas curvas TGA e